Violência contra mulheres agravada por racismo desafia as igrejas evangélicas no Brasil

A discussão sobre violência contra mulheres e racismo no ambiente religioso ganhou novo impulso entre evangélicos brasileiros após a repercussão da pregação “Quebrando o Silêncio”, ministrada pela pastora das Assembleias de Deus Helena Raquel, durante o Congresso Internacional dos Gideões Missionários da Última Hora 2026, realizado em 3 de maio passado. O vídeo viralizou nas redes digitais com trechos em que a pastora aborda temas como violência doméstica, pedofilia e silenciamento de vítimas de abusos dentro das igrejas, e defende que mulheres denunciem abusos às autoridades e priorizem sua proteção. Em um dos trechos mais compartilhados, a pastora afirma: “quem agride, mata”.

A repercussão da mensagem ocorre no contexto de iniciativas antigas e consolidadas de mulheres evangélicas que denunciam não apenas a violência física e psicológica, mas também o racismo estrutural presente em espaços religiosos. Entre o grupos que têm promovido estas ações está a Associação Mulheres EIG – Evangélicas pela Igualdade de Gênero, que lançou, no final de 2025, o Protocolo Antirracista Mulheres EIG.

O documento propõe diretrizes para o enfrentamento do racismo dentro da própria organização e também no campo religioso brasileiro. Construído coletivamente durante um encontro da associação, em São Paulo, o protocolo se define como um instrumento ético, teológico e político voltado à promoção da justiça racial e de gênero.

Imagem: reprodução/EIG

A iniciativa parte da premissa de que não existe justiça de gênero sem justiça racial. Na introdução, o texto afirma que sua elaboração responde ao compromisso de “enfrentar todas as formas de violência estrutural que atravessam os corpos e vidas das mulheres no Brasil”.

Entre os fundamentos apresentados estão a adoção de uma teologia ecotransfeminista antirracista, a defesa de uma leitura bíblica crítica e o compromisso com os direitos humanos de mulheres cis, trans e travestis. Para integrantes da entidade, fé cristã e justiça social são dimensões inseparáveis. “O Evangelho que seguimos é antirracista, acolhedor e comprometido com a justiça social”, afirma Cristina Vilhena, uma das autoras do protocolo.

Violência contra mulheres no contexto evangélico

A mobilização ocorre em um cenário de alta incidência de violência contra mulheres no Brasil. Segundo a pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, intitulada Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil (2025), 37,5% das brasileiras com 16 anos ou mais relataram ter sofrido algum tipo de violência.

O levantamento apresenta dados sobre identidade religiosa e mostra que 42,7% das mulheres evangélicas afirmaram ter sofrido violência por parceiro íntimo ao longo da vida — índice superior ao registrado entre mulheres católicas, de 35,1%.

Os dados também apontam desigualdades raciais persistentes. Mulheres negras apresentam índices mais elevados de violência em comparação às mulheres brancas. Entre mulheres pretas, 41,5% relataram violência no último ano, enquanto entre mulheres brancas o percentual foi de 35,4%. Ao longo da vida, 41,9% das mulheres negras afirmam ter sofrido violência por parceiro íntimo, contra 37,8% das mulheres brancas.

Embora a pesquisa não faça o cruzamento direto entre raça e religião, especialistas avaliam que os números revelam vulnerabilidades acumuladas vividas por mulheres negras em diferentes espaços sociais, inclusive religiosos.

Crescem denúncias ao Ligue 180

Dados da Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180 — reforçam a dimensão do problema da violência contra mulheres e o aumento da busca por apoio institucional. Em 2025, o serviço registrou quase 1 milhão e 100 mil atendimentos, crescimento de 45% em relação ao ano anterior No mesmo período, foram contabilizadas mais de 155 mil denúncias de violência, o equivalente a 425 denúncias por dia, representando aumento de 17,4%.

O perfil das vítimas também evidencia desigualdades raciais: mulheres negras correspondem a 43,16% das denúncias. Mulheres brancas representam 32,54% dos registros. 

Somente no primeiro trimestre de 2026, o Ligue 180 registrou 45.735 denúncias, mantendo a tendência de crescimento, com alta de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entre os tipos de violência mais recorrentes aparecem:

  • violência psicológica (49,9%);
  • violência física (15,3%);
  • violência patrimonial (5,4%);
  • violência sexual (3%).

Racismo e violência simbólica nas igrejas

Em meio ao alarmante cenário de violência contra mulheres, o pastor presidente da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia utilizou as redes sociais para criticar a fala da pastora Helena Raquel no encontro nacional dos Gideões. A reação gerou debates entre fiéis e movimentos religiosos, especialmente por partir de uma das figuras mais influentes e privilegiadas do meio evangélico brasileiro, que encarna o perfil de homem branco, rico e heterossexual, em contraste com denúncias levantadas por mulheres que enfrentam violência, silenciamento e desigualdade dentro das igrejas.

Imagem: reprodução/Youtube

Além da violência doméstica, lideranças e pesquisadoras ligadas ao contexto evangélico denunciam a permanência de práticas racistas e de violências simbólicas naturalizadas dentro das igrejas brasileiras. Ouvida pelo Bereia, a psicóloga Patrícia Santos afirma que o enfrentamento ao racismo começa pelo reconhecimento e pela educação racial dentro das comunidades de fé.

“Acredito que não exista reconhecimento sem conhecimento. Muitas vezes, práticas racistas e violências simbólicas permanecem naturalizadas dentro das igrejas justamente porque nunca foram nomeadas. E ninguém combate aquilo que não consegue identificar”, afirma.

Segundo ela, o chamado “letramento racial” (processo educativo para o reconhecimento e o enfrentamento do racismo) é essencial para que lideranças religiosas compreendam como o racismo influencia relações, linguagem, acesso a espaços de poder e até interpretações sobre espiritualidade. Patrícia Santos aponta manifestações recorrentes desse problema nas instituições religiosas, como:

  • ausência de pessoas negras em posições de liderança;
  • leitura estigmatizada de corpos negros;
  • deslegitimação de culturas periféricas e religiões de matriz africana;
  • silenciamento das dores e denúncias apresentadas por pessoas negras.

Para a psicóloga, o desafio exige coragem institucional e disposição para revisar estruturas historicamente consideradas normais. “Não existe evangelho de justiça sem enfrentamento das violências que desumanizam pessoas”, afirma.

A análise também chama atenção para os impactos emocionais provocados por experiências de racismo, abuso espiritual e violência simbólica dentro das igrejas.

Segundo Patrícia Santos, muitas vítimas chegam ao atendimento psicológico carregando sentimentos de culpa, medo e perda de identidade. “Enquanto psicóloga, eu escuto diariamente histórias marcadas por abuso espiritual, silenciamento, culpa e violências simbólicas tão intensas que a pessoa deixa de se reconhecer”, relata.

Imagem: reprodução/Instagram

Ela afirma que, em muitos casos, a fé deixa de representar acolhimento e passa a funcionar como mecanismo de vigilância e punição. “A mensagem internalizada é a de que a pessoa precisa se anular para pertencer”.

Na avaliação da especialista, discutir racismo, violência de gênero e abuso espiritual não divide as igrejas, mas cria possibilidades de reconstrução e cura coletiva. “Uma espiritualidade saudável deveria aproximar as pessoas da vida, da dignidade e do cuidado, não do medo, da culpa e do apagamento de si”, conclui a psicóloga.

O avanço desta pauta evidencia um movimento crescente dentro do segmento evangélico brasileiro que busca enfrentar práticas discriminatórias historicamente silenciadas. Para pesquisadoras, lideranças religiosas e movimentos organizados, o debate sobre violência, racismo e abuso espiritual passou a ocupar espaço central na construção de comunidades de fé mais inclusivas e comprometidas com direitos humanos e justiça social.

Baixe o Protocolo Antirracista aqui.

Foto de capa: Unplash

Referências: 

Repercussão pregação Helena Raquel:
https://www.tupi.fm/rio/video-pastora-helena-raquel-viraliza-apos-fala-forte-sobre-sobre-violencia-domestica/#google_vignette acesso 13 maio 2026

Protocolo EIG Antiracista: https://www.mulhereseig.org.br/_files/ugd/3fddf7_6f4e13ae5fd84ba7920a97d73024e571.pdf acesso 13 maio 2026

Relatório vitimização de mulheres 2025: 

https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/03/relatorio-visivel-e-invisivel-5ed-2025.pdf?v=13-03 acesso 13 maio 2026

Dados Central 180: https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2026/abril/canal-ligue-180-registra-crescimento-de-27-nas-denuncias-e-10-nos-atendimentos-no-primeiro-trimestre-de-2026 acesso 13 maio 2026

G1

https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/14/ligue-180-registra-alta-de-45percent-nos-atendimentos-em-2025-indice-segue-crescendo-em-2026.ghtml  acesso 13 maio 2026

Materiais e Checagens do Bereia relacionado ao enfrentamento do Racismo estrutural: https://coletivobereia.com.br/etiquetas/racismo/ acesso 13 maio 2026

Do altar ao banco dos réus: feminicídio no Acre reacende debate sobre violência contra mulheres nas igrejas

Pouco mais de um mês após matar a golpes de facão a esposa Auriscléia Lima do Nascimento, 25 anos, na comunidade Campo Alegre, zona rural de Capixaba (AC), o pastor evangélico Natalino do Nascimento Santiago, 50, tornou-se réu por feminicídio e duas tentativas de homicídio. Segundo a denúncia do Ministério Público do Acre, além de assassinar a companheira, ele feriu o filho dela e o cunhado. O histórico do acusado inclui condenações anteriores por homicídio e estupro. O caso traz novamente à tona o tema pouco enfrentado dentro das igrejas: a violência de gênero que atravessa espaços de fé.

O Brasil é um país onde a religião ocupa lugar central na vida cotidiana e pode, sim, funcionar como rede de apoio, acolhendo e oferecendo suporte jurídico a mulheres em situação de violência doméstica. Porém, o mesmo ambiente pode se converter em barreira, quando é pedido para a mulher que ore e sustente a relação em nome indissolubilidade do casamento, em vez de romper o ciclo abusivo. Uma realidade tanto de comunidades evangélicas como católicas.

Os números da quinta edição do relatório Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil,  produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública/Datafolha de 2025, reforçam a urgência desse debate específico. Entre as brasileiras que se declaram evangélicas, 42,7% relataram ter sofrido violência por parceiro íntimo ou ex-parceiro ao longo da vida; entre as católicas, o índice é de 35,1%. O recorte religioso dialoga com outra informação relevante: a população evangélica atinge cerca de 26,9%, de acordo com o Censo 2022 do IBGE.

Dentro de certas comunidades, mulheres que tentam denunciar agressões esbarram em discursos teológicos que naturalizam o sofrimento feminino e demonizam a separação. É nessa hora que o Movimento Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG) se insere como espaço de acolhimento a partir de uma perspectiva de fé libertadora. “A violência de gênero e de raça/etnia, assim como a violência política e doméstica, perpassam ambientes religiosos com diversas nuances. Hoje sabemos que as mulheres evangélicas são as que mais sofrem violência doméstica no Brasil, sendo que, entre elas, as negras e residentes em periferias são as maiores vítimas”, afirma a teóloga e doutora em Ciências da Religião Lauana Flor, integrante do EIG.

“É possível entrelaçar debates e promover construções coletivas que dialoguem com vivências religiosas e espiritualidades diversas, para enfrentar as múltiplas formas de violência, inclusive as religiosas e espirituais, que atingem meninas, mulheres cis, travestis e mulheres trans”, analisa a teóloga, que ainda lembra sobre a importância da Área 44, do Ministério da Educação e Cultura (MEC), que trata de Teologia e Ciências da Religião, como espaço legítimo para falar sobre democracia, laicidade do Estado e experiências cotidianas.

A pastora e pesquisadora Lívia Carvalho, membra do EIG, reforça o dado do Fórum de Segurança Pública que aponta a religiosidade cristã como um ambiente onde “há inúmeros registros de violência contra a mulher” e defende políticas públicas que considerem a espiritualidade como parte da saúde integral feminina. “Acreditamos em um Cristo que traz justiça social e vida abundante, e na manifestação feminina de Deus na figura de Ruah, pois somos feitas à imagem do divino, com direito à dignidade, ao bem-viver e à restauração corporal”.

A atuação do EIG não se restringe à denúncia. Em junho, a organização iniciou uma série de três conferências intituladas Livres, com o objetivo discutir fé, democracia e políticas públicas de gênero que rompam o ciclo da violência dentro das igrejas. A organização pretende levar propostas à 5ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres e compor uma Plataforma Nacional das Mulheres. Antes mesmo da conclusão, integrantes do EIG levaram até a ministra do governo federal da Mulheres Márcia Lopes propostas debatidas no primeiro encontro. 


Foto: acervo/EIG

As próximas edições da conferência estão marcadas para os dias 26 de julho e 9 de agosto. “Nossa fé não nos cala, nos move. O Evangelho que seguimos é antirracista, acolhedor e comprometido com a justiça social”, declara a presidenta do EIG, a cientista da Religião Valéria Cristina Vilhena.

Para participar, inscreva-se pelo formulário https://forms.gle/oPc22qf52jvTXDqh8 e siga EIG @mulhereseig no Instagram


***
Imagem de capa: Tânia Rego/Agência Brasil

Evangélicas pela Igualdade de Gênero lança cartilha contra feminicídio em espaços cristãos e políticos

A Cartilha de Enfrentamento e Mobilização Nacional pelo Feminicídio Zero, uma iniciativa do grupo Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG), foi lançada em 13 de março, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Diante da relevância que os espaços religiosos e suas lideranças assumem na vida de milhões de brasileiras, a EIG contou com o apoio da Procuradoria Especial da Mulher e da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia. O documento é voltado às mulheres evangélicas e busca integrar esse segmento às políticas nacionais de proteção contra a violência de gênero. 

A violência de gênero é marcada por diversas manifestações, desde comentários e “brincadeiras” de cunho misógino a agressões físicas, como o feminicídio, como já foi mostrado pelo Bereia em outras produções. Dentre as mulheres vítimas desses ataques, muitas são evangélicas, como aponta um estudo conduzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Instituto Datafolha.  

Em conformidade com o documento lançado na Bahia, um estudo conduzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Instituto Datafolha apresentou, na edição mais recente do relatório Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil, que 47,4% das mulheres vítimas de violência grave em 2024 afirmaram não ter feito nada diante da agressão sofrida. 

Desse grupo, apenas seis em cada cem mulheres afirmaram ter buscado ajuda da igreja após um episódio grave de violência. Isto chamou a atenção dos pesquisadores, visto que 38 a cada cem mulheres entrevistadas e que passaram por alguma situação de violência ou agressão se declararam evangélicas. De acordo com o grupo de pesquisa, esse dado “remete à discussão sobre o papel dos espaços de fé na prevenção e acolhimento às mulheres em situação de violência doméstica”. 

Os dados do relatório mostram que ainda que o Brasil preserve sua laicidade, a população brasileira é majoritariamente cristã, sendo a religião evangélica a que mais cresce, reiterando a importância de refletir e problematizar a violência pelo prisma das categorias religião e gênero.

De acordo com a presidente da EIG Valéria Vilhena, já foi apontado em pesquisas que cerca de 43% das mulheres que prestavam queixa de violência doméstica se declaravam evangélicas. Segundo a coordenadora de projetos da EIG/Fundo Elas+, Bebel Lourenço, em estados como Espírito Santo, considerado o mais evangélico do Brasil, dados levantados com as secretarias de segurança pública apontaram que essa proporção chega a 67 a cada cem mulheres. A cartilha, portanto, busca oferecer suporte nos aparelhos públicos e nas igrejas locais, de modo que essas mulheres tenham informações adequadas e amparo técnico e espiritual na luta contra a violência doméstica e outras formas de agressão.

Na solenidade de lançamento da Cartilha Feminicídio Zero, Valéria Vilhena afirmou: “O Cristianismo, a religião cristã, pecou. Seu pecado trouxe consequências a toda a nossa sociedade. É nosso dever, enquanto cristãs e cristãos, estarmos aliados a todas as lutas pela dignificação e reparação, ou seja, pela dignidade da vida, que foi por séculos aviltada e continua até os dias de hoje.”

A pastora e psicóloga Silvana Alves, que contribuiu para a elaboração da cartilha e mobilizou igrejas locais na adesão ao serviço de acolhimento, reiterou a importância das igrejas na campanha. Para ela, as instituições religiosas são “um ator social de muita relevância e que tem como principal objetivo proclamar o evangelho de Jesus, baseado no ministério da reconciliação que gera vida”, devendo, assim, atuar na busca pela paz e esperança. 

Referências

Le Monde Diplomatique

https://diplomatique.org.br/violencia-domestica-e-prevalente-entre-evangelicas/  Acesso em 19 MAR 25

Fórum Brasileiro de Segurança Pública

https://publicacoes.forumseguranca.org.br/items/7c9f57aa-e7d6-4d96-8f11-768fe85a2084

Revista Cenarium

https://revistacenarium.com.br/imagina-tolerar-6-horas-sem-enforca-la-diz-senador-do-am-sobre-marina-silva/ Acesso em 18 MAR 25

Assembleia Legislativa da Bahia

https://www.al.ba.gov.br/midia-center/noticias/63830 Acesso em 18 MAR 25

Mulheres Evangélicas pela Igualdade de Gênero

https://www.mulhereseig.org.br/_files/ugd/3fddf7_388daea3bd074a8c85588f933c8a4a26.pdf Acesso em 19 MAR 25

Coletivo Bereia

https://coletivobereia.com.br/liberdade-de-expressao-a-brasileira-desinformacao-de-genero-e-a-ofensiva-as-mulheres/ Acesso em 19 MAR 25

**

Foto de capa: JulianaAndrade/AgênciaALBA

Apoie o Bereia!

Faça parte da comunidade que apoia o jornalismo independente