Críticas ao ministro Nunes Marques nas redes digitais o nomeiam falsamente como evangélico

Falso

O protagonismo do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro do Supremo Tribunal Federal Kássio Nunes Marques, em vários episódios que envolveram as eleições de 2026 no Brasil, o colocou em evidência em matérias jornalísticas e em publicações diversas nas mídias digitais. O então discreto indicado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) Jair Bolsonaro à Corte Suprema, não só assumiu a condução do processo eleitoral que representaria a possibilidade do retorno da família Bolsonaro ao poder máximo e a ocupação de novos cargos no Legislativo, quanto teve o nome envolvido no Caso do Banco Master, classificado como um dos maiores escândalos de corrupção do país.

O Coletivo Bereia detectou que, nas menções a Nunes Marques nas notícias e nas redes digitais, frequentemente são citados os adjetivos “evangélico” e “terrivelmente evangélico”. 

Imagem: Publicação em perfil de usuário do Facebook, em 25 out 2026

Entretanto, Kassio Nunes Marques tem formação católica. A informação sobre sua identidade religiosa pode ser verificada por meio de declarações do próprio magistrado e de registros oficiais do Senado Federal durante a sabatina para sua indicação ao Supremo Tribunal Federal.

O que revelou a sabatina no Senado?

Em 21 de outubro de 2020, Nunes Marques foi sabatinado por aproximadamente dez horas na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal. Na mesma data, sua indicação ao STF foi aprovada pelo plenário, com 57 votos favoráveis, dez contrários e uma abstenção.

Na exposição inicial, o então desembargador do o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) fez referências à família, à infância e à trajetória educacional. Relatou que estudou no Instituto Dom Barreto, dirigido por freiras, e permaneceu por quase dez anos no Colégio São Francisco de Sales, instituição de ensino católica, em Teresina (PI). 

O magistrado também recordou que aprendeu a rezar com a mãe e que as missas semanais realizadas no colégio contribuíram para a formação de sua fé. Ainda na abertura, mencionou a liturgia do dia e recitou uma passagem bíblica. As declarações constam das notas taquigráficas oficiais da sabatina, disponibilizadas pelo Senado Federal.

Ministro reafirmou formação católica em 2025

A informação sobre a identidade católica foi reforçada cinco anos depois. Em reportagem publicada em 1º de novembro de 2025, a Folha de S.Paulo consultou ministros do STF a respeito de suas religiões e da influência da fé em suas atividades profissionais.

Nunes Marques declarou: “Formação católica, com muita admiração pelas doutrinas evangélicas e kardecista”.

O ministro se apresentou como cristão e distinguiu sua formação religiosa da admiração por outras tradições. Questionado sobre a influência da fé em suas decisões, afirmou: “Apenas na fé por um Brasil melhor”. A reportagem identificou André Mendonça como evangélico, enquanto Nunes Marques foi descrito como cristão de formação católica.

A promessa de Bolsonaro

A indicação de Kassio Nunes Marques ao STF, em outubro de 2020, provocou críticas de lideranças evangélicas e apoiadores de Jair Bolsonaro. Conforme noticiou o Congresso em Foco, o pastor Silas Malafaia declarou-se “indignado pelo grave erro” cometido pelo então presidente e questionou: “O escolhido para o STF é terrivelmente evangélico? NÃO! É terrivelmente de direita mesmo não sendo evangélico? NÃO!”. 

A reportagem também destacou que Nunes Marques havia chegado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) por indicação da então presidente Dilma Rousseff. Entre outras reações, o deputado Paulo Eduardo Martins (PSC-PR) afirmou que Bolsonaro havia “errado grotescamente” na escolha.

O próprio Coletivo Bereia já havia abordado sobre o perfil religioso do magistrado em outubro de 2020, na reportagem “Terrivelmente católico”? A cobertura noticiosa sobre o perfil religioso de Kassio Nunes Marques, que analisou as reações de lideranças evangélicas à escolha presidencial.

A promessa de nomeação de um ministro “terrivelmente evangélico” para o STF só foi cumprida por Jair Bolsonaro em 2021, quando o então presidente indicou o advogado, ex-ministro da Advocacia Geral da União e da Justiça em seu governo, pastor presbiteriano André Mendonça.

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É falso apresentar Kassio Nunes Marques como evangélico. A informação não corresponde à formação religiosa relatada pelo próprio ministro. Sua educação em instituições católicas, a participação em missas durante a infância, informadas durante sabatina no Senado Federal, e a declaração concedida à Folha de S. Paulo, em 2025, sustentam a identificação de sua formação católica.

Bereia alerta leitores e leitores sobre o tom expressado na desinformação circulante sobre Kassio Nunes Marques. O uso da falsa identidade religiosa evangélica ou “terrivelmente evangélica” é aplicado em abordagens críticas à atuação do ministro, o que revela um discurso de intolerância em relação ao segmento evangélico. A mensagem que acaba transmitida nas publicações em redes digitais acaba sendo: quem é passível de críticas por supostos erros na condução do cargo ou na postura individual “só pode ser evangélico”. 

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Referências:

Senado Federal

https://www25.senado.leg.br/web/atividade/notas-taquigraficas/-/notas/r/9845   Acesso em 28 OUT 26

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/10/21/senado-aprova-indicacao-de-kassio-nunes-marques-para-o-supremo-tribunal-federal Acesso em 28 OUT 26

Congresso em Foco 

https://www.congressoemfoco.com.br/artigo/31076/kassio-nunes-nomeacao-reacao Acesso em 28 OUT 26

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