Coletivo Bereia integra projeto especial do Comprova

No mês em que completa um ano de fundação, o Coletivo Bereia é selecionado para integrar o projeto Comprova + Comunidades, que reúne oito iniciativas de jornalismo atuantes em comunidades ou com temáticas raciais e religiosas. O Comprova é uma iniciativa da First Draft, liderada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que trabalha em colaboração com jornalistas de 28 veículos de comunicação do Brasil no combate à desinformação.

As oito iniciativas selecionadas são coletivos e agências das cinco regiões do país e que estão conectadas a públicos segmentados por territórios, temáticas raciais ou religiosas e a comunidades vulneráveis. Os representantes de cada coletivo ou agência atuarão no Comprova por 6 meses, devido a um convênio da Missão Americana no Brasil com a Abraji para combater desinformação relacionada à COVID-19.

Do Coletivo Bereia participam Juliana Dias e Luciana Petersen, que participam do coletivo desde o início. Os coletivos e agências estão recebendo treinamento para verificação, apoio para aquisição de equipamentos e uma ajuda financeira para remunerar os profissionais que atuarão no Comprova. Além do trabalho colaborativo nas investigações, espera-se que os novos participantes possam ajudar na criação de novas narrativas que ajudem a disseminar o resultado das verificações feitas pelo Comprova.

Fazem parte do projeto as seguintes agências e coletivos:

  • Marco Zero Conteúdo – coletivo de jornalismo independente em Recife que realiza cobertura local e regional, com foco no interesse público e nos setores mais vulneráveis da população.
  • Agência Mural de Jornalismo das Periferias – tem como missão minimizar as lacunas de informação e contribuir para a desconstrução de estereótipos sobre as periferias da Grande São Paulo.
  • Bereia – coletivo de jornalismo colaborativo para verificação de notícias em ambientes digitais religiosos.
  • Rádio Noroeste – instrumento de fortalecimento da cultura local, por meio da valorização das raízes e tradições populares, do esporte e lazer que animam a comunidade, e da economia da região noroeste de Goiânia.
  • Amazônia Real – agência que nasceu com o objetivo de fazer jornalismo independente, investigativo e pautado nas questões da Amazônia e de seu povo.
  • Coletivo Niara – grupo criado em 2014 por alunos da Universidade Federal do Pampa, campus São Borja, com o objetivo de acolher os ingressantes pretos e criar uma comunidade de apoio.
  • Alma Preta – agência de jornalismo especializada na temática racial do Brasil, cujo objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos por meio do jornalismo qualificado e independente.
  • Favela em Pauta – portal de notícias formado por jornalistas baseados em favelas e periferias das cinco regiões do Brasil e que exerce a comunicação sob a perspectiva jovem, negra e periférica, utilizando as técnicas do jornalismo profissional.

Para o presidente da Abraji, Marcelo Träsel, a inclusão das agências e coletivos amplia o alcance do Comprova junto a públicos ainda pouco atendidos. Também é mais um passo no compromisso da atual gestão em aumentar a diversidade nas atividades da associação.

“Informações falsas podem até matar. Principalmente na área de saúde. Esperamos que esse programa possibilite que informações de qualidade cheguem a brasileiros que nem sempre têm acesso a esse tipo de checagem”, disse o adido de imprensa do Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, Philip Drewry. “Nosso objetivo é garantir que brasileiros tenham à disposição as informações de que precisam para tomar decisões embasadas e conscientes.”

“Esta parceria representa muito para o nosso Coletivo. Primeiro, significa um reconhecimento da relevância do serviço que prestamos e da capacidade que temos de produzir conteúdo comprometido com informação de qualidade. Em segundo lugar, é uma oportunidade de aprendermos com o Comprova e com outros projetos e coletivos, o que trará, por certo, aperfeiçoamento para o nosso trabalho. Terceiro, é uma chance de aprofundarmos nossa perspectiva de jornalismo colaborativo e vocação de atuação coletiva”, afirma Magali Cunha, editora-geral do Coletivo Bereia.

As organizações de mídia envolvidas na terceira fase do Comprova são: A Gazeta, Gazeta do Sul, AFP, Band News, Band TV, Band.com.br, Canal Futura, Correio (da Bahia), Correio de Carajás, Correio do Estado, Correio do Povo, Diário do Nordeste (CE), Estado de Minas, Exame, Folha de S.Paulo, GaúchaZH, Jornal do Commercio, Metro Brasil, Nexo Jornal, NSC Comunicação, O Estado de S. Paulo, O Popular, O Povo, Poder360, Rádio Band News FM, Rádio Bandeirantes, revista Piauí, SBT e UOL.

Google News Initiative e Facebook Journalism Project ajudaram a financiar o projeto, e ambas as empresas estão fornecendo suporte técnico e treinamento para as equipes envolvidas. O Comprova tem como parceiros institucionais a Associação Nacional de Jornais no Brasil (ANJ), o Projor, a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), a agência Aos Fatos e a RBMDF Advogados. Os parceiros de tecnologia são CrowdTangle, NewsWhip, Torabit, Twitter e WhatsApp.

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Foto de Capa: Projeto Comprova + Comunidades/Divulgação

Grupo de mídia evangélica que pertence a senador bolsonarista é um dos que mais dissemina desinformação, afirmam pesquisadores

Reproduzimos, na íntegra, a reportagem publicada pela agência de jornalismo investigativo Pública, na qual o Coletivo Bereia foi ouvido através de sua editora-geral, Magali Cunha, e da jornalista Juliana Dias. Além da fala das especialistas, foi citado também o trabalho de verificação de fatos feito por Bereia durante a pandemia do coronavírus que identificou desinformação em matérias do site Pleno.News.

*Publicado originalmente pela Agência Pública. Reportagem assinada por Ethel Rudnitzki e Laura Scofield.

“Sol forte pode matar coronavírus em 34 minutos.” Essa é uma das manchetes enganosas publicadas pelo site Pleno.News durante a pandemia de coronavírus. 

O site, que promete em seu slogan “notícias de verdade”, é na realidade “um dos portais religiosos que mais publica material desinformativo”, segundo a jornalista Magali Cunha, doutora em ciências da comunicação e integrante do Coletivo Bereia – uma iniciativa de checagem de fatos publicados em mídias religiosas. O Bereia já encontrou diversos conteúdos falsos, enganosos e imprecisos nos textos do portal, segundo a pesquisadora. “A questão não é fake news apenas, é desinformação. Que confunde, direciona”, explica.

Fundado em 2017, o Pleno.News representa a nova cara do Grupo MK – uma das maiores empresas de mídia evangélica no país –, que tem investido em canais digitais e tem conexões políticas notórias.

Conhecido pela atuação no ramo da música gospel – com a gravadora MK Music e a Rádio 93 FM –, o grupo pertence à família do senador Arolde de Oliveira, presidente do PSD no Rio de Janeiro. Sua esposa, Yvelise de Oliveira, é a CEO da empresa e a filha, Marina de Oliveira, é uma das principais artistas agenciadas pelo grupo, que também é responsável por lançar no cenário da música gospel nomes como Aline Barros, Fernandinho, Bruna Karla e a deputada e pastora Flordelis, que recentemente recebeu muita atenção da mídia por estar sendo acusada de assassinar o marido. 

Com a chegada da internet e dos suportes digitais, a receita da MK – que era majoritariamente gravadora de CD/DVD – caiu muito e a empresa decidiu mudar seus investimentos. “Nós construímos então todas essas plataformas e nos tornamos em uma empresa essencialmente digital”, disse em entrevista à Agência Pública o senador Arolde de Oliveira. 

Aproveitando a credibilidade e a fama que a MK tinha entre o público evangélico, a empresa decidiu fundar então o Pleno.News, no qual a maioria das publicações é voltada ao noticiário político nacional sob a ótica conservadora – e por vezes enganosa –, deixando em segundo plano o cenário gospel. Além do Pleno, a MK passou a oferecer serviços digitais como a monetização e administração de canais de YouTube – MK Network. Entre os clientes estão artistas gospel e políticos como o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos).

Desde agosto de 2018, a MK News gerencia o canal do YouTube do filho do presidente “de forma a potencializar o número de visualizações e inscritos”, conforme anunciado pela empresa. O canal de Flávio recebeu dinheiro público em anúncios da Secretaria de Comunicação do governo federal, como revelamos nesta reportagem. “A chegada do Flávio tem um grande significado, um marco nessa virada [digital]”, afirmou na época o deputado federal Arolde de Oliveira.

Além de Flávio, a MK presta esse serviço para outros três parlamentares – o senador Álvaro Dias, o próprio Arolde de Oliveira e a deputada Flordelis, em seu canal musical. Questionados, os parlamentares não responderam sobre a vigência de seus contratos com a MK, os serviços prestados e a origem dos pagamentos. A reportagem não encontrou registros de uso de dinheiro público para a contratação da MK pelos deputados. 

Arolde, Bolsonaro e MK: uma só campanha

A radicalização política do Grupo MK coincide com a aproximação do senador Arolde de Oliveira à família Bolsonaro. Deputado constituinte e convertido à Igreja Batista, o atual senador foi um dos primeiros parlamentares a representar a bancada evangélica no país. “O orgulho em ser evangélico vem do fato de que deixamos de ser minoria”, revelou em entrevista à repórter Andrea Dip para o livro Em nome de quem? A bancada evangélica e seu projeto de poder. “No meu primeiro mandato, nós éramos meia dúzia de evangélicos”, lembrou, projetando que o segmento seria um terço da Câmara na legislatura seguinte.

Apesar de representar uma parcela conservadora da sociedade, Arolde passou por quatro legendas em sua carreira (PDS; DEM, antigo PFL; PSC e PSD), todas ligadas ao chamado “centrão”. Foi deputado federal pelo Rio de Janeiro de 1984 até 2018, mantendo relações próximas com políticos cariocas como Anthony Garotinho e Pezão.

Em 2018, contrariou a cúpula de seu partido (PSD) para apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência. Com um discurso de negação da velha política, foi eleito senador ao lado de Flávio. “Nós [Arolde e Jair Bolsonaro] temos o mesmo pensamento, a mesma formação. Ele é capitão do Exército, eu sou capitão do Exército. Depois eu fiz economia, engenharia, outros cursos, mas o pensamento é o mesmo, e continua o mesmo”, comparou.

Em foto publicada nas redes sociais, Flordelis e Arolde de Oliveira declaram apoio a Jair Bolsonaro na campanha pela presidência.

A proximidade de Arolde com Bolsonaro fortaleceu tanto a campanha eleitoral do senador quanto a do próprio presidente. “A estratégia da campanha dele [Bolsonaro] era manter o discurso e usar rede social, que era onde ele tinha espaço. Ele não tinha espaço na mídia vertical intermediada e tradicional”, conta Arolde, que participou de reuniões da pré-campanha do candidato à Presidência. Ele revela que usou a mesma estratégia na sua campanha para senador. “Fui para o Facebook e impulsionei para o público evangélico. Mandei mensagem para o conservador”, disse. 

A aproximação com os políticos – em especial os do clã Bolsonaro – também faz parte da marca do Pleno.News. Em editorial publicado no dia 8 de abril, a editora-chefe do portal, Virgínia Martin, escreveu: “Se eu defendo Bolsonaro? Sim. Somos Pleno.News. E somos todos pela figura incomum deste presidente”.

A imagem de Bolsonaro é usada também para promoção do portal, que tem investido nas redes sociais. “Notícias do presidente Bolsonaro e do governo sem fake news”, diz um dos dez anúncios do Pleno.News veiculados entre janeiro e junho de 2020 no Facebook. 

Anúncios veiculados pelo site Pleno.News no Facebook entre janeiro e junho de 2020 não escondem apoio do portal ao presidente Jair Bolsonaro

A jornalista Juliana Dias, integrante do Coletivo Bereia, foi coordenadora do portal ElNet, que precedeu o Pleno.News em 2002. Ela afirma que os conteúdos de cunho político se tornaram mais explícitos no site recentemente. 

“A lógica era sempre produzir notícias relacionadas com temas da fé cristã, […] uma lógica de repercutir notícias atuais com uma ótica religiosa, mas não havia tanto partidarismo”, recorda. “Não é uma questão de defender o presidente Bolsonaro, nós damos notícias conservadoras”, defende o senador e dono do Grupo MK, Arolde de Oliveira. 

A pesquisadora Magali Cunha rebate o argumento de Arolde. Para ela, a campanha de Bolsonaro foi “nitidamente articulada por grupos como o MK”, com forte participação de portais de notícias religiosas, como o Pleno.News, além de outros exemplos, entre eles o Gospel Prime, o Gospel Mais e o Conexão Política. “Tanto que o governo Bolsonaro financia esses portais por meio de anúncios pagos com dinheiro público até hoje”, analisa. 

O Pleno.News veicula banners de anunciantes e os vídeos no YouTube que são monetizados com propagandas financiadas com dinheiro público. No ano passado, o site veiculou anúncios da campanha Nova Previdência, da Secretaria de Comunicação do governo (Secom). 

O apoio a Bolsonaro fica claro também na participação de representantes do portal em eventos de comunicação de projetos do novo governo. Durante o lançamento da campanha “Aqui é Brasil”, em dezembro de 2019, a diretora financeira do grupo MK, Cristina Xisto, tirou fotos com o presidente Jair Bolsonaro e com o então ministro da Justiça Sergio Moro. O Pleno.News fez uma matéria sobre o evento.

As desinformações e escândalos do Grupo MK

Recentemente, o Pleno.News inaugurou colunas sobre política escritas por deputados bolsonaristas. Antes deles, os únicos políticos que assinavam textos de opinião no site eram o senador Arolde de Oliveira e o pastor Silas Malafaia, escrevendo majoritariamente sobre temas morais e religiosos. 

Os novos colunistas do portal, Bia Kicis e Carlos Jordy, são acusados de envolvimento em redes de desinformação e começaram a escrever para o portal em julho deste ano. A deputada é alvo de dois inquéritos no STF que apuram, respectivamente, a disseminação de notícias falsas e a organização de atos antidemocráticos. Nesse último, ela, o senador Arolde de Oliveira e outros três deputados tiveram seus sigilos bancários quebrados a pedido do ministro Alexandre de Moraes. 

Para o senador, ambos os inquéritos – sobre fake news e atos antidemocráticos – fazem parte do que ele chama de “aparelhamento do Estado”. “É o ativismo político de ministros do Supremo – o STF é uma instituição, mas alguns ministros estão fazendo essas coisas.”

O Pleno.News tem dado destaque a esse tipo de crítica contra ministros do Supremo. Na ocasião da quebra de sigilo de parlamentares no contexto do inquérito das fake news, o site deu ênfase às críticas de apoiadores do presidente: “Usuários de rede social pedem prisão de Alexandre de Moraes”, destacava uma manchete. Quando o ministro pediu o bloqueio de contas de Twitter de apoiadores do presidente, o site publicou “Web se revolta com censura e acusa: #STFVergonhaMundial”.

Corrente de Whatsapp divulga o portal Pleno.News ao lado de sites de fake news em oposição a veículos de imprensa

A pandemia de coronavírus também tem tido cobertura de destaque no portal. “Coronavírus – tudo que você precisa saber”, anuncia a página inicial do site. Porém, o portal tem veiculado uma série de conteúdos desinformativos sobre o tema, conforme relata Magali Cunha. Notícias sobre perseguição de cristãos na China, por exemplo, foram impulsionadas reativando um antigo debate sobre o comunismo. “Nessas narrativas, a China é colocada como o ‘lado do mal’, com o vírus vindo de lá”, explica. 

Conteúdos parecidos foram publicados também pelo site da Rádio 93 FM, outra empresa do Grupo MK, e no Twitter do senador Arolde de Oliveira. No dia 11 de agosto, em um tuíte no qual se refere ao covid-19 como “vírus chinês”, o parlamentar questionou o número de mortes causadas pelo coronavírus no Brasil. A postagem compara os óbitos registados no ano passado com os deste ano, mostrando que a diferença é menor do que os 100 mil. Além de ela não revelar a fonte dos dados, agências de checagem mostraram que esse tipo de comparação é enganosa. Ainda assim, a publicação recebeu mil curtidas e 300 retuítes. 

O senador rebate as acusações de fake news. “O Pleno é um canal conservador, só que as notícias são curadas. Nós não temos notícias mentirosas. Não temos fake e nós citamos a fonte”, afirmou.

Além das acusações de fake news, dois escândalos recentes envolveram artistas da gravadora MK Music. Investigações da polícia apontaram que o celular do pastor Anderson Carmo, que teria sido assassinado a mando de sua esposa, a pastora Flordelis, estava na casa de Arolde de Oliveira no dia do crime. Na época, Flordelis ainda tinha contrato com o selo. Segundo a polícia, o aparelho do pastor chegou a ser conectado ao wi-fi da residência. Arolde se disse “chocado e sem chão” diante da investigação, que ainda está em curso.

Questionado sobre a polêmica, o senador disse que a empresa está afastada de Flordelis desde o assassinato e que, com o indiciamento, o contrato com a pastora deve ser rescindido. “Era uma relação estritamente comercial que tínhamos com os cantores”, esclarece.

Com conteúdos de forte pauta moral, a MK Music lançou um clipe da cantora gospel Cassiane, acusado de romantizar a violência contra a mulher. Na produção, uma mulher sofre agressões do marido alcoólatra, mas entrega uma Bíblia e um bilhete dizendo que o perdoa, em vez de denunciar o agressor. Depois de ter recebido críticas, a cantora disse que o roteiro foi desenvolvido por Mariana de Oliveira, filha de Arolde. Uma nova versão do clipe foi lançada. Nela, a mulher agredida liga para o 180.

Grupo MK foi precursor no uso político de mídias evangélicas

Segundo Magali Cunha, conteúdos de cunho político começaram a ser propagados por portais religiosos no Brasil, de forma mais assertiva, a partir de 2010. “Naquela época acabava de ser introduzido o Plano Nacional de Direitos Humanos 3, que continha forte discussão da questão de gênero e aborto. Isso provocou reação de grupos religiosos conservadores, com uma onda de conteúdos contra a ex-presidente Dilma Rousseff, que se perpetuou até o impeachment”, recorda.

Em coluna publicada no dia 16 de julho, o senador Arolde de Oliveira corrobora essa tese. “A nossa causa [evangélica] requer a adoção de um esforço consciente e coordenado de todas as correntes contrárias ao processo de destruição encampado pelo governo a partir de 2003”, escreve. No texto, ele coloca como inimigos grupos como o Foro de São Paulo, se opõe a medidas como o Programa Nacional de Direitos Humanos 3 e ainda cita o mito do “kit gay”.

Mas, antes mesmo da fundação do Pleno.News, o grupo MK já veiculava conteúdos políticos em suas mídias. No início dos anos 2000, a empresa tinha uma revista impressa chamada Enfoque Gospel, na qual publicava conteúdos conservadores. A edição 16 da revista, de novembro de 2002, trazia como matéria de capa uma reportagem sobre o recém-eleito presidente Lula. “O que os evangélicos esperam dele” era a manchete.

Na rádio do Grupo MK, a 93 FM, “havia um trânsito intenso de políticos como Silas Malafaia, Magno Malta, Garotinho”, recorda Juliana Dias. Os artistas agenciados pela empresa também eram convidados a participar de eventos de entretenimento com cunho político. “Lembro muito do apoio que Garotinho teve dentro da rádio e pelos cantores gospel agenciados pela MK. Isso também aconteceu com o Pezão, Sérgio Cabral”, conta. 

O Grupo MK de Comunicação, que hoje permanece no rádio e no ambiente digital, já passou pela televisão. De 1999 ao início de 2007, a RedeTV! exibia semanalmente o programa Conexão Gospel. No programa, o então deputado federal Arolde de Oliveira conduzia o quadro “O cristão e a política”, em que respondia a “questões sobre cidadania” do público e se posicionava politicamente – especialmente a partir da eleição de Lula em 2003.

Em um programa de 2006, ano de eleições presidenciais, Arolde fez um pedido: “Que o leitor vote corretamente e elimine tudo aquilo que ele aprendeu, que ele conheceu nesse período de corrupção, e sabe exatamente como deve votar. Nós não vamos perder essa chance, se Deus quiser”. 

O número 2502, da caixa postal e final do telefone do programa, constantemente repetido pelos apresentadores, foi também o número com o qual Arolde de Oliveira concorreu e venceu a todas as eleições que disputou entre 1994 e 2010. 

Em entrevista à Pública, o senador admite que o uso do número no programa e na rádio fez parte de uma estratégia de comunicação. “A cultura do número subliminarmente na cabeça das pessoas. Associava a imagem ao nome. Quando chegava na eleição, era muito fácil as pessoas lembrarem.” Ele se defende dizendo que na época não havia proibição quanto a isso. “Nunca fiz em eleição o que não fosse permitido, nunca tive problema com a Justiça Eleitoral.”

A canção de abertura do quadro “O Cristão e a Política”, gravada por artistas da MK, se tornaria slogan e jingle para o candidato. 

“Unidos pelo amor construiremos um Brasil melhor. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, postou Arolde em 2018 – a união entre seu slogan como candidato ao Senado com o de Jair Bolsonaro para a Presidência. Atualmente, a canção abre o debate diário da Rádio 93 FM.

Rádio 93 FM foi indiciada por uso político de concessão

No final de 2017 o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) apresentou uma ação civil pública que pede que a outorga da Rádio Mundo Jovem (93 FM), do Grupo MK de Comunicação, seja anulada, já que estaria sendo utilizada para “autopromoção” de Arolde de Oliveira.

A peça explica que Arolde foi sócio da rádio enquanto deputado federal por 18 anos, entre 1º de junho de 1993 e 28 de abril de 2011, “em desconformidade com o disposto no art. 54 da Constituição da República”. O artigo 54 afirma que deputados e senadores não podem “firmar ou manter contrato” com “empresa concessionária de serviço público” – como é o caso de veículos de radiodifusão. 

Em 2011, Arolde passou suas cotas para a filha, Marina de Oliveira. Porém, mesmo sem o nome entre os sócios, o MPF-RJ concluiu que o parlamentar continua sendo o “controlador e proprietário de fato” da rádio, que seria utilizada politicamente por Arolde. Sobre isso, o senador responde: “Aí tem que mostrar prova. Lenga-lenga, coisa de comunista isso aí”. Para ele, esse e outros processos que já enfrentou trata-se de “perseguições ideológicas, que não têm nenhum fundamento jurídico”.

Na ação, o procurador Sergio Gardenghi Suiama afirma que “as matérias publicadas a respeito do deputado no site da radiodifusora não deixam nenhuma dúvida a respeito do uso político do controle sobre a permissionária do serviço”. A investigação já foi encerrada e o processo aguarda sentença do juiz responsável, Adriano de Oliveira França, desde junho deste ano. 

Para Arolde, “a Constituição diz que parlamentar pode ser proprietário de emissora de rádio, desde que ele não seja o gerente”. Porém, a Constituição não apresenta essa situação; é o Código Brasileiro de Telecomunicações que determina que “quem esteja no gozo de imunidade parlamentar ou de foro especial” não pode exercer a função de “diretor ou gerente” de serviço de radiodifusão. A lei não escreve que parlamentares podem ser sócios ou proprietários de concessões de radiodifusão. 

Além da ação civil contra a Rádio Mundo Jovem, existem outras que pedem o cancelamento das licenças de rádio e TV pertencentes a parlamentares. Em 2015, 13 entidades da sociedade civil e o Ministério Público Federal em São Paulo protocolaram uma representação que citava 40 políticos de 19 estados. O documento deu início a investigações em diversos estados brasileiros, como São Paulo, Alagoas, Pará e Amapá. 

O então deputado Arolde de Oliveira foi alvo de campanha contra “coronéis da mídia”

O Coletivo Intervozes de Comunicação Social lançou a campanha “Fora Coronéis de Mídia”, que mirava a concentração de veículos de mídia nas mãos de políticos, o chamado “coronelismo eletrônico”. Cartazes com fotos dos “coronéis de mídia” foram espalhados por cidades brasileiras, Arolde entre eles. 

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Foto de capa: Fábio Rodrigues/Agência Brasil

Senador evangélico e jornalista manipulam números oficiais para negar as mais de 100 mil mortes por covid-19

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O senador evangélico batista Arolde de Oliveira (DEM/RJ), proprietário do Grupo MK de Comunicação, publicou em seu perfil no Twitter, em 11 de agosto, informação falsa que procura negar a marca das mais de 100 mil mortes por coronavírus no Brasil.

O senador compara o número de óbitos no país de abril a julho de 2019, 437.433, com o número de óbitos no mesmo período em 2020, 491.336. Segundo ele, há um aumento de 53.903 mortes, o que não chegaria aos 100 mil. Ele diz que os inimigos do Brasil “comemoram” este número irreal de mortes, pelo que chama de “vírus chinês”, e estes deverão responder por crime de corrupção e de homicídio.

Estatísticas falsas e enganosas

Arolde de Oliveira se uniu a uma articulação que ocorre em mídias digitais, desde o início da pandemia, para negar os altos números de contaminados e mortos no Brasil, e retornou com força após anunciada a marca de 100 mil óbitos.

Em 2 de agosto, a jornalista e colunista do jornal Gazeta do Povo Cristina Graeml, publicou um vídeo intitulado “O pico da pandemia no Brasil”. Durante o vídeo, ela consulta o site do Registro Civil no Portal da Transparência, e afirma que os dados dos cartórios são inquestionáveis, pois a família precisa do atestado de óbito para o enterro ou cremação.

Segundo a jornalista, a maior incidência diária de morte por coronavírus teria sido em maio, especificamente no dia 25, quando foram registradas 997 mortes. Depois desse período, Cristina Graeml afirma que os números começaram a cair. Ela indica que entre junho e julho o número oscilou entre 700 e 900 óbitos.

A jornalista nota que, em 25 de julho, a queda começou a ser mais acentuada, com variação entre 600 e 400 registros. No dia 29 de julho foram alcançadas 304 mortes por dia. Ela diz não saber explicar o mistério sobre a diferença dos dados do Ministério da Saúde e dos cartórios. Ela ainda cita o levantamento feito pelo Registro Civil de óbitos por outras doenças, tais como AVC, infarto e insuficiências respiratórias, que teriam caído no primeiro semestre de 2020, em comparação com o primeiro semestre de 2019.

Ainda segundo o levantamento da jornalista, de março até julho de 2019, 90.52 pessoas morreram de pneumonia no Brasil (número similar às mortes registradas por covid-19). Nesse ano, no mesmo período, morreram 61 pessoas de pneumonia, 30% a menos do no ano anterior. Na opinião de Cristina Graeml, a diferença se dá porque essas 30 mil pessoas teriam contraído o coronavírus também, sendo esta considerada a causa da morte. Ao final, ela pergunta se os leitores preferem acreditar nos cartórios ou nos dados das secretarias estaduais e municipais de saúde. O vídeo tem 46 mil curtidas e 8,5 mil comentários. O vídeo circulou na semana que antecedeu o marco de 100 mil mortes por covid-19 no Brasil, 08 de agosto.

Em maio, período em a jornalista afirma ter sido o pico da pandemia, já havia circulado pelo WhatsApp uma informação de que os cartórios desmentem o número de óbitos das Secretarias de Saúde. O conteúdo foi verificado pela Agência Lupa, que concluiu ser falso. Mesmo assim, em agosto essa informação volta a circular em campanha de contestação do marco das 100 mil mortes.

Número oficial de óbitos

A publicação do senador Arolde de Oliveira não apresenta um elemento muito importante quando se tem a intenção de transmitir informação: a fonte. Ele não diz de onde provêm os números dos quais faz uso para negar a marca de mais de 100 mil mortes por coronavírus.

Ao que os números indicam, o senador pode ter feito uso dos números do Registro Civil no Portal da Transparência (plataforma que torna disponíveis os dados de registros de nascimentos, casamentos e óbitos dos cartórios brasileiros por ano, mês, região e estado). Mesma fonte do vídeo da jornalista Cristina Graeml.

O Coletivo Bereia consultou a plataforma em 13 de agosto e os números dos meses indicados pelo senador são:

Registros de óbitos no Brasil

Mortes registradas em cartório em cada mês (abril a julho)Número de óbitos 2019Número de óbitos 2020
Abril103.684112.469
Maio110.904129.448
Junho103.484128.918
Julho119.628121.841
Total437.700492.676
Diferença entre 2020 e 2019————–54.976
Fonte: Registro Civil • Dados obtidos em 13 de agosto de 2020, às 17h40.

É importante registrar que os dados oferecidos portal são oficiais e confiáveis, mas não são definitivos. No site há o esclarecimento de a família tem até 24 horas após um falecimento para registrar o óbito em cartório. Este, por sua vez, tem cinco dias para efetuar o registro do óbito e, ainda, mais oito dias para enviar a informação à Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC Nacional), que atualiza a base de dados. Esse processo, porém, pode demorar mais tempo, já que residentes de municípios com menos estrutura têm um prazo de até três meses para fazer o registro.

Nesse sentido, os dados são atualizados diariamente e ainda não estão consolidados. Um exemplo desta dinâmica, em que a plataforma constantemente altera os números, é a diferença dos que o senador Arolde de Oliveira utiliza em 11 de agosto e os que o Coletivo Bereia coletou, em 13 de agosto: 54.976 mortes a mais em 2020, em comparação com 2019. Houve um aumento em relação aos números utilizados pelo senador da Bancada Evangélica. Uma resposta simples, que consta no próprio Portal da Transparência, para o que a jornalista Cristina Graeml diz não saber explicar.

Segundo o projeto de verificação de notícias Aos Fatos, em matéria sobre o mesmo tema, no mês de maio, quando já circulava esta desinformação, mesmo desconsiderando os dados das duas semanas anteriores, a comparação também não deve ser feita, pois números antigos também são atualizados na plataforma. A informação vem de Marcelo Soares, jornalista e fundador da Lagom Data, consultoria de inteligência de dados. “Todo dia são incluídos muitos óbitos da última semana, vários óbitos do último mês e alguns óbitos de meses anteriores. Todo dia têm entrado óbitos de 2019 e dos primeiros meses de 2020”, afirmou Marcelo Soares.

Além disso, a postagem de Arolde de Oliveira omite que o próprio Registro Civil, ainda que em processos de atualização, apresentava, no dia 11 de agosto (dia da publicação do senador no Twitter) o número oficial de 95.250 óbitos registrados decorrentes da Covid-19. O número se aproxima do que foi oficialmente divulgado pelo Ministério da Saúde no mesmo dia 11 de agosto: 103.026. A mesma omissão é feita pela jornalista Cristina Graeml.

O senador Arolde de Oliveira e a jornalista da Gazeta do Povo se unem a grupos e indivíduos que atuam para negar a gravidade da pandemia no país, fazendo uso de manipulação de números oficiais. Nos últimos dias, depois que o Brasil bateu a marca de 100 mil mortos, houve intensificação destas postagens em mídias sociais. Esta prática de apoiadores e até de membros do governo federal vem ocorrendo durante todo o período da pandemia e já foi tratada pelo Coletivo Bereia.

O Brasil ultrapassou a marca de 105 mil mortos por Covid-19 na segunda semana de agosto e o número pode ser ainda maior, uma vez que a confirmação da causa dos óbitos demora muitos dias e há o problema da subnotificação. A própria agência de notícias do governo, a Agência Brasil, já noticiou sobre isto.

Incitação ao ódio e à xenofobia

Além de desinformativa, a postagem do senador evangélico ainda afirma que há pessoas, inimigas do Brasil, “comemorando” a tragédia de 100 mil mortos, sem indicar a quem se refere. O Coletivo Bereia pesquisou manifestações em mídias sociais de diferentes lideranças políticas, dentro e fora do Brasil, e não localizou qualquer tipo de celebração relativa ao número de mortes por Covid-19 ter alcançado taxa tão alta. Pelo contrário, foram verificadas diferentes expressões de pesar em nível individual e coletivo. Entre religiosos, inclusive, há a campanha Lamento 100 mil, assunto de matéria do Bereia. Este tipo de discurso a que o senador se dedica é fonte de incitação de ódio a quaisquer pessoas que fazem oposição ao governo federal

O senador ainda omite a expressão oficial para se referir à pandemia, coronavírus ou Covid-19, e escolhe o termo “vírus chinês”, reforçando a expressão difundida pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump a partir de março e já utilizada, publicamente, no Brasil pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, sob muitas críticas. Utilizar a expressão “vírus chinês” pode ser um ato de apoio aos Estados Unidos na guerra comercial deste com a China, apesar de o país asiático ser, atualmente, o maior parceiro do Brasil neste campo. Pode ser, ainda, uma expressão de xenofobia, de racismo contra asiáticos, o que também já foi expresso por uma figura pública, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub e tornou-se motivo de inquérito no Supremo Tribunal Federal. Lian Tai, filha de chineses que vieram para o Brasil ainda crianças, trata sobre o tema da xenofobia contra a China em artigo.

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O Coletivo Bereia classifica a postagem do senador Arolde de Oliveira e o vídeo da jornalista Cristina Graeml como falsos, pois manipulam números oficiais de cartórios para confundir e fazer seguidores/as desacreditarem da gravidade da covid-19 refletida nos próprios números do Ministério da Saúde que não podem ser ocultados. Bereia alerta ainda leitores e leitoras para os males sociais de conteúdos em mídias que incitam o ódio e a xenofobia.

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Referências

Gazeta do Povo, https://www.facebook.com/watch/?v=290979372126324. Acesso em 16 ago 2020.

Portal da Transparência – Registro Civil, https://transparencia.registrocivil.org.br/registros Acesso em 13 ago 2020

Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6015compilada.htm Acesso em 13 ago 2020

Aos Fatos, https://www.aosfatos.org/noticias/numero-de-registros-de-obitos-no-brasil-em-abril-nao-foi-menor-que-em-2019-e-2018/ Acesso em 14 ago 2020

Ministério da Saúde, Coronavírus Brasil, https://covid.saude.gov.br/ Acesso em 14 ago 2020

Agência Brasil, https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-07/medicos-veem-subnotificacao-em-casos-e-mortes-por-coronavirus. Acesso em 14 ago 2020

BBC Brasil, https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51963251 Acesso em 14 ago 2020

G1, https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/04/29/stf-abre-inquerito-para-investigar-weintraub-por-suposto-racismo-contra-chineses.ghtml Acesso 14 ago 2020

Opera Mundi, https://operamundi.uol.com.br/opiniao/63865/virus-chines-e-o-racismo-contra-asiaticos-no-brasil Acesso em 14 ago 2020

Organizações religiosas lançam ato de luto e memória pelas 100 mil vítimas de Covid-19 no Brasil

Neste sábado (08/08), às 16h, representantes de diferentes religiões realizarão um ato online de luto e memória pelas vítimas de Covid-19 no Brasil intitulado “Lamento 100 mil”. A iniciativa foi idealizada pelas entidades Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e Instituto de Estudos da Religião, e pelas organizações Paz e Esperança Brasil e Religiões pela Paz Brasil. O ato será veiculado na página do CONIC no Facebook.

“A morte de 100 mil pessoas é uma dor imensurável que se impõe a 200 milhões de brasileiros. Tempo de profundo lamento, luto, bem como gestos afetivos de solidariedade e oração às famílias e amigos das vítimas”, explica Clemir Fernandes, secretário-executivo adjunto do Instituto de Estudos da Religião (ISER).

Além do ato online será lançado um site com mensagens de conforto e esperança de 100 lideranças religiosas e espirituais da sociedade, em forma de prece, oração ou reflexão. “É um momento de interrupção da indiferença. A fé não nos autoriza a ficarmos indiferentes diante do sofrimento humano”, declara a pastora Romi Bencke, secretaria Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs.

Entre os dias 8 e 16 de agosto, também serão disponibilizadas no site mensagens de reflexões e os organizadores sugerem que sejam realizados atos e reuniões online sobre esse momento de mortes e sofrimento, especialmente no Brasil. Serão compartilhadas sugestões litúrgicas de diferentes confissões religiosas no site http://www.lamento100mil.com.br.

No dia 17 de agosto, é feito o convite para que lideranças civis, do executivo, judiciário ou legislativo, realizem cerimônias públicas laicas ou multirreligiosas, consagrando a data como o Dia Nacional do Luto e Memória pelas Vítimas da Covid-19 no Brasil.

Outra iniciativa é a divulgação da “Declaração Multirreligiosa para a Nação Brasileira em Meio à Crise da COVID-19”, assinada pela Religiões pela paz e que pode ser subscrita por outras organizações religiosas.

“Estamos em uma travessia coletiva que já conta 100 mil vítimas fatais no Brasil. Somente a empatia e a solidariedade serão capazes de nos conduzir à outra margem. Apenas desta maneira, chegaremos mais rápido e mais fortalecidos ao final desta pandemia”, conclui Michel Schlesinger, rabino da Congregação Israelita Paulista e representante da Confederação Israelita do Brasil para o diálogo inter-religioso.

Veja a íntegra do chamado para as ações “Lamento 100 mil. Luto e memória pelas vítimas de Covid-19 no Brasil. Afirmação e solidariedade a familiares e amigos” clicando no documento abaixo:

Lista de sites de notícias falsas não é de autoria do projeto Comprova

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Circula pelas mídias sociais e grupos de aplicativo de mensagens uma lista com 27 sites de notícias falsas do Brasil, cuja autoria é atribuída ao Comprova, projeto de jornalismo colaborativo contra a desinformação formado por jornalistas de 24 veículos de comunicação parceiros. O projeto é idealizado pela organização britânica First Draft e conta com a coordenação da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (AbraJi). 

A mensagem informa que a lista foi postada na conta @comprova, na rede social digital Twitter. Ao fazer uma busca no site e no Twitter do projeto, o Coletivo Bereia não encontrou esta notícia. Ao fazer contato com a equipe do Comprova, foi obtida a seguinte resposta:

“​O Comprova não reconhece a lista. Não foi feita com base em nenhuma publicação nossa. Obrigado por alertar”.

Após o contato do Bereia, o Comprova divulgou o comunicado:

Lista de sites de notícias falsas não foi criado pelo Comprova”, com o seguinte esclarecimento:

O Comprova jamais produziu qualquer lista ou ranking que dê destaque a publicadores de informações falsas ou enganosas”.

Bereia classifica o conteúdo destas postagens como falso por atribuir indevidamente a autoria da lista ao projeto Comprova. 

Apesar da lista não ter sido criada pelo Comprova, o Coletivo Bereia pesquisou os editoriais e as notícias exibidas na primeira página dos sites relacionados. Todos são pró-governo federal e contém Fake News em seus conteúdos, alguns não tem a autoria, de forma geral fazem uso de manchetes sensacionalistas e  há excesso de anúncios. Da lista, 12 se apresentam como uma mídia de direita (um deles é originado de grupo religioso), dois como extrema-direita, um site é religioso (Gospel Prime) e aparece com frequência nas checagens do Bereia como propagador de notícias falsas, , um dos sites se apresenta como “jornalismo independente sem o filtro do politicamente correto” e um está fora do ar.

Dois sites desta lista aparecem no noticiário nacional por conta de estarem associados à disseminação de notícias falsas. O mais recente é o Jornal da Cidade, que foi o primeiro alvo da campanha iniciada pelo movimento Sleeping Giants de ação anti-notícias falsas. O movimento, que em poucos dias de maio ganhou 320 mil seguidores no Twitter, obteve a cooperação de pelo menos 35 empresas de renome para que retirassem seus anúncios de sites que veiculam notícias falsas.  O sucesso foi reconhecido pelo grupo da iniciativa original, dos Estados Unidos, que esperou um ano para alcançar 68 mil seguidores. 

O Jornal da Cidade Online, tornou-se um dos veículos mais populares nas eleições de 2018, no apoio à campanha de Jair Bolsonaro, e é frequentemente citado como disseminador de informações falsas por agências e projetos de checagem como o Comprova e Aos Fatos. Depois da ação, o movimento Sleeping Giants declarou, em seu perfil do Twitter, ter conseguido que as empresas McDonald’s, Decathlon, Serasa, Philips, Fast Shop, Claro, Insper, FGV, Dell, Submarino, entre outras, até o Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul retirassem a publicação de anúncios do Jornal da Cidade Online.

O outro site da lista verificado pelo Coletivo Bereia que aparece no noticiário por conta de disseminação de notícias falsas é o site religioso Gospel Prime. Ele foi citado em matéria da revista Época de 23 abril de 2018, intitulada “O Exército de Pinóquios”, com base em levantamento nos bancos de dados do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da Universidade de São Paulo (USP) e do Laboratório de Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Durante dois meses, foram listados mais de 200 sites na pesquisa, dos quais 69 continham conteúdo suspeito. Gospel Prime apareceu como o número 1 de um top 10 de veiculadores de notícias falsas no país. De 2018 até o presente este quadro parece não ter sido alterado, pois Gospel Prime, como mencionado nesta matéria, é frequentemente citado em matérias classificadas como desinformativas pelo Coletivo Bereia.

 

Os 10 Maiores sites brasileiros produtores de Fake News. FONTE: Revista ÉPOCA, edição n 1034, de 23/04/2018

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Referências de Checagem:

Comprova, https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/lista-de-sites-de-noticias-falsas-atribuida-ao-comprova-e-falsa/ Acesso em 29 mai 2020

Revista Época https://epoca.globo.com/brasil/noticia/2018/04/o-exercito-de-pinoquios.html, Acesso em 29 mai 2020

Sleeping Giants Brasil @slpng_giants_pt  Acesso em 29 mai 2020

Não há como afirmar que OMS e Bill Gates manipulem dados sobre o Covid-19

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O youtuber paranaense e “jornalista católico” (como se define), Bernardo P. Kuster, publicou no Twitter uma postagem onde sugere que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ratifica que pessoas já infectadas pelo novo Coronavírus (COVID-19) seriam imunes a novos contágios pois, segundo ele, a entidade teria interesse financeiro na criação de uma vacina.

De acordo com o paranaense, a prova seria um aporte recebido pela OMS de empresas da indústria farmacêutica e também do bilionário e filantropo americano Bill Gates, por meio de Fundação Bill & Melinda Gates. Kuster garante que Gates teria interesse no mercado.

O Coletivo Bereia apurou as informações divulgadas pelo youtuber bolsonarista (Kuster foi recomendado pelo presidente Jair Bolsonaro como fonte confiável de informação) e checou:

1 – Em resposta aos governos que propuseram a emissão de um ‘passaporte imunológico’, atestando a imunidade por pessoas que já contraíram o vírus, a OMS afirmou por meio de um comunicado, no sábado (25/4), que não há evidências de que as pessoas que se recuperaram do COVID-19 e que têm anticorpos sejam imunes a uma segunda infecção.

2 – A China só confirmou o primeiro caso de transmissão do Covid-19 em 20 de janeiro de 2020. Até então, a OMS seguiu as informações das autoridades sanitárias chinesas. Não havia comprovação da transmissão e, em declaração do representante da organização Gauden Galea, foi afirmado que apesar de causar sérios problemas em alguns pacientes, o vírus “não se espalha rapidamente”. Até então também não havia nenhuma morte confirmada em Wuhan, na China. O quadro atual de compreensão da pandemia é fortemente diferente daquele de janeiro passado.

3 – A OMS surgiu em 1948 e, inicialmente, era inteiramente financiada por contribuições anuais de seus países membros. Hoje, no entanto, parte de seu orçamento bianual de 4,8 bilhões de dólares é complementada com doações empresariais e de organizações, como a Fundação Bill & Melinda Gates. Segundo o relatório da OMS, a Fundação é a segunda principal doadora da entidade, estando atrás apenas dos Estados Unidos, no período de 2018 a 2019.

4 – O valor de US$ 250 milhões de dólares citado na postagem de Bernardo Kuster se refere ao recurso doado pela Fundação Bill & Melinda Gates neste período de combate ao Covid-19. Em nota publicada no site da fundação, não há menção de que esse recurso tenha sido repassado integralmente à OMS, nem há informações sobre valores e repasses regulares à organização. A nota afirma que o investimento atende aos países da África e do Sul da Ásia; no desenvolvimento e fornecimento de tratamentos e vacinas; na aceleração da detecção e contenção do vírus; e na proteção de comunidades vulneráveis nos Estados Unidos e apoio a atividades pedagógicas à distância. A Fundação diz defender a cooperação e a coordenação globais e atuar por meio de consórcios internacionais com empresas (incluindo corporações na área de Medicamentos e Alimentos), governos, centros de pesquisa e organizações não governamentais. Nessa mesma nota sobre suas ações no enfrentamento do vírus é mencionada a organização de um encontro com lideranças de 15 empresas farmacêuticas globais. De acordo com o comunicado, essas empresas abriram o acesso às suas bibliotecas de composto antivirais.

Em relação à atuação da fundação, é importante atentar para os conflitos de interesses políticos e econômicos, que podem gerar esse tipo de cooperação, principalmente se nessas rodadas não há menção explícita da participação de outros segmentos da sociedade civil e atores sociais, os quais devem fazer parte da busca de decisões e soluções coletivas. A unilateralidade dessas soluções é um ponto crítico que precisa ser acompanhado de perto pela população. No caso da indústria farmacêutica, há inúmeros relatos e estudos que comprovam situações de conflitos de interesses, concentração de poder. Para quem desejar saber mais sobre esse assunto: “A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos, de Márcia Angel (Ed. Record).

O que se pode concluir com esta checagem é que o youtuber e jornalista católico, Bernardo Kuster, utiliza informações corretas, como quando afirma que a OMS não reconheceu a transmissão entre seres humanos do novo coronavírus, no entanto, são informações defasadas, de janeiro de 2020, quando a doença ainda estava sendo identificada. Os elementos sobre o financiamento privado à agência também são corretos, porém, Kuster distorce a informação ao criar uma teoria conspiratória, da qual não consegue provar. Por conta disso, o Coletivo Bereia considera a postagem inconclusiva.

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Referências de checagem:

Gaúcha ZH – “Nova Cepa de coronavírus pode ser origem de surto de pneumonia na China. (9.01.2020) Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/mundo/noticia/2020/01/nova-cepa-de-coronavirus-pode-ser-origem-de-surto-de-pneumonia-na-chinack56st3ju02mk01odknlouu8q.html ;

Gates foundation – Twenty years in the making: The foundation’s response to COVID-19. Disponível em: https://www.gatesfoundation.org/TheOptimist/Articles/coronavirus-mark-suzman-funding-announcement-2

Intercept– Quem são os youtubers recomendados por Jair Bolsonaro. Disponível em: https://theintercept.com/2018/11/17/youtubers-bolsonaro-nando-moura-diego-rox-bernardo-kuster-fake-news/

Istoé – Nova cepa de coronavírus pode ser origem de surto de pneumonia na China. Disponível em: https://istoe.com.br/nova-cepa-de-coronavirus-pode-ser-origem-de-surto-de-pneumonia-na-china/

Site do People’s Health Movement – “PHM Condemns US Halt on Funding toWHO” (20.04.2020). Disponível em: https://phmovement.org/articles-and-statements-on-pandemic-of-coronavirus-disease-2019-covid-19/

Site da Fundação Bill & Melinda Gates – “Twenty years in the making: Thefoundation`s response to Covid-19”. Disponível em: https://www.gatesfoundation.org/TheOptimist/Articles/coronavirus-mark-suzman-funding-announcement-2

Revista Exame – “Clima esquenta na OMS com acusação de negligência feita por Taiwan”( 14.04.2020). Disponível em: https://exame.abril.com.br/mundo/clima-esquenta-na-oms-com-acusacao-de-negligencia-feita-por-taiwan/

Jornal O Estado de Minas – “OMS alerta que não há provas de que pessoas já infectadas ficam imunes” (25.04.2020). Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/04/25/interna_internacional,1141806/oms-alerta-que-nao-ha-provas-de-que-pessoas-ja-infectadas-ficam-imunes.shtml

OMS – “Immunity passports” in the context of COVID-19 –Disponível em : https://www.who.int/news-room/commentaries/detail/immunity-passports-in-the-context-of-covid-19

Relatório OMS – WHO Results Report Programme Budget 2018-2019 Mid-Term Review. Disponível em: https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA72/A72_35-en.pdf

É FALSO que Bento XVI tenha sido vítima de um golpe

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O site Newspunch.com divulgou matéria, replicada em português no whatsApp  sobre renúncia de Bento XVI.  Leia abaixo o texto compartilhado:

O Newspunch já havia produzido matérias relacionadas a George Soros, Obama e Hilary Clinton, que posteriormente foram checadas e classificadas como falsas. Na matéria que circula pela mídia social, “denuncia-se que  Soros, Obama e Hilary Clinton orquestraram um golpe no Vaticano para derrubar o Papa Conservador.

O site afirma que “um grupo de líderes católicos” citou e-mails publicados pelo Wikileaks – mas não confirma essa fonte, e também insinua que a máquina diplomática norte-americana foi usada para coagir, corromper e chantagear uma “mudança de regime” na Igreja Católica Romana.

Carlo Maria Viganó

As insinuações de que a “primavera católica” tinha semelhanças com a “primavera árabe” já foram publicadas anteriormente pelo site brasileiro tercalivre.com.br – “Papa conservador foi forçado a renunciar pelo Deep State”. A renúncia, porém, aconteceu depois de um vazamento de informações pessoais (escândalo denonimado de Vatileaks por Federico Lombardi, diretor emérito da Sala de Imprensa da Santa Sé). O Vatileaks levou à prisão o administrador do Vaticano e mordomo do Papa Bento XVI, Carlo Maria Viganó. Documentos sigilosos da Igreja e dados do Banco do Vaticano foram entregues ao jornalista italiano Gianluigi Nuzzi, apontando uma rede de corrupção, superfaturamento e nepotismo no Vaticano. Viganó foi indultado e depois transferido para o Estados unidos como Núncio Apostólico.

EMAILS HACKEADOS VALEM COMO FONTE?

Os e-mails apontados como “fontes da matéria” de NewsPunch/Terça Livre são mensagens entre Jonh Podesta (ex-presidente da Campanha presidencial de Hillary Clinton em 2016. Anteriormente Chefe de Gabinete da Casa Branca de Bill Clinton e conselheiro do presidente Barack Obama) e uma assessora de Hilary Clinton, Jennifer Palmieri – com indiscrições, ironias e críticas aos conservadores católicos.

Também entram nas conversas comentários e críticas trocadas entre Podesta e John Halpin, analista político. Podesta, Palmieri e Halpin fazem piadas com a criação católica dos filhos do magnata Rupert Murdoch e zombam dos conservadores, dizendo que “devem se sentir atraídos ao raciocínio sistemático e às relações extremamente retrógradas de gênero”. Palmieri diz que o catolicismo é “a religião politicamente mais conservadora e mais aceitável socialmente”.

Os e-mails que foram “hackeados” e expostos provocaram constrangimentos, ajudaram a campanha de Trump e, para ampliar o mal-estar, Jennifer Palmieri disse não reconhecer as mensagens e declarou-se católica. Podesta e Halpin afirmaram que os e-mails podem ter sido adulterados.

Em síntese, as fontes da denúncia realizada por NewsPunch e TerçaLivre não foram reconhecidas por seus autores, foram obtidas através de hackers e, segundo algumas investigações, disseminadas por agentes externos para tumultuar a campanha presidencial norte-americana. Voltaram a circular este ano (2020), por haver, novamente, ambiente pré-eleitoral nos EUA.

DOIS PAPAS

No Brasil, as mensagens de um suposto golpe contra Bento XVI circulam juntamente com críticas ao Papa Francisco. No livro, “Dois Papas: Francisco, Bento e a decisão que abalou o mundo”, de Anthony McCarten, fica claro que Bento XVI decidiu renunciar após o vazamento de suas informações pessoais, documentos sigilosos, bancários e prisão de seu mordomo e  administrador. Bento XVI renunciou para não expor mais a Cúria e o Estado do Vaticano.

Ou seja, não foi um vazamento de mensagens de políticos norte-americanos, mas um movimento interno dentro do Vaticano que provocou a segunda renúncia de um Papa, depois de 700 anos.

McCarten também lança luz na biografia de ambos, seus diálogos antes e durante a crise. O livro foi adaptado como filme por Fernando Meireles, e tem o mérito de demonstrar que, mesmo com as nomeações de João Paulo II e Bento XVI, o crescimento da Igreja Católica Romana, fora de Europa, torna a modernização do Vaticano inevitável. 

CATOLICISMO NO MUNDO

O VaticanNews (informativo oficial do catolicismo romano) publicou no anuário pontíficio 2018 que a África é o continente com o maior crescimento de batizados de 2010 a 2016, enquanto a Europa registra uma diminuição dos fiéis. Há 1,313 católicos batizados no mundo. 228 milhões de africanos são católicos (17% do total) e 48% dos católicos romanos estão nas Américas, e apenas 11% na América do Norte.

Papa Francisco

Há 119 Cardeais eleitores , 59 são europeus; 22 da América do Norte, 13 da Ásia, 12 da América do Sul, 12 da África e apenas 1 da Oceania. 28 Cardeais são italianos, mas o Brasil é o país com o maior número de católicos do Mundo (172 milhões), seguido pelo México (110 milhões), Filipinas (83 milhões), Estados Unidos (72 milhões) e Itália (58 milhões). Francisco, o atual Papa, é argentino – país com 40 milhões de católicos (90% da população).

Bereia verificou as informações e conclui que os conteúdos divulgados são falsos. Também identificou um aumento de postagens com conteúdo falsos relacionados ao Vaticano, Bento XVI e papa Francisco.

Leia neste link checagem que Bereia produziu sobre notícias falsas envolvendo o papa Francisco.

Referências de checagem:

WikiLeaks: Conservative Pope Benedict Was Forced To Resign By ‘Deep State’. Disponível em: https://newspunch.com/wikileaks-pope-benedict-deep-state/

Papa Conservador foi forçado a renunciar pelo “Deep State”. Disponível em: https://www.tercalivre.com.br/wikileaks-papa-conservador-foi-forcado-renunciar-pelo-deep-state/

‘Cercado de lobos’, Bento 16 anuncia a sua saída. Disponível em: https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:O0pzr4QavIEJ:https://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/93385-cercado-de-lobos-bento-16-anuncia-a-sua-saida.shtml+&cd=11&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=br&client=opera

John Podesta. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Podesta

Dois Papas: Francisco, Bento e a decisão que abalou o mundo. Disponível em: https://ler.amazon.com.br/kp/kshare?asin=B07ZKXM6P6&id=yhpCq9TeTNyJKqHCyHdp_A&reshareId=74KJ9R0QP4SMEM1ES6FM&reshareChannel=system

Dois Papas | Teaser oficial | Netflix. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Tgdd94j_x18

Cresce o número de católicos no mundo, na África o maior aumento. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2018-06/anuario-pontificio-catolicos-mundo.html

Papa não cancelou a Bíblia e nem propôs novo livro. Disponível em: https://coletivobereia.com.br/papa-nao-cancelou-a-biblia-e-nem-propos-novo-livro/

PETRA não mentiu em entrevista à TV americana, mas críticas aos evangélicos são IMPRECISAS

Na segunda-feira (03/02), o site Pleno News publicou duas notícias relacionadas ao filme “Democracia em Vertigem” (Netfilx), indicado ao Oscar 2020, na categoria Melhor Documentário. Em ambas, optou-se pela crítica – “Diretora de filme pró-PT ataca Bolsonaro e internet critica e Governo acusa diretora de filme pró-PT de difamar o país.

O FILME E A ENTREVISTA

A reação do governo aumentou a polêmica sobre o filme, provocada depois de entrevista concedida por Petra Costa, diretora do documentário Democracia em Vertigem (Netflix), ao programa Amanpour and Company, do canal de televisão americano PBS, no dia 31 de janeiro.

Petra criticou as políticas do governo brasileiro sobre gays, mulheres, pessoas de cor, segurança pública e meio-ambiente. Na primeira notícia, veiculada às 9h25, o Pleno News destaca que as hashtags #PetraCostaLiar e #PetraMente ficaram entre os assuntos mais comentados do Twitter e traz a declaração do deputado federal, Eduardo Bolsonaro, publicada na mesma mídia, em que considera a atitude da cineasta como criminosa e menciona que ela é herdeira da empreiteira Andrade Gutierrez, que está ligada ao Petrolão.

Na sequência, divulgou-se o vídeo da Secretaria de Comunicação (Secom) do governo federal em que a cineasta Petra Costa é acusada de difamar a imagem do Brasil no exterior e de divulgar fake news.

As declarações de Petra e da Secom foram checadas pela Agência Lupa na matéria intitulada “Governo Federal distorce dados ao acusar Petra Costa de espalhar fake news”.

PETRA MENTIU?

A afirmação de Petra “Desde que ele [Bolsonaro] foi eleito, a taxa de pessoas mortas por policiais no Rio [de Janeiro] cresceu 20%” foi classificada como Verdadeira. Segundo a checagem da Agência:

“Os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que o número de homicídios por intervenção de agentes do estado aumentou 18% entre 2018 e 2019 no estado do Rio de Janeiro. No ano passado, 1.810 pessoas foram mortas por policiais militares e civis no Rio, um recorde na série histórica do indicador, iniciada em 2003. Em 2018, foram 1.534 ocorrências. O número de mortes ocasionadas pelas forças policiais do estado vem aumentando progressivamente desde 2013. Naquele ano, foram 416 homicídios. O maior aumento percentual se deu entre os anos de 2015 e 2016, quando as ocorrências cresceram 43% – de 645 para 925”.

Em resposta, a Secom afirmou que “Em 2019, o número de homicídios no país teve uma queda de 20%”.

De acordo com a checagem:

“Até o momento, não há dados consolidados sobre o número de homicídios no Brasil para todo o ano de 2019. Os números parciais contemplam o período de janeiro a setembro de 2019 e mostram uma queda de cerca de 20% nesse indicador. Embora a redução esteja próxima à apontada pela Secom, não é correto afirmar que ela vale para todo o ano, já que as informações ainda não estão consolidadas.”

Agência Lupa

Monitor da Violência, mantido pelo portal G1, indica que o número de assassinatos no Brasil caiu 22% nos primeiros nove meses de 2019, comparado ao mesmo período de 2018. No ano passado, o Brasil registrou 30.862 mortes violentas de janeiro a setembro. No mesmo período do ano anterior, foram 39.527 mortes.

Já os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, mostram que houve uma queda de 21,6% comparando o período de janeiro a setembro de 2018 e 2019. Nos primeiros nove meses de 2019, o sistema da pasta registrou 29.478 homicídios dolosos. Em 2018, foram 37.600 mortes.

COMPARAÇÃO INCORRETA

Esses dados, no entanto, não são os mesmos citados por Petra em sua entrevista. A cineasta menciona as mortes por intervenção de agentes do estado no Rio de Janeiro, enquanto a Secom se refere ao número de homicídios dolosos em todo o Brasil. A comparação é incorreta”

A PM DO RIO MATA MAIS?

A segunda afirmação da cineasta utilizada no vídeo da Secom “…O [estado] Rio [de Janeiro] tem mais pessoas mortas por policiais que o Estados Unidos inteiro” foi classificada pela Lupa como verdadeira.

“O número de mortes por intervenção de agentes no Rio de Janeiro supera o total registrado nos Estados Unidos. Segundo o ISP, 1.810 pessoas foram assassinadas pelas forças policiais fluminenses em 2019. Já nos Estados Unidos, o número de pessoas mortas por policiais foi de 980, de acordo com levantamento do jornal The Washington Post. O projeto Mapping Police Violence, que também acompanha os dados de mortes causadas por policiais, aponta que houve 1.099 casos deste tipo no país em 2019.

Na última segunda-feira (3), a Secom classificou a informação citada pela cineasta como “fake news”. Contudo, Petra Costa usou um dado correto

A secretaria citou duas informações ao dizer que é “fake news” o que diz a cineasta: a primeira é de que o cenário de mortes por intervenção de agentes do estado é de responsabilidade do governo do Rio de Janeiro. De fato, essas mortes foram provocadas por ações de policiais militares e civis, subordinados ao governo do estado. Isso, no entanto, não significa que a informação é falsa.

Depois, a Secom cita uma suposta redução no número de mortes em confronto pelas Polícias Federal e Rodoviária Federal. Essa informação não aparece em relatórios públicos do governo ou de organizações externas que monitoram a segurança pública no país, além de não ter relação com o dado citado por Costa.

E A AMAZÔNIA?

A terceira declaração de Petra incluída no vídeo da Secom foi “[A Amazônia] Chegou a um ponto que pode virar uma savana a qualquer momento”.

A checagem concluiu que a afirmação é verdadeira, mas…

O chamado risco de savanização da Amazônia é apontado por várias pesquisas publicadas nos últimos 20 anos. No entanto, esse não é um processo que ocorre “a qualquer momento”, como menciona a cineasta. Ele já começou nas áreas mais degradadas, e, progressivamente, começa a afetar regiões mais preservadas, mas ainda não há áreas do bioma amazônico que, de fato, tenham se transformado em savana.

O processo de savanização consiste na transformação gradual de uma floresta equatorial úmida, como a Amazônia, em um bioma similar ao Cerrado brasileiro, que alterna entre estações secas e úmidas. A precipitação média na Amazônia é de entre 2,3 mil e 3,5 mil milímetros ao ano. No Cerrado, ela oscila entre 1,2 mil e 1,8 mil, dependendo da região. 

A Secom classificou a informação como “fake news”, e citou como motivo apenas que: “O compromisso do Governo Federal já foi reforçado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro em discurso na ONU”. As declarações do presidente, no entanto, não invalidam a ocorrência de um processo de savanização do bioma amazônico.

CULPA DOS EVANGÉLICOS?

Além dessas três afirmações de trechos da entrevista de Petra, que foram editadas pela Secom para classificá-las como notícias falsas, destacamos uma associação feita pela cineasta entre o que ela chama de “onda evangélica” e ideias de extrema direita.

Textualmente: “…e também devido a uma onda evangélica que tem se posicionado contra direitos dos gays, feminismo e pessoas de cor, todas essas ideias de extrema direita que estão crescendo na sociedade brasileira”.

Bereia classifica o conteúdo das notícias publicadas pelo site Pleno News como IMPRECISO por apresentar apenas as argumentações do governo, que foram checadas como falsas pela Agência Lupa.

Bereia também classifica como IMPRECISA a declaração de Petra sobre os evangélicos, ao relacioná-los diretamente com a extrema direita, sugerindo nesta generalização que há um consenso, sem apresentar dados (percentuais) que indiquem o que é predominante e quais as diferentes perspectivas dos evangélicos brasileiros. Sobre esse tipo de afirmação, Bereia verificou uma postagem do Pastor Henrique Vieira publicada no seu Instagram esta semana, que não está diretamente relacionada com a fala de Petra, mas colabora para evitar a reprodução de estereótipos.

Na opinião de Henrique Vieira (que desfilará na Mangueira, Escola de Samba do Rio de Janeiro, por causa de um enredo sobre Jesus Cristo), “o conservadorismo presente na base evangélica não é tão diferente do que existe na sociedade brasileira. É preciso perceber e reconhecer que o campo evangélico (plural e não monolítico) é majoritariamente popular, composto por trabalhadores, mulheres e negros”.

Referências de checagem:

Diretora de filme pró-PT ataca Bolsonaro e internet critica?. Disponível em: https://pleno.news/brasil/politica-nacional/diretora-de-filme-pro-pt-ataca-bolsonaro-e-internet-critica.html

Governo acusa diretora de filme pró-PT de difamar o país. Disponível em: https://pleno.news/brasil/governo-acusa-diretora-de-filme-pro-pt-de-difamar-o-pais.html

Oscar Nominee Petra Costa on Threats to Democracy in Brazil. Disponível em: https://www.pbs.org/wnet/amanpour-and-company/video/oscar-nominee-petra-costa-on-threats-to-democracy-in-brazil/

Governo Federal distorce dados ao acusar Petra Costa de espalhar ‘fake news’. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/02/05/petra-costa-secom/?fbclid=IwAR2Z4rXtyWLwauQP2JHPtKMYXnwHpKL6vSlmh8n5pWpjUSILZ47nBD9NwgM

Twitter @SecomVc. Disponível em: https://twitter.com/secomvc/status/1224441600798887937

Twitter @eduardobolsonaro. Disponível em: https://twitter.com/BolsonaroSP/status/1224268124943462415

Instagram @pastorhenriquevieira. Disponível em: https://www.instagram.com/p/B8OhVNuFh5p/?igshid=1gvgcaqpize65

Mulher nega ter feito postagens que demandam morte de petistas e de seus filhos

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Circula em grupos de whatsApp, matéria publicada pelo Diário do Centro do Mundo (DCM) com um pequeno mosaico de imagens de publicações de Lucinha Ramiro em seu perfil no Facebook. Em uma das imagens, a mulher dizia que filhos de petistas deveriam morrer e ser abortados. Em sua página, ela nega a veracidade das informações e afirma ter acionado a justiça de Guarulhos para apurar o caso.

O site Terça Livre acusa o DCM de ação criminosa para com a ativista conservadora Lucinha Ramiro. A matéria intitulada “Mentira propagada pelo Diário do Centro do Mundo coloca vida de idosa em risco” foi escrita pelo colunista Ricardo Roveran e postada dia 03 de dezembro.

Boletim de ocorrência de Lucinha Ramiro

O jornal afirmou ao Bereia que recebeu os prints de uma fonte confiável e que as postagens foram feitas por Lucinha Ramiro, mas apagadas em seguida. Um levantamento de informações está sendo feito pelo DCM sobre a mulher e seu círculo de amigos.

Bereia visitou a página do Facebook de Lucinha no dia 03 de dezembro e encontrou diversas publicacões (veja abaixo) de ataque aos partidos de esquerda e de deboche a respeito da morte da vereadora Marielle Franco. Além disso, Bereia verificou que algumas postagens haviam sido removidas pelo próprio Facebook, por se tratarem de notícias falsas.

Para o DCM, Lucinha é ligada a deputados estaduais do PSL de Guarulhos e ao jornalista Allan dos Santos, criador do blog conservador Terça Livre. O jornalista foi acusado pelo deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) de comandar uma rede de produção de notícias falsas e ataques virtuais.

Allan dos Santos foi ouvido na CPI das Fake News em 5 de novembro de 2019 e negou as acusações, mas afirmou que já esteve com pessoas do chamado “gabinete do ódio”, como Tércio Arnaud Tomaz.


Allan dos Santos, fundador do blog Terça Livre (reprodução Instagram)

Gabinete do ódio” é como ficou conhecido o grupo formado por três servidores ligados ao vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PSC). Os assessores Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz produzem relatórios diários com suas interpretações sobre fatos do Brasil e do mundo, e são responsáveis pelas redes sociais da Presidência da República, atacando adversários e criando notícias polêmicas e provocativas.

A partir do depoimento da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) no dia 04 de dezembro para a CPÌ das Fake News, parece haver um grande esquema em cascata desde a criação até a disseminação de notícias falsas contra pessoas e partidos que são oposição ao governo. E a tática de confronto beligerante chega a incomodar, até mesmo, Flávio Bolsonaro (sem partido) que estaria se afastando cada vez mais do irmão, Carlos Bolsonaro, considerado o “pit bull” da família.

Bereia não conseguiu comprovar a veracidade dos prints divulgados pelo DCM, ainda que haja muitas publicações no Facebook de Lucinha Ramiro contra partidos e políticos de esquerda. Quanto às questões legais, elas foram encaminhadas ao advogado do jornal, Francisco Ramos.

A classificação da matéria do DCM é, portanto, inconclusiva, pois não há dados suficientes disponíveis para uma avaliação da veracidade do que afirma o jornal ou do que afirmam Lucinha Ramiro e o blog Terça Livre.

Referências de Checagem:

IMAGEM de bolsonarista pede que “crianças petistas” sejam mortas e mulheres estupradas. Diário do Centro do Mundo.  2 dez de 2019. Disponível em: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/bolsonarista-pede-que-criancas-petistas-sejam-mortas-e-mulheres-estupradas/

IMAGEM da abertura de processo de ameaça e injúria. Página pessoal de Lucinha Ramiro no  Facebook. 1 dez de 2019. Disponível em: https://www.facebook.com/photo.phpfbid=733569377140278&set=pcb.733569413806941&type=3&theater

ROVERAN, Ricardo. Mentira propagada pelo Diário do Centro do Mundo coloca vida de idosa em risco. Terça Livre, 3 dez 2019. Disponível em: https://www.tercalivre.com.br/mentira-propagada-pelo-diario-do-centro-do-mundo-coloca-vida-de-idosa-em-risco/

CPI das Fake News ouve o blogueiro Allan dos Santos. Congresso em Foco. 5 nov de 2019. Disponível em: https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/ao-vivo-cpi-das-fake-news-ouve-o-blogueiro-allan-dos-santos/

ROSCOE, Beatriz. Allan do Terça Livre nega relação com ‘gabinete do ódio’ na CPI das fake News. PODER 360. 6 nov de 2019. Disponível em: https://www.poder360.com.br/congresso/allan-do-terca-livre-nega-relacao-com-gabinete-do-odio-na-cpi-das-fake-news/

O que é o “gabinete do ódio”, que virou alvo da CPMI das Fake News. Gazeta do Povo. 6 dez de 2019. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/gabinete-do-odio-alvo-cpmi-fake-news/

DEPOIMENTO da deputada federal Joice Hasselmann. CPMI Fake News. TV Senado. 4 dez de 2019. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=YzUyXGRZ9Xc

DEPUTADA Joice Hasselmann (PSL-SP) depõe na CPI das Fake News. Jornal Nacional. 4 dez de 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/12/04/deputada-joice-hasselmann-psl-sp-depoe-na-cpi-das-fake-news.ghtml

GABINETE do ódio” influencia presidente e acirra divisão do clã Bolsonaro. Exame por Estadão Conteúdo. 20 set de 2019. Disponível em : https://exame.abril.com.br/brasil/gabinete-do-odio-acirra-divisao-da-familia-bolsonaro-no-planalto/

Decisão de soltar médico que estuprou 37 mulheres é falsa

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A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela inconstitucionalidade da prisão em segunda instância gerou uma onda de notícias falsas, em que o argumento principal gira em torno da soltura de presos condenados por assassinatos, pedofilia, estupros e crimes hediondos. No dia 10/11, o site Pleno News divulgou que “Decisão pode soltar médico que estuprou 37 mulheres”.

A notícia informa que a decisão do STF pode beneficiar 4.800 presos, dentre os quais, “Gil Rugai, acusado de matar o pai e madrasta, o DJ Renan da Penha e o médico Roger Abdelmassih. especialista em reprodução humana, Abdelmassih foi condenado a 181 anos de prisão pelo estupro de 37 mulheres”.

Dentre os três exemplos citados na matéria, o foco é o médico estuprador. Consta a informação de que desde outubro deste ano Roger Abdelmassih cumpre pena no hospital penitenciário em São Paulo, depois da juíza Andréa Barreira Brandão, da 3ª Vara de Execuções Criminais da Comarca de São Paulo, atestar que o réu tinha condições de fazer seu tratamento de saúde em regime fechado.

Em 2014, ele teve autorização para cumprir pena em regime domiciliar, pois a defesa havia alegado que o regime carcerário poderia agravar seu estado de saúde. No entanto, esse benefício foi revogado em 2019 e Abdelmassih retornou para o regime fechado.

A notícia do Pleno News apresenta uma informação falsa na chamada e com conteúdo controverso, em que o próprio exemplo citado (o médico estuprador) permanece preso, após pedidos de vista em  2019. Ao invés de aprofundar o debate sobre a prisão em segunda instância, a nota encerra com a informação de que o caso inspirou a série Assédio, lançada pela GloboPlay, em 2008.

A checagem do UOl Confere (09/11) sobre “Decisão que libertou Lula e outros presos gera enganos e fake news na rede” entrevistou o  advogado criminalista Leonardo Pantaleão para falar sobre esse argumento que circula nas redes e aparece também no Pleno News. Segundo Pantaleão,  é um equívoco afirmar que a decisão do STF impacta, de uma forma geral, em pessoas que cometeram este tipo de crime.

“A decisão encerrou a execução provisória da pena após a segunda instância. Ou seja, aquelas pessoas que não têm os requisitos de prisão preventiva têm o direito para aguardar o trânsito em julgado em liberdade para, então, começarem a cumprir a pena”, explica Pantaleão.

A advogado explica que pedófilos, homicidas e estupradores não serão impactados pois eles têm contra si a prisão preventiva. Para que não sigam praticando crimes, eles são colocados no sistema penitenciário independentemente do trânsito em julgado. Para esses casos, a decisão contrária à prisão de Segunda Instância não altera a atual condição deles.

Sobre a decisão do STF

Na última sexta-feira (07/11), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que é constitucional a regra do Código de Processo Penal (CPP) que prevê o esgotamento de todas as possibilidades de recurso (trânsito em julgado da condenação) para o início do cumprimento da pena.  

De acordo com o artigo 283 do CPP, “ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva”. O artigo está de acordo com o princípio da presunção de inocência, garantia prevista no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal.

Segundo informações do STF, a decisão não veda a prisão antes do esgotamento dos recursos, mas estabelece a necessidade de que a situação do réu seja individualizada, com a demonstração da existência dos requisitos para a prisão preventiva previstos no artigo 312 do CPP – para a garantia da ordem pública e econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal.

A decisão permitiu que o ex-presidente Lula fosse solto depois de 580 dias preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. A liberação para que ele recorra em liberdade da condenação em duas instâncias no caso do tríplex em Guarujá foi feita com a autorização do juiz Danilo Pereira Junior.

A soltura do ex-presidente mobilizou seus opositores a empreenderem uma campanha em favor da prisão em segunda instância, sem considerar o contexto do que representa essa decisão, mas focando apenas na permanência ou não de Lula na prisão. No dia 09/11, houve convocação de manifestação no aumentou a pressão para que o Congresso aprove a mudança na Constituição para autorizar a prisão em segunda instância.  

Fontes da checagem:

https://pleno.news/brasil/cidades/decisao-pode-soltar-medico-que-estuprou-37-mulheres.html https://noticias.uol.com.br/confere/ultimas-noticias/2019/11/09/boatos-e-fake-news-sobre-a-prisao-em-2-instancia-apos-lula-ser-solto.htm

Suspeitas por vazamento de óleo no Nordeste permanecem inconclusivas

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De acordo com a pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), 23% da população brasileira considera a Venezuela culpada pelo derramamento das manchas de óleo que atingiram o Nordeste do país, seguida do Governo Federal (13%), empresas estrangeiras (8%) e Petrobras (7%). Os dados foram publicados na coluna da Mônica Bergamo, na Folha de SP. Os dados refletem a desinformação sobre o assunto, que já apresenta suspeitas, mas permanece inconclusivo.

O Bereia localizou matérias que atribuem a culpa à Venezuela, em sites e perfis religiosos. Por isso, seguimos acompanhado o desdobramento do caso e a repercussão no noticiário cristão.

Segundo informações da Polícia Federal, divulgadas na última sexta-feira (01), para averiguar as causas a PF montou a Operação Mácula que envolve instituições como a Marinha do Brasil, Ministério Público Federal (MPF), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Agência Nacional do Petróleo e as universidades da Bahia, Ceará e de Brasília. Quanto às causas do derramamento do óleo, as investigações seguem em andamento para descobrir se o vazamento é de origem criminosa ou acidental.

Já a Marinha divulgou em nota que a suspeita é de um navio tanque de bandeira grega que transitava no local onde surgiu a mancha através de estudos. As imagens foram identificadas nas imagens via satélite, obtidas por meio de estudos de geointeligência. A embarcação transportava óleo cru proveniente do Terminal José, na Venezuela e seguiu com destino à África do Sul.

No entanto, a empresa Delta Tankers, responsável pelo navio, informou em nota (no último dia 02 de novembro) que o navio partiu, em 19 de julho deste ano, rumo à Malásia, local onde desembarcou todas as cargas e durante o trajeto não houve alteração nas rotas, paradas ou algum tipo de vazamento de óleo. A companhia disse ainda que disponibilizará material para investigação e reitera que não foi procurada pelas autoridades brasileiras.

De acordo com todas as análises feitas até o fechamento desta matéria, o resultado segue inconclusivo. Enquanto isso, circula nas redes sociais comentários como este ao lado (twitter @patriotasbr_), curtido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Ainda não checamos essas informações, mas esse esquema explicativo guarda semelhanças com as explicações dadas pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante a audiência sobre o óleo no Nordeste, realizada no dia 6 de novembro e publicada pela Folha de São Paulo.

“Grande parte dos problemas enfrentados sobre materiais ou dificuldades orçamentárias decorre de uma coisa: nós recebemos um estado quebrado. Quebrado graças às políticas cujos alguns partidos estão representados aqui [na Câmara], que resultaram inclusive na prisão do presidente Lula e de tantos outros líderes políticos dessa corrente doutrinária. Foi esse histórico, não só na parte do óleo, mas também na de Brumadinho, e certamente em tantas outras estruturas governamentais destruídas por essa visão equivocada de mundo. E por esse comportamento comprovadamente corrupto —tanto que o presidente [Lula] está preso— que nós tivemos a situação toda que nos levou a essa situação atual. Isso claro, sem querer politizar.”

Ricardo Salles

Das três checagens realizadas até o momento, além das possibilidades de identificar o culpado serem inconclusivas, é recorrente sugerir a aproximação do crime ambiental com a Venezuela, Greenpeace e o Governo do PT.   Seguimos acompanhando essa pauta.

Referências de checagem:

https://www.marinha.mil.br/sites/default/files/nota_a_imprensa_-_inquerito_oleo_1-1.pdf
http://www.deltatankers.gr/ http://www.pf.gov.br/imprensa/noticias/2019/11/policia-federal-deflagra-operacao-que-visa-esclarecer-derramamento-de-oleo-no-litoral-brasileiro
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/em-audiencia-sobre-oleo-no-nordeste-salles-coloca-a-culpa-no-pt-por-fragilizacao-dos-orgaos-ambientais/
twitter: @patriota

Pré-sal ou Venezuela? Vídeos viralizam na rede com argumentos distintos sobre a origem e as causas do vazamento de óleo nas praias do Nordeste

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Seguimos com a checagem das notícias divulgadas nas mídias digitais sobre o vazamento de oléo do Nordeste (link da primeira matéria). Em entrevista ao site Bereia, a professora Olívia informou que o Lepetro/UFBA – laboratório responsável pelo estudo para identificar as causas do vazamento de óleo –  possui capacidade técnica (composta por Complexo Laboratorial e Recursos Humanos) altamente especializada em Geoquímica do Petróleo. “Consideramos nosso dever institucional a realização de tais análises, uma vez que temos tido investimentos e parcerias há aproximadamente 19 anos em tal expertise”, afirma.  

Quanto à hipótese de que o vazamento é criminoso, Olívia explica que cabe aos órgãos responsáveis pela investigação responder. Nesse momento, o Lepetro está concentrado em esforços para identificar a assinatura do material (bacia petrolífera a qual o petróleo foi gerado e produzido; apresentação de processos de remediação do petróleo; estudos oceanográficos (correntes); reuniões com comunidades ribeirinhas afetadas, para esclarecimentos técnicos; e coleta de amostras para estudos multidisciplinares. 

Na internet, circulam vídeos com imagens que comprovariam que o vazamento provém da região de Canturra, no Norte da Venezuela com a seguinte mensagem:  

Então, agora ajude a espalhar isso também: 

E por onde estarão a ONU, o Papa, os ativistas do Greenpeace, os ambientalistas do mundo, a menina autista e o Macron, neste momento, após essa divulgação? 

*Próximo ao Terminal de passageiros de Cantaura, no norte da Venezuela, esse rio desemboca no Atlântico! 

Entendeu? 

Façamos com que essas imagens cheguem à Marinha do Brasil, e aos demais órgãos de controle e Governo, com urgência! 

E também circula um vídeo (veja logo abaixo) de Ernesto Cerino, afirmando que o vazamento provém do Pré-sal. 

ATENÇÃO A GLOBO NÃO ESTÁ INFORMANDO A VERDADE SOBRE O DERRAME DE ÓLEO NO NORDESTE: 

O derrame de óleo no Nordeste foi provocado por operadoras estrangeiras vencedoras da partilha do Pré-sal em Tupy.  

Engenheiros da Petrobras no anonimato estão denunciando, que vem do fundo do oceano. Eles estão utilizando um método não aplicado pela Petrobras de alta pressão para a retirada do petróleo das jazidas do Pré-Sal partilhada,  o mesmo metodo  utilizado pela Chevron na bacia de Campos que causou uma grande fissura no leito do mar e derramento de óleo na bacia de Campos à anos atrás. 

ASSISTA AJUDE A DIVULGAR 

No link abaixo, a agência Xeque apresenta o referido vídeo e a checagem conclui que o conteúdo é falso. O apresentador afirma ter conversado com um grande engenheiro e especialista em pré-sal, mas não cita o nome da fonte. A partir dessa conversa, ele obtém a seguinte informação: 

O DNA do petróleo já foi definido pela UFBA como petróleo venezuelano. A origem também foi mapeada pela COPPE da UFRJ do Rio de Janeiro. A causa dessa operação (o derramamento de óleo) é o embargo americano ao petróleo venezuelano promovendo um mercado paralelo, os petroleiros mulas (…).  

De acordo com a entrevista concedida ao site Bereia, pela pesquisadora responsável pelo estudo da Lepetro (UFBA), os especialistas estão  trabalhando para  identificar a assinatura do material (bacia petrolífera a qual o petróleo foi gerado e produzido). O estudo da COPPE não concluiu que a origem do éoleo era venezuelana, mas sim que não era do Brasil.  

As checagens feitas até o momento, apontam para a inclusão da origem do vazamento, apesar de inúmeras matérias sugerirem que a origem está comprovada. Seguimos checando essa notícia.  

Charges, notícias e pronunciamentos sobre vazamento de óleo acusam o governo da Venezuela e o Greenpeace

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Circulam nas redes sociais charges sugerindo que a Venezuela é responsável pelo vazamento de óleo nas praias nordestinas e que há um silêncio por parte dos partidos de esquerda, Ongs, ambientalistas e ativistas, como a sueca Greta Thunberg, o presidente francês Emmanuel Macron, o papa Francisco e a deputada Marina Silva. 

O vazamento, que começou a ser noticiado no final de agosto, atinge  pelo menos 225 localidades de mais de 80 municípios em todos os nove estados do Nordeste. Além das charges, sites de notícias reproduzem a afirmação, como  Pleno News, no dia 10/10:  

Nova análise confirma que óleo tem origem da Venezuela 

O óleo que resultou nas manchas encontradas em mais de 130 localidades do litoral nordestino tem origem da Venezuela. É o que afirmou a pesquisadora Olívia Oliveira, em entrevista coletiva no Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (UFBA) na manhã desta quinta-feira (10). 

A pedido da Marinha, o Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) da Coppe/UFRJ, sob a coordenação dos pesquisadores Luiz Landau e Luiz Assad, realizou um estudo para identificar o ponto de origem do vazamento de óleo. Utilizou-se um modelo matemático de correntes marinhas no Atlântico para cruzar os dados com o mapa de manchas de óleo encontradas na costa do Nordeste. Ao inverterem o sentido temporal do modelo, a partir dos pontos de destino do óleo fragmentado, chegaram a uma estimativa sobre sua origem. A área apontada fica fora da zona econômica exclusiva do Brasil em águas internacionais, entre 600 km e 700 km da costa brasileira, numa faixa de latitude com centro na fronteira entre Sergipe e Alagoas. Essa parte da análise foi entregue à Marinha. 

Durante uma coletiva de imprensa, realizada no dia 10 de outubro, a diretora do Instituto, Olívia Oliveira, afirmou que análise dos biomarcadores e da presença de carbono apontaram que o material contaminante tem semelhança com um dos tipos de petróleo produzido na Venezuela. “Nenhum petróleo produzido no Brasil apresenta distribuição de biomarcadores similar aos resultados encontrados”. A coleta de amostras ao longo da costa sergipana foi realizada em parceria com Universidade Federal de Sergipe (UFS). Ambos os estudos descartam a possibilidade do vazamento ter sido ocasionado em território nacional.  

Em entrevista ao jornal Correio, da Bahia, Olívia explicou que “existem alguns organismos que só viveram em determinado período da nossa era geológica, então quando identificamos esses organismos, chamados de biomarcadores, sabemos dizer quando ele viveu e comparamos com a idade das bacias petrolífera.  

De acordo com a pesquisadora em conversa com o Coletivo Bereia, o laudo completo está em posse da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).  

No dia 22 de outubro, o comandante da Marinha Brasileira, responsável pela investigação a respeito da origem do petróleo, Ilques Barbosa, declarou que o governo está concentrando as investigações sobre as causas da mancha de óleo nas praias do Nordeste em 30 navios de dez países diferentes. Mas, para ele, a maior probabilidade é que o vazamento partiu de um navio irregular, chamado de dark ship. A informação se contrapõe às declarações do presidente Jair Bolsonaro e do ministro de que se trata de uma ação criminosa. Essa embarcação. O comandante também afirma que o vazamento não tem origem nas bacias brasileiras.  

“O que se sabe pelos cientistas é que o petróleo é de origem venezuelana. Não quer dizer, que houve em algum momento, e não houve isso, envolvimento de qualquer setor responsável, tanto privado quanto público, da Venezuela nesse assunto”, afirmou o almirante-de-esquadra.  

Dark ship é um navio que tem seus dados informados às autoridades, mas, em função de qualquer restrição, de embargo que acontece, ele tem uma carga que não pode ser comercializada. Então, segundo o comandante, ele busca vias de comunicação marítimas que não são tão frequentadas, procura se evadir das marinhas de guerra e não alimenta seus sistemas de identificação. “Ele procura as sombras. E essa navegação às sombras produz essa dificuldade de detecção”, explicou.  

No dia 23 de outubro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles fez um pronunciamento em cadeia nacional afirmando que o presidente Bolsonaro determinou que o governo federal solicite à Organização dos Estados Americanos (OEA) um esclarecimento formal da Venezuela sobre o ocorrido. De acordo com o ministro, “as amostras analisadas em laboratório especializado identificaram que [as manchas] não vieram de território nacional, mas provêm de território venezuelano”.   

Após o pronunciamento, na quinta-feira, dia 24, Salles sugere que navio da Ong Greepeace derramou óleo no Nordeste. A declaração surge um dia depois de manifestantes do Greenpeace terem sido presos após protestar contra o avanço do óleo na frente do Palácio do Planalto e poucas horas depois de o próprio ministro reafirmar que o resíduo partiu da Venezuela.  

“Tem umas coincidências na vida né… Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano…”, escreveu Ricardo Salles no Twitter, junto com uma foto de um navio do Greenpea ce. 

O GreenPeace divulgou o posicionamento sobre as declarações do Salles: 

Ricardo Salles foge de sua responsabilidade mais uma vez 

O nosso navio Esperanza faz parte de uma campanha internacional chamada “Proteja os Oceanos”, que saiu do Ártico e vai até a Antártida ao longo de um ano, denunciando as ameaças aos mares. Ele passou pela Guiana Francesa, entre agosto e setembro, onde realizou uma expedição de documentação e pesquisa do sistema recifal conhecido como Corais da Amazônia, com o propósito de lutar pela proteção dos oceanos e contra a exploração de petróleo em locais sensíveis para a biodiversidade marinha. No momento, o navio está atracado em Montevidéu, no Uruguai. 

Tomaremos todas medidas legais cabíveis contra todas as declarações do Ministro Ricardo Salles. As autoridades têm que assumir responsabilidade e responder pelo Estado de Direito pelos seus atos. 

Fontes consultadas para a checagem:  

Agência Brasil: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-10/governo-pede-na-oea-que-venezuela-se-manifeste-sobre-oleo-diz-salles 

Lepetro: https://ufba.br/ufba_em_pauta/analises-do-lepetroigeo-indicam-correlacao-entre-oleo-encontrado-nas-praias-do 

Coppe: http://www.coppe.ufrj.br/pt-br/planeta-coppe-noticias/noticias/pesquisadores-da-coppe-detectam-origem-de-oleo-no-nordeste  

Congresso em Foco: https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/salles-sugere-que-navio-do-greenpeace-derramou-oleo-no-nordeste/ 

Greenpeace: https://www.greenpeace.org/brasil/press/posicionamento-ricardo-salles-foge-de-sua-responsabilidade-mais-uma-vez/