Plantão Bereia nas Eleições: Pastor Silas Malafaia indica candidatos e reforça alegações enganosas contra o STF

O pastor presidente da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia, publicou, na véspera da abertura das urnas, em seu canal no YouTube, um vídeo em que orienta eleitores do Rio de Janeiro sobre os candidatos que recomenda para as eleições de 2026. Na publicação, Malafaia pede votos para o deputado federal evangélico pastor Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e alega que o parlamentar é vítima de perseguição do ministro  do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. 

Ao falar sobre as duas vagas para o Senado pelo Rio de Janeiro, o pastor também orienta os eleitores a não votarem em Pedro Paulo (PSD-RJ) e Benedita da Silva (PT-RJ), sob a justificativa de que ambos protegeriam o ministro do STF Alexandre de Moraes, que, conforme o alerta do pastor, será o próximo presidente da Corte. O Bereia verificou as alegações e classificou o conteúdo como enganoso.

Imagem: Captura de tela do vídeo publicado por Malafaia. Reprodução: Youtube, 3 out 206

Sóstenes Cavalcante é perseguido por Flávio Dino? Engano!

A afirmação de que o deputado federal do PL-RJ Sóstenes Cavalcante é vítima de uma perseguição pessoal do ministro Flávio Dino não é sustentada por comprovação documental ou por manifestação pública. Dino é ministro do STF e relator das ações que tratam das emendas parlamentares e estão em julgamento. Nessa condição, cabe a ele analisar e tomar decisões judiciais nos processos que estão sob sua relatoria com base em investigações da Polícia Federal (PF).

No caso que envolve o nome de Sóstenes Cavalcante, medidas judiciais foram encaminhadas a partir de investigações solicitadas pela PF, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, autorizadas, então, pelo STF. As apurações buscavam investigar suspeitas de peculato (desvio de recursos públicos), lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa relacionadas ao uso de recursos de cota parlamentar.

O deputado do PL e pastor da igreja de Silas Malafaia é acusado de simular contratos de serviços inexistentes, principalmente de aluguel de veículos, utilizando empresas de fachada (locadoras) para desviar o dinheiro público da cota parlamentar designada ao seu gabinete. 

Há também provas sobre recursos públicos desviados que retornariam aos assessores e ao deputado após passarem por essas empresas e por transações fracionadas de saques e depósitos abaixo de R$ 10 mil (técnica conhecida como smurfing ) para escapar ao controle do Coaf. O esquema envolveu movimentações suspeitas de milhões de reais por assessores de gabinete do parlamentar.

Durante buscas em endereços vinculados a Sóstenes Cavalcante, a PF apreendeu, na casa dele, R$ 468 mil em dinheiro vivo,  escondidos em sacos de lixo em um armário. A defesa alegou tratar-se da venda legítima de uma casa. Porém, investigações posteriores apontaram que a escritura imobiliária teria sido forjada sem lastro bancário real para encobrir a origem ilegal do dinheiro. 

Além de negar veementemente as irregularidades, Sóstenes Cavalcante, passou a classificar as operações, as investigações, as provas encontradas e as ações judiciais como “perseguição política” motivada por sua atuação em oposição ao governo federal. O argumento é, agora, repetido pelo padrinho político de Cavalcante, o pastor Silas Malafaia.

Pelo que existe de documentação e registros públicos, a atuação do ministro Flávio Dino no caso foi determinada pelo STF, de acordo com o regulamento de distribuição de processos e não decorre da perseguição pessoal ao deputado. O trabalho institucional do ministro do STF e relator das ações relacionadas às emendas parlamentares é desenvolvido de acordo com os protocolos da Corte. O próprio histórico processual registra Dino como responsável pela relatoria de várias ações que tratam do caso das emendas parlamentares.

Assim, ao apresentar a atuação judicial de Dino como uma perseguição a Sóstenes Cavalcante, o pastor Silas Malafaia transforma uma atuação institucional e fundamentada em decisões judiciais em uma interpretação pessoal, sem apresentar evidências que comprovem a existência de perseguição.

Evitar voto em senadores que protegerão Alexandre de Moraes? Enganoso!

O ministro do STF Alexandre de Moraes é, de acordo com a tradição de sucessão da Corte, o próximo ministro na linha para assumir a Presidência, mas sua escolha ainda não foi oficialmente confirmada.

A tradição do Supremo é que a Presidência siga um sistema de rodízio baseado na antiguidade entre os ministros que ainda não exerceram o cargo. Moraes é atualmente vice-presidente do STF na gestão de Edson Fachin, cujo mandato corresponde ao biênio 2025–2027.

Por esse critério, há expectativa de que Moraes assuma a Presidência em setembro de 2027. No entanto, a indicação ainda depende da escolha formal pelos ministros do Tribunal, de modo que não é correto apresentar a posse como um fato já definido.

Ainda que isto aconteça, é interpretativo que candidatos ao senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PP) atuariam para proteger Alexandre de Moraes. A afirmação é enganosa, sem base factual (evidências documentais ou de manifestações públicas). O argumento de campanha do líder religioso se apresenta como um recurso retórico de defesa no voto para senadores do PL, baseado em controvérsias em relação ao STF, e não na prioridade das ações de quem ocupa vagas no senado, do que estes parlamentares devem de fato fazer – legislar em favor das demandas da população, conforme a campanha Boto Fé no Voto: Eu escolho a Verdade tem informado.

***

O vídeo de Silas Malafaia combina informações sobre fatos reais com interpretações apresentadas como fatos. A afirmação de que Sóstenes Cavalcante é perseguido por Flávio Dino não é sustentada pelas informações disponíveis sobre as investigações que envolvem o deputado. Já a afirmação de que Alexandre de Moraes será o próximo presidente do STF parte de uma expectativa baseada na tradição de sucessão da Corte, mas apresenta como definida uma escolha que ainda não foi formalizada. O Bereia classifica o conteúdo como enganoso.

Referências:

G1.

https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/01/pf-investiga-se-aliados-de-sostenes-forjaram-escritura-de-imovel-para-justificar-dinheiro-apreendido.ghtml. Acesso em 4 out  2026.

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/12/19/deputados-sostenes-cavalcante-e-carlos-jordy-ambos-do-pl-sao-alvo-de-operacao-da-pf-por-desvio-de-verba-publica.ghtml  Acesso em 4 out  2026.

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/07/01/pf-investiga-origem-de-quase-r-500-mil-encontrados-em-apartamento-usado-por-sostenes-cavalcante-lider-do-pl-na-camara.ghtml    Acesso em 4 out  2026

Aos Fatos. 

https://www.aosfatos.org/noticias/stf-moraes-presidente-2027/. Acesso em 4 out  2026.

Uol.

https://noticias.uol.com.br/confere/ultimas-noticias/2026/09/08/e-falso-que-stf-tenha-confirmado-moraes-para-presidencia-da-corte-em-2027.ghtm. Acesso em 4 out  2026.

Supremo Tribunal Federal.

https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-autoriza-busca-e-apreensao-em-investigacao-sobre-suspeitas-de-desvio-de-recursos-de-cota-parlamentar/. Acesso em 4 out  2026.

Estadão
https://www.estadao.com.br/politica/sostenes-e-outros-dois-deputados-do-pl-sao-laranjas-de-valdemar-em-emendas-com-suspeita-de-desvio/   Acesso em 4 out  2026

SBT News

https://www.youtube.com/watch?v=9zkcbysZtSk   Acesso em 4 out  2026

Compartilhe