Cuba: mentiras que circulam diante do bloqueio da energia do país pelos EUA

Conversa com Eddy Jiménez Pérez, professor, jornalista e escritor cubano

Tem circulado notícias falsas por parte da má chamada imprensa independente, que eu chamo dependente, porque depende dos Estados Unidos. Tem circulado muitas notícias sobre Cuba que são falsas. Uma delas é precisamente que já está resolvido o problema de combustível em Cuba, porque vem um barco russo para cá carregado de combustível e que esse barco, o diz essa má chamada imprensa independente, vem escoltado por um bunker de guerra russo. Isso é mentira! Inclusive, foi desmentido oficialmente pela embaixada russa em Havana. 

O real? O real é que o presidente da Rússia Vladimir Putin se encontrou com o Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez Parrila. Putin o recebeu pessoalmente e disse que ia manter a ajuda a Cuba em sua luta pela independência. Não se disse de que forma vai materializar essa ajuda, se é com combustível, com alimento etc. Na realidade, como todo mundo sabe e tu lidas perfeitamente, porque tem estado a par da situação de Cuba, nós estamos submetidos já não só a um bloqueio que dura mais de 60 anos e que tem se intensificado com a atual administração de Donald Trump. Bem, essa intensificação vem desde o primeiro mandato de Donald Trump. Biden em nenhum momento alterou essa regra do jogo imperialista e agora Trump intensifica mais o bloqueio e agrega um bloqueio energético, proibindo aos demais países a venda de combustível a Cuba. 

E isso, como é lógico, nos coloca em uma situação muito difícil, dificílima, não só do ponto de vista econômico, mas do ponto de vista social, porque isso afeta a todos os cubanos nas coisas mais elementares: serviços médicos, transporte. Temos um país praticamente paralisado em alguns aspectos, como o transporte. Temos preservado o pouco combustível que há para hospitais, ambulâncias, bombeiros, coisas básicas. E o pouco combustível, que é um petróleo muito ruim que produzimos, pois é rico em enxofre e não se pode refinar, o estamos utilizando para as nossas termelétricas que são muito antigas, estão em péssimas condições pela falta de peças de reposição, de manutenção, produto do bloqueio. Porém, elas nos dão oportunidade de ter energia durante algumas horas do dia em alguns lugares do país. 

É uma situação muito difícil, muito difícil sobretudo do ponto de vista da situação que temos. Tu sabes que esse é um povo heróico e tu sabes que estamos resistindo há mais de 60 anos e vamos seguir resistindo, seguir resistindo.

A solidariedade a Cuba nesses momentos é essencial, essencial por muitas razões. Não só pelo que possa contribuir com o nosso povo para evitar mais sofrimento, mais escassez, mais problemas de todo tipo, mas também para que o imperialismo saiba que o mundo está com Cuba e tenha muito cuidado para não iniciar uma invasão. Muito cuidado com uma agressão militar a Cuba a qual resistiremos também e que estamos dispostos a enfrentar. 

Porém, não queremos que se derrame sangue por culpa destes criminosos fascistas. É muito importante para nós e creio que para o mundo também que Cuba resista. Eu sempre trato de parafrasear o nosso Jose Marti ao dizer que quem se levanta hoje por Cuba se levanta por todos os tempos, porque nós não estamos resistindo só por Cuba, estamos resistindo por toda América. Estamos resistindo pelo mundo, porque ele deve saber e toda América também que o que acontece hoje com Cuba pode acontecer amanhã com qualquer outro país que tente ser independente, já não socialista, que tente o mínimo de liberdade.

Há alguns governos latino-americanos que não se atrevem a enviar petróleo a Cuba, mas estão dispostos inclusive a enviar alimentos e toda uma série de produtos médicos essenciais para Cuba. Como é o caso do México, em que valentemente a presidenta do país tem enfrentado os Estados Unidos, enviando dois barcos com centenas de toneladas de comida, de produtos médicos etc. E seguirá enviando, pois tem sido muito valente. 

No entanto, não se atrevem a enviar combustível, porque temem. Donald Trump já disse que o país que comercialize com Cuba, que lhe envie combustível e que o venda, será sancionado com uma subida nas tarifas de mais de 15% e isso, como é lógico, afetaria a economia dos seus países.

Não fazem um acordo, simplesmente vários países latino-americanos não se unem para enfrentarem os Estados Unidos, bem como a sua ameaça. Ressentem-se. Têm medo, têm medo de uma reação que vá contra a economia dos seus países e, com isso, não veem que quem não enfrentar agora, possivelmente fique sozinho amanhã em um enfrentamento, porque se Cuba perece, se logram destruir a Revolução Cubana, eles se tornariam órfãos amanhã. E seriam órfãos, porque a cada dia teriam menos força para enfrentar os EUA. 

Está se aceitando um precedente perigosíssimo no mundo, no caso de Cuba se permite essa agressão e esse bloqueio energético ao país.

Pedes-me que fale sobre o caso do turismo. Aqui há hotéis abertos, está se recebendo turistas, ainda que muitos poucos, mas minimamente se os está recebendo. Os hotéis que os recebem têm usinas de energia e conseguem atendê-los . Há uma grande quantidade de hotéis fechados, mas alguns em funcionamento. O turismo tem baixado por uma questão lógica, se não há combustível aqui, todo o movimento se faz muito difícil e os turistas vêm para viajar, essa é a primeira coisa. A segunda, há muitas linhas aéreas canadenses, sobretudo europeias, que têm deixado de voar a Cuba. Por quê? Porque não têm possibilidade de abastecer aqui para retornar aos seus países.

Porém, há turismo, que é bem atendido. Mas aí está o tema das limitações de movimento aqui e o tema das linhas aéreas, que é o principal, impede que o turismo se mantenha. Não é um problema nosso. Se as linhas aéreas voam aqui e trazem os turistas, eles são recebidos.

*Transcrição e tradução feita por Lujan Maria Bacelar de Miranda, com quem Eddy Jiménez conversou em 23/02/2026

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