A série especial Bereia Explica analisou o termo “marxismo cultural”, frequentemente usado em discursos políticos e religiosos no Brasil como rótulo conspiratório. Assim como “woke”, a expressão foi ressignificada pelo extremismo de direita para explicar mudanças sociais vistas como ameaças à família e à fé.
Apesar de ser associado à tradição marxista ou à Escola de Frankfurt, o termo não tem base acadêmica.
Segundo o cientista político Jérôme Jamin , a noção de “marxismo cultural” deve ser entendida como um mito político que se apoia em tradições conspiratórias mais antigas, como o “bolchevismo cultural” (como sinônimo de comunismo cultural) propagado pelo nazismo, na Alemanha dos anos 1920 e 1930, que criticava os movimentos modernistas nas artes.
Para historiadores como João Cezar de Castro Rocha, o que se convencionou chamar de “bolsonarismo” se organizou em grande medida a partir dessa retórica de guerra cultural. Já a filósofa Marcia Tiburi classifica o “marxismo cultural” como um rótulo vazio, usado apenas para criar inimigos e justificar perseguições.



