O deputado federal e pastor Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) foi instado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a remover dos seus perfis em mídias sociais um vídeo publicado, em 31 de maio, no qual associava o Partido dos Trabalhadores (PT) a facções criminosas, conteúdo que já foi tratado em matéria pelo Bereia. A decisão foi tomada em 19 de junho passado, para ser cumprida em prazo de 24 horas. No entanto, o parlamentar ignorou a medida por quatro dias. Sóstenes Cavalcante retirou a publicação apenas na manhã de terça-feira, 23 de junho.
A postagem em plataformas digitais foi apagada antes de uma coletiva de imprensa. Nela, o líder do PL na Câmara Federal declarou não concordar com a justificativa usada pelo ministro do TSE André Mendonça que proferiu a sentença. A medida atendeu a representação apresentada pela Federação Brasil da Esperança (FE Brasil), formada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e pelo Partido Verde (PV).
Na decisão, Mendonça considerou que a publicação extrapola os limites da crítica política, ao não apresentar critérios de veracidade e nem informações checáveis, o que pode induzir o eleitorado ao erro. De acordo com a decisão do ministro do TSE, a publicação “promove desinformação eleitoral mediante imputação factual grave e não demonstrada, com potencial de induzir o eleitor a erro sobre fato politicamente relevante”.
Sóstenes Cavalcante declarou a jornalistas na coletiva: “Não concordo porque eu nenhum momento do meu vídeo eu afirmei. Eu disse que há suspeita do governo americano de que há financiamento de recursos do Comando Vermelho e do PCC ao Partido dos Trabalhadores”.
Sobre o caso
O deputado federal Sóstenes Cavalcante(PL-RJ) afirmou em um vídeo publicado em seus perfis de mídias sociais que há suspeitas de que as campanhas eleitorais do PT são subsidiadas pelo dinheiro de facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas. Ele produziu o conteúdo logo após a divulgação de uma resolução do governo dos Estados Unidos que classificou associações criminosas brasileiras como terroristas.
O deputado pastor da Assembleia Vitória em Cristo disse, no vídeo, que o governo dos Estados Unidos rastrearia o dinheiro ilícito dessas facções, por existirem suspeitas de que o dinheiro dessas organizações criminosas financia campanhas eleitorais de candidatos filiados ao PT.
Bereia classificou as afirmações como falsas, pois o parlamentar não apresentou provas e nem fontes de informação, elementos que não podem ser encontrados em apuração e pesquisa pois é conteúdo inventado, sem base factual para checagem.
Bereia alerta leitores e leitores para a estratégia de campanha de certos políticos que abrem mão do debate de ideias e propostas para, deliberadamente, lançar mentiras para atacar opositores. Nesta estratégia estes políticos têm consciência do tempo entre o lançamento da mentira nas redes, o protocolamento de representações dos atingidos no TSE e a decisão de quem julga para fazer circular o conteúdo desinformativo.



