Guerra no Oriente Médio: comunhões globais evangélicas condenam ataques e pedem paz

*Com base em matéria da Anglican Communion News Service

Uma convocação conjunta por esforços renovados em direção ao “dom da paz”, foi publicada neste 5 de março, por quatro comunhões globais evangélicas, em resposta à escalada de conflitos e à crescente instabilidade ao redor do mundo. Na declaração, líderes da Comunhão Anglicana, da Federação Luterana Mundial, da Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas e do Concílio Mundial Metodista expressam profunda preocupação com o custo humano da guerra e apelam aos governos e instituições internacionais que renovem seu compromisso com a diplomacia, a justiça e a construção da paz.

Imagem: Anglican Communion News Service. No alto à esq. Revda. Dra. Anne Burghardt e à dir. Revdo. Anthony Poggo; Embaixo à esq. Revdo. Vinod Peacock, à dir. Revdo. Dr. Reynaldo Ferreira Leão Neto.

O documento destaca o impacto devastador dos conflitos em curso em regiões como Ucrânia, Sudão, Gaza e Myanmar, e urge por um maior investimento em assistência humanitária, construção da paz na base comunitária e cooperação multilateral.

Veja a íntegra da declaração

Como comunhões cristãs globais, a Comunhão Anglicana, a Federação Luterana Mundial, a Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas e o Concílio Mundial Metodista, representando centenas de milhões de cristãos em todo o mundo, unimo-nos em profunda dor e determinação inabalável. Testemunhamos o impacto devastador da violência e da guerra sobre incontáveis indivíduos e comunidades. Em resposta, através do nosso trabalho contínuo e dos ministérios de nossas igrejas e parceiros locais, estamos engajados em ações concretas de solidariedade, ajuda humanitária e construção da paz.

A recente escalada de conflito e a guerra intensificada no Irã e no Oriente Médio soma-se à angustiante lista de conflitos violentos e guerras em curso, incluindo aqueles na Ucrânia, Sudão, Gaza e Myanmar. 

Estamos profundamente consternados com o fracasso da comunidade internacional em prevenir estas tragédias. Em vez de seguir os caminhos difíceis, mas necessários, da diplomacia e do diálogo, as nações têm recorrido cada vez mais a soluções militares, despejando vastas quantidades de recursos em armas em vez de em processos de paz e assistência humanitária para os vulneráveis. 

A justiça exige que os perpetradores de violência e os indivíduos e países responsáveis por atrocidades e violações do direito internacional sejam responsabilizados por suas ações. As vítimas de suas ações devem ser ouvidas, e sua dignidade, direitos, vidas e meios de subsistência devem ser protegidos.

No atual contexto global, “A paz já não é buscada como um dom e um bem desejável em si mesma… Em vez disso, a paz é buscada através das armas como uma condição para afirmar o próprio domínio”. Ecoamos aqui as palavras do Papa Leão 14 ao dirigir-se ao corpo diplomático do Vaticano no início deste ano. Se a base da paz é o interesse próprio, isso ameaça gravemente o Estado de Direito, a coexistência civil e a capacidade de os Estados se unirem. 

Enquanto velhas guerras prosseguem inabaláveis, novas surgem. O mundo está se aproximando de um ponto de ruptura perigoso – um momento em que a violência se torna a norma e a morte e o sofrimento de pessoas e comunidades são tolerados. 

Reafirmamos nosso forte compromisso com a paz, em um mundo que acumula armas cada vez mais e aceita o conflito destrutivo como inevitável. Vislumbramos um mundo onde a paz seja valorizada e ativamente cultivada, fundamentada em nossos valores compartilhados de dignidade e valor de cada pessoa, e nos direitos iguais de todos os povos e nações, grandes e pequenas, com justiça e respeito ao direito internacional. 

A paz pela qual o mundo anseia não é apenas a ausência de guerras, nem aquela que é imposta pela coerção e domínio. Não deve ser negociada pelo maior lance. A paz não está à venda. É uma paz que inclui a justiça e que transforma nossa cultura coletiva. Paz é a presença de justiça, dignidade e florescimento para todos os filhos de Deus. 

Reafirmamos ainda nosso compromisso e apoio ao multilateralismo – países do mundo perseguindo um objetivo comum de justiça, paz e sustentabilidade, baseados em princípios de inclusividade, igualdade e cooperação. Este é o papel fundamental das Nações Unidas – permitir encontros e diálogo entre todas as nações do mundo – e é crucial para introduzir a paz e a justiça. Este caminho de diplomacia, mediação e direito internacional é, infelizmente, minado com demasiada frequência. 

Embora seja oportuno renovar e reformar as estruturas multilaterais internacionais e os mecanismos de governança global, pedimos que isso seja feito em um espírito de recriação e redescoberta, não de cinismo cansado. Esta abordagem permitirá que o multilateralismo recupere a força necessária para desempenhar o seu papel de encontro e mediação. 

Em nossa tradição de fé, encontramo-nos no período da Quaresma e na aproximação da Páscoa, em um ciclo de reflexão que inclui sofrimento, medo e a destruição do que é bom. Nossa fé cristã nos ensina que tais tempos podem ser enfrentados com coragem e integridade; o caminho não é fácil, mas a renovação e a recriação são possíveis. 

Apelamos aos governos nacionais, aos organismos intergovernamentais regionais, às Nações Unidas, às organizações internacionais e a todas as partes interessadas para que invistam na paz, não na guerra. 

Pedimos maior apoio à ajuda humanitária e à proteção das comunidades afetadas e ao fortalecimento da construção da paz na base, reconhecendo o papel crítico das comunidades locais, da sociedade civil e das organizações baseadas na fé na prevenção de conflitos e na reconstrução de sociedades. 

Como igrejas, prometemos ser defensores implacáveis de uma paz transformadora. Continuaremos a rezar pelas vítimas da guerra, a defender a justiça perante os líderes políticos e a servir os afetados por conflitos através dos nossos ministérios diaconais. Comprometemo-nos a educar os nossos membros sobre a ética da paz e a desafiar as narrativas de ódio e inimizade dentro da nossa sociedade.

Assinado:

Revmo. Bispo Anthony Poggo, Secretário-Geral da Comunhão Anglicana

Revda. Dra. Anne Burghardt, Secretária-Geral da Federação Luterana Mundial

Revdo. Philip Vinod Peacock, Secretário-Geral da Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas (WCRC)

Revdo. Dr. Reynaldo Ferreira Leão Neto, Secretário-Geral do Concílio Mundial Metodista 

Uma demanda: rejeitar a guerra e afirmar a paz

Bereia ouviu o secretário-geral do Concílio Mundial Metodista, brasileiro, pastor da Igreja Metodista na Grã-Bretanha Reynaldo Ferreira Leão Neto sobre o significado desta nota conjunta de igrejas evangélicas globalmente representadas em comunhões. “Jesus orou para que unidos seus discípulos pudessem testemunhar o evangelho ao mundo”, diz Leão Neto, por isso “esta declaração das Comunhões mundiais: luterana, anglicana, reformada e metodista, aponta para o caminho da paz com justiça é exatamente este testemunho”, afirma.

Para o pastor metodista que representa a comunhão dos evangélicos metodistas, “neste tempo de guerra e desrespeito a normas internacionais, ao papel diplomático da ONU, a voz profética das igrejas se levanta”. Leão Neto conclui: “Dizemos que até por uma questão simplesmente de humanidade, o respeito ao outro, a capacidade de diálogo e a convivência pacífica devem ser a motivação principal. O Evangelho nos chama a rejeitar a guerra e afirmar a paz. Jesus disse: Bem-aventurados os pacificadores”.

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