Professor agride aluno em escola municipal militarizada de Goiás


Uma criança foi agredida por um professor na Escola Municipal Militarizada Professora Zelsani, em Quirinópolis (GO), na manhã de 29 de outubro passado. Em vídeo obtido pela TV Anhanguera, o docente aparece batendo na mesa de um aluno e, em seguida, desferindo tapas nele.

Nas imagens gravadas por uma câmera de segurança, o professor tropeça em uma mochila no chão, recoloca o objeto no lugar e, ao se levantar, passa a golpear a mesa de outro estudante repetidas vezes.

A Polícia Militar foi acionada e registrou boletim de ocorrência no local. A Polícia Civil abriu investigação e deve ouvir o professor, a direção e estudantes que presenciaram a cena. O município informou que o docente, ainda em estágio probatório, foi afastado preventivamente, enquanto são avaliadas medidas administrativas e disciplinares.

Imagem: reprodução

O que diz a Secretaria de Educação de Goiás 

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura afirmou ter adotado “todas as medidas administrativas cabíveis” imediatamente após o ocorrido na Escola Municipal Militarizada Professora Zelsani, acionado o Conselho Tutelar e as autoridades competentes e instaurado processo administrativo interno. A pasta repudiou “qualquer forma de violência ou desrespeito no ambiente escolar” e reforçou o compromisso com um ambiente educacional seguro.

O que diz a defesa do professor

O escritório FMMR Sociedade de Advogados informou que o professor compareceu voluntariamente às autoridades policiais, está à disposição da Polícia e do Judiciário e que o caso ainda está sob investigação. A defesa afirmou que o docente iniciou acompanhamento psicológico intensivo, conduzido por equipe multidisciplinar. Também declarou “colaboração irrestrita” com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. A nota é datada de 31 de outubro de 2025, em Quirinópolis (GO).

Controvérsias e denúncias nas escolas cívico-militares

A Escola Municipal Militarizada Professora Zelsani foi criada pela Lei municipal nº 3.342, de 25 de novembro de 2019, que transformou a antiga unidade em escola municipal militarizada vinculada à Secretaria Municipal de Educação, com cargos de comando e direção militar designados pelo chefe do Executivo e regimento próprio (disciplina, uniforme, conselho escolar e associação de pais). 

Em 2024, em ação civil pública do Ministério Público-GO, a juíza Adriana Maria dos Santos Queiróz de Oliveira da Vara da Infância e Juventude de Quirinópolis, determinou que a escola efetivasse a matrícula de um estudante autista para 2025 sem exigir corte de cabelo, pois ele havia sido recusado pela escola por esta limitação. A sentença proibiu  ainda  sanções disciplinares relacionadas ao comprimento do cabelo e impôs multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento, além de ordenar adaptações razoáveis para atender às necessidades do aluno.

Relatos recentes expõem problemas em escolas cívico-militares. No Paraná, imprensa local registrou casos de brigas, agressões e até suspeita de tortura por monitores. Houve também denúncia de assédio sexual por um monitor durante passeio escolar e episódios em que militares não contiveram ou teriam endossado agressões. A Associação de Professores do Paraná (APP) afirmou que o modelo não entrega segurança e reforça desigualdades. 

No Distrito Federal, mais de 30 relatos de estudantes do Centro Educacional 01 do Itapoã citam abusos disciplinares, como obrigar retirada de piercing, xingamentos e exigências físicas incompatíveis com condições de saúde. Um deputado acionou o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios para investigar os casos.

“Minha colega saiu da sala com autorização da professora e quando ela voltou estava quase chorando. O policial tinha a chamado de vagabunda, porque estava fora da sala. Não quis acreditar que ela tinha autorização”, relatou uma das estudantes.

As chamadas escolas cívico-militares integraram o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), elaborado no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022). O Pecim previa a atuação de militares da reserva das Forças Armadas, policiais e bombeiros militares em rotinas de gestão escolar e gestão educacional (disciplina, organização e apoio administrativo), mantendo professores civis no ensino. O programa recebeu elogios e críticas, inclusive denúncias de abusos em algumas unidades. O atual governo federal (2023-2026) encerrou o programa e passou a desenhar transição para as redes que haviam aderido, buscando evitar prejuízo às escolas participantes.

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