Como os grupos religiosos avaliam o ataque do governo Trump à economia do Brasil

Uma pesquisa realizada entre 11 e 13 de julho de 2025, pelo instituto Atlas Random Digital Recruitment (RDR) analisou a percepção da população brasileira sobre a taxação de 50% aplicada pelo ex-presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump, a produtos brasileiros. O levantamento também detalha como diferentes segmentos religiosos reagiram à medida adotada pelo atual presidente dos Estados Unidos.

Com base nos dados, Bereia realizou um balanço das respostas do público religioso, organizou as informações principais, e ressaltou as diferenças de opinião entre evangélicos, católicos e pessoas de outras religiões. Além disso, Bereia identificou na pesquisa os níveis de aprovação, rejeição e indecisão em relação à política tarifária dos Estados Unidos.

A metodologia utilizada na pesquisa Atlas, conta com uma tecnologia que dispensa contato direto entre entrevistador e entrevistado e garante maior anonimato e neutralidade nas respostas ao recrutar participantes de forma orgânica durante a navegação na internet, em qualquer dispositivo conectado.

Percepção da taxação de Trump por grupo religioso

A pesquisa Atlas, contratada pela empresa global de informações financeiras Bloomberg, foi realizada entre os dias 11 e 13 de julho de 2025 e está estruturada em quatro eixos temáticos: 1. Aprovação presidencial; 2. Política externa do governo Lula; 3. Tarifas de Trump; 4. Imagem dos Estados Unidos e de Donald Trump.

O foco do balanço do Bereia é o terceiro eixo, abordado a partir da página 24 do relatório divulgado. Os entrevistados foram questionados sobre a seguinte questão: “Na sua opinião, a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar em 50% os produtos brasileiros, é justificada ou injustificada?”

As respostas revelam percepções distintas entre os grupos religiosos, como demonstram os dados a seguir:

Grupo religiosoInjustificada (%)Justificada (%)Não sei (%)
Católicos66,9%32,1%1%
Evangélicos 44,953,12
Outra religião 64,5350,5
Crente sem religião 52,347,60,1
Agnóstico ou ateu78,621,40
Injustificada (%)Justificada (%)Não sei (%)
Dados gerais do total de 2841 respondentes62,236,81

Os dados apresentados acima revelam diferenças marcantes entre os grupos religiosos quanto à percepção da taxação imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros. A maioria de católicos (66,9%), de pessoas com outra religião (64,5%) e especialmente agnósticos ou ateus (78,6%) consideram a medida injustificada, por ampla quantidade de respostas, com média de 70%, somados à maioria dos crentes sem religião que consideram o mesmo, com 52,3%, menor índice em relação aos demais.

Já os evangélicos se destacam como o único grupo em que a maioria (53,1%) considera a taxação justificada. 

Este quadro chama a atenção por evidenciar a construção de uma possível afinidade maior deste grupo religioso, evangélicos, com políticas protecionistas radicais, caso da taxação imposta ao Brasil e outros países, e/ou com a figura do ex-presidente estadunidense. Já o índice de indecisos (os que responderam “Não sei”) foi baixo em todos os segmentos, com destaque para os agnósticos/ateus (0%) e crentes sem religião (0,1%), o que indica que a maioria dos entrevistados sabe do que se trata e tem opinião formada sobre o tema. 

Veja os demais dados de cada pergunta do eixo três:

Na sua opinião, qual foi a principal motivação que levou Donald Trump a anunciar uma taxação de 50% sobre produtos brasileiros?

Grupo religiosoRetaliação contra a participação nos Brasil na Brics (%)Atuação da família Bolsonaro junto a Donald Trump (%)Retaliação contra decisões do STF sobre redes sociais americanas (%)Desejo genuíno de tornar o comércio com o Brasil mais favorável aos EUA (%)Não sei (%)
Católicos33,247,716,62,50
Evangélicos50,915,424,19,40,1
Outra religião3736,212,56,47,8
Crente sem religião59,712,420,20,57,2
Agnóstico ou ateu 36,6549,400
Dados gerais do total de 2841 respondentes40,936,916,83,51,9

A análise dos dados revela percepções bastante distintas entre os grupos religiosos sobre o que teria motivado Donald Trump a anunciar a taxação de 50% sobre produtos brasileiros. Entre católicos, pessoas de outra religião e agnósticos/ateus, prevalece a compreensão enfatizada no noticiário de que a medida foi influenciada pela articulação da família Bolsonaro com o governo dos EUA. O destaque expressivo é da avaliação de agnósticos e ateus (54%), que são seguidos por católicos (47,7%) e pessoas de outra religião (36,2%).

Já evangélicos (50,9%) e crentes sem religião (59,7%) acompanham majoritariamente a avaliação também exposta no noticiário, utilizada em publicações de  políticos e comentaristas críticos ao governo federal, que atribui a taxação a uma retaliação dos EUA contra a participação do Brasil no grupo dos BRICS, foro de cooperação e articulação política de onze países do Sul Global, formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e seis novos membros

A hipótese de retaliação dos EUA contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre responsabilização de redes sociais digitais na propagação de conteúdo ilícito aparece com quantidade de respostas moderada, especialmente entre evangélicos (24,1%) e crentes sem religião (20,2%), o que sugere uma afinidade destes grupos com esta abordagem disseminada nas redes digitais por políticos e comentaristas críticos à atuação da Corte neste quesito.

A opinião relacionada ao “desejo de favorecer os EUA comercialmente” teve poucas respostas em todos os grupos, o que afirma a percepção das pessoas com identidade religiosa entrevistadas de que a medida teve motivações mais políticas do que econômicas. 

O número de indecisos é muito baixo entre a maioria dos grupos, o que demonstra um alto nível de engajamento e opinião formada sobre o tema, com exceção das pessoas das categorias “outra religião” (7,8%) e “crentes sem religião” (7,2%), nas quais a incerteza aparece de forma mais significativa.

Na sua opinião, as justificativas usadas por Donald Trump ao decidir taxar em 50% produtos brasileiros a partir de 1º de agosto podem ser consideradas uma ameaça à soberania brasileira?

Grupo religiosoSim, configuram uma ameaça à soberania brasileira (%)Não, não configuram uma ameaça à soberania brasileira (%)Não sei (%)
Católicos44,6541,4
Evangélicos53,246,70,2
Outra religião5338,48,6
Crente sem religião36,863,20
Agnóstico ou ateu 75,824,20
Dados gerais do total de 2841 respondentes50,347,81,8

Os dados mostram que a percepção sobre a taxação de produtos brasileiros por Donald Trump como uma ameaça à soberania nacional tem uma curiosa variação entre os grupos religiosos. Agnósticos ou ateus são os que mais veem a medida como uma afronta à soberania do Brasil, com 75,8% expressando essa visão, seguidos por pessoas de religiões não cristãs (53%). 

O único grupo religioso destacado com maioria mais expressiva são os crentes sem religião. 63,2% desta categoria consideram que não há ameaça à soberania nacional, uma abordagem assumida por políticos, grupos da direita política e aliados, que procuram colocar a responsabilidade da taxação sobre o governo federal e sobre o STF, como indicado nas questão anterior. 

Neste ponto católicos e evangélicos estão divididos de forma oposta. Entre os primeiros, uma pequena maioria (54%) não considera a taxação uma ameaça à soberania, enquanto evangélicos, também em maioria não muito ampla (53,2%), pensa o contrário, que, sim, representa uma intimidação. Nestes dois grupos a divergência vem de parcelas significativas: 44,6% de católicos acreditam que a soberania brasileira está ameaçada pelas tarifas, ao passo que 46,7% de evangélicos avaliam que não.  

O número de indecisos permanece baixo em todos os grupos, com exceção das pessoas com outra religião (8,6%), o que evidencia que, no geral, os entrevistados têm acompanhado notícias sobre esta disputa. 

Como você avalia a reação do governo brasileiro diante das tarifas aplicadas pelo governo Trump sobre os produtos brasileiros?

Grupo religiosoAdequada (%)Agressiva (%)Fraca (%)Não sei (%)
Católicos41,727,228,22,8
Evangélicos2039,140,10,3
Outra religião76,1174,42,5
Crente sem religião3844,415,62
Agnóstico ou ateu 805,668,4
Dados gerais do total de 2841 respondentes44,827,525,22,5

A avaliação da resposta do governo brasileiro às tarifas impostas por Donald Trump revela uma forte divergência entre os grupos religiosos. Agnósticos ou ateus (80%) e pessoas com outra religião (76,1%) consideram a reação adequada,  demonstram alto grau de aprovação do governo federal e, possivelmente, uma visão mais institucional ou diplomática da postura do governo.

Em contraste, evangélicos se mostram mais críticos, com apenas 20% que consideram a resposta adequada, enquanto a maioria (79,2%) a percebe como fraca (40,1%) e agressiva (39,1%), o que sugere insatisfação com os posicionamentos adotados. 

Entre os crentes sem religião, a avaliação é mais dividida, com 38% que tomam as ações do governo como adequadas, embora 44,4% as consideram agressivas e 15,6%, fracas, dados negativos que somam 60%. De igual modo, católicos se dividem entre 41,7% que veem a reação como adequada, 28,2% como fraca e 27,2% como agressiva, somando 55,4% de indicadores com denotação negativa. 

Os índices de indecisão foram baixos na maioria dos grupos, exceto entre agnósticos ou ateus (8,4%). 

Você acredita que o governo federal será capaz de negociar e chegar a um acordo com os Estados Unidos para reduzir as tarifas aplicadas sobre os produtos brasileiros?

Grupo religiosoSim (%)Não(%)Não sei (%)
Católicos50,234,615,2
Evangélicos18,865,116,1
Outra religião61,4299,6
Crente sem religião43,642,913,4
Agnóstico ou ateu 74,119,86,1
Dados gerais do total de 2841 respondentes44,738,813,3

Os dados demonstram que a confiança na capacidade do governo brasileiro de negociar com os Estados Unidos para reduzir as tarifas varia significativamente entre os grupos religiosos. Agnósticos ou ateus (74,1%) e os com outra religião (61,4%) são os mais otimistas, e indicam maior confiança na atuação diplomática do governo federal. 

Católicos também tendem ao otimismo, com 50,2% que acreditam na possibilidade de um acordo, embora uma parcela considerável (34,6%) demonstre ceticismo, com um número significativo de pessoas nesta categoria que não sabem ou não querem responder, 15%. 

Já entre os crentes sem religião, as opiniões estão divididas, com 43,6% que confiam na negociação e 42,9% que não acredita no sucesso mais uma boa parcela que não sabe responder, 13,4%. 

O grupo mais descrente das ações do governo federal é o dos evangélicos, com expressivos 65,1% que acreditam que o não conseguirá reverter as tarifas, e apenas 18,8% com confiança em um possível acordo, o menor índice entre todos os grupos, que divide a balança com os 16,1% que não sabem ou optaram por não responder. Tais respostas se mostram coerentes com a tendência de crítica ao governo federal presente nas demais registradas por este grupo.

Como você avalia o impacto econômico das tarifas de Trump na economia brasileira?

Grupo religiosoAlto impacto (%)Baixo impacto (%)Muito alto impacto (%)Nenhum impacto (%)Não sei (%)
Católicos43,63514,92,14,4
Evangélicos61,71621,400,9
Outra religião55,132,16,80,45,6
Crente sem religião44,224,217,413,90,3
Agnóstico ou ateu 42,145,29,90,91,9
Dados gerais do total de 2841 respondentes48,630,814,92,43,2

Como você avalia o impacto da política de aumento de tarifas do governo Trump sobre a inflação e o crescimento econômico do Brasil especificamente? 

Grupo religiosoInflação: Vai aumentar? (%)Inflação: Não terá impacto? (%)Inflação: Vai diminuir? (%)Inflação: Não sei (%)
Católicos70,915,35,88,1
Evangélicos85,4111,22,4
Outra religião66,319,310,24,2
Crente sem religião72,517,54,85,5
Agnóstico ou ateu 49,333,514,72,5
Dados gerais do total de 2841 respondente701866
Grupo religiosoCrescimento econômico: Vai aumentar? (%)Crescimento econômico: Não terá impacto?(%)Crescimento econômico: Vai diminuir? (%)Crescimento econômico: Não sei (%)
Católicos6,915,170,18
Evangélicos3,28,985,72,1
Outra religião5,523,364,96,4
Crente sem religião11,97,977,52,7
Agnóstico ou ateu 15,22458,91,9
Dados gerais do total de 2841 respondente815725

Estas respostas foram obtidas de uma mesma pergunta na pesquisa sobre o impacto econômico das tarifas impostas por Donald Trump na economia brasileira. A grande maioria de todos os grupos religiosos avalia que ele existirá e que será alto e muito alto.  

Os evangélicos são os que mais avaliam que a medida impactará a economia, com total de 83,1% entre alto (61,7%) e muito alto (21,4%). O grupo mais dividido é o de agnósticos ou ateus com 52% que acreditam que haverá impacto entre alto, 42,1%, e muito alto, 9,9%, e 45,2% que percebem que ele será baixo. 

De forma geral, os diferentes grupos religiosos veem a política tarifária dos EUA como negativa tanto para a inflação quanto para o crescimento econômico do Brasil, embora existam nuances importantes entre eles. 

A percepção de que a inflação vai aumentar, é majoritária em todos os segmentos, com destaque para evangélicos (85,4%), crentes sem religião (72,5%) e católicos (70,9%), o que sinaliza uma preocupação ampla com o impacto direto nos preços. Já entre agnósticos ou ateus, este índice é bem menor (49,3%), com uma parcela expressiva (33,5%) que afirma que não haverá impacto.

Em relação ao crescimento econômico, o pessimismo é ainda mais acentuado. A avaliação de que ele vai diminuir é predominante em todos os grupos, especialmente entre evangélicos (85,7%), crentes com outra religião (77,5%) e católicos (70,1%). Mesmo entre os agnósticos ou ateus, grupo que mostrou mais moderação quanto à inflação, 58,9% acreditam e retração econômica, embora também sejam os mais propensos a enxergar estabilidade (24%) e crescimento (15,2%). 

As respostas demonstram uma percepção generalizada de que a medida tarifária terá consequências inflacionárias e recessivas, com variações na intensidade da percepção a depender da identidade religiosa. 

Você acha que o governo federal deveria retaliar os Estados Unidos diante da decisão de Trump de taxar os produtos do Brasil?

Grupo religiosoSim (%)Não (%)Não sei (%)
Católicos58,739,71,6
Evangélicos16,263,220,6
Outra religião64,324,910,8
Crente sem religião34,448,217,4
Agnóstico ou ateu 78,520,90,6
Dados gerais do total de 2841 respondentes51,240,97,9

Os dados revelam posições contrastantes entre os grupos religiosos quanto à ideia de o governo federal retaliar os EUA após a taxação dos produtos brasileiros por Donald Trump. Agnósticos ou ateus são os mais favoráveis à retaliação, com expressivos 78,5% que defendem essa postura, seguidos por pessoas de outras religiões (64,3%) e católicos (58,7%), o que demonstra uma forte adesão à ideia de uma resposta firme e simétrica. 

Em contraposição, os evangélicos são majoritariamente contrários à retaliação, com 63,2% que rejeitam a medida e apenas 16,2% favoráveis, o menor índice entre todos os grupos analisados. Tal posição é coerente com a questão em que a maioria deste grupo respondeu que as medidas impostas pelos EUA se justificam. 

Os crentes sem religião também tendem a ser mais contrários à retaliação (48,2%), embora com uma divisão mais equilibrada. O alto índice de indecisos entre evangélicos (20,6%) e crentes sem religião (17,4%) é significativo, indicando, possivelmente, dúvidas sobre as consequências de tal ação. 

Como você acha que o governo deveria retaliar os Estados Unidos? Escolha a opção que você considera mais adequada.

Grupo religiosoAumentar tarifas sobre produtos americanos (%)Reforçar relações diplomáticas e comerciais com rivais dos EUA,  como a China (%)Reduzir a dependência do dólar americano (%)Suspender pagamentos de direitos autorais e patentes de medicamentos americanos (%)Impor restrições a investimentos norte- americanos (%)Outra medida (%)
Católicos51,833,99,71,90,82
Evangélicos56,114,129,10,100,2
Outra religião51,825,316,11,13,62,1
Crente sem religião35,833,718,71,75,84,3
Agnóstico ou ateu 54,819,119,46,30,30
Dados gerais do total de 2841 respondentes51,228,614,52,41,51,8

Os dados indicam que, entre os diferentes grupos religiosos, há uma preferência clara por medidas econômicas diretas como forma de retaliação à taxação imposta pelos Estados Unidos. A opção mais escolhida por todos os grupos foi “aumentar tarifas sobre produtos americanos”, com destaque entre evangélicos (56,1%), agnósticos ou ateus (54,8%), católicos (51,8%) e pessoas de outras religiões (51,8%), o que revela um consenso em torno de uma resposta comercial simétrica. 

Posteriormente, aparece a estratégia de reforçar relações com rivais dos EUA, como a China, com maior adesão entre católicos (33,9%) e crentes sem religião (33,7%).

Chama a atenção que os evangélicos tenham sido os que mais rejeitaram esta opção, com apenas 14,1% de escolhas dela no grupo.

A proposta de reduzir a dependência do dólar americano também tem algum apelo, especialmente entre evangélicos (29,1%) e crentes sem religião (18,7%), o que sugere coerência com as respostas relacionadas à defesa da soberania nacional. Medidas mais radicais, como suspender o pagamento de patentes de medicamentos e de impor restrições a investimentos estadunidenses tiveram baixíssima adesão. 

As relações entre Brasil e Estados Unidos ficarão mais fortes ou mais fracas com a política de aumento de tarifas do governo Trump?

Grupo religiosoFicarão mais fracas (%)Ficarão iguais (%)Ficarão mais fortes (%)Não sei (%)
Católicos74,617,61,56,2
Evangélicos86,110,13,20,6
Outra religião80,419,200,4
Crente sem religião67,127,60,15,3
Agnóstico ou ateu 67,522,60,79,3
Dados gerais do total de 2841 respondentes75,718,21,54,7

A percepção geral entre os grupos religiosos é de que a política de aumento de tarifas implementada por Donald Trump fragilizou as relações entre Brasil e Estados Unidos. A maioria em todos os segmentos acredita que os laços diplomáticos e comerciais ficaram mais fracos, com destaque para os evangélicos (86,1%) e pessoas de outras religiões (80,4%), seguidos por católicos (74,6%). 

Mesmo entre os mais críticos a medidas de retaliação, como os crentes sem religião (67,1%) e agnósticos ou ateus (67,5%), essa percepção de enfraquecimento das relações também predomina. 

A parcela que considera as relações inalteradas é minoritária, variando de 10,1% (evangélicos) a 27,6% (crentes sem religião). Já a ideia de que os laços tenham se fortalecido após a medida tarifária é praticamente inexistente, com índices residuais em todos os grupos. 

Para buscar compreender este quadro   

A forma como a resposta de grupos religiosos, em especial de evangélicos, aparece neste levantamento da pesquisa Atlas/Bloomberg reflete mais conteúdos circulantes em redes sociais digitais do que o noticiário, seja para justificar a tarifação imposta pelos EUA ao Brasil, seja para responsabilizar o governo federal por esta ação… (as conclusões que elenquei acima). 

Esta constatação retoma o dado já levantado em pesquisa de que as pessoas se informam mais pelas redes digitais do que por meios tradicionais. De acordo com o Relatório Desigualdades Informativas: Entendendo os caminhos informativos dos brasileiros na internet 2024, de autoria da Aláfia Lab, mais da metade da população brasileira (51,6%) recorre às redes sociais como principal fonte de informação. Entre as plataformas, o Instagram lidera com 68,8% dos entrevistados afirmando utilizá-lo para se manter informados. Na sequência, aparecem o YouTube (55,9%) e o Facebook (43,7%).

Isto significa que o que as pessoas consomem nas redes digitais é fundamental para a formação da opinião que elas têm sobre determinados assuntos, entre eles, o caso da taxação do Brasil pelos EUA. A questão é que entre estes conteúdos, como o Bereia mostra, está uma considerável parcela de desinformação, parte dela embasada no medo.

Bereia buscou referências para apontar caminhos de compreensão deste quadro. A doutora em Comunicação e Informação Sandra Bitencourt, que também é jornalista e atua como coordenadora da Região Sul da Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD), indica: “As agendas geopolíticas têm funcionado como espelho ideológico e vêm posicionando grupos no debate interno do país. Há questões práticas que afetam cotidianos, como a imigração, o emprego e as consequências de uma chantagem comercial, mas também há preocupações que unificam segmentos, como a liberdade religiosa e o sempre acionado tema do aborto.”

Sandra Bittencourt ainda observa que a extrema-direita, tanto nos EUA quanto no Brasil, tem explorado essas pautas com eficiência. “A extrema-direita, mundialmente, tem sido muito hábil em colocar essas posições como uma luta ‘civilizatória’ em defesa da família e dos seus valores, o que acaba por direcionar, mesmo com contradições, percepções e escolhas. É uma estratégia, obviamente, que cria divisões, não apenas na sociedade, mas no interior das denominações religiosas, pois muitos fundamentam sua fé e seus valores religiosos com uma missão política.”

Em artigo sobre a relação de evangélicos com os governos Lula 1, 2 e 3, a cientista política diretora-executiva do Instituto de Estudos da Religião (ISER) Ana Carolina Evangelista reflete que a parcela da população identificada como evangélica tem sido mais blindada por mensagens diárias, dentro e fora dos templos, e se tornado refratária a tudo que venha da política no espectro progressista. “O bolsonarismo se amalgamou com o campo evangélico nos territórios, não apenas na política palaciana”, avalia e acrescenta: “quem está falando sistematicamente e com muita desenvoltura [com este grupo] são lideranças religiosas e comunitárias bolsonarizadas. Tudo isso imerso num ambiente político mais violento e intolerante, como um todo, na sociedade”.

Referências: 

BBC News Brasil. https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1k8lp00xe4o. Acesso em 18 de julho de 2025.

BRICS Brasil 2025. https://brics.br/pt-br/sobre-o-brics. Acesso em 18 de julho de 2025. 

Revista Forum. https://revistaforum.com.br/u/archivos/2025/7/15/Pesquisa%20Atlas_Bloomberg%20-%20Tarifas%20de%20Trump%20sobre%20o%20Brasil.pdf. Acesso em 17 de julho de 2025.Uol. https://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2024/03/13/evangelicos-e-os-governos-lula-o-que-mudou.htm. Acesso em 18 de julho de 2025.

Extremistas da direita e religiosos alinhados enganam sobre culpa do governo federal nas sanções dos EUA contra o Brasil 

Uma tarifa de 50% será aplicada sobre as exportações brasileiras para os EUA, a partir de 1º de agosto, de acordo com anúncio do presidente daquele país Donald Trump. Ele afirmou que a medida não se baseia exclusivamente em fatores econômicos, mas é uma resposta direta ao julgamento de Jair Bolsonaro (PL), réu em ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado em 2022. Ao abordar as “questões econômicas”, o presidente estadunidense não apresentou dados que justificassem a nova alíquota, uma vez que não há déficit na balança comercial entre os dois países ou comprovadas ilegalidades.

O líder estadunidense divulgou a decisão em sua rede digital, Truth Social, por meio de uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No documento, comunicou a imposição da tarifa e afirmou que a medida foi adotada em resposta a “ataques insidiosos” contra as eleições livres no Brasil. O documento, enviado poucos dias após a realização da cúpula do Brics, no Rio de Janeiro, traz ainda críticas ao julgamento de Jair Bolsonaro e defende a suspensão da ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). 

Conheci e tive contato com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei profundamente, assim como a maioria dos outros líderes mundiais. A maneira como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato — inclusive pelos Estados Unidos —, é uma desgraça internacional. Este julgamento não deveria estar acontecendo. Trata-se de uma caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!“, escreveu Trump.

O filho do ex-presidente Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL – SP), cuja licença terminou no último 20 de julho, segue nos EUA e tem atuado de forma ostensiva junto ao governo estadunidense, na tentativa de livrar o pai do processo judicial que está enfrentando. 

Diante da repercussão das tarifas entre os brasileiros, a oposição tem se empenhado em culpabilizar o presidente Lula e o governo federal pelo chamado “Tarifaço”. A notícia reverbera nas redes digitais de líderes e políticos religiosos, por isso, Bereia analisa e checa as informações atreladas ao caso divulgadas na rede.

O Contexto

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu em 14 de julho ao STF a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e  a expectativa é de que o julgamento seja realizado em setembro de 2025. Apesar de a defesa da liberação de Bolsonaro do processo ser apresentada na carta de Trump, analistas alertam para um contexto mais denso no qual o caso se insere.

Enquanto lideranças do BRICS (bloco econômico e político formado por economias emergentes – Brasil, Rússia. Índia, China e África do Sul) participavam de sua 17ª Cúpula anual, realizada no Rio de Janeiro entre 6 e 7 de julho, o presidente dos Estados Unidos fez sua primeira ameaça indireta ao Brasil. Em publicação na rede social Truth Social, declarou que pretendia aplicar tarifas de 10% a países que, segundo ele, adotem “políticas antiamericanas”, entretanto, não detalhou o que seriam essas práticas consideradas antiamericanas. 

De acordo com o professor e economista da Universidade George Washington, em Washington, capital estadunidense, Maurício Moura, o que deu o impulso para o presidente Trump impor o “tarifaço” foi basicamente o protagonismo do Brasil na articulação dos Brics. “O Trump ficou bem atento à reunião, por um motivo bastante óbvio, é que ele fica bem atento ao noticiário, basicamente ele tem o ímpeto de tentar comandar o noticiário local e todas as emissoras americanas deram relevância ao encontro”, explicou. O economista apontou também, em entrevista ao jornal gaúcho Zero Hora, outra preocupação de Donald Trump: a manutenção da relevância do dólar no cenário mundial, que têm sido posta em xeque, além do temor de uma possível moeda concorrente do bloco. 

A jornalista Míriam Leitão refuta um dos argumentos usados pelo governo dos EUA no campo comercial,  de que há um déficit com o Brasil. “Isso não se aplica à realidade. Segundo dados de diversas representações, a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos é favorável ao governo americano”, aponta a analista com base nos próprios relatórios do governo brasileiro 

Resposta do governo brasileiro

O Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços encaminharam uma carta ao governo dos Estados Unidos manifestando “indignação” diante da decisão de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao país. 

“O governo brasileiro manifesta sua indignação com o anúncio, feito em 9 de julho, da imposição de tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, a partir de 1° de agosto”, ressalta a carta.

No documento, o governo brasileiro argumenta ainda que a imposição das tarifas terá um “impacto muito negativo em setores importantes de ambas as economias”, colocando em risco a histórica parceria econômica entre os dois países. “Nos dois séculos de relacionamento bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos, o comércio provou ser um dos alicerces mais importantes da cooperação e da prosperidade entre as duas maiores economias das Américas”. 

O texto também contesta a alegação de que o Brasil prejudica os EUA nas transações comerciais, uma vez que aquele país apresenta superávit.

O governo brasileiro tem atuado para minimizar os efeitos negativos da ação dos EUA. Uma das medidas é a criação de um fundo privado temporário para dar crédito a empresas ou setores afetados pelo tarifaço. O fundo deve ser criado por Medida Provisória (MP) e capitalizado pelo Tesouro Nacional por meio de crédito extraordinário, instrumento que permite abrir espaço no Orçamento sem esbarrar no limite de despesas do arcabouço fiscal.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Geraldo Alckmin estuda organizar uma comitiva interministerial para negociar em Washington a retirada das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros. A proposta é apresentar medidas de interesse comercial para os norte-americanos, como o fim de barreiras a produtos dos EUA, com o objetivo de afastar o viés político da discussão. As informações foram dadas por empresários que participaram das conversas com Alckmin.

O ministro da Casa Civil Rui Costa defendeu o fortalecimento das relações comerciais do Brasil com outros países em resposta às retaliações dos Estados Unidos. Ele destacou o interesse do Canadá e do México em estreitar laços com o Mercosul e reafirmou a meta de assinar, até dezembro, o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. Segundo auxiliares do Planalto, a ampliação dessa base comercial já estava nos planos do governo diante das sanções impostas por Donald Trump.

Além do “tarifaço”, o governo dos EUA anunciou, em uma segunda carta, de 17 de julho passado,  que irá investigar se políticas e práticas adotadas pelo Brasil têm restringido ou prejudicado o comércio estadunidense. O documento que formaliza a investigação menciona temas que representam prejuízos à relações econômicas com empresas daquele país como comércio ilegal na  Rua 25 de Março, em São Paulo, e o sistema de pagamentos eletrônicos Pix, livre de taxas.

Campanha nas redes

O governo lançou uma campanha nas redes digitais com o slogan “Brasil Soberano”. Em um vídeo da campanha há uma narração que diz “O Brasil é um país soberano. E um país soberano é um país independente, que respeita suas leis. Um país soberano protege seu povo e sua democracia. Um país soberano não baixa sua cabeça para outros países”.

Em contrapartida, figuras político-religiosas têm usado as mídias sociais para propagar informações e campanhas que culpabilizam Lula e o Partido dos Trabalhadores(PT) das tarifas de Trump.

Propagadores e repercussão

O presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia, que acumula quase 4,3 milhões de seguidores no Instagram, postou, até o fechamento desta matéria, 19 vídeos sobre o assunto. Ele ainda defende a rendição do país à pressão dos EUA, ao afirmar que se houver anistia ampla, as taxas não existirão. “A questão não é econômica. A questão é de justiça, liberdade e anistia”, diz o pastor em trecho de vídeo no qual credita a culpa pela taxação ao presidente Lula e ao ministro do STF Alexandre de Moraes. 

A hashtag “Defenda o Brasil do PT”, utilizada por apoiadores de Jair Bolsonaro em resposta à campanha oficial do governo, chegou ao topo dos assuntos mais comentados do X (antigo Twitter) em 11 de julho, ultrapassando 255 mil publicações. O deputado federal evangélico Nikolas Ferreira (PL-MG) participou do movimento nas mídias sociais. 

Já o deputado federal e pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Sóstenes Cavalcante(PL-RJ), líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, usou sua conta no X para rebater a campanha do governo federal. Ele usou uma arte: “Defenda o Brasil de Moraes”, em referência ao ministro do STF Alexandre de Moraes e o slogan que circulou na rede e foi divulgado por diversas figuras políticas (“Defenda o Brasil do PT”).

É fundamental destacar que, embora figuras públicas que endossam a narrativa do ex-presidente Jair Bolsonaro responsabilizem o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes pela crise, é imprescindível compreender o amplo contexto geopolítico que motiva as tarifas impostas por Donald Trump. 

Desde seu retorno à Casa Branca, Trump adotou uma nova política externa — marcada por um afastamento do multilateralismo (diálogo e cooperação entre países) e uma orientação estritamente nacionalista (exclusivista e isolacionismo do próprio país).

Nesse cenário, o presidente estadunidense engajou-se em uma guerra comercial que afeta diversos países, tendo o Brasil sido o mais impactado, até o momento, pelas medidas tarifárias que alcançam 50%. Analistas de Relações Internacionais apontam que tais políticas podem estar delineando uma Nova Ordem Mundial, conforme refletido em relatórios da BBC News.

Nesse contexto, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada entre 11 e 13 de julho de 2025 revela que 61,1% dos brasileiros consideram que Lula representa o país no exterior de forma mais eficaz do que Jair Bolsonaro, enquanto 38,8% discordam. A aprovação ao governo petista cresceu no período, passando de 47,3% em junho para 49,7% em julho, ao passo que a desaprovação diminuiu de 51,8% para 50,3% 

A pesquisa, entretanto, destaca um contraste religioso marcante: os evangélicos continuam sendo o grupo mais crítico ao governo Lula, com 66,9% de desaprovação, enquanto a taxa entre católicos é de 48,2%. Entre os evangélicos, cresceu também a percepção de que a tarifa de Trump é justificada (53,1%). Este índice contrasta com a maioria nacional, 62,2%, que vê a medida como injusta e motivada politicamente. Apesar de concordar com as tarifas, a maioria dos evangélicos entende que a ação de Trump é uma ameaça à soberania brasileira (53,2%).

A resistência dos evangélicos nesse cenário pode sugerir uma adesão a lideranças conservadoras que influenciam percepções religiosas e políticas. Esse posicionamento contrasta com a maioria dos brasileiros, que enxergam a reação oficial de Lula às tarifas como proporcional e responsável, especialmente no plano da política externa .

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Embora críticos do governo atribuam ao PT e a Lula a origem da crise, análises indicam que a escalada tarifária de Trump é fruto de uma estratégia externa com motivações políticas. O impacto desse conflito transcende a política doméstica, reforçando o debate sobre soberania, alinhamentos globais e a representação do Brasil no panorama internacional. A aparente polarização religiosa evidencia tensões internas que se intensificaram com a imposição das tarifas, apontando para um eleitorado fragmentado diante das pressões externas.

Bereia classifica a tentativa de culpar o governo federal e o presidente Lula pelo chamado tarifaço de Trump como conteúdo desinformativo enganoso. Extremistas da direita no Brasil, que defendem que Jair Bolsonaro não seja julgado pelos crimes pelos quais é acusado pela Justiça brasileira (tentativa de golpe nas eleições de 2022, entre outros), usam o caso para impedir o processo e fazer oposição política ao governo federal. Farto número de informações e análises expõe que o ataque partiu do governo dos EUA, a despeito das históricas boas relações comerciais com o Brasil, também lucrativas para aquele país. Há vasta informação disponível sobre possíveis reais motivações do governo dos EUA que passam pelas políticas nacionalistas extremistas do presidente Trump e a busca de reversão do enfraquecimento da posição país no quadro geopolítico mundial. 

Bereia chama a atenção de leitores e leitoras para não assimilarem ou compartilharem informações que chegam em suas redes sem verificar a procedência e a veracidade.  Caso contrário, passam a ser usados como instrumentos de campanhas políticas que usam de falsidades e enganosos.

Referências 

CNN
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/leia-integra-da-carta-de-donald-trump-que-anuncia-taxa-de-50-para-o-brasil/ Acesso 20 jul 2025

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/trump-anuncia-tarifa-de-50-para-brasil/ Acesso 21 jul 2025

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/atlas-381-acredita-que-brasil-deveria-se-alinhar-mais-ao-brics/ Acesso 21 jul 2025

Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/es/node/1650817 Acesso 20 jul 2025

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2025-07/eua-abrem-investigacao-sobre-praticas-comerciais-do-brasil Acesso 22 jul 2025

Instagram

https://www.instagram.com/p/DMB2CWlRbbI/ Acesso 20 jul 2025

BBC

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cj68rxg28j1o Acesso 20 jul 2025

Uol

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2025/07/15/aprovacao-de-lula-cresce-acima-da-margem-atlas.htm Acesso 20 jul 2025

Metrópoles
https://www.metropoles.com/mundo/trump-x-lula-entenda-cronologia-da-crise-entre-eua-e-brasil Acesso 20 jul 2025

CBN

https://cbn.globo.com/politica/noticia/2025/07/21/comunicacao-formal-de-brasil-com-os-eua-esta-sendo-feita-revela-haddad.ghtml Acesso 22 jul 2025

https://cbn.globo.com/podcasts/dia-a-dia-da-economia-miriam-leitao/analise/2025/07/10/e-uma-interferencia-em-favor-da-direita-brasileira-diz-miriam-leitao-sobre-taxacao-de-trump.ghtml Acesso 22 jul 2025

Zero Hora

https://gauchazh.clicrbs.com.br/mundo/noticia/2025/07/ele-praticamente-nao-tem-freios-na-casa-branca-diz-economista-sobre-trump-cmcxdzoz6012701687il93tlu.html Acesso 22 jul 2025

Revista Piauí

https://piaui.folha.uol.com.br/o-brasil-e-a-encruzilhada-da-hegemonia-americana/ Acesso 22 jul 2025

Folha

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/07/conheca-medidas-que-o-brasil-estuda-para-fazer-frente-ao-tarifaco-de-trump.shtml Acesso 22 jul 2025

Carta Capital

https://www.cartacapital.com.br/economia/a-estrategia-diplomatica-do-brasil-para-o-tarifaco-de-trump-segundo-haddad/ Acesso 22 jul 2025 

Intercept Brasil

https://www.intercept.com.br/2025/07/15/tarifaco-trump-eua-atacam-ameaca-poder-imperialista/ Acesso 22 jul 2025

Ato com tom religioso e apelo patriótico manifesta apoio às pressões dos EUA sobre o Brasil

Na manhã do domingo 20 de julho passado, um grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizou um protesto em Brasília contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com participantes vestidos de verde-amarelo, o ato expressou apoio ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump e às sanções impostas ao Brasil com a alta taxação de 50% nos produtos brasileiros comercializados com aquela nação. Também houve celebração da retirada dos vistos estadunidenses de oito dos onze ministros do STF, considerados persona non grata dos partidários do ex-presidente brasileiro.

O evento, que reuniu algumas dezenas de pessoas, segundo mídias de notícias presentes, foi organizado por lideranças da direita religiosa, como a senadora evangélica Damares Alves (Republicanos-DF) e a deputada católica Bia Kicis (PL-DF). 

Nas redes digitais, as parlamentares utilizaram seus perfis na plataforma X (antigo Twitter) para repercutir o ato. Damares Alves celebrou a mobilização com declaração que inflou o número de participantes: “Hoje o Brasil mostrou sua força! Milhares de pessoas caminharam com Bolsonaro em Brasília, pela Liberdade, pela Democracia e pela Verdade. Foi mais do que um ato, foi um grito do povo que não se cala, que não se curva, que acredita no Brasil!”.

Imagem: Post sobre o protesto em Brasília na manhã do domingo 20 de julho de 2025

Chamou a atenção de observadores que, em meio às ênfases no Brasil e à exposição dos símbolos a pátria, foram expostas  bandeiras dos Estados Unidos, de Israel e do Brasil Império. Durante a caminhada do grupo, entre os gritos entoados ouviu-se: “Presidente Trump, contamos com você”. A manifestação foi encerrada com o hino nacional, orações e discursos de parlamentares.

Imagem: Protesto em Brasília na manhã do último domingo (20)

Imagem: Protesto em Brasília na manhã do domingo 20 de julho dec 2025

Os apoiadores de Jair Bolsonaro condicionam o fim das tarifas impostas ao Brasil por Trump à aprovação de uma anistia no Congresso para os envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 2022 e 2023. Bolsonaro, investigado como líder das ações, pode enfrentar penas superiores a 40 anos de prisão, caso seja condenado. 

Referências: 

BBC News Brasil. https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3vd0g92053o. Acesso em 21 de julho de 2025. 

Agência Brasil. https://agenciabrasil.ebc.com.br/tags/ataques-de-8-de-janeiro. Acesso em 21 de julho de 2025. 

Folha de S. Paulo. https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/07/pt-explora-verde-e-amarelo-em-campanha-que-associa-tarifa-de-trump-a-bolsonaro.shtml. Acesso em 21 de julho de 2025. Poder 360. https://www.poder360.com.br/poder-brasil/apoiadores-de-bolsonaro-protestam-em-brasilia-apos-decisao-de-moraes/. Acesso em 21 de julho de 2025.

Imagem de capa: Rovena Rosa/Agência Brasil

EUA-Brasil: Mentira sobre ataque com bombas dos EUA ao Brasil circula nas mídias sociais

Circula nas redes sociais digitais a informação falsa de que os Estados Unidos (EUA) estariam se preparando para lançar uma bomba em território brasileiro como forma de punição ao governo federal e ao STF. As mentiras se baseiam em falas dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo e Flavio Bolsonaro, publicadas em seus perfis de mídias sociais.

Tal ação violenta dos EUA, segundo publicações, seria uma forma de retaliação às instituições do Estado brasileiro por terem não apenas respondido às exigências ao Brasil, em carta divulgada na internet pelo presidente dos EUA Donald Trump, dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 9 de julho passado, como também imposto medidas cautelares sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com tornozeleira eletrônica. Entre as exigências consta, principalmente, a anistia a Bolsonaro dos crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado em 2022 e 2023, que lhe foram atribuídos por investigação da Polícia Federal do Brasil e estão em processo de julgamento pelo STF.

Essa afirmação é infundada e fantasiosa.

Não há qualquer indício de movimentação militar dos EUA contra o Brasil, muito menos ações bélicas anunciadas. Nenhuma autoridade nacional ou internacional confirmou qualquer operação desse tipo. A ideia de um ataque militar direto contradiz princípios básicos da diplomacia internacional e os tratados que regem a convivência entre países democráticos.

Estratégia

A origem desse boato está na declaração metafórica em tom de ameaça feita pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), sobre o Brasil “sofrer uma bomba atômica no mercado financeiro” se confrontasse os interesses dos EUA. Em outra publicação, na sequência, Flávio Bolsonaro reforçou a metáfora, dizendo que “ou cede-se a Trump, ou vem a bomba”.

Essas declarações, feitas em contexto de pressão internacional sobre o Brasil, foram distorcidas e ressignificadas nas redes sociais, onde passaram a circular como se se tratasse de uma ameaça real e literal de ataque militar. O termo “bomba”, usado originalmente para se referir a sanções econômicas, foi transformado em suposta ameaça de bombardeio armado.

Esse tipo de distorção é intencional e faz parte  de uma estratégia promovida por grupos extremistas de direita que espalham pânico e desinformação nas mídias sociais, como Bereia já mostrou em diversas matérias. Estas mentiras se articulam com uma conspiração política que tem se configurado, segundo várias análises, e envolve influenciadores brasileiros e interesses estrangeiros. 

As recentes ameaças e sanções dos EUA fazem parte de um movimento mais profundo de pressão geopolítica, segundo estas avaliações mais amplas do caso. O governo Trump estaria usando o caso do julgamento de Jair Bolsonaro para buscar interferir nas eleições de 2026, favorecer candidatos alinhados aos interesses estratégicos estadunidenses e pressionar as instituições brasileiras por um alinhamento às políticas de controle econômico-financeiro daquele país.

Leituras recomendadas:

Brasil 247 

https://www.brasil247.com/brasil/eduardo-bolsonaro-ameaca-o-brasil-com-bomba-nuclear-dos-eua-sobre-o-mercado-financeiro

UOL

https://noticias.uol.com.br/colunas/reinaldo-azevedo/2025/07/11/flavio-ou-se-cede-a-trump-ou-vira-bomba-atomica-bolsonaro-e-mais-ameacas.htm

G1

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/07/21/bullying-de-trump-contra-brasil-esta-saindo-pela-culatra-diz-jornal-dos-eua.ghtml

Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2025-07/sancao-de-trump-contra-brasil-e-chantagem-politica-e-mira-o-brics

BBC https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8xv9yygx9po 

TERRA https://www.terra.com.br/noticias/ameaca-de-tarifas-acende-alerta-sobre-interferencia-dos-eua-nas-eleicoes-de-2026,c252120b783a1be2ef8c639af130bf9f176pvwus.html#google_vignette

The Intercept Brasil https://www.intercept.com.br/2025/07/15/tarifaco-trump-eua-atacam-ameaca-poder-imperialista/

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Imagem de capa: Unplash

EUA-Brasil: Grupos tentam criar pânico sobre navio de guerra estar a caminho de Brasília

Circula nas redes sociais o boato de que um navio de guerra dos Estados Unidos estaria se aproximando da capital do Brasil, para aportar no Lago Paranoá, como forma de intimidação ao governo brasileiro e ao STF. Essa informação é absurda e falsa.

O Lago Paranoá é um lago artificial localizado em Brasília, onde não há ligação com o mar. O lago é inacessível para embarcações de grande porte, como navios de guerra. Além disso, não há nenhum registro oficial de movimentação militar estrangeira rumo ao Brasil — tampouco qualquer comunicado diplomático ou militar que confirme esse tipo de ação.

A imagem de um navio repostada por alguns perfis extremistas é, na verdade, uma foto genérica ou retirada de outros contextos, sem qualquer relação com o Brasil.

A medida seria uma forma de retaliação ao governo federal e ao STF por terem não apenas respondido às exigências ao Brasil, em carta divulgada na internet pelo presidente dos EUA Donald Trump, dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 9 de julho passado, como também imposto medidas cautelares sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com tornozeleira eletrônica. Entre as exigências consta, principalmente, a anistia a Bolsonaro dos crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado em 2022 e 2023, que lhe foram atribuídos por investigação da Polícia Federal do Brasil e estão em processo de julgamento pelo STF.

Estratégia

Esta mentiras é parte de uma uma onda de desinformações que tentam associar uma presença militar norte-americana fictícia a uma “invasão” ou “ataque” ao Brasil, com o objetivo de gerar medo e instabilidade social. É uma estratégia promovida por grupos extremistas de direita que espalham pânico e desinformação nas mídias sociais, como Bereia já mostrou em diversas matérias. Estas mentiras se articulam com uma conspiração política que tem se configurado, segundo várias análises, e envolve influenciadores brasileiros e interesses estrangeiros. 

Revogação de vistos de ministros do STF, investigações contra aliados de Jair Bolsonaro e ameaças comerciais compõem um cenário mais amplo de interferência externa fazem parte de um movimento mais profundo de pressão geopolítica, segundo estas avaliações mais amplas do caso. O governo Trump estaria usando o caso do julgamento de Jair Bolsonaro para buscar interferir nas eleições de 2026, favorecer candidatos alinhados aos interesses estratégicos estadunidenses e pressionar as instituições brasileiras por um alinhamento às políticas de controle econômico-financeiro daquele país.

Leitura recomendadas:

UOL – https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2025/07/18/antes-de-operacao-eduardo-bolsonaro-ironizou-moraes-com-fala-sobre-porta-avioes-no-paranoa.htm

Carta Capital – https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/eduardo-bolsonaro-sugeriu-acao-dos-eua-com-porta-avioes-em-brasilia-um-dia-antes-de-operacao-da-pf/

Le Monde Diplomatique – https://diplomatique.org.br/uma-decada-de-desestabilizacao-e-guerra-hibrida/

New Yorker https://www.newyorker.com/magazine/2025/04/14/the-brazilian-judge-taking-on-the-digital-far-right ]

BBC https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8xv9yygx9po 

Terra https://www.terra.com.br/noticias/ameaca-de-tarifas-acende-alerta-sobre-interferencia-dos-eua-nas-eleicoes-de-2026,c252120b783a1be2ef8c639af130bf9f176pvwus.html#google_vignette 

The Intercept Brasil https://www.intercept.com.br/2025/07/15/tarifaco-trump-eua-atacam-ameaca-poder-imperialista/

EUA-Brasil: Mentira sobre desligamento do sinal de GPS no Brasil se espalha nas redes

Circula nas redes digitais que os Estados Unidos (EUA) poderiam bloquear o sinal de GPS (acrônimo para Global Positioning System – Sistema de Posicionamento/Geolocalização Global) no território brasileiro e deixar o país sem condições de navegação por satélite (vôos, navios e barcos e logística). O conteúdo parte de apoiadores do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) que dizem, em tom de terror verbal, “ter sido informados por membros do Departamento de Estado dos EUA que a revogação de vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) seria “apenas o começo”.

Imagens: reprodução/X

A medida seria uma forma de retaliação ao governo federal e ao STF por terem não apenas respondido às exigências ao Brasil, em carta divulgada na internet pelo presidente dos EUA Donald Trump, dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 9 de julho passado, como também imposto medidas cautelares sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com tornozeleira eletrônica. Entre as exigências consta, principalmente, a anistia a Bolsonaro dos crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado em 2022 e 2023, que lhe foram atribuídos por investigação da Polícia Federal do Brasil e estão em processo de julgamento pelo STF.

Esta informação é falsa. A ideia de que os EUA podem “desligar” o GPS no Brasil é tecnicamente inviável e infundada. O GPS é transmitido por uma constelação de cerca de 32 satélites que cobrem todo o planeta. Não existe um “botão Brasil” que permita aos EUA bloquear o serviço de forma seletiva em nosso território.

Mesmo que houvesse tentativa de interferência, isto só poderia ocorrer de forma muito limitada e localizada, afetando áreas de, no máximo, 12 km² — o que é completamente insuficiente para comprometer o funcionamento do GPS em um país continental como o Brasil, com 8,5 milhões de km².

Ainda que houvesse restrições ao GPS no Brasil, existem outros sistemas disponíveis, e a maioria dos celulares, aviões, navios e equipamentos modernos já são compatíveis com eles. Em outras palavras, o GPS não é mais o único sistema disponível e caso ele pare de operar já há alternativas a ele. O GPS foi desenvolvido para uso militar, pelo Departamento de Defesa dos EUA nos anos 1960, no contexto da Guerra Fria. Com a digitalização do mundo nos anos 2000, esta tecnologia passou a ser aplicada em diversas áreas da vida civil como navegação, rastreamento e mapeamento. Ao longo dos anos outros sistemas similares ao GPS foram desenvolvidos, têm cobertura global e  estão preparados para serem utilizados no Brasil.

Além do GPS, dos EUA, existem o Glonass, da Rússia, o Galileo, da União Europeia em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA), e o Beidou (também conhecido como BDS), da China. Todos estes sistemas estão disponíveis no Brasil e são utilizados por aqui, mesmo que com menor incidência do que o GPS. Ainda que o sistema dos EUA tenha se tornado padrão em muitos países, por conta da influência tecnológica deste país, a maioria dos celulares modernos são equipados com receptores GNSS (Sistema Global de Navegação por Satélite), que pode receber sinais de satélites de todos os sistemas de geoposicionamento. 

Portanto, ainda que o GPS “caísse” no Brasil, automaticamente os outros sistemas disponíveis seriam acionados e o país permaneceria coberto com esta tecnologia de geolocalização.

Estratégia

A mentira sobre o GPS é parte de uma estratégia promovida por grupos extremistas de direita que espalham pânico e desinformação nas mídias sociais, como Bereia já mostrou em diversas matérias. Estas mentiras se articulam com uma conspiração política que tem se configurado, segundo várias análises, e envolve influenciadores brasileiros e interesses estrangeiros. 

As recentes ameaças e sanções dos EUA fazem parte de um movimento mais profundo de pressão geopolítica, segundo estas avaliações mais amplas do caso. O governo Trump estaria usando o caso do julgamento de Jair Bolsonaro para buscar interferir nas eleições de 2026, favorecer candidatos alinhados aos interesses estratégicos estadunidenses e pressionar as instituições brasileiras por um alinhamento às políticas de controle econômico-financeiro daquele país.

Leitura recomendadas:

BBC – https://www.bbc.com/portuguese/articles/cr5v0q6p43mo 

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8xv9yygx9po

UOL – https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2025/07/21/eua-bloqueio-gps-brasil.htm?utm_source=chatgpt.com 

CBN – https://cbn.globo.com/comentaristas/pedro-doria/analise/2025/07/21/trump-vai-desligar-o-gps-no-brasil-saiba-se-e-possivel.ghtml

InfoMoney

https://www.infomoney.com.br/mundo/bds-galileo-glonass-conheca-as-alternativas-ao-gps-em-caso-de-colapso-do-sistema/

The Intercept Brasil
https://www.intercept.com.br/2025/07/15/tarifaco-trump-eua-atacam-ameaca-poder-imperialista/

Enxurrada de desinformação sobre a taxação de medalhistas inunda as redes digitais

Após as atletas olímpicas conquistarem medalhas nos Jogos em Paris, as redes digitais foram tomadas por uma onda de desinformação sobre as taxações das premiações olímpicas. Entre os desinformantes, estão os parlamentares cristãos.

Aproveitando a comoção nacional em torno das medalhistas brasileiras, a deputada Julia Zanatta (PL-SC), por exemplo, publicou um vídeo para criticar o imposto sobre as premiações dos atletas. Ela disse que o “papai Estado quer ficar com boa parte da premiação”, fazendo crer que se trata de uma ação deliberada do atual governo contra os atletas. Além disso, a parlamentar autodenominada cristã mentiu ao dizer que o governo federal não promove incentivos aos atletas. 

Imagem: Reprodução/X

A ginasta Rebeca Andrade, que emocionou o Brasil com sua performance em Paris, testemunhou sobre o apoio recebido do governo federal por meio do programa Bolsa Atleta. 

“O Bolsa Atleta com certeza é importante para a gente, porque a gente compra nossos materiais para treinamento, ajuda nossas famílias a trazer uma segurança para a gente, que muitas vezes é o que falta. Isso permite que a gente foque no nosso trabalho, sabe? Não deixa que a gente tenha preocupações externa”, celebrou a ginasta durante coletiva de imprensa

Já o deputado federal evangélico Helio Lopes (PL-RJ) parece ter mudado de opinião com relação aos valor dos esportistas olímpicos. Sob o governo de Jair Bolsonaro, o parlamentar assistiu o fim do Ministério dos Esportes, a redução histórica de 17% do orçamento para o Bolsa Atleta, e ainda viu a Receita Federal cobrar os atletas olímpicos naquele ano, mas nada propôs. Agora, no entanto, Lopes declarou nas redes que assinou um Projeto de Lei que propõe isentar os atletas das taxações da Receita.

A enxurrada de falsidades sobre a taxação das premiações foi tão grande que a Receita Federal emitiu um comunicado para desmentir as mentiras. Em nota, publicada em 7 de agosto, a Receita explicou que medalhas e troféus não são taxados e sim premiações recebidas em dinheiro, como será o caso dos atletas medalhistas olímpicos ao desembarcarem no Brasil. 

*Com dados do LupaScan.

Imagem: Reprodução/X

Referências:

X/Twitter da Receita Federal https://x.com/ReceitaFederal/status/1821174124103741568/photo/1 

X/Twitter do Governo Federal https://twitter.com/govbr/status/1821209374649405566

Brasil de Fato

https://www.brasildefato.com.br/2021/08/05/brasil-supera-corte-inedito-no-bolsa-atleta-e-deve-bater-recorde-de-medalhas-em-olimpiadas

Capa: Alexandre Loureiro/COB

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