Fake News rodeiam Diário Oficial da União

Na madrugada de hoje, 24 de abril, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU), a exoneração do diretor geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo.

O Diário Oficial é um dos veículos de comunicação pelo qual a Imprensa Nacional tem de tornar público todo e qualquer assunto acerca do âmbito federal. Espera-se, que toda divulgação feita neste veículo seja verdadeira, pois orienta todas as áreas da vida da nação. Mas, hoje, descobriu-se publicamente, por meio de pronunciamento do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que as fake news rodeiam o veículo.

O documento publicado no Diário Oficial afirma que a exoneração foi feita “a pedido”, o que foi desmentido pelo agora ex-ministro em pronunciamento na manhã desta sexta-feira, 24 de abril.

“Não é verdadeiro que o Maurício queria sair. O ápice da carreira na PF é o cargo de diretor geral. Claro que depois de tantas pressões, ele até manifestou a mim que talvez fosse melhor sair se conseguisse uma substituição adequada. Mas sempre devido à pressão, que ao meu ver não seria apropriada.”

O documento também apresenta a assinatura eletrônica de Moro, indicando que ele sabia da exoneração antes da publicação no Diário Oficial. Durante pronunciamento ele também desmentiu sobre assinatura, depois de ter dito que tomou conhecimento da exoneração somente pelo periódico:

“Fiquei sabendo pelo Diário Oficial, não assinei esse decreto.”

Em pronunciamento, realizado na tarde do mesmo 24 de abril, Bolsonaro contestou a fala do ex-ministro e afirmou que a exoneração foi “a pedido”.

“Sobre a exoneração do doutor Valeixo, diretor geral da Polícia Federal, pela lei 13047 de 2014, é prerrogativa do Presidente da República a nomeação e a exoneração do Diretor Geral, bem como de vários outros cargos da administração direta.
A exoneração ocorreu após uma conversa minha com o Ministro da Justiça na manhã de ontem. À noite, eu e o doutor Valeixo conversamos por telefone e ele concordou com a exoneração a pedido.
Desculpe senhor Ministro, o senhor não vai me chamar de mentiroso. Não existe uma acusação mais grave para um homem como eu, militar, cristão e Presidente da República ser acusado disso. Essa foi a minha conversa com o doutor Valeixo. E mais ainda, não só a imprensa publicou, no dia de ontem e de hoje, bem como, entre aspas, o doutor Valeixo em contato com a superintendência do Brasil, comunicando que estava cansado, e que desde janeiro queria sair. Então não foi uma demissão que causasse surpresa a quem quer que fosse.”

Após o pronunciamento do presidente, o ex-ministro Moro se pronunciou no Twitter:

Na noite desta sexta, alterações foram feitas no Diário Oficial. A assinatura do ex-ministro Moro foi retirada, e no lugar, acrescentaram o nome do ministro da Casa Civil, Walter Souza Braga Netto, e do ministro da Secretaria Geral da Presidência, Jorge Antonio de Oliveira Francisco.

A relação do Governo Federal com as Fake News não é de agora, segundo o site de checagem de notícias Aos Fatos, desde a posse de Bolsonaro até hoje, já foram 926 declarações falsas ou distorcidas.

Vamos acompanhar os desdobrabramentos dessas declarações no cenário político nos próximos dias. Infelizmente o Brasil tornou-se terra fértil para a proliferação de fake news. De onde se espera mais verdade, vem dúvida, passível de mentira e engano.

O Coletivo Bereia, no compromisso de atuar com informação e checagem de notícias, no enfrentamento de toda desinformação, lamenta ter que noticiar este fato aos seus leitores e leitoras, a quem só resta acreditar que a injustiça governa.

Mas o povo brasileiro continua acreditando em um país onde haja política justa para todos e todas.

*****

Referências de Checagem:

Diário Oficial da União – acessado em 24 de abril às 14H03. Disponível em: http://www.in.gov.br/web/dou/-/decreto-de-23-de-abril-de-2020-253769429

Youtube – Sergio Moro anuncia sua saída do Ministério da Justiça – acessado em 24 de abril às 12h15. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Yol5UvdlP2Y

Youtube – Pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro – acessado em 24 de abril às 18h02. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=r50zxW-D7M0

Aos Fatos – acessado em 24 de abril às 18h23. Disponível em: https://aosfatos.org/todas-as-declarações-de-bolsonaro/

Foto de destaque: Jair Bolsonaro e Sérgio Moro, por Carolina Antunes/PR

Manifestação pró-Bolsonaro acontece em meio a cenário de pandemia e propaga fake news

Na manhã deste domingo, 15, eleitores de Bolsonaro da cidade de São Luís/MA decidiram prosseguir com a manifestação anti-Congresso mesmo sem o aval do presidente. Manifestação aconteceu na avenida litorânea e contou com mais de 1000 pessoas. A organização foi realizada pela internet por meio de vários grupos, como a União da Direita Maranhense (UDM) e a ‘Endireita Maranhão’.

Durante o ato pró-Bolsonaro, manifestante afirma:

“Gripe, gripe nós temos! Eu tenho o vírus da gripe no meu corpo. Você tem, você tem, todo mundo tem. Coronavírus nunca matou uma pessoa na face da Terra. Nunca matou e nem vai matar. Velhos morrem porque têm pneumonia e outras coisas mais, não tenham medo da caronavírus.”

Após ter conhecimento da manifestação, o secretário de Saúde do Estado do Maranhão se pronunciou via Twitter.

A capital maranhense é apenas uma das 229 cidades ao redor do país que decidiram, segundo o site da UOL, não adiar o ato.

O presidente Bolsonaro tinha feito um apelo na noite da última quinta-feira, 12, pedindo o adiamento da manifestação devido à pandemia do coronavírus.

Veja o vídeo aqui.

Após recomendar adiamento de protestos, Bolsonaro compartilha imagens e vídeos dos atos a seu favor.

– Brasília-DF:

Posted by Jair Messias Bolsonaro on Sunday, March 15, 2020

CORONAVÍRUS NO BRASIL

Brasil eleva para 121 o total de casos confirmados, segundo o Ministério da Saúde. São 1.496 casos suspeitos, em 13 Estados, 72% dos casos estão em São Paulo e no Rio de Janeiro.

São Luís ainda não possui nenhum caso confirmado até o momento.

PREVENÇÃO

Mais informações sobre o CORONAVÍRUS no site – coronavirus.saude.gov.br.

Referências de checagem:

Imagem de destaque. Disponível em G1. https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2019/05/26/manifestantes-fazem-ato-em-apoio-ao-governo-bolsonaro-em-sao-luis.ghtml

Manifestantes fazem ato em apoio ao governo Bolsonaro em São Luís. Disponível em: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2019/05/26/manifestantes-fazem-ato-em-apoio-ao-governo-bolsonaro-em-sao-luis.ghtml

Mesmo sem aval de Bolsonaro, manifestantes programam atos em 229 cidades. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/03/15/sem-aval-jair-bolsonaro-coronavirus-militantes-manifestacao-200-cidades.htm

Live Bolsonaro – 12.03.2020. Disponível em: https://www.facebook.com/jairmessias.bolsonaro/videos/885793518527705/

De máscara, Bolsonaro pede suspensão de manifestações do dia 15. Disponível em: https://veja.abril.com.br/politica/de-mascara-bolsonaro-pede-para-adiar-manifestacoes-do-dia-15/

Brasil tem 121 casos de coronavírus, segundo relatório do Ministério da Saúde. Disponível em: https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/03/14/brasil-tem-121-casos-de-coronavirus-segundo-relatorio-do-ministerio-da-saude.ghtml

Coronavírus e igreja: uma dupla que não é fantasia

Diante do quadro de pandemia do coronavírus, bispos católicos e pastores/as de várias igrejas ao redor do Brasil recomendam medidas de prevenção para evitar a proliferação do vírus.

Os bispos do Paraná publicaram uma nota com várias orientações de prevenção ao coronavírus, que já possui 6 casos confirmados no Estado. Os casos da dengue já ultrapassaram 50 mil, com 7 mortes desde julho de 2019.

Leia a nota na íntegra:

ORIENTAÇÃO DOS BISPOS PARA A PREVENÇÃO DA DENGUE E DO NOVO CORONAVÍRUS

“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Cf. Lc 10, 33-34)

O estado do Paraná está enfrentando o grave problema da epidemia da Dengue. A situação, especialmente na região Norte e Noroeste do estado é grave e preocupante. O verão e a chuva favorecem o desenvolvimento do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da doença.

Como Igreja, comprometida com a Vida, que é “Dom e compromisso”, nós, bispos do Paraná, queremos convocar todo o povo para adotar medidas de prevenção e combate a essa grave doença. Estudos já revelaram que o modo mais eficaz de combater a Dengue é eliminar os criadouros do mosquito.

Diante dessa realidade, pedimos a colaboração dos sacerdotes, lideranças, fieis e de todas as pessoas de boa vontade que valorizam a vida, para combater os focos de acúmulo de água parada. Para isso, vamos eliminar qualquer recipiente de potencial criadouro do mosquito, como: latas, embalagens, copos, plásticos, tampinhas de refrigerante, pneus, vasos de plantas, jarros de flores, garrafas, tambores, latões, sacos plásticos e lixeiras, entre outros. Verifique sempre, especialmente após a chuva, locais como: quintais, calhas, ralos, poços, fossas, caixas d’água, entre outros.

Cerca de 98% dos focos do mosquito Aedes Aegypti estão nos quintais, pátios e ambientes internos das casas e empresas. A Dengue é uma doença que pode matar, por isso é preciso que cada um faça a sua parte, assumindo a atitude evangélica do Bom Samaritano, que cuidou daquela vida que encontrava-se ameaçada. 

Além dessa realidade que tem afetado diretamente nosso povo, o mundo enfrenta mais um desafio: a difusão do novo CORONAVÍRUS (COVID-19). Assim como no caso da Dengue, todos têm responsabilidade de evitar as situações e circunstâncias que possibilitam o contágio. Por isso, recomendamos algumas medidas às paróquias e comunidades do Paraná:

1. Evitar o aperto de mãos durante a acolhida aos fiéis;

2. Não dar as mãos durante a oração do Pai nosso;

3. Omitir o abraço da paz;

4. Distribuir a comunhão somente sob uma espécie, exclusivamente, na mão, garantindo que o fiel comungue diante do ministro;

Acrescentamos, ainda, as “medidas de prevenção”, recomendadas pelas autoridades sanitárias:

1. Higienizar as mãos, muitas vezes, com água e sabão ou álcool em gel;

2. Utilizar lenço descartável para higiene nasal;

3. Proteger com lenços (preferencialmente descartáveis a cada uso) a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;

4. Evitar tocar no nariz ou boca, após o contato com superfícies;

5. Manter os ambientes bem ventilados;

6. Repouso, alimentação balanceada e ingestão de líquidos.

Vivendo a Campanha da Fraternidade deste ano, Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso, contamos com a ajuda de todos no combate e prevenção dessas doenças. Que essa Quaresma nos inspire a ser uma Igreja cada vez mais samaritana, misericordiosa e que cuida da vida. Rogamos para todos a bênção e a proteção de Nossa Senhora do Rosário do Rocio, padroeira do estado do Paraná.

Dom Geremias Steinmetz
(Arcebispo de Londrina e Presidente do Regional Sul 2 da CNBB)

Dom José Antônio Peruzzo
(Arcebispo de Curitiba e Vice-Presidente do Regional Sul 2 da CNBB)

Dom Amilton Manoel da Silva
(Bispo Auxiliar de Curitiba e Secretário do Regional Sul 2 da CNBB)

Padre Valdecir Badzinski
(Secretário executivo do Regional Sul 2 da CNBB)

O pastor Ed René Kivitz da Igreja Batista de Água Branca, localizada em São Paulo, anunciou na noite da última quinta, 12, que a igreja iria atender as orientações das autoridades do país e em especial as orientações dos profissionais da saúde, infectologistas, especialistas, no esforço global de contenção da disseminação do vírus.

Leia o comunicado:

COMUNICADO

Em atenção às notícias a respeito da proliferação do novo coronavírus e às orientações dos especialistas e das autoridades competentes, comunicamos que no período de 13 a 19 de março todas as programações presenciais, inclusive as celebrações do domingo, 15 de março, estão canceladas.

Somamos esforços na contenção da disseminação do vírus, em razão do nosso compromisso de cuidado, não apenas com nossos membros e frequentadores, como também com nossa cidade e sociedade.

Carlos Bezerra

Coletivo Bereia conversou com o médico e pastor, Carlos Bezerra, atualmente secretário executivo do Programa Mãe Paulistana, sobre o cenário da doença no país.

Confira:

1 – Quais as consequências que a igreja deve sofrer caso não adote as orientações dos profissionais da saúde?

Carlos Bezerra – O dever da igreja é orientar, usando as informações oficiais das autoridades de saúde. Ao não fazer isso coloca em risco a saúde do seu rebanho. O coronavírus já matou mais de 5 mil pessoas ao redor do mundo. Ele é altamente transmissível e a igreja precisa fazer seu papel de prevenção. Quanto maior o número de pessoas que não estão cientes e informadas sobre os cuidados que devem ter, maior o risco.

2 – Como pastor e médico, qual sua orientação frente à epidemia?

Carlos Bezerra – Eu tenho falado sobre o assunto tanto dentro da igreja como em minhas redes sociais, sempre com a responsabilidade de mencionar apenas dados confirmados pelas autoridades nacionais e internacionais. Em casos assim, devemos trabalhar para evitar o pânico e a disseminação de notícias falsas, mas sem deixar de levar, com serenidade, os cuidados que devemos ter para prevenir a doença.

Sites religiosos são imprecisos ao falarem de perseguição de cristãos na Coreia do Norte

Desde o mês de janeiro circula em vários sites religiosos matéria que alega situação desumana vivida por cristãos/ãs perseguidos/as na Coreia do Norte, oficialmente conhecida como República Popular Democrática da Coreia (RPDC), localizada na Ásia.

Nossa equipe recebeu pedido de checagem via Twitter, de matéria publicada no site de notícias gospel Portal do Trono , intitulada: Coreia do Norte joga cristãos presos para cachorros comerem, diz agência – conforme imagem abaixo:

A notícia relata a persseguição a cristãos naquele país, e ainda conta a história da morte da coreana Younghee, treinada na agência cristã Cornerstone, localizada na China, para ser missionária em vários países.

Leia o texto na íntegra:

Younghee é uma mulher cristã que saiu da Coreia do Norte e foi treinada na agência Cornerstone para pregar em diversos países. Mas ela não decidiu ir para longe, e acabou retornando ao seu país de origem em 2008, mesmo com todas as ameaças do regime ditatorial de Kim Jong-un.

Ela criou uma igreja subterrânea para escapar da fiscalização ferrenha contra religiosos no país, mas acabou sendo presa e enviada a um campo de concentração, que abriga presos dessa natureza.

Peter Lee, diretor-executivo do Cornerstone Ministries International, revelou que “os internos do campo morrem lá todos os dias; muitos tentam escapar, mas a maioria é capturada e devolvida”.

Mas o fator que mais chamou a atenção de todos é a brutalidade desumana com que os presos cristãos são tratados no campo.

“Muitos dos apanhados são jogados a cães famintos. Muitos são espancados ou perdem carne para os cães; muitos prisioneiros recapturados morrem. Os oficiais da prisão querem que os presos vejam o que acontece quando tentam escapar”, explicou.

A agência que treinou Younghee acabou perdendo contato com ela após ela ser presa, em abril de 2019. Oficiais informaram à família posteriormente que ela havia morrido e teve seu corpo cremado.

Um dos oficiais que cuida da segurança do campo de concentração chegou a conversar com uma das filhas de Younghee, e contou que ela era uma mulher honesta que gostava de ajudar os outros prisioneiros.

“Eu disse à sua mãe: ‘Eu não entendo por que uma pessoa como você, que é inteligente e não tem nada, acredita em um Deus que não podemos ver. Se você tivesse negado o seu Deus, não teria todo esse sofrimento. Você não se arrepende de ser cristã?’ ‘Nunca me arrependi da minha fé e nem me arrependo agora’”, relatou.

MINISTÉRIO CORNERSTONE

Cornerstone Ministries International (CMI), tem como objetivo apoiar a igreja perseguida em várias nações. A principal atividade do grupo é a distribuição de Bíblias, principalmente na Coreia do Norte e na China, onde o Cristianismo sofre restrições.

O ministério, após alguns anos de trabalho, iniciou um curso de formação de missionários, para que pudessem evangelizar seu próprio povo.

O CMI está sediado em Seul, Coreia, e possui escritórios no sul da Califórnia, Canadá e Pequim, China. Atualmente apoia 12 missionários de campo e suas famílias em países restritos.

Nossa equipe não encontrou relato sobre a missionária YOUNGHEE no site Cornerstone Ministries International (CMI), instituição que a teria preparado para o trabalho de campo.

MORTE DA MISSIONÁRIA YOUNGHEE

A matéria original sobre a história da missionária Younghee e a perseguição a cristãos nas prisões da Coreia do Norte veiculada no GOD Reports em 28 de janeiro deste ano, escrita por Mark Ellis, coordenador geral do site.

A matéria traz informações sobre perseguição e maus tratos mas não expõe qualquer relatório ou dado fundamentado.

God Reports declara-se existir desde 2004 com a finalidade de compartilhar histórias e testemunhos de atuações missionárias em forma de escrita e vídeo.

BRUTALIDADE NAS PRISÕES DA COREIA DO NORTE

Na Lista Mundial de Perseguição 2020, divulgada pela Missão Portas Abertas –  organização cristã internacional que atua em mais de 60 países em apoio aos cristãos perseguidos, a Coreia do Norte está em 1º lugar quando o assunto é opressão a este grupo religioso.

Já em 2014, em reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), relatório pontuava crimes “generalizados e sistemáticos” cometidos pelo governo de Pyongyang. O documento de 400 páginas produzido pela Comissão de Inquérito da ONU sobre Direitos Humanos na Coreia Norte, descreve “atrocidades indescritíveis” cometidos no país como assassinatos, escravidão, tortura, estupro, fome e desaparecimentos forçados, que podem se constituir crimes contra a humanidade.

A Christian Solidarity Worldwide, organização de direitos humanos especializada em liberdade religiosa, que trabalha em nome daqueles perseguidos por suas crenças, vem realizando um extenso trabalho sobre a opressão religiosa na Coreia do Norte.  Um de seus relatórios divulgado em 2016 fornece evidências de que a liberdade de religião ou crença é um direito humano “praticamente inexistente” na Coreia do Norte.

O relatório, que pode ser baixado aqui, declara:

“O cristianismo é identificado como uma perigosa
ameaça à segurança e uma ferramenta de ‘intervenção estrangeira’. Isto é, visto como um meio de conduzir espionagem e coleta de inteligência. Um ex-agente de segurança norte-coreano declarou
que o cristianismo é perseguido porque basicamente,
está relacionado aos Estados Unidos, pois foram os americanos que transmitiram o cristianismo e são eles que tentam invadir a Coreia, consequentemente aqueles que são cristãos são espiões, e os espiões são executados.”

Outro relatório divulgado em maio de 2019, pela ONU, afirma que a Coreia do Norte nutre problemas graves quando se trata de direitos humanos.

Com base em 214 relatos em primeira mão de fugitivos reunidos pela equipe de Direitos Humanos da ONU na Coréia do Sul em 2017 e 2018, o relatório descreve como os direitos mais fundamentais das pessoas comuns na Coreia do Norte são amplamente violados por causa de má administração econômica e corrupção endêmica. “As pessoas costumam experimentar tratamento desumano e degradante nas detenções e às vezes são submetidas a tortura durante interrogatórios e procedimentos disciplinares. As pessoas não devem ser presas, detidas, processadas ou extorquidas simplesmente por tentar adquirir um padrão de vida adequado”, concluiu Michelle Bachelet, Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.”

Após verificar todas as informações, Bereia classifica como IMPRECISA (a informação tem dados verdadeiros, mas não são comprováveis) a matéria intitulada – “Coreia do Norte joga cristãos presos para cachorros comerem”, pois, apesar das fontes seguras relatarem ações desumanas por parte do governo daquele país, não há qualquer informação fundamentada sobre “jogar cristãos presos para cachorros comerem”.

Bereia também classifica como IMPRECISA a notícia sobre a morte da missionária Younghee, pois o site God Reports não traz informações com dados precisos sobre o fato. Bereia não encontrou informações sobre a morte de Younghee na fonte indicada pela matéria. Não há qualquer registro do caso no site do Cornerstone Ministries International (CMI), que a teria preparado para atuar no campo, e também não há registros desta morte da parte de outras organizações que acompanham estes casos.

Referências de Checagem:

Coreia do Norte joga cristãos presos para cachorros comerem, diz agência. Disponível em: https://www.jvhopenoticias.com.br/2020/02/coreia-do-norte-joga-cristaos-presos.html

Cornerstone Ministries International. Disponível em: https://cornerstoneusa.org/index.php?mid=C_History

Female church planter martyred in North Korean prison, others fed to hungry hounds. Disponível em: http://godreports.com/2020/01/female-church-planter-martyred-in-north-korean-prison-others-fed-to-hungry-hounds/

Lista Mundial da Perseguição 2020. Disponível em: https://www.portasabertas.org.br/lista-mundial/paises-da-lista

Total Denial: North Korea report 2016. Disponível em: https://www.csw.org.uk/2016/09/22/report/3263/article.htm

New report on religious freedom in North Korea. Disponível em: https://www.csw.org.uk/2016/09/23/news/3266/article.htm

ONU pede que Coreia do Norte renove seu compromisso com os direitos humanos. Disponível em: https://nacoesunidas.org/onu-insta-renovacao-de-compromisso-com-a-coreia-do-norte-sobre-direitos-humanos/

North Koreans trapped in ‘vicious cycle of deprivation, corruption, repression’ and endemic bribery: UN human rights office. Disponível em: https://news.un.org/en/story/2019/05/1039251

NOMEAÇÕES DE EVANGÉLICOS NO GOVERNO X ESTADO LAICO: AONDE VAMOS CHEGAR?

Ricardo Lopes Dias

A nomeação de Ricardo Lopes Dias, ex-missionário da Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), como coordenador-geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Diretoria de Proteção Territorial da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), oficializada no último dia 05 no Diário Oficial da União, gerou inúmeras críticas, até mesmo dos próprios servidores da FUNAI. Mas o governo Bolsonaro parece não estar preocupado com opiniões contrárias, inclusive de entidades que são referências quando o assunto é política indigenista, como a APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), UNIVAJA – União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, INA – Indigenistas Associados, FPMDDPI – Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, CIMI – Conselho Indigenista Missionário. Junta-se a elas o CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, que lançou nota indicando seu desacordo frente à nomeação.

 “O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), composto pela Aliança de Batistas do Brasil, Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida e Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia expressa seu desacordo à indicação do ex-missionário, Ricardo Lopes Dias, para chefiar a Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) da Funai.”

CONIC, 03 de fevereiro de 2020

Além da nomeação do ex-missionário, que fere o princípio constitucional da laicidade do Estado, o presidente da FUNAI, Marcelo Xavier, fez uma manobra que durou 24 horas para efetivar Dias Lopes. Xavier solicitou uma mudança no regimento interno do órgão, alterando as medidas do cargo, que até então só poderia ser ocupado por servidores públicos efetivos da FUNAI.

INDICAÇÕES DE EVANGÉLICOS NO GOVERNO BOLSONARO

Bolsonaro recebe oração de Edir Macedo durante culto na Igreja Universal

Indicações e nomeações de evangélicos no governo Bolsonaro têm sido uma prática rotineira desde as eleições, em 2018. Após vencer nas urnas, o “Messias”, que conquistou o cargo por meio de estratégias que incluíram batismo no rio Jordão, “aceitação de Jesus” em culto, e alianças políticas com líderes religiosos como Edir Macedo, Silas Mafalaia e Marco Feliciano com a bancada evangélica no Congresso Nacional. O ex-capitão tem governado o país como um pastor autoritário, que faz de tudo para não perder seu “ministério”, nomeando figuras “terrivelmente evangélicas”, como ele mesmo afirma, para cargos de liderança.

Como o Estado é laico, “mas o governo é cristão”, segundo fala do próprio presidente, a equipe bolsonarista tem, hoje, cinco evangélicos no primeiro escalão do governo ocupando ministérios. O maior conselheiro do presidente, Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria do Governo, é batista. Os outros são: Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, luterano. Marcelo Álvaro Antônio, do Ministério do Turismo, membro da Igreja Maranata. André Luiz Mendonça, ministro da Advocacia Geral da União, pastor presbiteriano. Ele é, possivelmente, o homem “terrivelmente evangélico” que Bolsonaro indicaria para o STF. E finalmente, a pastora pentecostal, Damares Alves, ministra da pasta da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Ela tem levado várias “propostas pastorais” de políticas públicas para o governo, como a de abstinência sexual como uma das diretrizes para combater a gravidez precoce, ignorando, como seu presidente, todas as críticas de médicos, educadores e cientistas que trabalham com o tema da sexualidade na adolescência.

No segundo escalão o número funcionários evangélicos é expressivo, principalmente no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Roberto Alvim durante culto na Bola de Neve

Não podemos esquecer de Roberto Alvim, exonerado em 17 de janeiro da Secretaria da Cultura depois de discurso nazista. Ele havia sido ungido um mês antes na igreja Bola de Neve como o “novo Daniel (profeta do Antigo Testamento) para o Brasil.”

QUAL O PROBLEMA DE HAVER EVANGÉLICOS NA LIDERANÇA DO GOVERNO FEDERAL?

Nenhum. A questão que se coloca no contexto religioso é o “tipo” de evangélico/a que lá está. O mínimo que se espera de um/a cristão/cristã na política é que respeite a Constituição, o que não tem se dado, de forma bem explícita, neste governo.

Jair Bolsonaro e Benedito Aguiar

Nomeações como a do ex-reitor da Universidade Mackenzie, o presbiteriano Benedito Guimarães Aguiar, para a CAPES em 24 de janeiro deste ano, e agora, Ricardo Dias Lopes para FUNAI, revelam a plena coalizão do governo com a religião, fazendo dela a bandeira que rege a desordem e o desprogresso que o Brasil vem enfrentando neste último ano. Lopes já foi missionário em aldeias indígenas e agora, por meio de manobra, o que intensifica ainda mais o equívoco de sua nomeação, é indicado para um cargo que requer a maior imparcialidade religiosa possível, pois o departamento irá coordenar os índios isolados e de recente contato da Funai, que tem como principal atribuição proteger esses povos e não expô-los a nenhum tipo de evangelização.

Para esclarecer a nomeação do ex-missionário Ricardo Dias Lopes, entrevistei um ex-servidor da FUNAI, que pediu para não se identificar devido o cenário de perseguição que se instalou na Fundação na última semana.

O entrevistado é um antropólogo que tem mais de 10 anos de experiência com questões indigenistas.

ENTREVISTA

1- Como ex-servidor da FUNAI, como o senhor vê a nomeação de Ricardo Lopes Dias para a coordenação de índios isolados?

É importante destacar a total incompatibilidade entre a atividade missionária e a coordenação da política de proteção aos povos indígenas em isolamento voluntário e povos de recente contato. Conforme o próprio declarou, o objetivo de vida dele era a criação do que ele chama de “igreja autóctone” em cada povo indígena. Com esse objetivo o missionário vai contra os standards internacionais dos direitos humanos e dos direitos específicos dos povos indígenas, que afirmam o direito à autodeterminação sobre suas vidas e seus territórios bem como afirma o direito dos povos indígenas à consulta livre, prévia e informada sobre todas as ações que possam impactá-los.

2 – O senhor acha que esta nomeação de Lopes fere a política laica para com os povos indígenas? Sendo que as políticas de proteção territorial da Funai, voltada para os índios isolados, é reconhecida como um exemplo pioneiro no mundo.

Os objetivos do missionário ferem a Constituição Federal de 1988 ao ir contra as garantias estabelecidas na Carta Magna em relação ao respeito ao direito dos povos indígenas, sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições (artigo 231 da CF de 1988). No caso dos povos indígenas em isolamento voluntário, o anseio de Ricardo Lopes é ainda mais grave, porque, ao defender a ação missionária nas terras indígenas ele vai contra os princípios e a política de respeitar e garantir que esses povos vivam de forma autônoma dentro do seu território, protegidos pelas ações desenvolvidas pelas frentes de proteção etno-ambientais da FUNAI, que desenvolvem um trabalho exemplar em defesa da autodeterminação e autonomia dos povos em isolamento voluntário. O Estado brasileiro ao longo do último século passou por várias políticas em relação aos indígenas não contactados até compreender que a melhor forma de respeitar a autonomia e os modos de vida desses povos é garantindo que eles tenham autonomia em realizar o contato ou não.

3-A relatora da ONU para o direito dos povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, criticou a decisão do governo brasileiro de nomear um evangélico para o cargo na FUNAI. Ela afirmou que “é uma decisão perigosa e que pode ter o potencial de gerar um genocídio para a população de indígenas isolados” . O senhor concorda com essa afirmação?

O trabalho missionário, independente do discurso, da intensão alegada, é uma violência contra esses povos ao tentar impor uma religião específica a eles. É necessário destacar que a ação missionária é invasiva e traz riscos muito sér[ios para os indígenas, inclusive do ponto de vista da saúde, tendo em vista possíveis contágios e vírus decorrentes do contato. Isso ocorreu dezenas de vezes no Brasil, com genocídios provocados por contatos desastrosos e, muitas vezes, criminosos. Importante afirmar que essas populações em isolamento voluntário não estão alheias à realidade a sua volta. Eles optam pelo isolamento muitas vezes por terem passado por experiências traumáticas em relação ao contato com a sociedade nacional. Contato que muitas vezes causou centenas e centenas de morte de Indígenas. É uma opção que deve ser fortemente respeitada.

4 – O estado brasileiro tem a responsabilidade de garantir a proteção integral dos povos indígenas. O senhor acha que este governo tem essa pauta como prioritária?

Fica muito claro nas entrevistas do Ricardo Lopes que ele não está assumindo o cargo para trabalhar na política de proteção e promoção dos direitos indígenas e sim na defesa de uma agenda que a muito tempo eles buscam impor a esses povos. Trata-se de algo totalmente invasivo e vai contra os princípios da liberdade religiosa na medida em que esses missionários promovem proselitismo religioso. Acredito que essa nomeação é um retrocesso de décadas em relação à laicidade do Estado brasileiro e da política indigenista. Cabe lembrar que faz bastante tempo que as organizações de missionários cristãs buscam acessar esses territórios e sempre se ressentiram do trabalho realizado pela Funai na proteção etno-ambiental dos territórios indígenas.

A Missão Novas Tribos, da qual esse senhor participa, tem uma longa história com os povos em isolamento e de recente contato, com inúmeros casos de desrespeito e violência contra os povos indígenas. Uma outra questão a considerar é a total falta de experiência desse senhor em relação à política indigenista. A Funai tem um corpo de funcionários concursados e com longa experiência de trabalho com os povos indígenas. A política hoje é de perseguição a esses funcionários e a colocação de pessoas sem experiência e vivência indigenistas. Pessoas que estão entrando na Funai com uma agenda totalmente contrária aos princípios norteadores da ação indigenista do Estado brasileiro.

5 – Para o senhor, em que princípios a Funai deveria se pautar para escolher o coordenador ou coordenadora para o departamento de índios isolados?

Um pressuposto da vaga de Coordenador-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato era ser servidor da FUNAI. Por isso o cargo foi mudado para permitir a nomeação desse senhor. Foi retirada a exigência e transformou em cargo de livre nomeação. Foi uma manobra capitaneada pelo Delegado da Polícia Federal que está a frente da Funai ultimamente. Ele mesmo não tinha nenhuma experiência de trabalho com povos indígenas e foi colocado justamente para garantir a agenda do governo Bolsonaro de desconstrução dos direitos dos povos indígenas.

Assim, não é possível pensar essa nomeação de forma isolada. Faz parte de uma agenda que busca a flexibilização dos direitos indígenas, de forma a interromper os processos de reconhecimento territorial em curso e possibilitar a exploração econômica dos territórios indígenas. A integração defendida pelo Governo Bolsonaro nada mais é do que a tentativa de acessar os recursos naturais e ambientais das terras indígenas e explorar de forma predatória sem respeitar os direitos dos povos indígenas em relação à autodeterminação, autonomia, direito de consulta e de usufruto exclusivo dos territórios. Temos um sério risco de um genocídio dos povos indígenas no Brasil. Algo que já foi vivenciado muitas vezes pelos povos indígenas, como registrado. É desconsiderar toda a história da política indigenista no Brasil. A FUNAI registra, hoje, 107 grupos de povos indígenas em isolamento voluntário.

Já vimos a ampliação das ações de invasão dos territórios indígenas por frentes de exploração econômica que hoje avaliam que estão com a carta branca do Governo Bolsonaro para explorarem ilegalmente os territórios tradicionais dos povos indígenas. Não podemos ver essa nomeação de forma isolada. É a colocação de pessoas estratégicas na Funai para fazer o desmonte por dentro, paralisando políticas, perseguindo servidores, rompendo o diálogo com o movimento indígena, perseguindo lideranças, sufocando as coordenações regionais da FUNAI. Então, por mais que esse senhor fale da defesa dos indígenas, não pode negar o fato de que ele faz parte de um grupo que ocupa hoje a FUNAI para acabar com a política de proteção e promoção dos direitos indígenas. Acompanha essa invasão da FUNAI um amplo esforço de mudança normativa para permitir a exploração econômica dos territórios indígenas, como ocorreu essa semana no projeto de lei de mineração e exploração hídrica em terras indígenas sem respeitar o direito de autodeterminação e o direito à consulta livre, prévia e informada. Há pressão para descontrair as políticas de cidadania.

________________________

O chamado crítico do CONIC precisa ser assumido por todos que defendem o Estado laico como princípio constitucional fundamental para  o Estado Democrático de Direito: “A concepção evangelizadora que acompanha uma política pública deve ser isenta de toda e qualquer lógica religiosa. Povos indígenas têm um patrimônio cultural e espiritual próprios. É dever do Estado protegê-los e garantir a sua preservação”.

Foto de destaque: Ateliê Canudos

Caso Londrina: Bereia fala com advogado e sociólogo sobre campanha para Bolsonaro dentro de igreja evangélica

Na última segunda, 27, Bereia recebeu um pedido de checagem sobre uma foto do ônibus do novo partido de Bolsonaro – Aliança do Brasil, dentro do estacionamento da Igreja Presbiteriana Central de Londrina.

Após publicar checagem, afirmando sua veracidade, Bereia entrevistou o advogado e professor de Direito Eleitoral, Guilherme Gonçalves, e o sociólogo Paul Freston, professor de religião e politica na Balsillie School of International Affairs e na Wilfrid Laurier University, em Waterloo, Ontário, Canadá

APOIAMENTO DENTRO DE IGREJA É LEGAL?

O advogado Guilherme Gonçalves, que também é membro fundador da ABRADEP – Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político e ex-presidente do IPRADE – Instituto Paranaense de Direito Eleitoral, esclareceu que o apoiamento é algo lícito do ponto de vista estritamente jurídico, mas da ótica moral, é algo discutível. .

Pr. Emerson Patriota durante culto na IPB Londrina.

Bereia – Há algum tipo de irregularidade por parte do líder religioso em coletar assinaturas dentro da igreja?

Guilherme GonçalvesDo ponto de vista jurídico, especificamente sobre a ótica da validade ou não desta forma de colher assinaturas, de fato, não há nada que proíba o pastor de fazer esse movimento. No limite, do ponto de vista estritamente jurídico, o que poderia acontecer seria, dependendo de um contexto, alguns fiéis se sentissem constrangidos a assinar o apoiamento e depois revelassem terem se sentido coagidos e retirassem a assinatura do apoiamento. Isso, eventualmente podia gerar uma desistência de apoiamentos que poderia invalidar essas assinaturas e, consequentemente, influenciar no atingimento dessa premissa para obtenção do registro do partido que está sendo liderado pelo presidente Bolsonaro. O apoiamento, do ponto de vista eleitoral não é ilegal, ainda que se possa discutir se isso é moralmente correto. Se é possível fazer esse uso da igreja para essa finalidade.

Para tirar o Aliança do papel, Bolsonaro precisa de aproximadamente 492 mil assinaturas em apoio à criação da legenda. O processo precisa ser validado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 4 de abril, caso participem das aleições deste ano

RELIGIÃO E POLÍTICA, SIM; IGREJA E ESTADO, NÃO.

A nossa equipe também entrevistou o sociólogo anglo-brasileiro Paul Freston, professor de religião e política na Balsillie School of International Affairs e na Wilfrid Laurier University, em Waterloo, Ontário, Canadá. Freston também é autor do livro: ‘Religião e Política, sim; Igreja e Estado, não’, publicado pela Editora Ultimato.

Bereia – Como o senhor enxerga o discurso político/partidário dentro da igreja por meio de lideranças evangélicas? 

Paul Freston – Uma igreja defender determinado candidato ou determinado partido é deplorável, independentemente do candidato ou partido. É questão de princípios e não de preferência ideológica. A igreja enquanto instituição (seja congregação local ou denominação nacional), e sobretudo os pastores, devem ficar distantes dos embates partidários. Isso não é só para o bem do país; em primeiro lugar, é para o bem da igreja e do evangelho. É para preservar a autoridade pastoral, para não deixar que o discurso religioso, baseado na Bíblia, se contagie com contingências partidárias volúveis e incertas. O pastor que mobiliza a sua igreja em função da viabilização de determinado partido está pondo em perigo a autoridade do seu discurso religioso, rebaixando-o ao nível de seus compromissos políticos pessoais. Isso já é ruim; e pior ainda, se houver alguma recompensa pelo apoio prestado. Devemos ter um cuidado em não absolutizar nossas posições políticas. Como se diz, “a política é a arte do possível”. Portanto, pode-se concordar sobre certos princípios bíblicos acerca do que deve ser feito, mas deve-se pensar no que é possível ser feito hoje no Brasil. Além disso, há muita distância entre a Bíblia e a sociedade de hoje. Não devemos tratar a Bíblia como uma receita política pronta para ser implementada hoje. Isso é ridículo. Não podemos ter o mesmo grau de certeza das nossas posições políticas quanto temos sobre as doutrinas da salvação e o cultivo das virtudes cristãs.

Bereia – Qual o problema ético/teológico de se fazer campanha para um determinado partido dentro da igreja?

Paul Freston – Acredito, como o grande sociólogo Tocqueville no começo do século XIX, que o cristianismo tem papel importantíssimo na era democrática, mas somente quando está na relação certa com a política democrática (separado do estado e do partidarismo, mantendo o clero longe das disputas eleitorais, mas fundamentando a atividade política). É extremamente importante defender a pluralidade política cristã. Como alguém que estuda e gosta de conversar sobre política, eu tenho as minhas próprias opiniões e, às vezes, gostaria que todo mundo pensasse igual a mim. Mas reconheço que isso nunca acontecerá; e, no fundo, nem quero isso, porque defendo, como algo não só inevitável, mas desejável, a pluralidade política da comunidade cristã. Isso não significa abdicar do debate político sério e intenso; mas significa defender o direito das pessoas discordarem. A pluralidade política da comunidade cristã é fundamental e quando se tenta abolir essa pluralidade quem sai perdendo é a própria igreja, e quem se danifica aos olhos da sociedade é a própria fé. Se internamente devemos defender o direito à discordância política, externamente devemos conscientizar a sociedade a respeito da existência dessa diversidade, contestando aqueles líderes eclesiásticos oportunistas que dizem o contrário. Boa parte da sociedade tem a impressão de que “todos os evangélicos são eleitores de fulano” e que “na política os evangélicos só se preocupam com tais e tais questões”. Combater essa ideia errônea é importante por várias razões, inclusive porque a impressão de falta de diversidade política no meio evangélico impede o crescimento numérico das igrejas, principalmente em certos meios sociais. A comunidade cristã deve dar exemplo para a sociedade de como lidar com a diversidade. Não seria bom que a sociedade olhasse para as igrejas e pensasse: “vocês todos pensam igual”; mas que olhasse e dissesse: “vocês discordam politicamente uns dos outros tanto quanto nós, mas vocês conseguem lidar melhor com isso do que a gente”. Se a igreja pudesse dar exemplo nesse sentido, seria um testemunho forte para a sociedade. Podemos pensar, por exemplo, no papel das igrejas, tanto em épocas eleitorais como fora das épocas eleitorais. Um elemento nisso é o ensino consistente das dimensões políticas do discipulado. Além disso, a igreja não deve se comprometer com candidaturas, nem se envolver na disputa partidária. Mas algo que a igreja pode fazer, e que seria um exemplo para a sociedade, é promover debates sérios com representantes de todas as candidaturas, sejam de dentro da igreja, de outras comunidades cristãs ou de fora, mas representantes sérios expondo os melhores argumentos dos seus candidatos, em um ambiente de seriedade e de paixão, mas também de respeito e paciência para ouvir o outro, numa postura de “eu acho que eu tenho razão, mas preciso ao menos ouvir os melhores argumentos do outro lado, tentar ver o mundo através dos olhos do outro, entender por que o outro vota diferentemente de mim”.

Em nota, via Facebook, a Igreja Presbiteriana do Brasil, se posicionou a respeito do caso:


É verdade que Igreja Presbiteriana de Londrina faz campanha para partido de Bolsonaro

Circula nas redes, desde segunda, 27, uma foto de um ônibus do novo partido de Jair Bolsonaro – Aliança pelo Brasil, estacionado no pátio da Igreja Presbiteriana Central de Londrina, no Paraná.

Indagado por leitores sobre a veracidade da imagem, Bereia checou a informação e verificou que , de fato, a equipe do novo partido esteve na Igreja Presbiteriana Central de Londrina, no último domingo, 26, para coletar assinaturas dos membros da igreja.

No áudio ao lado, você confere a fala do Pastor Emerson Patriota convocando a Igreja a fazer um “apoiamento” ao novo partido.

O vídeo original foi delatado do canal da IPB Central de Londrina após denúncias.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=fvRCSenGOvY&feature=youtu.be&fbclid=IwAR00whCyZUSCSD_R5vi3bWpPuFH5mikBx0JosgMfmIpZh6uP2HIYJBdUZ7U

Leia a fala do Pastor Emerson Patriota na íntegra:

“Vocês viram um grande ônibus estacionado ali no nosso estacionamento escrito Aliança pelo Brasil? você viu ou não? está meio escuro mas tenho certeza que você viu.
Esse ônibus,
nós estamos fazendo um apoio a essa…esse movimento que está tendo no Brasil pra formação desse partido político.
Não é filiação ao partido, porque o partido ainda não existe – Aliança pelo Brasil – encabeçado pelo nosso presidente, Jair Messias Bolsonaro, e também você sabe que nós temos aqui conosco, o discípulo da nossa igreja, o deputado federal Filipe Barros, toda sua família são discípulos, frequentam nossa igreja, estão firmes aqui, servem a nossa igreja. Felipe Barros nós assumimos o compromisso como igreja, você estava aqui, de orar por ele, de orar pela sua missão. Ele tem uma missão naquele local. É realmente muita luta, trevas contra a luz de Cristo. Nós temos que cubrí-lo com oração. Ele tem feito um trabalho maravilhoso, defendendo a família, e esse partido, esse futuro partido, nós temos profetizado aí, precisa de algo que chama apoiamento, não é filiação, é apoiamento. Sem um número suficiente de apoiamentos, esse partido não se cria, e nós estamos aqui trazendo esse partido, esse futuro partido pra que possa fazer isso – viabilizar apoiadores. Então eles estão ali, na saída do Centro de Adoração…nós temos uma edificação, que é o espaço mulher, onde a SAF, as nossas mulheres servem todos os dias da semana. E nós montamos ali um local, espaço, para que você possa no final do culto passar por lá, conhecer mais os valores desse futuro partido, e você possa fazer seu apoiamento. Inclusive nós temos aqui o pessoal do cartório pra facilitar todo esse processo, porque tem que ser firma reconhecida, aquela coisa toda. Eles já estão aqui para nos abençoar, então você, no final, nós estamos desafiando você, todos passarem lá, conhecerem o estatuto, os valores. Na verdade, eu estava conversando com algumas pessoas e disseram que é mais difícil entrar nesse partido do que em alguns igrejas por aí….sabe, tem que ter mais vida idônea rs, do que algumas igrejas exigem. Isso é muito bom, porque tem valores familiares. Não é filiação, preste atenção, é apoiamento. Eu queria muito que você no final desse culto você pudesse ir lá prestigiar e realmente orar por isso tudo que tem acontecido na vida do Brasil. Nós cremos numa restauração, nós cremos numa mão poderosa do Senhor, como Deus tem nos abençoado, e nós igreja central temos o compromisso de orar pela nação.
Você tem orado pelo Brasil? cê tem orado pelo Brasil? amém? tem orado? não fique só na oração que nós fazemos aqui nos nossos cultos não.
Ore na sua casa, junte sua família, ore pelo Brasil, pela nossa nação. Nós amamos o Brasil, e nós temos o compromisso como cristãos de orar e interceder pela nossa nação, pela reestruturação, realmente, pelo crescimento em todas as áreas do Brasil pra glória do Senhor Jesus Cristo.”

“Detox digital”: a proposta desconectada da ministra Damares

A ministra Damares Alves propôs em suas redes sociais, no último sábado, 30, um “detox digital” como desafio para o Dia Nacional da Família, que será celebrado no próximo domingo, 8. O objetivo da proposta, segundo a ministra, é alertar a população para os riscos do uso excessivo da tecnologia e “reconectar” as famílias do Brasil.

A iniciativa faz parte do Programa Reconecta, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, lançado oficialmente no início de julho, e que tem como pauta principal “fornecer acesso mais amplo ao conhecimento cientifico às famílias e à população em geral, a respeito do uso de recursos tecnológicos de maneira inteligente, abordando aspectos sociais, educacionais, e de saúde física e psíquica, visando assim a aquisição de uma maior consciência sobre consequências do uso tecnológico”.

A ministra Damares convocou, por meio de vídeo postado em seu twitter, o presidente Jair Bolsonaro, a primeira dama, Michelle, e os ministros a não usarem o celular durante as 24 horas do dia 8. Ela também estendeu o desafio aos pastores.

Apesar da boa intenção do Programa Reconecte, o real desafio que o/a brasileiro/a precisa não é um “detox digital”, mas aprender a desenvolver uma consciência digital no novo contexto social que vive.

Antonio Spadaro, padre, escritor, teólogo e diretor da revista jesuíta Civiltà Cattolica afirmam que “as recentes tecnologias digitais não são mais simples instrumentos completamente externos ao nosso corpo e à nossa mente, mas um “ambiente” no qual nós vivemos. A rede é um espaço de experiência que sempre mais está se tornando parte integral, em maneira fluida, da vida cotidiana: é um novo contexto existencial. Portanto, a rede não é, um simples ‘instrumento’ de comunicação que se pode usar, mas se evoluiu em um espaço, um ambiente cultural, que determina um estilo de pensamento e cria novos territórios e novas formas de educação, contribuindo para definir também um modo novo de estimular as inteligências e a estreitar as relações, um modo de habitar o mundo e organizá-lo. Não é, portanto, um ambiente separado da vida ordinária, mas ao contrário, sempre mais integrado, conectado com aquele da vida cotidiana.”

A partir desta reflexão pode-se entender que o desafio a ser proposto seria o inverso – Reconectar-se com o novo contexto social encarando-o como um ambiente de vida. O estímulo deveria ser para dentro da Rede e não para fora dela. A internet já está imersa na vida de todos, e o nosso real desafio “não é mais apenas “utilizar” bem a internet, como frequentemente se acredita, mas “viver” bem nos tempos da internet.”

É falsa a postagem que afirma que filha de Dilma Rousseff foi beneficiada irregularmente

[elementor-template id=”983″]

É falsa a postagem que circula nas mídias sociais afirmando que a filha de Dilma Rousseff , Paula Rousseff , estaria sendo beneficiada irregularmente do uso de carros oficiais do Estado, bem como de seguranças, motoristas e gasolina de forma ilegal.

O post, com link inexistente, tem sido compartilhado por vários internautas, que fixam sua atenção apenas no título e não verificam se a chamada é verdadeira.

Bereia checou a informação e busca separar o joio do trigo. Confira os fatos:

1 – A história da improbidade administrativa surgiu em 2016, em uma reportagem da revista Isto É. A matéria, veiculada dia 15.07.16, com o título “mordomia investigada”, afirma que Paula Rousseff e sua família desfrutavam de regalias.

2 – Em novembro de 2018, o juiz Leonardo Cacau Santos La Bradbury, da 2ª Vara Federal de Florianópolis, julgou improcedente a ação e alegou que “há expressa previsão legal de que haja o transporte institucional dos familiares do presidente devido ao aumento do risco em razão da maior exposição pública”, e ainda alegou que a “data da cessação do transporte institucional da ex-presidente, bem como de seus familiares, coincidiu com a data de seu impeachment”.

O que antes era excesso agora é falso!

É importante ficar de olho nas datas dos acontecimentos que são apresentados muitas vezes como novo.

Referências da checagem:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2018/11/justica-libera-dilma-de-reembolsar-uniao-por-custos-com-seguranca-de-filha.shtml https://revistaforum.com.br/politica/justica-considera-improcedente-acao-para-impedir-filha-de-dilma-de-dispor-de-seguranca-oficial/