Como o movimento antivacina passou a articular religião, política e desinformação no Brasil

*com a colaboração de André Mello

O avanço do movimento antivacina no Brasil deixou de se restringir à circulação de informações falsas sobre imunizantes e passou a integrar uma agenda política e religiosa mais ampla, que questiona a atuação do Estado em áreas como saúde, educação e direitos da infância. Ao longo dos últimos anos, Bereia tem mostrado como discursos contrários à vacinação passaram a ser difundidos por lideranças religiosas, parlamentares, profissionais de saúde e influenciadores digitais, frequentemente associados à defesa da liberdade individual, do chamado “consentimento parental” e da autonomia das famílias diante das políticas públicas. 

Imagem: Reprodução site Coletivo Bereia

A condenação judicial de um casal catarinense por não vacinar os filhos, em  junho de 2024, tornou-se um dos exemplos mais recentes da resposta do Judiciário ao avanço da recusa vacinal. A decisão, confirmada neste junho de 2026, ocorre em um contexto de fortalecimento de discursos antivacina em segmentos religiosos e conservadores. Há uma grande preocupação das autoridades sanitárias com a queda da cobertura vacinal e a reintrodução de doenças imunopreveníveis, como sarampo, difteria, meningite, entre outros.

A discussão extrapola a vacinação infantil. Nos últimos anos, ações judiciais passaram a questionar a exigência de comprovantes vacinais para matrícula em instituições de ensino, concursos públicos e outras atividades, ao mesmo tempo em que discursos sobre liberdade individual, homeschooling e redução da intervenção estatal passaram a convergir com narrativas antivacinas. Pesquisadores apontam que esse movimento deixou de representar apenas uma contestação a políticas sanitárias para integrar uma agenda política mais ampla, marcada pela desconfiança em relação às instituições científicas e ao Estado. 

Em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal invalidou, por maioria de votos, decretos de dez municípios de Santa Catarina que afastavam a exigência de comprovante de vacinação contra a covid-19 para matrícula ou rematrícula na rede pública de ensino.

O caso de Santa Catarina

Um casal foi multado por descumprir uma decisão judicial que determinava a atualização do calendário vacinal de seus três filhos, em Santa Catarina, em junho de 2024. A ação foi proposta pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em fevereiro daquele ano, após o Conselho Tutelar e a Secretaria Municipal de Saúde constatarem que as cadernetas de vacinação das crianças estavam completamente em branco. A Justiça concedeu prazo de 45 dias para a regularização da imunização e fixou multa diária de R$ 500 por criança em caso de descumprimento. Posteriormente, o valor acumulado, que chegou a quase R$ 1 milhão, foi reduzido para R$ 30 mil, depois de recurso de advogado de defesa, alegando falta de condições financeiras do casal.

Os pais haviam alegado que deixaram de vacinar os filhos depois que o mais velho apresentou um suposto efeito adverso aos seis meses de idade, em 2017. A perícia judicial concluiu, entretanto, que o episódio foi um evento adverso raro, sem sequelas permanentes e sem contraindicação para a continuidade da vacinação. A decisão manteve a obrigação de imunizar as crianças conforme o calendário oficial do Ministério da Saúde.

A decisão da Justiça catarinense acompanha entendimento consolidado pelos tribunais superiores. Em março de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que pais que recusarem a vacinação obrigatória dos filhos podem ser multados por negligência parental. A relatora da ação, ministra Nancy Andrighi, apontou que o direito à saúde da criança e do adolescente é protegido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/1990),  que determina a obrigatoriedade da vacinação quando recomendada pelas autoridades sanitárias (artigo 14, parágrafo 1º).

“Salvo eventual risco concreto à integridade psicofísica da criança ou do adolescente, não lhe sendo recomendável o uso de determinada vacina, a escusa dos pais será considerada negligência parental, passível de sanção estatal, ante a preponderância do melhor interesse sobre sua autonomia”, registra a sentença.

O julgamento reafirmou entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Tema 1.103, segundo o qual a vacinação infantil pode ser obrigatória quando o imunizante integra o Programa Nacional de Imunizações (PNI), quando houver previsão legal ou quando a determinação partir das autoridades sanitárias com base em consenso científico. Nessas situações, a recusa injustificada pode configurar negligência parental e ensejar sanções previstas no ECA.

Religião, política e desinformação

O caso de Santa Catarina não é um episódio isolado. Nos últimos anos, o movimento antivacina no Brasil passou por uma transformação, deixando de concentrar seus argumentos apenas na segurança e na eficácia dos imunizantes para incorporar pautas políticas, morais e religiosas. Segundo a tese “O movimento antivacina no Brasil e as interfaces com as racionalidades neoliberal e neoconservadora”, da pesquisadora Priscila Cardia Petra, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o conteúdo antivacina “transcende o campo da saúde e se insere nas disputas ideológicas mais amplas do cenário político brasileiro”, consolidando um ecossistema em que essas ideias se tornam social e politicamente viáveis. 

A resistência às vacinas ganhou força no Brasil durante a pandemia de covid-19, mas o discurso contrário à imunização não permaneceu restrito aos questionamentos sobre a segurança dos imunizantes. Em diferentes espaços, passou a incorporar argumentos em defesa da liberdade individual, da autonomia das famílias e do chamado “consentimento parental” (direito dos pais decidirem procedimentos em relação a filhos, mesmo contrariamente às leis do País). Tais conteúdos são frequentemente associados à oposição à atuação do Estado em políticas públicas de saúde e educação.

Esse discurso encontrou espaço em segmentos religiosos e conservadores. Como o Bereia publicou, em 2024, em audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, parlamentares da bancada religiosa e convidados criticaram a vacinação infantil contra a covid-19, questionaram a segurança das vacinas e defenderam que a decisão sobre imunizar crianças caberia exclusivamente aos pais. Tal posição foi exposta mesmo diante das recomendações do contrário pelo Ministério da Saúde, pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). 

Os discursos antivacina também passaram a circular com frequência em igrejas e grupos religiosos nas redes sociais e em aplicativos de mensagens. Áudios compartilhados em grupos religiosos voltaram a associar vacinas a surtos de doenças e a supostos riscos à saúde, repetindo informações já desmentidas por autoridades sanitárias. Bereia já fez inúmeras checagens sobre o tema. Em outra frente, líderes religiosos utilizaram púlpitos e plataformas digitais para atribuir às vacinas efeitos adversos sem comprovação científica e reforçar teorias conspiratórias que colocam em dúvida a eficácia dos imunizantes.

Imagem: Reprodução Instagram

Imagem: Reprodução Instagram

A disseminação desses conteúdos também contou com o apoio de figuras públicas. Em janeiro de 2022, o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia classificou a vacinação infantil contra a covid-19 como “infanticídio” em publicações nas redes digitais. As mensagens foram removidas pelo antigo Twitter por violarem as políticas da plataforma contra desinformação sobre a pandemia, reforçando o alcance nacional do debate em torno da imunização infantil. Porém, depois de adquirido por Elon Musk e ter-se tornado X, esta plataforma se tornou terreno fértil para publicações antivacina.

Imagem: Exemplo de perfil antivacina amplamente compartilhado pelo X no Brasil.

O ambiente de desinformação também encontrou respaldo em parte da classe médica. Durante e após a pandemia, alguns profissionais de saúde utilizaram sua autoridade técnica para divulgar informações enganosas sobre vacinas e defender tratamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19, contrariando evidências científicas e recomendações de instituições nacionais e internacionais de saúde. 

No Congresso Nacional, esse discurso também passou a ser defendido de forma sistemática por parlamentares. Entre os principais nomes estão as deputadas federais Caroline de Toni (PL-SC) e Júlia Zanatta (PL-SC), que, desde a pandemia, se posicionam contra medidas de vacinação obrigatória e em defesa do chamado “consentimento parental”. Em 2023, as duas lideraram a reação à decisão do Ministério da Saúde de incluir a vacina contra a covid-19 no Calendário Nacional de Vacinação Infantil, classificando a medida como uma imposição do Estado às famílias e anunciando iniciativas no Congresso para barrá-la.

Zanatta manteve essa atuação nos anos seguintes. Em 2025, apresentou o PL 2641/2025, para vedar a vacinação compulsória, impedir a exigência de comprovantes de vacinação e criar o crime de “coação vacinal”. A deputada foi alvo de representação na Advocacia-Geral da União (AGU), sob a acusação de promover uma campanha de desinformação sanitária. Em 2026, ela voltou ao tema ao propor a anistia de multas aplicadas a pais que deixaram de vacinar seus filhos contra a covid-19, PL 1978/2026

Imagem: Reprodução site CNN

O impacto desse tipo de discurso preocupa especialistas em saúde pública. O deputado federal Dorinaldo Malafaia (PDT-AP), coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Vacina, afirmou que o negacionismo e a disseminação de notícias falsas contribuíram para a redução da cobertura vacinal no país, aumentando o risco de reintrodução de doenças antes controladas. Segundo o parlamentar, combater a desinformação tornou-se uma das principais estratégias para recuperar a confiança da população nas campanhas de imunização. “Chegamos ao ponto de precisar de uma frente no Congresso para defender a vacinação”, lamenta. 

Esse cenário é analisado por pesquisadores como um fenômeno que extrapola a área da saúde. Em estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a pesquisadora Priscila Cardia Petra conclui que o movimento antivacina passou a dialogar com pautas defendidas pela direita ultraconservadora, aproximando o debate sobre vacinação de temas como homeschooling (educação domiciliar), autonomia familiar e redução da atuação do Estado. Segundo a autora, o discurso antivacina “transcende o campo da saúde e se insere nas disputas ideológicas mais amplas do cenário político brasileiro”. 

O impacto na saúde pública

Enquanto o debate sobre a obrigatoriedade da vacinação continua nos tribunais e nas redes sociais, Santa Catarina enfrenta um cenário que evidencia os efeitos da baixa adesão às campanhas de imunização. Em 2026, o estado registrou aumento expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com hospitais infantis operando acima da capacidade e sucessivos alertas das autoridades sanitárias sobre a necessidade de ampliar a cobertura vacinal. 

Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES), a influenza já provocou 1.027 casos de SRAG e 69 mortes em 2026. Entre crianças de 0 a 9 anos, foram registrados cerca de 2,2 mil casos da síndrome. Apesar do avanço das doenças respiratórias, apenas 25% das crianças de seis meses a menores de seis anos, público prioritário da campanha, haviam sido vacinadas contra a gripe até o período analisado.

A redução da cobertura vacinal já começa a produzir reflexos que preocupam especialistas. Doenças que por muitos anos estiveram controladas ou até eliminadas no Brasil, como sarampo, poliomielite, difteria, coqueluche, rubéola e alguns tipos de meningite, voltaram a ser motivo de alerta. O sarampo simboliza esse retrocesso: em 2016, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da doença, mas perdeu o reconhecimento apenas três anos depois, após novos surtos associados à queda da vacinação. 

Para a infectologista pediátrica do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) Maria Clara Valadão, a desinformação tem desempenhado papel central nesse cenário. “O negacionismo contribuiu para que as pessoas começassem a desconfiar do processo vacinal que é extremamente seguro. Ele influenciou na decisão de várias famílias de não vacinar ou adiar as imunizações. Outro fator é a desinformação, eu tenho atendido muitas famílias que não levaram a criança para vacinar porque ela estava resfriada e isso não é uma contraindicação para a imunização”, relata a especialista.

Para especialistas em saúde pública, esse cenário reforça a importância das campanhas de imunização justamente em um momento de circulação intensa de vírus respiratórios. É fato que a baixa cobertura vacinal não seja explicada exclusivamente pela influência do movimento antivacina, fatores como dificuldade de acesso aos serviços de saúde, hesitação vacinal e baixa percepção de risco também interferem na adesão. Porém, autoridades sanitárias alertam que a disseminação de desinformação contribui para aumentar a resistência da população às vacinas e compromete os esforços para alcançar as metas de cobertura. 

A falsa promessa da “vacina homeopática”

Em meio ao crescimento do movimento antivacina, outro discurso passou a circular em grupos religiosos e nas redes sociais: a divulgação das chamadas “vacinas homeopáticas” como alternativa aos imunizantes do Programa Nacional de Imunizações (PNI). No entanto, a própria comunidade médica homeopática rejeita essa prática.

Imagem: Reprodução/Instagram

Em artigo publicado pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Marcus Zulian Teixeira afirma que os programas de “isoprofilaxia” ou “vacinas homeopáticas” “não são suportados pela episteme homeopática”, não apresentam evidências científicas de eficácia e segurança e violam princípios bioéticos fundamentais. O pesquisador critica a recomendação desses produtos em substituição às vacinas convencionais e alerta que essa prática prejudica tanto a saúde pública quanto a credibilidade da própria homeopatia. 

O posicionamento é compartilhado pela Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB), que reforça que a imunização convencional é insubstituível. A entidade esclarece que a homeopatia não produz memória imunológica nem substitui a proteção conferida pelas vacinas do calendário oficial. Também informa que não há contraindicação ao uso simultâneo de tratamentos homeopáticos e vacinas tradicionais e alerta para a comercialização de supostas “vacinas homeopáticas” ou “isoterápicos” como alternativa aos imunizantes, prática considerada enganosa por entidades médicas.

Enquanto movimentos antivacinas se multiplicam e continuam a disseminar falsidades nas redes digitais, o Brasil enfrenta novos desafios para recuperar as coberturas vacinais. O aumento de casos de doenças respiratórias levou o Ministério da Saúde a ampliar a campanha de vacinação contra a influenza para diferentes grupos da população, ao mesmo tempo em que dificuldades na produção internacional do imunizante contra a dengue provocaram a suspensão temporária da ampliação da vacinação para novas faixas etárias. Para especialistas, esse cenário reforça a importância de combater a desinformação e ampliar a confiança da população nas campanhas de imunização, consideradas uma das principais estratégias de prevenção de doenças e proteção coletiva. 

O caso de Santa Catarina, somado às decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), evidencia que o direito à liberdade individual encontra limites quando confrontado com a proteção da saúde pública e dos direitos de crianças e adolescentes. Ao mesmo tempo, mostra que o movimento antivacina, hoje articulado a discursos políticos, religiosos e ideológicos, permanece como um dos principais desafios para a reconstrução da confiança nas políticas públicas de imunização no Brasil.

Referências

G1

https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/06/19/justica-reduz-multa-de-1-milhao-casal-que-nao-vacinou-filhos-santa-catarina.ghtml – Acesso em 3 jul 26

https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/06/18/pais-multados-r-1-milhao-nao-vacinar-tres-filhos-sc.ghtml

GOV.br

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-com-ciencia/noticias/2025/outubro/alerta-brasil-concentra-40-de-todo-o-conteudo-antivacina-do-continente – Acesso em 3 jul 26

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm#art14%C2%A71 – Acesso em 3 jul 26

UNICAMP

https://www.hc.unicamp.br/video/reporter-unicamp/2025/08/01/alem-do-sarampo-saiba-quais-outras-doencas-estao-de-volta-ao-brasil – Acesso em 3 jul 26

CONJUR

https://www.conjur.com.br/2026-mar-07/stf-confirma-obrigatoriedade-de-vacinacao-contra-covid-19-para-matricula-em-escolas-de-sc – Acesso em 3 jul 26

Lamparina/UFOP

https://sites.ufop.br/lamparina/blog/movimento-antivacina-no-brasil-entenda-esse-fen%C3%B4meno-e-seu-fortalecimento-durante – Acesso em 3 jul 26

COFEN

https://www.cofen.gov.br/stj-confirma-obrigatoriedade-da-vacina-e-legalidade-de-multa-por-recusa-vacinal – Acesso em 3 jul 26

STF

https://portal.stf.jus.br/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=5909870&numeroProcesso=1267879&classeProcesso=ARE&numeroTema=1103 – Acesso em 3 jul 26

FIOCRUZ

https://arca.fiocruz.br/items/c3e8e066-c912-4225-8c82-e0838b55e897/full – Acesso em 3 jul 26

https://arca.fiocruz.br/items/c3e8e066-c912-4225-8c82-e0838b55e897/full – Acesso em 3 jul 26

https://agencia.fiocruz.br/infogripe-casos-de-influenza-tem-queda-no-norte-e-nordeste-e-aumento-no-centro-sul – Acesso em 3 jul 26

PUBLICA

https://apublica.org/2020/06/poderes-impuros/ – Acesso em 3 jul 26

CARTA CAPITAL

https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/twitter-remove-11-posts-de-malafaia-apos-pastor-chamar-vacinacao-de-criancas-de-infanticidio/ – Acesso em 3 jul 26

INFORME BLUMENAU

https://www.informeblumenau.com/deputadas-federais-catarinenses-querem-impedir-inclusao-da-vacina-contra-covid-no-plano-nacional-de-imunizacao/ – Acesso em 3 jul 26

CAMARA DOS DEPUTADOS

https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2518582 – Acesso em 3 jul 26

https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2618464 – Acesso em 3 jul 26

https://www.camara.leg.br/noticias/1267408-deputado-diz-que-negacionismo-reduziu-cobertura-vacinal-no-pais-ouca-a-entrevista/ – Acesso em 3 jul 26

CNN

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/deputada-e-alvo-de-representacao-na-agu-por-promover-campanha-antivacina/ – Acesso em 3 jul 26

CONGRESSO EM FOCO

https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/118383/zanatta-propoe-perdao-a-multas-por-nao-vacinacao-infantil-contra-covid – Acesso em 3 jul 26

SES

https://www.saude.sc.gov.br/index.php/pt/component/content/article/hospital-infantil-de-florianopolis-registra-alta-superior-a-50-nos-casos-de-doencas-respiratorias-na-emergencia?catid=139&Itemid=101 – Acesso em 3 jul 26

https://www.saude.sc.gov.br/index.php/pt/component/content/article/saude-sc-intensifica-chamado-a-vacinacao-contra-a-gripe-devido-cobertura-abaixo-da-meta?catid=139&Itemid=101 – Acesso em 3 jul 26 

CRM-PR

https://www.crmpr.org.br/O-uso-de-vacinas-ditas-homeopaticas-nao-e-suportada-pelas-premissas-da-episteme-homeopat-13-22969.shtml – Acesso em 3 jul 26 

AMHB 

https://amhb.org.br/noticias/ciencia-e-pesquisa/- Acesso em 3 jul 26

Brasil avança na vacinação infantil e deixa lista dos 20 piores países do mundo neste quesito

A notícia de que o Brasil havia avançado na imunização infantil e deixado a lista dos 20 piores países neste quesito movimentou as redes digitais do governo, órgãos oficiais e sites de esquerda, nos últimos dias. Além de exaltar o feito, dados divulgados por esses canais dão conta de que essa retomada só começou em 2023, no início do governo Lula. Bereia checou as informações divulgadas nesses veículos. 

Imagem: Site Agência Brasil

A Revista Fórum foi um destes veículos. Em 15 de julho, a publicação divulgou em seu site matéria com o título Efeito Lula: Brasil deixa a lista de países com piores índices de vacinação infantil do mundo”. Ao longo do texto, são apresentados dados sobre o aumento da vacinação infantil no país desde 2023, e atribui o sucesso ao governo do atual presidente Lula. o texto aponta ainda que o país está na contramão da tendência mundial de queda no número de crianças vacinadas.  

Imagem: Reprodução do site da Revista Fórum

Avanço real na imunização

A matéria da Fórum cita o documento publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), agência das Nações Unidas responsável por fornecer recursos humanitários e de desenvolvimento a crianças em todo o mundo. O documento comprova a veracidade dos dados divulgados pela revista progressista.  Além disso, o site da agência da ONU no Brasil também noticiou o feito brasileiro. 

Imagem: Site da Unicef no Brasil

Outros veículos de comunicação também deram destaque ao avanço brasileiro na imunização infantil. 

Imagem: Site R7

Imagem: Reprodução do site do Canal Saúde da Fiocruz

Imagem: Reprodução do site da Folha de S. Paulo

Imagem: Reprodução do vídeo do Jornal Hoje/Rede Globo

O relatório, publicado pela WHO/UNICEF Estimates of National Immunization Coverage (WUENIC), aponta que, em 2021, o Brasil ocupava o sétimo lugar na lista dos países com mais crianças não imunizadas no mundo. Enquanto em 2023, o país havia abandonado a lista com avanços em 14 dos 16 imunizantes considerados para o relatório.

“Após anos de queda nas coberturas vacinais infantis, a retomada da imunização no Brasil merece ser comemorada”, ressalta a Chefe de Saúde da Unicef no Brasil Luciana Phebo. Para ela, é fundamental continuar avançando, ainda mais rápido, para encontrar e imunizar as crianças que ainda não receberam as vacinas do PNI. “Esses esforços devem ultrapassar os muros das unidades básicas de saúde e alcançar outros espaços em que crianças e famílias, muitas em situação de vulnerabilidade, estão – incluindo escolas, CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e outros espaços e equipamentos públicos”.

Relação com o governo Lula

O relatório da WUENIC e a publicação nas páginas da Unicef não relacionam a melhora na vacinação diretamente ao governo Lula, como é feito no site Fórum. Contudo, eles destacam que o Brasil surpreendeu ao subir seus números de vacinação após anos em que apresentou alguns dos piores resultados no mundo.

Na plataforma da WUENIC é possível acessar os gráficos sobre vacinação de acordo com o imunizante e o país pesquisado. Em análise sobre o imunizante DTP3, que previne contra a difteria, o tétano e a coqueluche, por exemplo, é possível observar que, entre 2016 e 2022, o Brasil teve os piores indicadores de cobertura vacinal desde os anos 2000. Já em 2023 os números ficam próximos dos níveis de cobertura pré-pandemia.

Imagem: Site da WUENIC

Apesar dos índices de vacinação terem atingido números preocupantes em 2021, o Brasil apresenta queda na cobertura vacinal desde 2016, período de mudança política no País,  com o impeachment de Dilma Roussef e a posse do vice, Michel Temer. Matéria publicada no portal da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 2022, destaca que a baixa na vacinação infantil fez com que doenças antes erradicadas voltassem para lista de doenças do país em 2018, como o sarampo. 

Além disso, o texto publicado pela Fiocruz enfatiza o papel da pandemia de covid-19 na baixa das coberturas vacinais.Segundo a Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, “as recomendações das autoridades sanitárias de distanciamento social e outras medidas não farmacológicas afastaram a população das unidades de saúde para se vacinarem”. Bereia também publicou checagens a este respeito, e demonstrou a ampla propagação de campanhas de desinformação, com mentiras e enganos sobre vacinas, em especial contra a covid-19. 

A Unicef também já havia alertado para a queda da cobertura vacinal no País, desde 2015. Segundo dados da Busca Ativa Vacinal (BAV), uma iniciativa da Unicef Brasil para apoiar os municípios na imunização infantil, a cobertura da vacinação contra a poliomielite caiu de 98,3% em 2015 para 76,7% em 2022.

“Movimento Nacional pela Vacinação”

Em nenhuma das plataformas oficiais são encontradas afirmações de que a melhora da cobertura vacinal deve ser atribuída ao governo Lula. Entretanto, ao se analisar os dados disponíveis, fica evidente a relação do atual governo com o sucesso do Plano Nacional de Imunização.

O Ministério da Saúde lançou, em fevereiro de 2023, logo no início do atual governo, o Movimento Nacional pela Vacinação, o projeto tinha como objetivo a retomada das altas coberturas vacinais no país. O programa inclui vacinação contra a covid-19 e outros imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação. O governo credita os números positivos a esse programa idealizado pelo Ministério da Saúde.

Imagem: Reprodução do site do Ministério da Saúde

A volta do Zé Gotinha

Símbolo da vacinação no Brasil, o personagem Zé Gotinha surgiu pela primeira vez no fim da década de 80, encabeçando a luta pela erradicação da poliomielite nas Américas. Na época, a doença, provocada pelo poliovírus selvagem, só podia ser prevenida por meio de duas gotinhas aplicadas na boca das crianças. O esquema de vacinação atual, entretanto, vai além da vacina oral e utiliza ainda doses injetáveis para combater a chamada paralisia infantil.

O personagem desapareceu da cena pública, a partir de 2019, por conta do negacionismo e da aversão a  vacinas durante o governo passado, mas teve a importância retomada a partir do lançamento do Movimento Nacional pela Vacinação. 

Desde sua criação, Zé Gotinha tem cumprido o papel de tornar a aplicação das vacinas, temidas por muitas crianças, algo lúdico e palatável para este público. 

***

Bereia classifica a matéria publicada pela Revista Fórum como verdadeira. De acordo com a abordagem do veículo progressista e de outras grandes fontes da imprensa, os dados apresentados pelo relatório da WUENIC identificam a melhora na cobertura vacinal no Brasil, em especial no ano de 2023. O avanço é atribuído ao lançamento do Movimento Nacional pela Vacinação, programa que marca um novo momento das campanhas pela vacinação infantil, incentivada pelo atual governo. 

Contudo, é importante destacar que os relatórios oficiais da UNICEF e do próprio governo federal não atribuem o mérito a esta gestão e resgistram que as taxas de vacinação apresentavam queda significativa desde 2016, início do governo Temer. 

Bereia já havia identificado as causas para essa queda na cobertura vacinal em matéria anterior. Um dos problemas é o negacionismo, a descredibilização da eficácia dos imunizantes e a demonização de seus efeitos colaterais, com uso de publicações desinformativas, um fenômeno mundial que também aflige o Brasil e se tornou um desafio para autoridades e pesquisadores das áreas de saúde e comunicação.

Além do trabalho realizado pelo Bereia e outros projetos que integram a Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD), o próprio Ministério da Saúde realiza um trabalho de combate a descredibilização da eficácia dos imunizantes e de outras informações falsas que circulam nas mídias sociais. O projeto Saúde com Ciência, realizado pelo órgão público, aceita denúncias e realiza um trabalho extensivo de combate a desinformação.

Referências

Unicef. https://www.unicef.org/press-releases/global-childhood-immunization-levels-stalled-2023-leaving-many-without-life-saving. 16 de julho de 2024.

https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/brasil-avanca-na-imunizacao-infantil-e-sai-da-lista-dos-paises-com-mais?utm_source=the_news&utm_medium=newsletter&utm_campaign=16-07-2024. 16 de julho de 2024

https://data.unicef.org/topic/child-health/immunization/?_ga=2.217669974.1785523346.1721161471-1076883676.1715083166&_gl=1*1hlw8ny*_gcl_au*NDYzMTM2MzczLjE3MTUwODMxNjc.*_ga*MTA3Njg4MzY3Ni4xNzE1MDgzMTY2*_ga_88Z86505FT*MTcyMTE2MjU3OC4xLjEuMTcyMTE2MzQ4OS42MC4wLjA.*_ga_ZEPV2PX419*MTcyMTE2MTQ3MS4yLjEuMTcyMTE2MzQ4OS41OS4wLjA. 16 de julho de 2024

https://www.unicef.org/brazil/busca-ativa-vacinal-bav. 19 de julho de 2024

WUENIC Trends. https://worldhealthorg.shinyapps.io/wuenic-trends/. 16 de julho de 2024

Agência Brasil. https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2024-07/brasil-deixa-lista-dos-20-paises-com-mais-criancas-nao-vacinadas. 16 de julho de 2024

Ministério da Saúde. https://www.gov.br/saude/pt-br/campanhas-da-saude/vacinacao. 16 de julho de 2024.

Brasil de Fato. https://www.brasildefato.com.br/2023/11/03/brasil-tenta-recuperar-cobertura-vacinal-toda-populacao-pode-atualizar-imunizacoes. 16 de julho de 2024.

R7. 

https://noticias.r7.com/saude/brasil-deixa-lista-dos-20-paises-com-os-menores-indices-de-vacinacao-infantil-diz-unicef-15072024/. 18 de julho de 2024

Abril. https://saude.abril.com.br/medicina/mais-de-400-mil-criancas-brasileiras-nao-tomaram-vacinas-basicas-em-2022. 18 de julho de 2024

G1. https://g1.globo.com/saude/noticia/2022/07/24/brasil-nao-atinge-metas-da-vacinacao-infantil-e-tem-taxas-abaixo-da-media-mundial-entenda-em-6-graficos.ghtml. 18 de julho de 2024

Uol. https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/brasil-ocupa-segunda-posicao-entre-paises-com-a-pior-taxa-de-vacinacao-em-bebes-da-america-latina/. 18 de julho de 2024

Fiocruz. https://portal.fiocruz.br/noticia/vacinacao-infantil-sofre-queda-brusca-no-brasil. 18 de julho de 2024

Foto de Capa: José Cruz/Agência Brasil

Bolsonaro repete mentiras em pronunciamento com tom religioso

No dia que o Brasil atingiu um novo recorde de mortes diárias pela covid-19, com 3.158 óbitos, o Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez um pronunciamento em cadeia nacional a respeito da pandemia no país. Apesar de mudar o discurso em relação às declarações anteriores e passar a defender a vacinação, o chefe do executivo fez declarações imprecisas, enganosas e também falsas em suas declarações.

Mentiras sobre as ações do Governo Federal contra a covid-19

Após reconhecer que o país sofre com a circulação de uma nova variante do coronavírus, o Presidente Jair Bolsonaro afirmou o seguinte: “Desde o começo, eu disse que tínhamos dois grandes desafios: o vírus e o desemprego. E, em nenhum momento, o governo deixou de tomar medidas importantes tanto para combater o coronavírus como para combater o caos na economia, que poderia gerar desemprego e fome.”

Apesar de ter afirmado que o Brasil tinha que combater o vírus e o desemprego, o Governo Federal deixou, desde o início da pandemia, de tomar medidas para conter a propagação da doença no país. Em primeiro lugar, o Presidente, diversas vezes, minimizou a gravidade da doença. Em março de 2020, ele chegou a dizer que, devido a seu histórico de atleta, não teria nada além de uma “gripezinha”. Já no começo de março de 2021, com mais de 260 mil mortos no país, Bolsonaro criticou as políticas de distanciamento social e questionou: “Chega de frescura, de mimimi, vão ficar chorando até quando?” Temos que enfrentar os problemas”.

Outra reclamação de Bolsonaro era de que o Supremo Tribunal Federal (STF) o teria deixado de “mãos atadas” para agir contra a pandemia. Bereia já verificou como falsa essa afirmação, que já foi desmentida também pelo STF. Além disso, o auxílio emergencial adotado em 2020 foi aprovado depois de pressões  no Congresso que levou o Governo Federal a determinar o valor de R$ 600. Inicialmente, a equipe econômica pretendia distribuir um valor menor, de R$ 200.

Presidente engana a respeito do ritmo de vacinação no país

Em seguida, o Presidente afirmou que o Brasil é o quinto país que mais vacinou no mundo e completou: “Temos mais de 14 milhões de vacinados e mais de 32 milhões de doses de vacina distribuídas para todos os estados da Federação, graças às ações que tomamos logo no início da pandemia.” Mencionar que o Brasil é o quinto país que mais vacinou no mundo sem ponderar este dado com a proporção da população vacinada é uma forma enganosa de transmitir a informação. O site Our World in Data informa que o Brasil chegou ao quinto lugar absoluto, mas ocupa a 71ª posição de vacinação proporcional à população (6,64%), em 22 de março. O melhor exemplo de vacinação na America Latina até agora é do Chile

Bolsonaro também é impreciso ao falar do número de vacinados e doses distribuídas para os estados. De acordo com o próprio Ministério da Saúde, já foram distribuídas 29,9 milhões de doses da vacina contra a covid-19 e o número de pessoas imunizadas com a primeira dose chegam a 11,7 milhões, além de 3,6 milhões já receberam a segunda dose até 22 de março.

Verdades e omissões sobre a aquisição das vacinas

Em seguida, o presidente elencou os investimentos de seu governo para aquisição das vacinas: “Em julho de 2020, assinamos um acordo com a Universidade Oxford para a produção, na Fiocruz, de 100 milhões de doses da vacina AstraZeneca e liberamos, em agosto, 1 bilhão e 900 milhões de reais. Em setembro de 2020, assinamos outro acordo com o consórcio Covax Facility para a produção de 42 milhões de doses. O primeiro lote chegou no domingo passado e já foi distribuído para os estados. Em dezembro, liberamos mais 20 bilhões de reais, o que possibilitou a aquisição da CoronaVac, através do acordo com o Instituto Butantan. Sempre afirmei que adotaríamos qualquer vacina, desde que aprovada pela Anvisa. E assim foi feito.”

É verdadeiro que o Governo Federal assinou termos para produção de doses da vacina AstraZeneca/Oxford em julho de 2020. Também é verdade que em agosto o Governo editou Medida Provisória para liberação de R$ 1,9 bi a respeito da vacina. Em dezembro essa MP foi aprovada e virou lei. 

Quanto ao Covax Facility, é correto que o Governo Federal assinou acordo em setembro para ingresso no consórcio. O que o Presidente omitiu no seu discurso é que o Governo optou por adquirir vacinas para 10% da população em vez de 20%, o que corresponderia a 84 milhões de doses. Conforme o pronunciamento de Bolsonaro, o primeiro lote vindo do consórcio chegou ao Brasil no domingo  21 de março. 

A respeito da compra da CoronaVac (Sinovac/Instituto Butantan), a liberação de R$ 20 bilhões de fato veio em 17 dezembro de 2020. No entanto, a declaração a respeito da aprovação da Anvisa é falsa porque desconsidera a campanha contra a CoronaVac promovida pelo próprio Presidente.

Em 21 de outubro, em entrevista à Rádio Jovem Pan, no programa Os Pingos nos Is, Jair Bolsonaro negou que compraria o imunizante após pergunta do jornalista sobre o que seria feito caso a vacina fosse aprovada pela Anvisa. “A da China nós não compraremos, é decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população”, afirmou o Presidente.

O discurso mudou depois do Governador de São Paulo João Dória (PSDB) anunciar, em 7 de dezembro, que começaria a vacinação em 25 de janeiro de 2021. Em 13 de janeiro, o Presidente ironizou a eficácia do imunizante mas afirmou que compraria a CoronaVac. Dois dias depois, o Governo Federal solicitou as seis milhões de doses do imunizante. Porém, logo após a aprovação emergencial pela Anvisa, a vacinação começou em São Paulo

Por fim, ao afirmar que pediu antecipação das doses da vacina fabricada pela Pfizer, o Presidente também omitiu a recusa do Governo às propostas anteriores da farmacêutica feitas em setembro de 2020. Assim como no caso da CoronaVac, foram três recusas. Em uma das ofertas da Pfizer três milhões de doses poderiam ter sido entregues até fevereiro de 2021. O Governo Federal chegou a justificar a recusa pela “frustração” que um acordo causaria aos brasileiros. Em fevereiro de 2021, o imunizante teve aprovação definitiva pela Anvisa.

Exageros sobre cronograma de vacinação

Ao final do discurso, Bolsonaro afirmou: “Quero tranquilizar o povo brasileiro e afirmar que as vacinas estão garantidas. Ao final do ano, teremos alcançado mais de 500 milhões de doses para vacinar toda a população. Muito em breve, retomaremos nossa vida normal.”

Além da necessária aprovação pela Anvisa sem a qual os imunizantes não são aplicados, o cronograma de entregas de doses tem sido constantemente redimensionado. O Ministério da Saúde confirma que garantiu 562 milhões de imunizantes para 2021. No entanto, no último dia 23 de março a previsão de vacinas entregues em abril caiu de 57,1 milhões para 47,3 milhões. A pasta justifica que as mudanças são feitas de acordo com a produção dos fabricantes.

Declaração de solidariedade às famílias enlutadas

Alterando a postura zombeteira com a doença, com pessoas doentes e com mortos, o pronunciamento de Bolsonaro teve manifestação de condolências àqueles que perderam familiares por conta da pandemia. Logo no início, reconheceu que a nova variante da covid-19 tem tirado a vida de muitos brasileiros. Na parte do final do discurso, o Presidente afirmou em tom religioso: “Solidarizo-me com todos aqueles que tiveram perdas em suas famílias. Que Deus conforte seus corações!”

***

Bereia conclui que o discurso do Presidente Jair Bolsonaro no dia 23 de março foi enganoso. Ele enganou sobre dados referentes à vacinação e omitiu pontos importantes do processo de compra de vacina a fim de transmitir a mensagem de que a situação brasileira quanto às vacinas é melhor do que de fato está. Por fim, ele mente quanto à sua postura na condução da pandemia e exagera a respeito do cronograma de vacinação, que tem sofrido reduções.

***

Foto de Capa: Youtube/Reprodução

***

Referências

G1, https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/03/23/brasil-registra-pela-1a-vez-mais-de-3-mil-mortes-por-covid-em-um-dia.ghtml. Acesso em: 24 de março de 2021.

Planalto (Youtube), https://youtu.be/9lkEmxeTI-8. Acesso em: 24 de março de 2021.

Folha de São Paulo, https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/03/em-video-relembre-desprezo-de-bolsonaro-a-pandemia-e-avanco-de-mortos-pela-covid.shtml. Acesso em: 24 de março de 2021.

BBC Brasil, https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55107536. Acesso em: 24 de março de 2021.

UOL, https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2021/03/04/covid-19-coronavirus-casos-mortes-04-de-marco.htm. Acesso em: 24 de março de 2021.

Poder 360 (Youtube): https://www.youtube.com/watch?v=emzGs0ir7Ig. Acesso em: 24 de março de 2021.

Valor Econômico, https://valor.globo.com/politica/noticia/2020/05/14/bolsonaro-acusa-stf-de-deixa-lo-de-maos-atadas-veja-empresarios-que-participaram-da-reuniao.ghtml. Acesso em: 24 de março de 2021.

Coletivo Bereia, https://coletivobereia.com.br/site-gospel-desinforma-ao-noticiar-que-cidades-ignoram-decreto-presidencial-sobre-abertura-de-igrejas/. Acesso em: 24 de março de 2021.

Correio, https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/stf-desmente-que-impediu-governo-federal-de-atuar-na-pandemia/. Acesso em: 24 de março de 2021.

Folha de São Paulo, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/04/bolsonaro-sanciona-auxilio-emergencial-de-r-600-mas-veta-ampliacao-do-bpc.shtml. Acesso em: 24 de março de 2021.

Our World In Data, https://ourworldindata.org/covid-vaccinations. Acesso em: 24 de março de 2021.

Aos Fatos, https://www.aosfatos.org/noticias/bolsonaro-repete-mentiras-sobre-acoes-contra-covid-19-em-pronunciamento/. Acesso em: 24 de março de 2021.

G1, https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2021/03/23/uruguai-e-argentina-passam-o-brasil-em-ranking-proporcional-de-vacinacao-contra-a-covid-19.ghtml. Acesso em: 24 de março de 2021.

Ministério da Saúde, https://viz.saude.gov.br/extensions/DEMAS_C19Vacina/DEMAS_C19Vacina.html. Acesso em: 24 de março de 2021.

G1, https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2020/07/31/astrazeneca-e-governo-assinam-acordo-para-producao-da-vacina-contra-a-covid-19.ghtml. Acesso em: 24 de março de 2021.

Governo Federal, https://www.gov.br/secretariageral/pt-br/noticias/2020/setembro/presidente-bolsonaro-edita-medidas-provisorias-que-possibilitam-adesao-a-covax-facility. Acesso em: 24 de março de 2021.

Folha de São Paulo, https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/03/governo-negou-3-vezes-ofertas-da-pfizer-e-perdeu-ao-menos-3-milhoes-de-doses-de-vacina.shtml. Acesso em: 24 de março de 2021.

Governo Federal, https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/ministerio-da-saude-recebe-primeiro-lote-de-vacinas-covid-19-do-consorcio-covax-facility. Acesso em: 24 de março de 2021.

Senado, https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=8915368&ts=1612462203927&disposition=inline. Acesso em: 24 de março de 2021.

Jovem Pan (Youtube), https://www.youtube.com/watch?v=rPsHvRChY3o&t=7874s. Acesso em: 24 de março de 2021.

Governo do Estado de São Paulo, https://www.saopaulo.sp.gov.br/noticias-coronavirus/governo-de-sp-inicia-vacinacao-contra-coronavirus-em-25-de-janeiro/#:~:text=A%20campanha%20vai%20come%C3%A7ar%20no,Instituto%20Butantan%20para%20outros%20estados. Acesso em: 24 de março de 2021.

UOL, https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2021/01/15/ministerio-da-saude-requisita-entrega-imediata-de-6-milhoes-da-coronavac.htm. Acesso em: 24 de março de 2021.

Governo do Estado de São Paulo, https://www.saopaulo.sp.gov.br/noticias-coronavirus/estado-de-sao-paulo-inicia-vacinacao-contra-covid-19/. Acesso em: 24 de março de 2021.

Folha de São Paulo, https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/03/governo-negou-3-vezes-ofertas-da-pfizer-e-perdeu-ao-menos-3-milhoes-de-doses-de-vacina.shtml. Acesso em: 24 de março de 2021.

G1, https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2021/02/23/anvisa-concede-registro-definitivo-a-vacina-da-pfizer.ghtml. Acesso em: 24 de março de 2021.

Correio Braziliense, https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/03/4910627-ministerio-da-saude-divulga-cronograma-com-nova-reducao-de-vacinas-para-marco.html. Acesso em: 24 de março de 2021.

Governo Federal, https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/ministerio-da-saude-fecha-acordo-com-pfizer-e-janssen-para-mais-138-milhoes-de-doses-de-vacinas-covid-19. Acesso em: 24 de março de 2021.

CNN Brasil, https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/03/23/ministerio-da-saude-preve-10-milhoes-de-doses-de-vacinas-a-menos-em-abril. Acesso em: 24 de março de 2021.

Vídeo engana ao atribuir a Lula acusação de que igrejas matam na pandemia

Circula nas mídias sociais um trecho do discurso do ex-presidente Lula atribuindo a ele a acusação de que as igrejas seriam culpadas pelas mortes da pandemia. O vídeo com uma tarja “Lula culpa as igrejas por mortes na pandemia” reproduz 20 segundos do pronunciamento de cerca de 90 minutos, mais a coletiva de imprensa realizada em seguida.

Recorte não reproduz toda a fala de Lula sobre igrejas

No trecho selecionado para as postagens críticas, Lula diz: “Muitas mortes poderiam ter sido evitadas, muitas mortes. E que o papel das igrejas é ajudar para orientar as pessoas, não é vender grão de feijão ou fazer culto cheio de gente sem máscara, dizendo que tem o remédio pra sarar.”

Essa fala começa a partir dos 58 minutos e 20 segundos do discurso público e o recorte que viralizou não dá conta do contexto nem mostra a fala completa do ex-presidente sobre as igrejas. Pouco antes, Lula criticou o uso de fake news, atribui a elas a eleição de Donald Trump para presidência dos EUA. A seguir ele cita o exemplo do terraplanismo (crença sem base científica de que a terra é plana, e não esférica, como atesta a ciência).

A partir desse ponto, Lula começa a falar do papel das igrejas com o trecho reproduzido acima. No entanto, o vídeo que viralizou omite o que veio a seguir: “Eu acredito que Jesus pode salvar as pessoas, mas as pessoas precisam se ajudar. Se a pessoa for ignorante, não usar máscara, não fazer o isolamento, não fizer a lavagem das mãos necessária, Deus vai dizer: “Peraí, eu tenho muita gente pra cuidar meu filho. Se cuide”.

Venda de semente para cura da covid-19 e desinformação sobre remédios

A menção de venda de grão de feijão por Lula é uma referência indireta à iniciativa do Apóstolo Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD). Bereia verificou como verdadeiro que em maio de 2020 o religioso ofereceu semente que teria o poder de curar da covid-19. Já em agosto de 2020, Bereia também reproduziu o anúncio de que o Ministério Público Federal (MPF) acionou Valdemiro Santiago e o Ministério da Saúde a respeito da falsa cura.

Cinco meses depois, a Justiça determinou pela segunda vez que o Ministério da Saúde informasse se a semente vendida por Valdemiro cura a covid-19. A IMPD afirma em nota que a semente não é promessa de cura, “mas sim um início de um propósito com Deus”.

Religiosos também disseminaram desinformação a respeito de remédios e outros tratamentos para a covid-19. Bereia verificou como falso que uma receita de gargarejo tenha sido recomendada por Israel e que mataria o coronavírus. Além disso, o pastor Silas Malafaia (Assembleia de Deus Vitória em Cristo) também divulgou informações enganosas sobre a ivermectina, conforme Bereia investigou em conjunto com parceiros do Projeto Comprova. O site Gospel Prime também veiculou informações verificadas como imprecisas por Bereia a respeito de remédio produzido em Israel para combater a covid-19.

Culto com aglomeração e sem máscaras

Ao falar de “culto cheio de gente sem máscaras”, Lula também se refere a casos verdadeiros. Um exemplo foi o que ocorreu em Curitiba e outra vez envolve a Igreja Mundial do Poder de Deus. Em 24 de fevereiro, quando a cidade registrava 93% das UTIs ocupadas, a celebração “Noite de Abraão” com cerca de 2.000 pessoas foi encerrada pela Ação Integrada de Fiscalização Urbana (Aifu). A justificativa das autoridades locais para interditar o culto e aplicar multas foram a falta de distanciamento entre os participantes e a falta de controle do número de pessoas. Naquele momento, os cultos em Curitiba podiam ocorrer com apenas 50% da capacidade. A reportagem da BandNews FM também menciona a falta de uso de máscaras por funcionários e fiéis.

No dia seguinte, culto com o pastor Silas Malafaia em Curitiba também recebeu denúncias. Porém, a equipe da Polícia Militar verificou que o local estava com menos da metade da capacidade ocupada. O MP notificou a igreja e pediu explicações sobre autorização para realização do evento.

Respostas de religiosos ao pronunciamento de Lula

Tanto o Pastor Silas Malafaia quanto o Apóstolo Valdemiro Santiago reagiram ao discurso de Lula. As principais críticas dos religiosos é de que Lula fez generalizações. O pastor assembleiano respondeu em vídeo que o ex-presidente teria feito uma “acusação leviana” ao atribuir às igrejas aumento de número de mortes por covid-19. Malafaia afirmou que as igrejas estão sujeitas às normas sanitárias assim como estabelecimentos comerciais, o que é verdade. Ele também afirmou que a resposta para charlatanismo como venda de curas para covid-19 está no código penal e que esse tipo de postura “não representa nem 1% da igreja evangélica no Brasil”. 

Valdemiro Santiago também disse que Lula fez generalizações ao falar das igrejas. Além disso, ele pediu provas de que sua igreja teria vendido sementes para cura do coronavírus.

Ambos aproveitaram para criticar escândalos de corrupção ocorridos nos governos petistas. Malafaia afirmou que Lula e Dilma são responsáveis por mortes ao usar dinheiro para corrupção quando poderiam ter investido em saúde e educação. Já Santiago, entre outras críticas e acusações, citou que há dois anos o atual Governo não tem escândalos de corrupção.

Voz da Verdade 

O pastor José Luiz Moisés, do Ministério Voz da Verdade, repercutiu o discurso de Lula e desinformação sobre lockdown em uma pregação transmitida em 11 de março, que viralizou nas redes sociais e em portais cristãos como Gospel Prime. 

Na ocasião, além de criticar a fala do ex-presidente, o pastor se posicionou contra o fechamento de igrejas no pico da pandemia, como determinou o governador do estado de São Paulo João Dória, e afirmou que não há comprovação científica para o lockdown (recolhimento da população em suas casas e restrição de circulação em espaços públicos), pois supostamente “em Nova York a maioria em isolamento pegou”. O pastor ainda comparou o lockdown ao nazismo.

Lockdown é medida recomendada em situações de colapso

A afirmação sobre Nova York é enganosa, mas vem sendo reproduzida para sustentar a mentira de que medidas de isolamento social não funcionam para combater o novo coronavírus, como demonstra a agência de checagem Aos Fatos. O dado foi retirado de uma entrevista com o governador de Nova Iorque Andrew M. Cuomo em maio de 2020, que levava em consideração uma pesquisa realizada com 1.289 pacientes que foram internados ao longo de três dias em 113 hospitais de Nova York. Segundo a pesquisa, 84% das pessoas estavam evitando sair de casa antes de serem infectadas. Isso não significa, no entanto, que foram infectadas em casa. Na ocasião, o estado de Nova York adotava medidas de lockdown que se mostraram eficazes no combate ao novo coronavírus. O governador explicou que, mesmo assim, era importante que as pessoas, além de permanecer em casa quando pudessem, utilizassem medidas de prevenção como usar a máscara e higienizar as mãos quando tivessem que sair de casa, como explica em um outro trecho da entrevista: 

“[Essa pesquisa] reforça aquilo que a gente vinha falando, que muito depende de como você se protege. Tudo está fechado. O governo fez tudo o que podia. A sociedade fez tudo o que podia. Agora cabe a você. Você está usando uma máscara? Você está fazendo a higiene das mãos? Se você tem pessoas mais jovens que o visitam, estão saindo por aí e podem ser menos diligentes com o distanciamento social, vocês estão se mantendo afastados das pessoas mais velhas?” 

Andrew M. Cuomo, governador de Nova York

Segundo a reconhecida instituição Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Brasil enfrenta o maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil, visto que em 17 de março de 2021, 24 estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) iguais ou superiores a 80%, sendo 15 com taxas iguais ou superiores a 90%. 

Fonte: Fiocruz

O lockdown é uma estratégia a ser considerada em situações mais críticas e medidas de distanciamento físico e social, além do uso de máscaras em larga escala e aceleração da vacinação, são indispensáveis. O boletim da Fiocruz ainda elogia as medidas de lockdown adotadas em Araraquara:

“As medidas restritivas de isolamento social adotadas pela Prefeitura em fevereiro, incluindo o bloqueio ou lockdown, deram resultado e fizeram cair, ao menos preliminarmente, o número de novos casos confirmados de Covid-19 e a média móvel diária neste início de março. Entre 21 de fevereiro e 10 de março (17 dias), a média móvel diária de novos casos de Covid-19 caiu de 189,57 para 108, uma redução de 43,02%.” 

Boletim da Fiocruz

***

Bereia conclui que é enganoso que o ex-presidente Lula tenha culpado as igrejas pelas mortes na pandemia. Em seu discurso, o líder político criticou grupos que desrespeitam as medidas preventivas contra  a contaminação, reconheceu que as igrejas deveriam orientar as pessoas sobre a pandemia e não promover supostas curas e cultos fora das determinações sanitárias (“cheio de gente sem máscaras”). As referências indiretas que o ex-presidente fez em seu pronunciamento a respeito da venda de sementes para cura para covid-19 e cultos aglomerados sem máscaras de fato ocorreram, inclusive tiveram punições da justiça. Além disso, as críticas do Pastor José Luiz Moisés às políticas de lockdown são enganosas. Os dados sobre Nova York não significam que pessoas foram infectadas em casa. De acordo com a Fiocruz, o lockdown é medida indicada para situação de colapso em conjunto com outras atitudes como uso de máscaras e distanciamento social. A eficácia   da medida foi destacada pela entidade científica ao abordar o exemplo de Araraquara (SP).

***

Foto de Capa: Edilson Dantas/O Globo/ Reprodução

***

Referências

Lula Oficial (Youtube), https://youtu.be/S7mBgWMdBI0?t=3500. Acesso em: 17 de março de 2021.

UOL, https://www.uol.com.br/tilt/noticias/afp/2020/02/27/para-milhoes-de-brasileiros-a-terra-e-plana.htm. Acesso em: 17 de março de 2021.

Brasil de Fato, https://www.brasildefato.com.br/2021/03/10/leia-a-integra-do-primeiro-discurso-de-lula-apos-anulacao-de-condenacoes-da-lava-jato. Acesso em: 17 de março de 2021.

Coletivo Bereia, https://coletivobereia.com.br/e-verdade-que-apostolo-valdemiro-santiago-oferece-semente-que-cura-covid-19/. Acesso em: 17 de março de 2021.

Coletivo Bereia, https://coletivobereia.com.br/mpf-aciona-valdemiro-santiago-e-ministerio-da-saude-por-anuncio-de-falsa-cura-da-covid-19-bereia-ja-verificou-o-caso/. Acesso em: 17 de março de 2021.

G1, https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/01/05/justica-determina-pela-2a-vez-que-ministerio-da-saude-informe-se-feijao-do-pastor-valdemiro-santiago-cura-covid-19.ghtml. Acesso em: 17 de março de 2021.

Coletivo Bereia, https://coletivobereia.com.br/religiosos-viralizam-videos-com-mascara-invisivel-e-receita-contra-a-covid-19-nas-midias-sociais/. Acesso em: 17 de março de 2021.

Coletivo Bereia e Projeto Comprova, https://coletivobereia.com.br/informacoes-sobre-ivermectina-divulgadas-por-silas-malafaia-sao-enganosas/. Acesso em: 17 de março de 2021.

Coletivo Bereia, https://coletivobereia.com.br/com-propaganda-sobre-israel-site-gospel-desinforma-sobre-remedio-contra-a-covid-19/. Acesso em: 17 de março de 2021.

Paraná Portal, https://paranaportal.uol.com.br/cidades/evento-religioso-2-mil-pessoas-curitiba/. Acesso em: 17 de março de 2021.

G1, https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2021/02/25/fiscalizacao-de-lei-contra-a-covid-19-interdita-culto-em-igreja-com-mais-de-duas-mil-pessoas-em-curitiba.ghtml. Acesso em: 17 de março de 2021.

Band News FM Curitiba, https://bandnewsfmcuritiba.com/igreja-que-promoveu-culto-para-2-mil-pessoas-em-meio-a-pandemia-pode-ser-multada-em-r-150-mil/. Acesso em: 17 de março de 2021.

Paraná Portal, https://paranaportal.uol.com.br/cidades/silas-malafaia-culto-religioso-reune-mil-pessoas-curitiba/. Acesso em: 17 de março de 2021.

Aos Fatos. https://www.aosfatos.org/noticias/governador-de-ny-nao-mostrou-que-isolamento-e-ineficaz-contra-covid-19/. Acesso em 17 de março de 2021. 

Governo de NY. https://www.governor.ny.gov/news/video-audio-photos-rush-transcript-amid-ongoing-covid-19-pandemic-governor-cuomo-announces-20. Acesso em 17 de março de 2021.

Revista Época, https://epoca.globo.com/guilherme-amado/mp-notifica-igreja-apos-culto-de-malafaia-em-curitiba-24901385. Acesso em: 17 de março de 2021.

Fiocruz. https://agencia.fiocruz.br/observatorio-covid-19-aponta-maior-colapso-sanitario-e-hospitalar-da-historia-do-brasil?utm_source=Twitter&utm_medium=AFN&utm_campaign=campaign&utm_term=term&utm_content=content. Acesso em 17 de março de 2021. 

O Globo. https://oglobo.globo.com/sociedade/coronavirus/apos-lockdown-transmissao-do-coronavirus-em-araraquara-sp-caiu-50-24926596. Acesso em 17 de março de 2021.

Estudo identifica principais fake news relacionadas à Covid-19

Publicado originalmente no site oficial da Fio Cruz, 18/05/2020

Um recente estudo, conduzido pelas pesquisadoras da ENSP Claudia Galhardi e Maria Cecília de Souza Minayo, identificou as principais fake news relacionadas à Covid-19, recebidas pelo aplicativo Eu Fiscalizo, entre março e maio no país.

Segundo Claudia, além de colocar vidas em risco, a disseminação de notícias falsas relacionadas ao novo coronavírus contribui para o descrédito da ciência e das instituições globais de saúde pública, bem como enfraquece as medidas adotadas pelos governos no combate à doença. Daí a importância da realização de estudos sobre a temática.

Precisamos redobrar a atenção ao receber informações nas redes sociais que não apresentem a fonte oficial e fazer uma leitura crítica antes de compartilhar qualquer conteúdo”, alerta a pesquisadora.

A primeira etapa da pesquisa, que fez um balanço das denúncias de notícias falsas recebidas entre 17 de março e 10 de abril, revela que 65% delas ensinam métodos caseiros para prevenir o contágio da Covid-19, 20% mostram métodos caseiros para curar a doença, 5,7% se referem a golpes bancários, 5% fazem menção a golpes sobre arrecadações para instituição de pesquisa e 4,3% se referem ao novo coronavírus como estratégia política.

A segunda fase do estudo, realizada entre 11 de abril e 13 de maio, aponta que, entre as fake news notificadas pelo app, 24,6% afirmam ser a doença uma estratégia política, 10,1% ensinam métodos caseiros para prevenir o contágio do novo coronavírus, 10,1% defendem o uso da cloroquina e hidroxicloroquina sem comprovação de eficácia científica e 7,2% são contra o distanciamento social.

Os resultados referentes ao intervalo entre abril e maio também mostram que 5,8% das notícias falsas ensinam métodos caseiros para curar a Covid-19, 5,8% afirmam que o novo coronavírus foi criado em laboratório, 4,3% declaram o uso de ivermectina como cura para a doença, 4,3% são contra o uso de máscaras e 2,9% difamam os profissionais de saúde.

Ainda entre os meses de abril e maio, foi constatado que, entre as fake news denunciadas, 2,9% são contra o uso de álcool em gel, 2,9% declaram o novo coronavírus como teoria conspiratória, 1,4% são relacionadas à difamação de políticos, 1,4% declaram ter a causa do óbito de parentes alterada para Covid-19 e 0,4% consistem em charlatanismo religioso, com tentativa de venda de artefatos para a cura da doença. O estudo também aponta que 15,9% das fake news se referem à Covid-19 como uma farsa, durante todo o período analisado, entre 17 de março e 13 de maio.

Em abril, as pesquisadoras da ENSP realizaram estudo que identificou as mídias sociais mais utilizadas para a propagação de fake news relacionadas à Covid-19 notificadas pelo aplicativo.  

Saiba mais aqui sobre o Eu Fiscalizo.

***

Referências:

Imagem de destaque: https://futurism.com/the-byte/protesters-break-quarantine-calling-covid-19-fake-news / VICTOR TANGERMANN