Pastor Silas Malafaia afirma que espalhou fake news durante campanha eleitoral de 2018

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Depois de um ano de ter afirmado que Adelio Bispo de Oliveira, acusado de ser o autor do atentado a faca contra o então candidato a presidente da República Jair Bolsonaro, era militante do PT e assessor da campanha de Dilma ao Senado por Minas Gerais, o líder da igreja evangélica Assembleia de Deus Vitória em Cristo pastor Silas Malafaia publicou, em 9 de novembro passado, em sua conta no Twitter, um vídeo com um desmentido.

As postagens feitas pelo pastor, em 6 de setembro de 2018, tiveram muita repercussão. Matéria do jornal O Globo sobre conteúdo falso relacionado ao atentado a Jair Bolsonaro, publicada dois dias depois, citou o levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getúlio Vargas. A pesquisa mostrou que uma das postagens sobre o episódio com maior repercussão no Twitter foi a do pastor Silas Malafaia, apoiador da candidatura de Bolsonaro, ligando PT e Dilma Rousseff a Adelio Bispo. Naqueles mesmos dias já se sabia que o homem preso em flagrante não era integrante de nenhum partido político. Até 2014 foi filiado ao PSOL, e não havia qualquer evidência de que atuasse em prol da campanha da ex-presidente Dilma Rousseff.

A matéria do jornal O Globo questionou, à época o pastor sobre a postagem. Silas Malafaia afirmou que, ao usar a palavra assessor, quis dizer que Adélio fazia campanha para a petista. “Não estou falando que ele era empregado de Dilma, nem funcionário de Dilma. Cada um entenda o que quiser. Com todo respeito, não vou ficar dando justificativa para ninguém”, afirmou.

Em declaração ao site de notícias BuzzFeed News, o pastor Malafaia afirmou que se baseou no que leu a respeito nas redes sociais. “Tá na mídia, em todos blogs, em tudo que é lugar”, disse o pastor por telefone. “Que o cara trabalhava, não que ele fosse funcionário dela, nada disso. Não tem nada a ver com [ser] funcionário dela. Não é funcionário dela, mas tava ajudando na campanha porque ele é esquerdopata. Tava ajudando. Tá aí, todo mundo fala. É só pegar o que apanharam lá da página dele na internet, tá lá. Não tem nada a ver como funcionário da Dilma, assessor como funcionário. Falo de assessoramento no sentido de apoio, é isso que estou falando”, reafirmou Silas Malafaia no contato telefônico.

Ao ser indagado pelo BuzzFeed pelo fato de não haver nenhuma referência à ex-presidente Dilma Rousseff na página de Adelio Bispo no Facebook, o evangelista disse: “Não tinha nada de Dilma, mas tem tudo em vários blogs, várias redes. Anunciou que ele estava apoiando, fazendo campanha pra ela, pô. Tá em rede social, eu só repliquei. Para bater nessa cambada.”

Ao jornal Folha de S. Paulo, o líder religioso afirmou, em 7 de setembro de 2018, que o autor do crime é militante de esquerda pelo que viu em fotos na internet.  “Esses esquerdopatas são os reis da dissimulação e do cinismo, eles mesmos que infiltram notícias falsas”, declarou.

Na abertura do vídeo postado em 9 de novembro de 2019, o pastor Silas Malafaia inicia dizendo que o atentado estava completando um ano, o que corrigiu (o caso ocorreu em 6 de setembro). “Eu digo sempre que a grandeza de um ser humano não são os seus acertos, é reconhecer seus erros e corrigir suas rotas”, afirma o pastor na gravação antes de se retratar. “Na época, eu disse que o tal do Adélio era assessor de Dilma. Nunca foi assessor de Dilma. Tem que ser honesto com isso aí. Ele já teve vínculo lá atrás com o PSOL, mas nunca assessorou Dilma em campanha. Estou aqui corrigindo porque eu fiz uma declaração na época e essa declaração, e olha que eu sou cuidadoso, de ver coisa em rede social e soltar. Mas na época, eu soltei, postei no Twitter fazendo a reconsideração, e agora to reconsiderando aí nesse vídeo. Tá certo? A verdade é a verdade”, disse o líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Bereia verificou que o vídeo de Silas Malafaia é verdadeiro. No entanto, não conseguiu informações do porquê desta retratação ter sido publicada mais de um ano depois, mesmo tempo posterior à investigação da Polícia Federal ter sido encerrada afirmando que Adelio Bispo de Oliveira agiu sozinho por motivação política.

Em maio de 2019, a justiça já havia decidido que o autor do atentado tem transtorno mental e é inimputável (incapaz de entender o caráter de crime que cometeu e de responder por seus atos) e foi mantido em presídio para cumprir medida de segurança.

O pastor Malafaia não deu declarações sobre as razões da retratação tanto tempo depois. Estima-se que seja resultado de processo judicial. Já em 2018, a assessoria de Dilma Rousseff disse que ela entraria com processo por calúnia, injúria e difamação contra o pastor Malafaia.

Outra possibilidade para o ato tão defasado no tempo são os avanços nas investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura a divulgação de informações falsas para influenciar no resultado das eleições presidenciais de 2018, a chamada CPI das Fake News, instalada em 4 de setembro de 2019.

Bereia afirma, portanto, que a cobertura que envolve a publicação do vídeo de retratação do pastor Silas Malafaia em relação às mentiras que publicou em 2018 é inconclusiva pois não foram reunidos dados suficientes sobre a motivação para a devida informação do público. Bereia continuará apurando o caso.

Referências da checagem:

CANOFRE, Fernanda. Juiz que declarou Adélio inimputável decide absolvê-lo e mantê-lo em presídio. Folha de S. Paulo, 14 jun 2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/06/juiz-que-declarou-adelio-inimputavel-decide-absolve-lo-e-envia-lo-para-manicomio.shtml

CPMI das Fake News é instalada no Congresso. Senado Notícias, 4 set 2019. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/09/04/cpmi-das-fake-news-e-instalada-no-congresso

Suspeitas por vazamento de óleo no Nordeste permanecem inconclusivas

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De acordo com a pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), 23% da população brasileira considera a Venezuela culpada pelo derramamento das manchas de óleo que atingiram o Nordeste do país, seguida do Governo Federal (13%), empresas estrangeiras (8%) e Petrobras (7%). Os dados foram publicados na coluna da Mônica Bergamo, na Folha de SP. Os dados refletem a desinformação sobre o assunto, que já apresenta suspeitas, mas permanece inconclusivo.

O Bereia localizou matérias que atribuem a culpa à Venezuela, em sites e perfis religiosos. Por isso, seguimos acompanhado o desdobramento do caso e a repercussão no noticiário cristão.

Segundo informações da Polícia Federal, divulgadas na última sexta-feira (01), para averiguar as causas a PF montou a Operação Mácula que envolve instituições como a Marinha do Brasil, Ministério Público Federal (MPF), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Agência Nacional do Petróleo e as universidades da Bahia, Ceará e de Brasília. Quanto às causas do derramamento do óleo, as investigações seguem em andamento para descobrir se o vazamento é de origem criminosa ou acidental.

Já a Marinha divulgou em nota que a suspeita é de um navio tanque de bandeira grega que transitava no local onde surgiu a mancha através de estudos. As imagens foram identificadas nas imagens via satélite, obtidas por meio de estudos de geointeligência. A embarcação transportava óleo cru proveniente do Terminal José, na Venezuela e seguiu com destino à África do Sul.

No entanto, a empresa Delta Tankers, responsável pelo navio, informou em nota (no último dia 02 de novembro) que o navio partiu, em 19 de julho deste ano, rumo à Malásia, local onde desembarcou todas as cargas e durante o trajeto não houve alteração nas rotas, paradas ou algum tipo de vazamento de óleo. A companhia disse ainda que disponibilizará material para investigação e reitera que não foi procurada pelas autoridades brasileiras.

De acordo com todas as análises feitas até o fechamento desta matéria, o resultado segue inconclusivo. Enquanto isso, circula nas redes sociais comentários como este ao lado (twitter @patriotasbr_), curtido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Ainda não checamos essas informações, mas esse esquema explicativo guarda semelhanças com as explicações dadas pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante a audiência sobre o óleo no Nordeste, realizada no dia 6 de novembro e publicada pela Folha de São Paulo.

“Grande parte dos problemas enfrentados sobre materiais ou dificuldades orçamentárias decorre de uma coisa: nós recebemos um estado quebrado. Quebrado graças às políticas cujos alguns partidos estão representados aqui [na Câmara], que resultaram inclusive na prisão do presidente Lula e de tantos outros líderes políticos dessa corrente doutrinária. Foi esse histórico, não só na parte do óleo, mas também na de Brumadinho, e certamente em tantas outras estruturas governamentais destruídas por essa visão equivocada de mundo. E por esse comportamento comprovadamente corrupto —tanto que o presidente [Lula] está preso— que nós tivemos a situação toda que nos levou a essa situação atual. Isso claro, sem querer politizar.”

Ricardo Salles

Das três checagens realizadas até o momento, além das possibilidades de identificar o culpado serem inconclusivas, é recorrente sugerir a aproximação do crime ambiental com a Venezuela, Greenpeace e o Governo do PT.   Seguimos acompanhando essa pauta.

Referências de checagem:

https://www.marinha.mil.br/sites/default/files/nota_a_imprensa_-_inquerito_oleo_1-1.pdf
http://www.deltatankers.gr/ http://www.pf.gov.br/imprensa/noticias/2019/11/policia-federal-deflagra-operacao-que-visa-esclarecer-derramamento-de-oleo-no-litoral-brasileiro
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/em-audiencia-sobre-oleo-no-nordeste-salles-coloca-a-culpa-no-pt-por-fragilizacao-dos-orgaos-ambientais/
twitter: @patriota

Pré-sal ou Venezuela? Vídeos viralizam na rede com argumentos distintos sobre a origem e as causas do vazamento de óleo nas praias do Nordeste

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Seguimos com a checagem das notícias divulgadas nas mídias digitais sobre o vazamento de oléo do Nordeste (link da primeira matéria). Em entrevista ao site Bereia, a professora Olívia informou que o Lepetro/UFBA – laboratório responsável pelo estudo para identificar as causas do vazamento de óleo –  possui capacidade técnica (composta por Complexo Laboratorial e Recursos Humanos) altamente especializada em Geoquímica do Petróleo. “Consideramos nosso dever institucional a realização de tais análises, uma vez que temos tido investimentos e parcerias há aproximadamente 19 anos em tal expertise”, afirma.  

Quanto à hipótese de que o vazamento é criminoso, Olívia explica que cabe aos órgãos responsáveis pela investigação responder. Nesse momento, o Lepetro está concentrado em esforços para identificar a assinatura do material (bacia petrolífera a qual o petróleo foi gerado e produzido; apresentação de processos de remediação do petróleo; estudos oceanográficos (correntes); reuniões com comunidades ribeirinhas afetadas, para esclarecimentos técnicos; e coleta de amostras para estudos multidisciplinares. 

Na internet, circulam vídeos com imagens que comprovariam que o vazamento provém da região de Canturra, no Norte da Venezuela com a seguinte mensagem:  

Então, agora ajude a espalhar isso também: 

E por onde estarão a ONU, o Papa, os ativistas do Greenpeace, os ambientalistas do mundo, a menina autista e o Macron, neste momento, após essa divulgação? 

*Próximo ao Terminal de passageiros de Cantaura, no norte da Venezuela, esse rio desemboca no Atlântico! 

Entendeu? 

Façamos com que essas imagens cheguem à Marinha do Brasil, e aos demais órgãos de controle e Governo, com urgência! 

E também circula um vídeo (veja logo abaixo) de Ernesto Cerino, afirmando que o vazamento provém do Pré-sal. 

ATENÇÃO A GLOBO NÃO ESTÁ INFORMANDO A VERDADE SOBRE O DERRAME DE ÓLEO NO NORDESTE: 

O derrame de óleo no Nordeste foi provocado por operadoras estrangeiras vencedoras da partilha do Pré-sal em Tupy.  

Engenheiros da Petrobras no anonimato estão denunciando, que vem do fundo do oceano. Eles estão utilizando um método não aplicado pela Petrobras de alta pressão para a retirada do petróleo das jazidas do Pré-Sal partilhada,  o mesmo metodo  utilizado pela Chevron na bacia de Campos que causou uma grande fissura no leito do mar e derramento de óleo na bacia de Campos à anos atrás. 

ASSISTA AJUDE A DIVULGAR 

No link abaixo, a agência Xeque apresenta o referido vídeo e a checagem conclui que o conteúdo é falso. O apresentador afirma ter conversado com um grande engenheiro e especialista em pré-sal, mas não cita o nome da fonte. A partir dessa conversa, ele obtém a seguinte informação: 

O DNA do petróleo já foi definido pela UFBA como petróleo venezuelano. A origem também foi mapeada pela COPPE da UFRJ do Rio de Janeiro. A causa dessa operação (o derramamento de óleo) é o embargo americano ao petróleo venezuelano promovendo um mercado paralelo, os petroleiros mulas (…).  

De acordo com a entrevista concedida ao site Bereia, pela pesquisadora responsável pelo estudo da Lepetro (UFBA), os especialistas estão  trabalhando para  identificar a assinatura do material (bacia petrolífera a qual o petróleo foi gerado e produzido). O estudo da COPPE não concluiu que a origem do éoleo era venezuelana, mas sim que não era do Brasil.  

As checagens feitas até o momento, apontam para a inclusão da origem do vazamento, apesar de inúmeras matérias sugerirem que a origem está comprovada. Seguimos checando essa notícia.