Com a proximidade da campanha eleitoral no Brasil, o já conhecido negacionismo contra vacinas e sobre a pandemia de covid-19 voltou à tona. O tema é recorrente e se materializa em publicações com mentiras e falsidades propagadas especialmente por políticos e apoiadores da direita extremista no Brasil, em particular do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.
Bereia levantou que, nos primeiros dias deste agosto de 2026, foram intensas as movimentações nas redes com publicações que retomam conteúdo falso e enganoso sobre as vacinas contra a covid-19 e sobre o vírus. Este tipo de conteúdo vem sendo, há anos, contestado tanto pela Organização Mundial de Saúde quanto pelos órgãos competentes no Brasil. Bereia já publicou várias matérias sobre elas. Além de ter sido responsável pelo adoecimento e pela morte de muitas pessoas que acreditaram nele e deixaram de se imunizar não só contra a covid-19 como também contra outras doenças.
Alguns dos novos conteúdos, com apelo eleitoral, como o do deputado federal evangélico (Assembleia de Deus) Coronel Chrisóstomo (PL-RO), chegam a propagar ser necessário agora pedir desculpas ao ex-presidente que teria tido razão ao se posicionar contra as vacinas contra a covid-19 e a favor de medicamentos como cloroquina e ivermectina.

Bereia verificou que muitas publicações sobre o mesmo assunto se alastraram pelas redes de pessoas com identidade religiosa nestes dias, entre elas pastores, lideranças católicas e evangélicas, como estas a seguir, em grupo de WhatsApp e no Facebook.


O que provocou a nova onda de mentiras sobre vacinas?
Amplamente divulgada no noticiário, uma audiência no Senado dos Estados Unidos, que envolveu o depoimento do médico e imunologista Anthony Fauci , em 29 de julho passado, impulsionou a nova onda de mentiras e falsidades sobre a covid-19 e vacinas no Brasil. Parlamentares, candidatos, médicos e influenciadores alinhados à direita extremista transformaram a opção do ex-conselheiro da Casa Branca em suposta prova de que vacinas, máscaras e medidas de distanciamento não funcionaram. Propagaram ainda que o ex-presidente Jair Bolsonaro estava certo ao defender medicamentos ineficazes contra a doença. As conclusões, porém, não se sustentam diante das evidências científicas acumuladas desde 2020.
Textos e vídeos que retomam a defesa da hidroxicloroquina e da ivermectina, questionam a segurança dos imunizantes e apresentam a recusa de Anthony Fauci em responder aos senadores como uma confissão de culpa, alcançaram dezenas de milhões de visualizações. Levantamento da agência Lupa registrou 28,6 mil menções ao nome do médico entre 29 de julho e 3 de agosto, além de 23,1 mil citações à covid-19 no mesmo período.

Desde 2020, Bereia acompanha como informações falsas sobre a pandemia e a vacinação são associadas a discursos políticos e religiosos para mobilizar públicos conservadores. Em julho deste ano, reportagem do Coletivo mostrou que o movimento antivacina deixou de se limitar a alegações sobre imunizantes e passou a integrar uma agenda que questiona a atuação do Estado na saúde, na educação e na proteção da infância. A repercussão da audiência de Fauci dá continuidade a esse movimento: fatos ocorridos nos Estados Unidos são retirados de contexto e usados no Brasil para reabilitar posições defendidas pelo governo Bolsonaro durante a crise sanitária durante a Pandemia de Covid-19.
Quem é Anthony Fauci?
Anthony Fauci dirigiu o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID) durante 38 anos, entre 1984 e 2022, e assessorou governos republicanos e democratas. Durante a pandemia, integrou a força-tarefa da Casa Branca no governo Donald Trump e, posteriormente, tornou-se conselheiro médico-chefe do presidente Joe Biden. A exposição pública e os confrontos com o presidente Trump fizeram dele um dos principais alvos de grupos conservadores e antivacina naquele país.
Em 29 de julho, Fauci compareceu ao Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado, após ser intimado pelo presidente do colegiado Rand Paul (Partido Republicano). A sessão retomou questionamentos sobre a origem do vírus SARS-CoV-2, o financiamento estadunidense de pesquisas com coronavírus no Instituto de Virologia de Wuhan, na China, e as decisões de saúde pública adotadas durante a pandemia.
O senador Rand Paul, que se colocou como adversário político do médico Anthony Fauci desde a crise sanitária, em 2019, acusa o médico de ter mentido ao Congresso sobre o financiamento das pesquisas e de participar de um encobrimento da hipótese de vazamento do vírus de um laboratório. Fauci nega as acusações e afirma ter respondido com veracidade quando presente em audiências realizadas anteriormente. Dias antes do novo depoimento, Rand Paul divulgou 1.141 páginas de anotações mantidas pelo imunologista entre dezembro de 2019 e dezembro de 2022.
Na nova audiência, declaração inicial, Fauci acusou o senador de conduzir uma campanha contra ele, para levá-lo à prisão. “A única conclusão a que posso chegar é que a única razão pela qual ele está me convocando perante este comitê é para me fazer dizer algo, qualquer coisa, que possa justificar suas repetidas promessas públicas de que eu acabe, nas palavras dele, ‘atrás das grades’”, declarou. Seguindo a orientação de seus advogados, invocou mais de cem vezes a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege qualquer pessoa de ser obrigada a produzir prova contra si mesma. Este direito de defesa é também praticado no Brasil e amplamente conhecido, quando das transmissões ao vivo das sessões das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), nas quais pessoas convocadas para depor recorrem ao direito de ficar em silêncio.
O recurso ao direito de permanecer calado não equivale a uma admissão de culpa. Diante das investidas da direita extremista dos EUA contra o médico, o ex-presidente dos EUA Joe Biden concedeu a ele, em janeiro de 2025, um indulto preventivo relacionado aos atos praticados entre 2014 e 19 de janeiro daquele ano. A proteção, porém, não alcança declarações posteriores. Por isso, respostas dadas sob juramento na audiência poderiam gerar novas acusações de falso testemunho, caso fossem consideradas incorretas. O alcance do indulto e a possibilidade de o Senado obrigá-lo a responder ainda são objeto de disputa jurídica.
Acusações partiram do governo Trump
A convocação de Fauci foi precedida por outra movimentação política. Em 18 de junho, no último dia como diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos (para acompanhar o marido doente), a política oficial da Reserva do Exército dos Estados Unidos, membro do Partido Republicano Tulsi Gabbard divulgou centenas de páginas de documentos contra Anthony Fauci, referentes a a investigações da origem da covid-19. O comunicado oficial atribuiu aos arquivos uma conclusão categórica: Fauci teria financiado pesquisas no laboratório de Wuhan, na China, que teriam originado a pandemia, manipulado avaliações dos serviços de inteligência e mentido ao Congresso.
Os documentos, entretanto, não demonstram essas acusações. Eles confirmam um fato conhecido: recursos dos Estados Unidos, repassados por meio da organização EcoHealth Alliance, financiaram pesquisas com coronavírus que envolveram o Instituto de Virologia de Wuhan. O material, porém, não identifica um vírus financiado pelos que tenha se transformado no SARS-CoV-2, não estabelece que esse trabalho tenha causado a pandemia e não apresenta uma avaliação dos serviços de inteligência que responsabilize Fauci pelo surgimento da doença.
Os arquivos divulgados pela ex-integrante do governo de Donald Trump também não comprovam que Fauci tenha controlado as conclusões das agências de inteligência. Os registros indicam que ele participou de reuniões, recebeu informações e sugeriu nomes de cientistas que poderiam ser consultados e são atividades compatíveis com o cargo de diretor do instituto governamental de saúde e de assessor da resposta à pandemia. Um e-mail incluído no próprio conjunto documental mostra que analistas decidiram não convidá-lo para revisar formalmente um relatório sobre a origem do vírus, justamente porque poderia ser visto como parte interessada. Outro registro informa que não havia evidência de uma visita de Fauci à sede da CIA para pressionar a agência, como alegado pelo senador Rand Paul.
Caso Fauci é usado na campanha política no Brasil
No Brasil, a repercussão do caso não ficou restrita às dúvidas sobre a origem do vírus. A audiência com Fauci tem sido usada para reavivar o negacionismo e recolocar em circulação alegações contra vacinas, máscaras, isolamento social e o chamado “tratamento precoce” da covid-19. Tudo é acompanhado da conclusão de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria sido injustiçado durante a pandemia.
O vídeo de maior alcance foi publicado pelo deputado federal evangélico Nikolas Ferreira (PL-MG). A gravação ultrapassou 38 milhões de visualizações no Instagram. Nela, o parlamentar afirma que os diários de Fauci comprovariam que o imunologista abandonou a hidroxicloroquina por motivos políticos, após Donald Trump ter defendido o medicamento. o deputado mineiro também cita estudos sobre ivermectina para concluir que “Jair Messias Bolsonaro estava certo” e apresenta o recurso de defesa pelo silêncio na audiência como indício de que as autoridades de saúde enganaram a população.
O deputado ainda associou um infarto pulmonar registrado por Fauci, em junho de 2021, à vacina contra a covid-19, sem apresentar comprovação. O problema foi identificado cerca de seis meses depois da primeira dose recebida pelo médico, mas não há evidência de relação causal entre a imunização e a doença. A proximidade temporal entre os dois eventos não demonstra que um tenha provocado o outro.

O deputado federal cassado por abandono do cargo Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também usou o episódio para defender o pai. Em publicação feita dos Estados Unidos, onde vive desde março de 2025, afirmou que pessoas que responsabilizaram o ex-presidente pela morte de familiares teriam acreditado em “fake news em relação à vacina” e deveriam pedir desculpas.

O senador e pastor evangélico Magno Malta (PL-ES) declarou que as “últimas revelações” comprovariam que ele e Bolsonaro “estavam certos desde o início”. “Naquela época fomos chamados de loucos, negacionistas, teóricos da conspiração e acusados de espalhar fake news. Mas a história não erra: toda compra feita com a mentira gera um débito com a verdade, e essa conta sempre chega”, disse ele em uma das publicações que fez sobre o assunto em seu perfil no Instagram .

A médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi, que ganhou projeção nacional durante a pandemia por defender o chamado “tratamento precoce” contra a covid-19, candidata a deputada federal nas eleições 2026 pelo PL-SP, voltou a sustentar a eficácia de medicamentos sem comprovação científica. “Cada dia mais comprova-se que eram eficazes e poderiam ter salvado muitas vidas se usados precocemente”, escreveu em publicação no Instagram. O texto da candidata tem apelo religioso e termina com uma citação do Evangelho de Lucas – “Pois todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado” –, além de associar referências religiosas como “Fé” e “Deus no comando” a alegações sobre medicamentos que não tiveram eficácia comprovada contra a doença.

A mesma abordagem apareceu em veículos brasileiros alinhados à direita política. Em editorial publicado, em 19 de julho, a propósito da divulgação dos documentos contra Fauci, pela ex-diretora de Inteligência dos EUA, o Poder360 descreveu o médico como alguém de “narcisismo exacerbado” e “sociopatia” e apresentou a frase usada para invocar a Quinta Emenda como “comumente usada por criminosos”. O texto utiliza trechos do diário sobre a exposição pública do médico para construir um julgamento de personalidade, mas esses registros não demonstram que ele tenha causado a pandemia nem alteram as evidências sobre vacinas e tratamentos.

O portal gospel PlenoNews também impulsionou a nova onda de mentiras e falsidades sobre o tratamento contra a covid19, com apelo eleitoral..

Desdobramentos no Senado americano
A Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado dos Estados Unidos aprovou em 6 de agosto, com os votos dos Republicanos, uma resolução que declara desacato de Anthony Faucia ao Congresso”. A proposta partiu do presidente da comissão, o senador Rand Paul. Ele afirmou que Fauci não tinha direito à Quinta Emenda porque o perdão dado pelo ex-presidente Biden a anulou e porque o médico renunciou a qualquer proteção remanescente ao testemunhar.
O senador encaminhou o caso diretamente ao Departamento de Justiça, sem passar pelo plenário do Senado, como habitualmente ocorre. A medida não significa que Fauci tenha sido condenado: o governo ainda avaliará a validade do encaminhamento e decidirá se apresentará uma acusação formal.
Se o caso avançar, a promotoria federal de Washington, comandada pela aliada do governo Jeanine Pirro, deverá analisar o pedido e decidir se fará uma acusação formal perante um grande júri.
Fauci também é investigado por autoridades estaduais: estados do Partido Republicano como Louisiana, a Flórida e o Alabama uniram-se nas investigações sobre a atuação do médico durante a pandemia. Nesses casos, o perdão concedido na esfera federal não impede a apresentação de acusações estaduais.
O que as evidências científicas registram sobre covid e vacinas
O fato de uma autoridade pública ser investigada, mudar uma orientação ou optar pelo silêncio não modifica os resultados de estudos clínicos conduzidos por equipes independentes em diferentes países. A ciência sobre a covid-19 não depende da conduta individual do Dr. Fauci ou de qualquer outro individualmente.
Os medicamentos apregoados por políticos e aliados da direita extremista, hidroxicloroquina e ivermectina, foram estudados no início da pandemia, quando ainda havia poucas alternativas terapêuticas. Ensaios clínicos maiores e mais rigorosos não confirmaram qualquer benefício deles contra a covid-19. Uma diretriz da Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda não utilizar hidroxicloroquina para tratar a doença e também se posiciona contra a ivermectina fora de pesquisas clínicas. Portanto, são falsas as afirmações de que a eficácia desses medicamentos está cada vez mais comprovada ou de que eles poderiam ter salvado milhões de vidas. Não há registros por instituições reconhecidas de tais alegações.
Também não é correto afirmar, de forma geral, que máscaras não funcionaram, como voltou a ser propagado pelas redes neste agosto de 2026. O grau de proteção varia conforme o tipo de máscara, o ajuste ao rosto, o ambiente, a adesão e a circulação do vírus. Ainda assim, revisões sistemáticas encontraram associação entre o uso de máscaras e a redução do risco de infecção por covid-19. Isso não significa que fossem uma barreira perfeita, mas contradiz a afirmação categórica de que eram inúteis. O que vale também para proteção contra outras doenças sob contaminação pelo ar. O uso de máscaras é amplamente praticado há anos.
As vacinas contra a covid-19, como quaisquer outros imunizantes e medicamentos, podem causar eventos adversos, e riscos raros. É fato que determinados casos de miocardite foram identificados e divulgados pelos sistemas de vigilância. Reconhecer esses eventos não equivale a afirmar que os imunizantes sejam mais perigosos que a doença, como vem sendo propagado. Evidências em condições reais continuam mostrando que vacinas atualizadas reduzem casos graves e mortes. Estudos divulgados pela OMS no fim de 2025, indicaram que uma dose recebida nos seis meses anteriores evitou cerca de 60% das hospitalizações analisadas. Isto ocorre historicamente com outras doenças, que desapareceram diante da cobertura vacinal.
No Brasil, a retomada desses argumentos ocorre justamente no momento em que o Ministério da Saúde promove a Campanha Nacional de Multivacinação e em que a vacinação infantil volta ao centro do debate público. Bereia já mostrou como a oposição aos imunizantes passou a mobilizar noções de liberdade individual, autoridade parental e resistência ao Estado, muitas vezes associadas a valores religiosos. Também verificou, desde 2020, alegações falsas sobre mortes atribuídas à vacina da Pfizer, supostas formas de controle da população e teorias conspiratórias que criam pânico difundidas em grupos antivacina.
Um fato não pode ser contestado e marca a vida de milhares de famílias no Brasil: mais de 700 mil pessoas morreram em decorrência da covid-19, segundo os registros oficiais do Ministério da Saúde. A crise teve início com a confirmação do primeiro caso, em 26 de fevereiro de 2020, e atravessou um período mais grave até 5 de maio de 2023, quando a OMS encerrou a emergência sanitária internacional, o que não significou o desaparecimento da doença.
Pesquisadores alertam, porém, que a dimensão da tragédia pode ser ainda maior. A falta de testes, os diagnósticos incorretos e as desigualdades no acesso aos serviços de saúde contribuíram para a subnotificação. Estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estima que, apenas em 2020, pelo menos 18% das mortes por covid-19 não foram registradas como consequências da doença.
Parte expressiva dessas mortes poderia ter sido evitada, segundo pesquisas apresentadas à Comissão Mista Parlamentar de Inquérito da Pandemia, realizada pelo Congresso Nacional em 2021. As investigações apontaram que medidas como coordenação nacional, distanciamento social, testagem, uso de máscaras e aquisição mais rápida de vacinas teriam reduzido o impacto da doença.
O epidemiologista Pedro Hallal, durante depoimento na CPMI da Pandemia, em 24 de junho de 2021 , estimou que quatro em cada cinco das 507 mil mortes contabilizadas até junho daquele ano poderiam ter sido evitadas se o Brasil tivesse atuado como outros países. De acordo com o pesquisador da Universidade Federal de Pelotas, apenas o atraso da vacinação custou ao menos 95,5 mil vidas.
Ao fim de quase seis meses de investigação, a CPMI aprovou um relatório que recomendou o indiciamento do então presidente Jair Bolsonaro por nove crimes, entre eles, epidemia com resultado de morte, infração de medida sanitária preventiva, prevaricação, charlatanismo, crimes de responsabilidade e crimes contra a humanidade. O documento também propôs o indiciamento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, hoje deputado federal pelo Pl-RJ, por epidemia com resultado morte, prevaricação, emprego irregular de verbas públicas, comunicação falsa de crime e crimes contra a humanidade. As recomendações não equivalem a condenações judiciais, nem indiciamento policial, mas registraram a avaliação dos parlamentares sobre as ações e omissões do governo da época na condução da crise sanitária.
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Bereia classifica como enganosas as publicações que apresentam a audiência de Anthony Fauci e os documentos divulgados nos Estados Unidos como comprovação de que vacinas e máscaras não funcionaram, de que ivermectina e hidroxicloroquina eram tratamentos eficazes e de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estava correto na condução da pandemia. A convocação e o exercício da Quinta Emenda, para o direito de ficar em silêncio, são fatos; também é legítimo investigar decisões de autoridades e a origem do vírus. Porém, o material é enganoso porque combina esses elementos verdadeiros com conclusões que não decorrem deles e que contrariam o conhecimento científico acumulado. As questões políticas nos Estados Unidos que envolvem disputas partidárias e campanhas eleitorais não podem ignoradas na abordagem deste caso, como Bereia checou. O resultado é uma tentativa de transformar uma disputa política estadunidense em campanha eleitoral no Brasil, em justificativa para negar fatos amplamente comprovados e reescrever a história da mais dramática crise sanitária brasileira, que deixou mais de 700 mil mortos.
Referências
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