A Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou que a circulação de desinformação e a atuação de agentes políticos internacionais são pontos de preocupação durante as eleições brasileiras de 2026.
Em relatório preliminar divulgado em 6 de outubro, a Missão de Observação Eleitoral (MOE/OEA) da entidade elogiou a capacidade técnica e organizacional da Justiça Eleitoral, mas registrou que a campanha foi marcada por radicalização, confrontos pessoais e discursos destinados a gerar desconfiança sobre a integridade das urnas eletrônicas.
De acordo com a organização internacional, diversos grupos políticos e da sociedade civil mencionaram preocupação com a circulação de desinformação, notícias falsas e publicações com conteúdo de ódio pelas redes digitais.
Outro temor comunicado à MOE/OEA foi sobre manifestações e ações de atores internacionais sobre o processo eleitoral no Brasil, que poderiam ter impactado de alguma forma a campanha.
Articulação para desinformar
Uma articulação entre grupos extremistas da Coreia do Sul e do Brasil para desinformar durante a campanha eleitoral foi revelada pelo Instituto Democracia em Xeque (DX), em 4 de outubro passado. Em levantamento feito entre 20 de setembro e 2 de outubro, o DX identificou mensagens de lideranças da direita sul-coreana em apoio a Flávio Bolsonaro.

Também foram encontradas publicações que mencionavam uma suposta fraude eleitoral no Brasil, discurso recorrente, periodicamente desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e checado pelo Bereia.
Segundo o estudo, o conjunto de conteúdos monitorados alcançou cerca de 2,6 milhões de visualizações e 724 mil interações. A repercussão ocorreu também entre perfis brasileiros: publicações de influenciadores políticos foragidos nos Estados Unidos, como Allan dos Santos e o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), além de páginas de parlamentares alinhados à direita radicalizada, contribuíram para ampliar a visibilidade do episódio.
O levantamento identificou uma concentração expressiva das interações em 29 de setembro passado, quando as mensagens passaram a circular com maior intensidade entre contas brasileiras.

Desinformação nas eleições
O Boletim 1º Turno das Eleições 2026, do Observatório das Big Techs do NetLab Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aponta que campanhas falsas atribuídas ao TSE sobre um suposto voto online, que não exigiria a presença do eleitor ao colégio eleitoral, foram impulsionadas por diversos perfis em plataformas da Meta, no dia das eleições, 4 de outubro. A empresa é dona do Instagram e do Facebook.
Durante a cobertura do plantão eleitoral, Bereia apurou que o mesmo conteúdo foi patrocinado para ter maior alcance no Facebook, onde circulou como um anúncio pago.

Em 3 de outubro, na véspera da votação, o Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral) pediu ao TSE a remoção de conteúdos falsos que associavam o fechamento de embaixadas no Brasil a ameaças terroristas e risco de golpe. No dia anterior, as representações diplomáticas dos Estados Unidos (EUA) e da Austrália no Brasil comunicaram a interrupção dos serviços presenciais. A justificativa para a medida foram motivos de segurança. Porém, as autoridades não especificaram quais seriam as ameaças potenciais, o que contribuiu para o surgimento de boatos, que também foram checados pelo Bereia.
O caso ilustra como alegações não comprovadas sobre a integridade eleitoral podem ganhar visibilidade por meio da circulação entre diferentes países, idiomas e comunidades políticas. Embora o relatório da OEA não atribua suas constatações especificamente a esse episódio, a análise do DX ajuda a compreender uma das formas pelas quais discursos de desconfiança sobre o processo eleitoral podem ser difundidos no ambiente digital.
Referências
Agência Brasil
Ministério Público Eleitoral
Instituto Democracia em Xeque
https://institutodx.org/publicacoes/direita-sul-coreana-e-bolsonaristas/ Acesso em 13 out 2026
Organização dos Estados Americanos (OEA)
NetLAB UFRJ

