Balanço Janeiro 2026: Igrejas investigadas na CPMI do INSS? Declarações de senadora causam incômodo a lideranças religiosas

Igrejas e líderes evangélicos aparecem em documentos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Esta afirmação gerou polêmica no debate público e foi feita pela senadora evangélica Damares Alves (Republicanos-DF). A parlamentar revela ainda, que sofreu lobby para não incluir essas igrejas e líderes nas investigações. 

A declaração provocou reação imediata de lideranças evangélicas, especialmente do presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, pastor Silas Malafaia. As críticas levaram a senadora a divulgar uma lista de igrejas e pastores citados em requerimentos formais da comissão.

Imagem: reprodução/perfil da Folha de S.Paulo no Instagram

Imagem: reprodução/ perfil no Instagram da senadora Damares Alves

Imagem: reprodução/ perfil no Instagram da senadora Damares Alves

Imagem: reprodução/ perfil no Instagram da senadora Damares Alves

A checagem dos documentos pelo Bereia mostra que os nomes divulgados por Damares Alves constam, de fato, em requerimentos oficiais apresentados à CPMI, baseados em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e informações da Receita Federal. Os pedidos que incluem convites, convocações e solicitações de transferência de sigilo bancário e fiscal são públicos e, em sua maioria, foram protocolados em novembro de 2025, meses antes da fala pública da senadora.

O que investiga a CPMI do INSS

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS foi instaurada, em 20 de agosto de 2025, para apurar um esquema investigado pela Polícia Federal (PF) que envolve descontos irregulares em aposentadorias e pensões. As investigações da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram, em abril de 2025, a existência de um esquema de cobrança de mensalidades irregulares descontadas, sem autorização, dos benefícios de aposentados e pensionistas. Os desvios são referentes ao período de 2019 até 2024 e foram estimados em R$ 6,3 bilhões.

A comissão parlamentar formada por deputados federais e senadores tem poderes para solicitar documentos, ouvir testemunhas e analisar movimentações financeiras suspeitas, mas não julga nem condena. A inclusão de nomes em requerimentos não equivale a acusação formal ou prova de crime.

Igrejas e líderes citados em investigações

Entre as instituições religiosas citadas nos pedidos divulgados por Damares estão a Adoração Church, Igreja Assembleia de Deus – Ministério do Renovo, Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch) e Igreja Evangélica Campo de Anatote. Há também requerimentos envolvendo líderes religiosos, como André Machado Valadão, Fabiano Campos Zettel, Cesar Belucci do Nascimento, Péricles Albino Gonçalves e André Fernandes, em diferentes modalidades: convite, convocação ou pedido de transferência de sigilo. Alguns desses requerimentos já foram aprovados pela CPMI, outros ainda aguardam deliberação. Até o momento, não há denúncias nem condenações contra as igrejas ou líderes citados.

Apesar da reação pública, o nome do pastor Silas Malafaia não aparece nos requerimentos divulgados pela senadora

Imagem: reprodução/ perfil no X do Pr. Silas Malafaia

Por que a divulgação gerou repercussão?

A fala inicial de Damares foi genérica, ao mencionar “grandes igrejas e líderes religiosos” nos documentos da CPMI. A reação de Malafaia, em tom crítico, ocorreu antes da divulgação de qualquer lista nominal. Somente após essa reação a senadora publicou, em seus perfis de mídias sociais, os nomes das instituições e líderes, acompanhados dos números dos requerimentos, indicando que os dados já eram públicos e acessíveis no sistema do Senado.

Na prática, a divulgação levou para o debate público informações que até então circulavam principalmente no ambiente técnico da comissão parlamentar.

O contexto político da senadora

O episódio ocorre enquanto Damares Alves também é citada em investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre repasses feitos durante sua gestão à frente do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (2019–2022). As apurações apontam possíveis irregularidades em contratos com organizações suspeitas de atuar como ONGs de fachada, envolvendo valores estimados em cerca de R$ 3,8 milhões.

A senadora afirma que as irregularidades foram identificadas pela própria área de controle interno do ministério, que houve cobrança de esclarecimentos das entidades e que parte dos recursos foi ressarcida ao erário. Até o momento, não há acusações formalizadas contra Damares Alves.

Desvio de foco, protagonismo político ou dever institucional?

Após a divulgação da lista de igrejas e líderes religiosos citados na CPMI do INSS, críticas nas mídias sociais, como as realizadas pelo próprio pastor Silas Malafaia, avaliam que a senadora estaria buscando protagonismo político ao se apresentar como alguém disposta a enfrentar interesses poderosos, inclusive dentro do campo evangélico. As críticas não mencionam, de forma direta, uma tentativa de desviar o foco das investigações que envolvem sua gestão passada, mas destacam possíveis ganhos políticos e simbólicos com a exposição do tema.

Imagem: reprodução/ perfil no X do Pr. Silas Malafaia

Reportagens e comentários destacaram que a fala da senadora reforça uma imagem de independência e de atuação “sem blindagens”, o que pode gerar dividendos políticos em um ano eleitoral e em momento de forte desgaste institucional provocado pelo escândalo do INSS e pelas disputas no meio religioso.

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Diante dos fatos, Bereia afirma que a lista que a senadora Damares Alves divulgou com nomes de igrejas e líderes religiosos é verdadeira. Do ponto de vista factual, a checagem indica que os nomes divulgados por Damares Alves constam em documentos oficiais da CPMI, apresentados meses antes da declaração pública. Não há indícios de que a senadora tenha criado acusações ou divulgado informações falsas. Também não há comprovação de que a iniciativa tenha como objetivo abafar ou desviar a atenção das apurações que envolvem sua gestão como ministra.


O caso em questão, entretanto, pode produzir efeitos políticos positivos e relevantes para o cenário político, contudo, não é possível avaliar ou checar a intenção das ações de Damares Alves. Bereia seguirá acompanhando os desdobramentos.

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