Crítica de pastor influenciador sobre Bolsa Família espalha preconceito e desinformação

“Centenas de pessoas” que, ao receberem o Bolsa Família, “não querem trabalhar” e acabam se acomodando a uma “mentalidade de miséria” – estas palavras foram proferidas pelo pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes, durante participação no podcast O Que a Bíblia Diz Sobre Dinheiro. A fala do pastor no canal do influenciador financeiro Thiago Nigro, o Primo Rico, ocorreu no episódio que discute riqueza, fé e prosperidade e acendeu um debate recorrente sobre políticas de transferência de renda no Brasil. Segundo o Lopes, quando o benefício se torna visto como “bênção”, pode se transformar em “maldição”, ao gerar dependência. Para fundamentar sua visão, o pastor citou os Dez Mandamentos para defender a ideia que Deus ordena o trabalho por seis dias e o descanso em um.

A fala adiciona conteúdo a um contexto em que o programa de transferência de renda é alvo frequente de desinformação nas redes sociais, muitas vezes associadas à ideia de que o benefício desestimularia o trabalho formal. Dados recentes, no entanto, indicam um cenário mais complexo.

O primeiro programa de transferência de renda do Brasil: a história do Bolsa Família 

Criado em 2003, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Bolsa Família unificou iniciativas anteriores de transferência de renda implementadas no governo Fernando Henrique Cardoso, como o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação e o Auxílio Gás. A consolidação ocorreu por meio da Lei nº 10.836/2004, que instituiu oficialmente o programa como política pública federal voltada ao enfrentamento da pobreza e da extrema pobreza.

O Bolsa Família opera por meio de transferência direta de renda a famílias em situação de vulnerabilidade, com critérios definidos a partir da renda per capita e com exigências relacionadas à frequência escolar e ao acompanhamento de saúde. A proposta combina alívio imediato da pobreza com estímulos à permanência na escola e ao acesso a serviços básicos.

Foto: Sergio Amaral/MDS

Ao longo de duas décadas, o programa passou por reformulações. Em 2021, foi substituído pelo Auxílio Brasil, durante o governo Jair Bolsonaro (PFL e PL, 2019-2022). Em 2023, retomou o nome original por meio da Lei nº 14.601/2023, mantendo a lógica de transferência condicionada e incorporando ajustes nos valores e na estrutura de benefícios.

A criação e a manutenção do programa se inserem em um contexto de desafios sociais persistentes. Em 2022, cerca de 70 milhões de brasileiros enfrentavam algum grau de insegurança alimentar, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). No mesmo período, levantamento da FGV Social indicou que aproximadamente 29,6% da população vivia com renda domiciliar per capita de até R$ 497 mensais, o pior índice desde 2012.

Estudo da Fundação Getúlio Vargas aponta que, entre 2022 e 2024, 17,4 milhões de pessoas deixaram a pobreza e passaram a integrar as classes A, B e C, contingente equivalente à população do Equador. Segundo o pesquisador e diretor da FGV Social, Marcelo Neri, o avanço foi impulsionado principalmente pela renda do trabalho. “O ganho de renda do trabalho foi o principal motor de ascensão social da chamada classe média. A regra de proteção do Bolsa Família impulsiona a geração de carteiras de trabalho”, afirmou.

Como são os programas em outros lugares do mundo

A adoção de programas de transferência direta de renda não é uma particularidade brasileira. Entre as dez maiores economias do mundo, iniciativas voltadas à garantia de renda mínima ou ao apoio a famílias de baixa renda estão presentes, ainda que com formatos distintos. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que países desenvolvidos gastam, em média, 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em benefícios condicionados à renda, percentual superior ao registrado no Brasil, onde o Bolsa Família representa cerca de 0,5% do PIB.

Na França, por exemplo, os programas de transferência de renda somam cerca de 2,1% do PIB e integram um sistema de proteção social mais amplo, que inclui auxílio-moradia, subsídios para energia e benefícios vinculados à criação de filhos. A Alemanha garante um valor mensal para necessidades básicas, além de complementos para aluguel e educação. No Reino Unido, o Crédito Universal unificou benefícios destinados a famílias de baixa renda, trabalhadores informais e desempregados.

Nos Estados Unidos, o principal programa federal é o SNAP, voltado à segurança alimentar de famílias de baixa renda, além de iniciativas como o Supplemental Security Income (SSI), destinado a idosos e pessoas com deficiência. O sistema estadunidense inclui ainda o Temporary Assistance for Needy Families (TANF), que pode exigir contrapartidas relacionadas ao trabalho.

Já no Canadá, o modelo de transferência de recursos assume formato distinto do brasileiro. A chamada Transferência Social do Canadá (Canada Social Transfer – CST) é uma das principais transferências federais para províncias e territórios e financia áreas como educação pós-secundária, assistência social e políticas para a primeira infância. Diferentemente de programas focalizados diretamente em famílias, o mecanismo canadense repassa recursos de forma per capita e quase incondicional aos governos subnacionais, que têm autonomia para definir a aplicação dos fundos.

Imagem: CBC

Na Ásia, a China mantém programas como o Dibao, que assegura um nível mínimo de renda tanto em áreas urbanas quanto rurais, com valores ajustados às realidades locais. O Japão opera o Seikatsu Hogo, que calcula o benefício com base no custo de vida da família e inclui apoio para moradia e despesas médicas. A Coreia do Sul ampliou, após a crise de 1997, seu programa nacional de subsistência básica, que combina transferência de renda com assistência educacional e médica.

Fora do eixo das economias desenvolvidas, programas de transferência de renda também foram estruturados em países de baixa renda. Um deles é o Programa de Rede de Segurança Produtiva (PSNP), da Etiópia, lançado em 2005 para enfrentar a insegurança alimentar crônica. A iniciativa combina transferências em dinheiro ou alimentos com frentes de trabalho em obras públicas voltadas principalmente a famílias vulneráveis em regiões de alto risco climático. O modelo etíope prevê ainda apoio incondicional para grupos sem capacidade laboral, como gestantes, pessoas com deficiência e idosos, e integra ações de adaptação climática e fortalecimento de meios de subsistência, com o objetivo de reduzir a dependência prolongada do programa.

Foto: Young Lives/Antonio Fiorente

Na Índia, a política de transferência de renda opera em larga escala por meio do sistema de Transferência Direta de Benefícios (Direct Benefit Transfer – DBT), que reúne centenas de programas federais. Nos últimos anos, o país ampliou sobretudo as transferências incondicionais, cujo volume cresceu de forma expressiva e já representa parcela relevante do gasto social. Entre as principais iniciativas estão o PM-KISAN, que garante apoio anual a agricultores elegíveis; o National Social Assistance Programme (NSAP), que paga pensões a idosos, viúvas e pessoas com deficiência; e o Pradhan Mantri Matru Vandana Yojana (PMMVY), voltado a gestantes, com parcelas vinculadas ao acompanhamento de saúde materno-infantil.

O que dizem os dados

Estudo divulgado em dezembro de 2025 pela Escola de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV EPGE) aponta que, entre o início de 2023 e outubro de 2025, o número total de beneficiários do Novo Bolsa Família diminuiu, assim como o volume total de recursos pagos. De acordo com a pesquisa, 31,25% das pessoas que estavam no programa no começo de 2023 já não recebiam o benefício em outubro de 2025. O levantamento descreve o movimento como uma “rotatividade saudável”, com mais saídas do que novas entradas no período analisado.

A análise também destaca que o programa funciona como proteção temporária em momentos de vulnerabilidade de renda, e não como política de permanência automática. Entre os beneficiários de 2014, 60,68% não estavam mais no Bolsa Família em 2025. Entre aqueles que eram adolescentes naquele ano, as taxas de saída ultrapassam 70%.

Os dados indicam ainda que a permanência no programa não impede a inserção no mercado formal. Em 2024, 13,4 milhões de beneficiários estavam empregados. No primeiro semestre de 2025, pessoas cadastradas no Bolsa Família ocuparam 58,2% das novas vagas formais criadas no país. O programa prevê uma regra de proteção que permite à família continuar recebendo parte do benefício por até dois anos após aumento da renda, mecanismo que busca evitar quedas bruscas e reduzir o receio de aceitar emprego formal.

Levantamento do IBGE mostra que o Brasil tinha, em dezembro de 2025, 103,2 milhões de pessoas ocupadas, número que inclui trabalhadores formais, informais, autônomos e servidores públicos. O dado é mais que o dobro do total de empregados com carteira assinada, frequentemente utilizado de forma isolada em comparações enganosas que circulam nas redes.

Desinformação contra o Bolsa Família

Em novembro passado, o Estadão Verifica classificou como enganosa uma postagem que comparava 48 milhões de beneficiários do Bolsa Família com 39 milhões de trabalhadores formais, sugerindo que haveria mais “dependentes” do que empregados no país. A checagem apontou que o total de beneficiários inclui crianças e adolescentes e que parte significativa dos adultos atendidos exerce atividade remunerada.

A circulação desse tipo de enquadramento foi analisada em estudo acadêmico recente publicado no Brazilian Journal of Development. No artigo, os pesquisadores Lana Krisna Morais e Heitor Costa Lima da Rocha identificam que a desinformação sobre o Bolsa Família se organiza, com frequência, em torno da ideia de “dependência permanente” e da associação entre recebimento do benefício e falta de esforço individual, como propagado pelo pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes. 

Muitos desses discursos midiáticos não apresentam dados falsos, mas recorrem a generalizações a partir de casos isolados ou a comparações numéricas descontextualizadas, o que produz percepções distorcidas sobre o programa. 

Um exemplo são os casos de fraude durante a pandemia de covid-19. Na época, órgãos de controle identificaram pagamentos indevidos do Auxílio Emergencial, administrado pelo governo de Jair Bolsonaro, a pessoas fora dos critérios. O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que mais de 79 mil militares das Forças Armadas receberam o benefício de forma irregular, apesar de ele ser destinado a desempregados e pessoas sem renda. À época, o ministro do TCU Bruno Dantas afirmou que não havia hipótese legal para militares da ativa, da reserva ou pensionistas figurarem como titulares do auxílio, determinando a devolução dos valores.

Os autores do estudo observam ainda que parte das postagens críticas ao programa constroem uma “moralização da pobreza”, ao atribuir ao indivíduo a responsabilidade exclusiva por sua condição socioeconômica. Essa lógica tende a desconsiderar fatores estruturais que impõem empobrecimento a cidadãos como desigualdade regional, informalidade e acesso desigual à educação.

Leitura teológica contesta ideia de “acomodação” atribuída ao Bolsa Família

Para o teólogo e pastor da Primeira Igreja Batista do Limoeiro (São Paulo) Alonso Gonçalves a afirmação de que beneficiários do Bolsa Família se acomodam e deixam de trabalhar carece de base de dados e ignora o funcionamento do programa. “Por aí já se vê a falta de informação e lisura na afirmação que o programa incentiva a preguiça, a acomodação”, contesta.

Gonçalves destaca que se trata de uma política de Estado com critérios definidos e foco prioritário em mulheres responsáveis pelo cuidado dos filhos. Segundo ele, há condicionalidades ligadas principalmente ao acompanhamento das crianças, o que afasta a ideia de incentivo à inatividade. O pastor também observa que, em 2025, mais de 2 milhões de famílias deixaram o benefício após melhora de renda, movimento que, em sua avaliação, reforça o caráter transitório da política.

Foto: PIB do Limoeiro/Youtube

No campo teológico, Gonçalves sustenta que a assistência aos mais vulneráveis encontra respaldo direto na tradição cristã. “Dar o que comer para quem tem fome é um ensinamento de Jesus”, afirma, ao citar o Evangelho de Mateus como referência ética central da fé cristã. Para ele, episódios bíblicos mostram que a ajuda imediata não é condicionada previamente à situação de trabalho de quem passa necessidade.

Ao recuperar a tradição protestante, Gonçalves afirma que iniciativas históricas de cuidado social, como práticas diaconais ligadas a Calvino, em Genebra, no século 16, e a atuação social de John Wesley, na Inglaterra, no século 18, demonstram que a assistência aos pobres sempre integrou a prática cristã. Ele também menciona a atuação de Walter Rauschenbusch, estadunidense precursor do Evangelho Social, no início do século 20, e, no Brasil, o trabalho da médica sanitarista católica Zilda Arns, nos séculos 20 e 21..

“Os evangélicos, caso seguissem sua tradição, seriam os primeiros a defender que os mais vulneráveis da sociedade tivessem auxílio e, assim, diminuir a desigualdade que fere o caráter de Deus”, afirma o pastor.

Referências:

Estado de S. Paulo

https://www.estadao.com.br/estadao-verifica/postagem-engana-ao-comparar-numeros-de-beneficiarios-do-bolsa-familia-e-de-empregos-formais/ Acesso em 23 FEV 2026

Portal Câmara dos Deputados

https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2004/lei-10836-9-janeiro-2004-490604-publicacaooriginal-1-pl.html Acesso em 23 FEV 2026

Portal do Governo Federal Ministério do Desenvolvimento

https://www.gov.br/mds/pt-br/noticias-e-conteudos/desenvolvimento-social/noticias-desenvolvimento-social/em-dois-anos-17-4-milhoes-de-pessoas-sairam-da-pobreza-e-ascenderam-de-classe-social Acesso em 23 FEV 2026

G1

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/12/08/como-funcionam-programas-nos-moldes-do-bolsa-familia-nas-10-maiores-economias-do-mundo.ghtml Acesso em 23 FEV 2026

ONU

https://openknowledge.fao.org/handle/20.500.14283/cc3017en Acesso em 23 FEV 2026

FGV

https://www.cps.fgv.br/cps/bd/docs/FGVSOCIAL_Classes76a24.pdf

https://projetos.fgv.br/sites/default/files/users/user6/apresentacao_mds_04.pdf?utm_source=portal-fgv&utm_medium=fgvnoticias&utm_id=fgvnoticias-2025-12-05 Acesso em 23 FEV 2026

Governo do Canadá

https://www.canada.ca/en/department-finance/programs/federal-transfers/canada-social-transfer.html Acesso em 23 FEV 2026

Global Alliance

https://globalallianceagainsthungerandpoverty.org/pt-br/country-example/ethiopia-productive-safety-net-program-psnp/ Acesso em 23 FEV 2026

The Wire
https://thewire.in/ptiprnews/indias-unconditional-cash-transfers-grow-23x-in-a-decade-cross-inr-2-8-lakh-crore-project-deep-report  Acesso em 23 FEV 2026

IBGE

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45761-desocupacao-cai-para-5-1-em-dezembro-e-2025-tem-melhores-resultados-da-serie-historica Acesso em 23 FEV 2026

Brazilian Journal of Development

https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/77603/53858 Acesso em 23 FEV 2026

TCU 

https://portal.tcu.gov.br/imprensa/noticias/tcu-determina-devolucao-do-auxilio-emergencial-da-covid-19-recebido-por-militares.htm Acesso em 23 FEV 2026

Pastor faz convite para encontro de homens presbiterianos e mostra Bíblia ao lado de arma de fogo 

Um vídeo-convite para um evento dirigido para homens presbiterianos tem chamado a atenção nas mídias sociais nos últimos dias. Na publicação, o pastor da 2ª Igreja Presbiteriana de Martinópolis (SP) Alencar Torres da Silva aparece com uma Bíblia na mão e com um revólver na cintura para chamar participantes para o “Encontro de Homens Presbiterianos”. Bereia recebeu de leitor link de mídia social sobre o evento e o vídeo-convite que circula em grupos de WhatsApp e checou a veracidade do caso. 

O conteúdo do vídeo  

Imagem: Extrato de vídeo-convite em circulação em grupos no WhatsApp

Na publicação, o pastor compartilha a programação do evento: momento devocional, dinâmicas com distribuição de brindes, churrasco e um momento livre. Ao final, ele completa: “para aqueles que quiserem pescar, podem trazer a sua vara de pesca, para aqueles que quiserem praticar tiro ao alvo, também teremos um local apropriado para isso”, enquanto toca em sua própria arma. 

Além de liderar a 2ª Igreja Presbiteriana de Martinópolis, Alencar também é secretário da União Presbiteriana de Homens de Presidente Prudente (SP). A UPH é uma organização nacional que planeja diversos encontros e projetos com o objetivo de unir a parcela masculina das igrejas presbiterianas pelo país. 

Imagem: Banner do evento divulgado nas redes sociais da igreja

O pastor, a igreja e o grupo de homens presbiterianos 

A 2ª Igreja Presbiteriana de Martinópolis foi fundada em agosto de 2010. É parte da Igreja Presbiteriana do Brasil, uma denominação histórica, estabelecida no Brasil no século 19, com raízes na Reforma Protestante. Alencar Torres é o pastor-presidente desta comunidade local presbiteriana desde 2016. 

Foto: Blog da igreja

Em novembro de 2017, Alencar Torres da Silva participou da Audiência Pública Interativa que buscava opiniões da população sobre a Sugestão nº 44, proveniente da Ideia Legislativa nº 73.169/2017, que buscava a “extinção do termo feminicídio [do Código Penal] e a criação de agravante para qualquer crime passional”. No documento, o proponente Felipe Medina, um morador de Minas Gerais, diz: “O feminicídio, cuja lei foi sancionada como se as mulheres morressem por serem mulheres, é um termo totalmente infundado que fere o princípio de igualdade constitucional. Qualquer crime contra qualquer pessoa em função de violência passional deve ter o agravante de crime hediondo”. Naquele ano, a  proposta recebeu mais de 20 mil assinaturas, o suficiente para que uma ideia apresentada por qualquer cidadão se torne uma sugestão legislativa e seja debatida no Senado Federal. Por isso houve consulta aberta no Portal E-Cidadania e audiências públicas sobre o tema, articuladas pela casa legislativa.

No relatório da audiência virtual, Bereia identificou manifestação do pastor da 2ª Igreja Presbiteriana de Martinópolis. Alencar Torres da Silva aparece como “apoiador” da Ideia Legislativa, mostrando-se a favor da extinção do termo “feminicídio”, criado para definir crimes contra mulheres em razão de suas condições de gênero.

Masculinidade viril evangélica

A realização de eventos que ressaltam ideais de homens viris tem se tornado prática corrente em ambientes evangélicos . Vários deles oferecem conteúdo e atividades identificados com a cultura militar, alguns com as armas de fogo. 

A liberação do porte de armas de fogo foi um dos grandes debates durante o período eleitoral de 2022, com idealizações do ex-presidente e então candidato à reeleição Jair Messias Bolsonaro (PL). Em 2023, apesar do “esfriamento” do assunto, os dados do Sistema Nacional de Armas (Sinarm) mostram que o mercado armamentístico cresceu cerca de 33% quando comparado a 2022. 

Nos últimos dias, o Intercept Brasil publicou matéria sobre atividade da “Igreja da Família”, em Marataízes-ES. Desde 2022, ela promove uma nova modalidade de acampamento chamado “Retiro Sobreviventes”. Organizado e “comandado” pelo pastor e ex-militar Leandro Saldanha, o evento reúne jovens cristãos com o intuito de “testar suas forças físicas e espirituais”, com provas de resistência e dinâmicas buscando alcançar o extremo cansaço corporal. Saldanha define o “Sobreviventes” como “uma vivência militar e uma experiência com Deus”.

O movimento Legendários é outro exemplo, iniciado na Guatemala e popularizado no Brasil, nos últimos anos. No website do movimento, há a afirmação de ele ser espaço que “busca a transformação de homens, famílias e comunidades por meio de experiências que levam os homens a encontrar a melhor versão de si mesmos e seu novo potencial”. Entre as atividades estão desafios físicos praticados em acompanhamentos e retiros para homens casados e solteiros. No website é indicado que com a programação, os participantes vão romper com tudo que os “prende e aprender a desfrutar o caminho, lutar suas batalhas certas e desenvolver seu potencial máximo para chegar ao seu nível 10 e se tornar o herói caçador que toda família precisa”.

Bereia ouviu a antropóloga e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Christina Vital, para compreender a relação entre  organizações e eventos  masculinos evangélicos, a cultura militar e o uso de armas de fogo. Ela recorre à memória para compreensão deste fenômeno: “a valorização do militarismo entre protestantes no Brasil não é nova. Devemos lembrar o apoio institucional importante que várias denominações protestantes deram aos militares durante a ditadura no Brasil”. 

Christina Vital coloca um desafio de pensar o contexto evangélico para compreensão do que se apresenta nesta busca por ênfase de masculinidade viril e armada:

“É importante ressaltar que embora a valorização da disciplina, da ordem, ambos muito ligados ao ideal militar seja significativo no campo religioso cristão de um modo geral. Entre protestantes históricos no Brasil é maior até do que entre pentecostais. Isto por uma questão ligada também à dinâmica racial e de classe. As igrejas protestantes reúnem um perfil mais branco e de poder econômico e escolaridade maior que os pentecostais. Os pentecostais, embora tenham uma importante valorização da ordem, da disciplina e do mérito, contrabalançam essa valorização com a experiência que tem racial e a experiência territorial em contextos urbanos nos quais muitas vezes as forças militares são associadas a principal violência que eles sofrem no dia a dia”, destaca a professora. 

A antropóloga e pesquisadora das religiões recorda que segundo pesquisas nacionais, são os protestantes que têm os posicionamentos mais conservadores quanto ao quadro da violência no país, inclusive de apoio ao uso de armas de fogo. Na conversa com o Bereia, ela recupera o fato de que principalmente protestantes que ocuparam cargos de destaque no governo de Jair Bolsonaro. 

“Essa dinâmica de valorização militar se amplificou sem dúvida com o ‘bolsonarismo’. Em razão de uma valorização da recuperação da masculinidade viril, apresentada como recuperação da funcionalidade masculina. E essa funcionalidade masculina está ligada a várias símbolos de força. As armas são muito ligadas a essa representação de força combinada com uma representação também militar. É um fenômeno que vem crescendo e que se contrapõe a posicionamentos que apresentam outros tipos de masculinidade possíveis e que vinham ganhando importante representação no mainstreaming social e da cultura, a partir de uma demanda feminina pela maior participação doméstica dos homens”, afirma Christina Vital. 

A professora ouvida pelo Bereia também destaca que o fenômeno de crescimento dessa demanda por masculinidade viril, por afirmação e recuperação da masculinidade viril é resultante também de um empoderamento de outras masculinidades. “Friso essa questão na medida em que talvez venhamos a observar um crescimento ainda significativo de retiros e cursos de recuperação da masculinidade viril entre católicos e evangélicos no Brasil. Uns mais ostensivos em relação às armas, porém com a maioria vinculada a outras perspectivas importantes no militarismo, para além das armas. Aí entra a própria noção de disciplina, ordem, mérito, força física”, ressalta Christina Vital.

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Bereia classifica como verdadeiro o vídeo que circula com imagens do pastor presbiteriano com uma Bíblia e um revólver à cintura, ao anunciar atividades de um evento para homens presbiterianos, como pesca e “tiro ao alvo”. O vídeo checado pelo Bereia ilustra um movimento crescente entre homens cristãos em busca de ideais viris, como uma espécie de reação às ações que afirmam um lugar social mais destacado às mulheres, de alinhamento com ideais militares na política ultraconservadora nacional, que se soma ao aquecimento do mercado de armas de fogo no país após ampliação das possibilidades de porte no governo  federal anterior.

Referências:

Intercept Brasil

https://www.intercept.com.br/2025/09/23/retiro-evangelico-armas-soldados-cristo/. Acesso em 17 out 2025

2ª Igreja Presbiteriana de Martinópolis

https://2-ipm.blogspot.com/. Acesso em 17 out 2025

Ipea

https://mapaosc.ipea.gov.br/detalhar/1212710. Acesso em 17 out 2025

União Presbiteriana de Homens

https://www.uph.org.br/. Acesso em 17 out 2025

Fórum de Segurança Pública

https://fontesegura.forumseguranca.org.br/numero-de-armas-no-brasil-volta-a-crescer-em-2023-e-pf-tera-que-fiscalizar-ao-menos-48-milhoes-de-armas-de-fogo-a-partir-de-2025/ . Acesso em 17 out 2025

Econodata

https://www.econodata.com.br/consulta-empresa/12401516000127-2-igreja-presbiteriana-de-martinopolis. Acesso em 17 out 2025

Senado Federal

https://drive.google.com/file/d/12-F8cTWf8cjr_49XfK3reIkMMvAWKZ1T/view?usp=sharing

https://www.senado.gov.br/bi-arqs/Arquimedes/ecidadania/rel-ideia-legislativa-completo-pdf.pdf

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/11/29/sugestao-que-retira-o-termo-feminicidio-do-codigo-penal-e-lamentavel-diz-advogada-criminal

Acesso em 21 out 2025

Correio Braziliense
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2017/11/07/interna_politica,639212/senado-analisa-proposta-que-quer-tirar-feminicidio-do-codigo-penal.shtml Acesso em 21 out 2025

Presbiteriano e extremista de direita: quem é Filipe Barros, novo presidente  da Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal

Eleito no último 19 de março para presidir a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, da Câmara dos Deputados (Creden), o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) assume a cadeira previamente cotada para Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no colegiado. Ele foi escolhido com 24 votos, de um total de 28, sendo os outros quatro em branco. Amigo da família Bolsonaro, Barros dá continuidade à estreita relação com as pautas que o grupo defende na Casa e promete manter o diálogo com Eduardo Bolsonaro, que está licenciado do mandato e encontra-se nos Estados Unidos.

Filipe Barros é evangélico, membro da Igreja Presbiteriana Central de Londrina, que é vinculada à Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 2020, Bereia checou que a igreja onde o parlamentar congrega foi palco de convocação para coleta de assinaturas para a  criação do partido político Aliança Pelo Brasil, idealizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). À época, o deputado contou com o apoio do pastor titular da Igreja Presbiteriana Central de Londrina. 

O parlamentar, que foi líder da oposição na Câmara em 2024, é integrante da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional. Sua atuação está alinhada às pautas defendidas pela Bancada Evangélica, como a forte oposição a qualquer forma de aborto, à legalização de drogas, e à justiça de gênero.

Dentre os 70 projetos de lei de autoria de Filipe Barros desde 2019 está o PL 2578/2020, que defende que tanto o sexo biológico como as características sexuais primárias e cromossômicas devem ser usadas na determinação do gênero do indivíduo. Em 2023, Bereia verificou que o parlamentar compartilhou conteúdo enganoso relacionado à implementação de banheiros unissex nas escolas.

Como Bereia checou, Barros foi um dos investigados no Inquérito 4781, aberto em 2020 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), conhecido como o “Inquérito das Fake News”. O objetivo era apurar a propagação de informações falsas, calúnias e ameaças contra o STF e seus membros, por parte de parlamentares, integrantes do Poder Executivo, apoiadores deles, entre empresários e influenciadores digitais, com vistas à desestabilização das instituições democráticas e a independência dos poderes.

Em 30 de novembro de 2021, Dia do Evangélico, Barros publicou um texto no veículo de notícias Poder 360 intitulado “Chegamos ao Dia do Evangélico com a esperança renovada, escreve Filipe Barros”. Nele, o deputado relata sua participação no ato convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, dois meses antes, em 7 de setembro, na Avenida Paulista. No evento foi tornada pública a oposição de políticos da extrema direita dos Poderes Executivo e Legislativo, nos níveis federal e estadual, às ações do Poder Judiciário.  Em discurso nesta ocasião, o então presidente da República Jair Bolsonaro (PL) declarou abertamente que não respeitaria “qualquer decisão” do ministro Alexandre de Moraes do STF, incitando apoiadores contra a Corte Suprema. 

No texto para o Poder 360, Filipe Barros confirma alinhamento ao extremismo de direita e a defesa de suas pautas. Declara-se “conservador”, integrante da Frente Parlamentar Evangélica da Câmara dos Deputados, com atuação ancorada no “tripé Deus, Pátria e Família” como prioridades.

Em 2024, o parlamentar foi designado relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2021, que busca vedar as decisões monocráticas de ministros para suspender a eficácia de leis e de atos dos presidentes da República, da Câmara e do Senado. A PEC teve aprovação, em outubro passado, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania ( CCJC ) e está com a Mesa da Casa para seguir os protocolos seguintes.

Em 2024 e 2025, o parlamentar tem apoiado reiteradamente a campanha de anistia para pessoas envolvidas com a tentativa de golpe de Estado que culminou nos ataques à Praça dos Três Poderes em 8 de Janeiro de 2023. No último 16 de março, ele esteve presente na manifestação pró-anistia em Copacabana, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro e de Carlos Bolsonaro. Dias depois, publicou em seu perfil do Instagram “Não é anistia, é reparação”, ao comentar sobre a indicação de condenação de uma das ativistas do ataque, Débora Rodrigues Santos, a 14 anos de reclusão por crimes de atentado ao Estado Democrático de Direito e danos ao patrimônio público. 

Imagem: reprodução/Instagram

Presidência da Creden e ligação com Eduardo Bolsonaro

Ao assumir a Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal, Barros afirmou em seu discurso que a Creden é “uma trincheira importante para que resgatemos nossa verdadeira soberania, nossas liberdades, para que nossa democracia volte a ficar de pé”. O deputado declara que a presidência na Comissão poderá ser uma via alternativa de diálogo entre o Brasil e os Estados Unidos. Recorrendo à prática desinformativa das teorias da conspiração, sem apresentar fontes, Barros propõe investigar possíveis interferências do partido Democrata do país norte-americano em interesses da política brasileira.

Devido à relação próxima com a família Bolsonaro, Barros também vislumbra, por meio da Creden, fornecer o apoio institucional à missão de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos: aproximar-se de congressistas norte-americanos favoráveis às pautas defendidas pelos bolsonaristas. Em entrevista, Barros afirmou que pretende fazer uma denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA) contra o que considera ser uma perseguição a Eduardo Bolsonaro, além de verificar uma suposta conformidade dos processos relacionados ao 8 de Janeiro com acordos internacionais de Direitos Humanos.  

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro demonstrou apoio a Barros e afirmou, em uma live no Youtube transmitida em 21 de março, que tem o número de telefone de Filipe Barros e que os dois têm mantido contato: “Para quem acha que eu não estar sentado naquela cadeira, eu perdi o poder da Creden, negativo, tá? Tenho o telefone dele, tenho falado com ele, e se Deus quiser ele vai colocar adiante as mesmas pautas que eu ia botar”.

O alinhamento dos dois parlamentares é de longa data: em 2018, Eduardo Bolsonaro endossou a campanha de Barros para eleição à Câmara dos Deputados; em 2019, tanto Barros quanto o Bolsonaro foram suspensos do Partido Social Liberal (PSL) devido à ligação com Jair Bolsonaro, que havia deixado o partido. No mesmo ano, Barros foi escolhido pelo ex-presidente para compor a Comissão de Mortos e Desaparecidos da Ditadura Militar. O parlamentar já havia se manifestado a favor do Golpe de 1964, o qual chamou de contrarrevolução que salvou o Brasil de uma ditadura comunista. 

Imagem: reprodução/X

Início da vida política

Formado em direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Filipe Barros foi presidente do Diretório Central de Estudantes (DCE) e trabalhou como assessor legislativo na Câmara Municipal de Londrina antes de disputar sua primeira eleição. 

Em 2016, Barros recebeu mais de 4 mil votos e foi eleito vereador de Londrina pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB) com as bandeiras de combate ao aborto e à “ideologia de gênero”. Durante o mandato, ele atuou no projeto que instituiu o Dia do Nascituro na cidade, o qual determinou a realização de eventos e palestras sobre a dignidade da vida pré-natalina.

A passagem do vereador pela Câmara Municipal de Londrina também foi marcada pela criação do Projeto de Emenda à Lei Orgânica n° 3/2017, que visou proibir atividades pedagógicas que envolvessem o conceito de ideologia de gênero nas escolas da rede municipal de ensino. A proposta foi aprovada e entrou em vigor em 2018, mas foi suspensa pelo STF, em 2019, por decisão do ministro Luís Roberto Barroso, que avaliou que o município tratou sobre diretrizes e bases da educação, uma competência que é apenas da União.

Intolerância religiosa, calúnia e difamação

O parlamentar evangélico presbiteriano já foi acusado, em 2016, de ter cometido crime de intolerância religiosa devido a uma publicação em seu perfil em mídias sociais. Nela, teria ofendido representantes de religiões de matriz africana, chamando de “macumba” uma apresentação realizada para estudantes da rede municipal de Londrina durante evento da Semana da Pátria. Barros negou a acusação e respondeu que a ação tratava-se de perseguição político-partidária. Ele foi absolvido em 2020, após recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Barros também figura no polo passivo de ações judiciais no estado do Paraná e no Distrito Federal sob crimes de calúnia e difamação e processos que demandam indenização dele por danos morais. Os documentos são restritos às partes, de forma que Bereia não teve acesso ao teor das decisões. 

*** Bereia solicitou mais informações à assessoria do parlamentar, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Referências

Coletivo Bereia

https://coletivobereia.com.br/balanco-janeiro-2025-politicos-religiosos-e-veiculos-jornalisticos-publicam-falsidades-sobre-acordo-em-torno-de-terras-indigenas/ . Acesso em 24 mar 2025

https://coletivobereia.com.br/congresso-americano-nao-enviou-carta-com-cobrancas-a-ministro-do-stf-do-brasil/ . Acesso em 24 mar 2025

https://coletivobereia.com.br/deputados-e-midias-gospel-espalham-falsidades-sobre-projeto-de-lei-que-retira-direitos-sobre-aborto-no-brasil/ . Acesso em 24 mar 2025

https://coletivobereia.com.br/parlamentares-de-extrema-direita-articulam-desinformacao-sobre-banheiros-unissex-em-oposicao-ao-governo-federal/ . Acesso em 24 mar 2025

https://coletivobereia.com.br/deputados-governistas-de-bancadas-evangelica-e-catolica-enganam-nas-midias-sociais-sobre-votos-pelo-fundo-eleitoral/ . Acesso em 24 mar 2025

Câmara Municipal de Londrina

 https://www.cml.pr.gov.br/camara/membros/show/43 . Acesso em 26 mar 2025

https://www.cml.pr.gov.br/imprensa/noticias/0/136/0/2859 . Acesso em 28 de mar 2025

https://www.cml.pr.gov.br/proposicoes/Projetos-de-Emenda-a-Lei-Organica/0/1/223/6774 . Acesso em 28 de mar 2025

Câmara dos Deputados

https://www.camara.leg.br/busca-portal?contextoBusca=BuscaProposicoes&pagina=1&order=data&abaEspecifica=true&filtros=%5B%7B%22descricaoProposicao%22%3A%22Projeto%20de%20Lei%22%7D%5D&q=autores.ideCadastro%3A%20204411%20AND%20dataApresentacao%3A%5B2019-01-01%20TO%202025-12-31%5D. Acesso em 1° abr 2025

https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/credn/noticias/filipe-barros-assume-a-presidencia-da-comissao-de-relacoes-exteriores-e-de-defesa-nacional. Acesso em 1° abr 2025

Gazeta do Povo

https://www.gazetadopovo.com.br/parana/filipe-barros-deputado-federal-bolsonarista-olavo-de-carvalho/ . Acesso em 26 mar 2025

https://www.gazetadopovo.com.br/republica/filipe-barros-quer-reuniao-com-relator-da-oea-para-debater-anistia/. Acesso em 27 mar 2025

https://especiais.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2018/resultados/eleitos-deputado-federal-pr-quem-ganhou/ . Acesso em 28 mar 2025

JusBrasil

https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/1206243145/inteiro-teor-1206243155 Acesso em 28 mar 2025

https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=432679&ori=1#:~:text=O%20ministro%20Lu%C3%ADs%20Roberto%20Barroso,na%20rede%20municipal%20de%20ensino. Acesso em 28 de mar 2025

Poder360

https://www.poder360.com.br/opiniao/chegamos-ao-dia-do-evangelico-com-a-esperanca-renovada-escreve-filipe-barros/ Acesso em 28 mar 2025

Youtube

https://www.youtube.com/live/AOsWxC8fU1M. Acesso em 28 mar 2025
UOL, acesso em 01 abr 2024

Foto de capa: Câmara dos Deputados

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