Mentira de que mesários votaram no lugar de eleitores que não compareceram às urnas circula novamente, agora em canal de WhatsApp da campanha do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a liberação da urna para votação só acontece após a identificação biométrica do eleitor, ou habilitação pelo seu ano de nascimento – informação que não consta no caderno de votação.
A mentira foi publicada em áudio, neste 23 de outubro, pelo deputado federal e senador eleito, de identidade cristã, Gustavo Gayer (PL/GO) no canal do WhatsApp “Tropa do Flávio”, usado pela campanha de Flávio Bolsonaro.
“Recebemos várias denúncias de mesários espalhados por todo o Brasil, principalmente ali na região do Nordeste, que estão votando [no lugar] de pessoas que não foram. Então, pessoas que se ausentaram, que se abstiveram, olharam lá depois parece que tiveram o voto dela computado na zona. Ou seja, há uma denúncia séria de que mesários estão fazendo isso.”, diz o áudio, que teve 25 mil compartilhamentos.
Mentira recorrente
Não é a primeira vez que essa informação falsa é compartilhada. Em julho de 2026, Bereia apurou que os irmãos políticos do PL Flávio e Eduardo Bolsonaro fizeram um ataque coordenado às urnas brasileiras e a mentira foi usada para gerar dúvida na população.
Em live no Youtube, o deputado do PL-SP cassado Eduardo Bolsonaro, que consta na lista dos 10 perfis que mais propagam desinformação em ambientes religiosos, levantada pelo Bereia, afirmou que a votação na região Nordeste pode ter mais adulterações. Segundo ele, mesários da região votariam por eleitores ausentes após as 17 horas, quando se encerra o período de votação. A informação falsa já circulou pelas redes digitais e foi desmentida pela Justiça Eleitoral.
“É complicado que das cinco horas da tarde comece a entrar vários votos do Nordeste. O que você começa a pensar? Poxa, depois das cinco da tarde os mesários, que normalmente no Brasil são os mesmos todas as eleições, já se conhecem. Se todos eles forem da mesma ideologia eles podem perfeitamente no final chegar e falar: ‘Ó, vou digitar aqui o título de leitor do cara e você vota por ele aí’. Faltou a votação, João da Silva, digita o número, vota aí na maquininha, João da Silva’. Aí vai lá e vota lá no candidato da esquerda”, disse o deputado cassado.
Conforme as orientações oficiais do TSE: “O ano de nascimento não consta no caderno de votação, nem está facilmente acessível para o mesário. Por isso, é necessário que o eleitor compareça às urnas para repassar a informação.Tanto a operação em si quanto a informação de quem liberou o eleitor são registradas no log da urna eletrônica e podem ser consultadas em uma auditoria posterior”.
Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Referências
Tribunal Superior Eleitoral
https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Agosto/viralizou-e-mentira-que-mesarios-votam-na-urna-eletronica-no-lugar-de-eleitores Acesso 23 OUT 2027


