Empresária evangélica produtora de filme de Bolsonaro está sob nova investigação policial

A Polícia Federal (PF) executou, neste 10 de setembro, uma operação relacionada a irregularidades financeiras na produção do filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “Dark Horse”. Os alvos são a empresária evangélica Karina Ferreira da Gama e o deputado federal de identidade cristã Mário Frias (PL-SP). A investigação apura se recurso público enviado pelo parlamentar para atividades de um instituto educacional foi usado para financiar o filme, que tem Karina Gama como produtora. Frias teria atuado como roteirista e produtor-executivo da peça cinematográfica. 

Batizada de Operação Make Up, a ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF)  a partir de relatório do ministro Flávio Dino, com base em petição da Polícia Federal, a partir de investigações sobre ilegalidades em torno do envio de emendas parlamentares por deputados federais. A PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão contra 22 pessoas em três estados e no Distrito Federal, além de entidades presididas por Karina Gama, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

Empresária evangélica investigada

De acordo com a investigação da PF, a empresária é próxima de Mario Frias e trabalhou na campanha para elegê-lo a deputado federal pelo PL, em 2022. A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de irregularidades na destinação de emenda parlamentar de Frias, no valor R$ 2 milhões,  para atividades do ICB. 

A suspeita é de que os recursos públicos foram desviados para outras finalidades, como a produção da cinebiografia de Bolsonaro pela empresa Go Up, que tem Karina Gama como sócia.

Em maio de 2026, uma reportagem do Bereia já tratava de investigações em torno do caso. A matéria mostra que a empresária integra o chamado GT Cristão, um grupo criado para atuar na mobilização de segmentos religiosos em campanhas eleitorais paulistas. A apuração destacou a atuação da evangélica em uma rede que reunia lideranças evangélicas, agentes políticos, organizações do terceiro setor e projetos de comunicação alinhados à direita política.

Segundo áudios obtidos pelo The Intercept Brasil, a Go Up teria atuado como intermediária de milhões de dólares que o dono do Banco Master Daniel Vorcaro destinou à família Bolsonaro. Segundo os filhos do ex-presidente, os valores foram doados para  o filme-homenagem. Segundo dados levantados pelo veículo de notícias,  ao menos US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) teriam sido pagos por Vorcaro aos Bolsonaros em seis operações. A produtora nega ter recebido esses valores.

Polícia Federal suspeita de organização criminosa

Segundo a PF, as apurações revelam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, que teria desviado recursos para empresas subcontratadas de maneira irregular, sem a comprovação de que os serviços contratados foram, de fato, prestados. A polícia informou ainda que análises financeiras detectaram a movimentação de centenas de milhões de reais entre as empresas envolvidas no esquema sob investigação.

No relatório do STF, que autorizou a Operação Make Up, deste 10 de setembro, consta que a União Nacional das Igrejas e Pastores Evangélicos (Unigrejas) movimentou aproximadamente R$ 7,78 milhões entre outubro de 2025 e abril de 2026, valor considerado atípico pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Desse total, mais de R$ 1 milhão foi recebido por meio de depósitos realizados em diferentes regiões do país, incluindo cerca de R$ 928 mil em dinheiro vivo. Foi isto que chamou a atenção dos investigadores em torno do caso Dark Horse.

Entre os remetentes dos depósitos identificados está a empresária Karina Ferreira da Gama, produtora do filme e sócia do Instituto Conhecer Brasil (ICB), que transferiu R$ 50 mil a Unigrejas, somados a outros R$ 50 mil enviados pelo seu instituto, em um total de R$ 100 mil. Além dos recebimentos, o relatório do STF mostra que a própria Unigrejas repassou recursos a outras organizações religiosas. Foram R$ 157,8 mil para a Igreja Universal do Reino de Deus e R$ 150 mil para a Associação Nova Igreja Evangélica Holiness Shalom. Porém,  as igrejas mencionadas não são alvos das buscas autorizadas pela decisão, e a Polícia Federal segue apurando a natureza dessas movimentações dentro do inquérito mais amplo, que também investiga o Banco Master e outras entidades ligadas à produção do filme.

A investigação também classifica o deputado Mário Frias como “participante ativo da engrenagem financeira” do esquema. O relatório do STF aponta que o deputado retardou a prestação de informações sobre as emendas suspeitas. A operação policial apura crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Durante a ação da PF deste 10 de setembro, o parlamentar teve celular, computador e sete armas de fogo apreendidos pelos investigadores. Por  decisão do STF, o deputado está impedido de viajar para o exterior e de manter qualquer contato com os demais investigados no inquérito. As armas estavam registradas em nome do parlamentar, mas foram encontradas em endereço diferente do declarado, o que configura situação irregular.

Ator com passagens por diversas novelas na TV brasileira, Mario Frias estreou na política em 2020 como Secretário Especial da Cultura, nomeado pelo então presidente Jair Bolsonaro. Foi eleito deputado federal por São Paulo em 2022 e é candidato à reeleição no pleito deste ano. 

O deputado federal se identifica publicamente como cristão e conservador, adotando um discurso alinhado ao conservadorismo religioso em sua atuação pública. Embora circule amplamente tanto em meios católicos quanto evangélicos, o parlamentar não cita sua vinculação institucional, embora o site da Câmara dos Deputados o aponte como membro da Frente Parlamentar Católica Apostólica Romana.

Imagem: Reprodução/Facebook

Em maio de 2021, enquanto secretário especial da Cultura, participou de uma transmissão ao vivo sobre a Lei Rouanet e a cultura cristã, onde criticou artistas que captavam recursos pela lei de incentivo à cultura.

Imagem: Reprodução/Youtube

Referências

STF

https://conjur.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Decisao-PET-16669.pdf

Acesso em 10 set 2026

Câmara dos Deputados

https://www.camara.leg.br/internet/deputado/frenteDetalhe.asp?id=54326 Acesso em 10 set 2026

CNN Brasil

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/dark-horse-cgu-apura-irregularidade-em-repasse-de-r-2-milhoes/ Acesso em 10 set 2026

https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/caio-junqueira/politica/dark-horse-cnn-obtem-documento-em-que-produtora-relata-pressao-por-delacao/ Acesso em 10 set 2026

G1

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/10/karina-gama-quem-e-a-produtora-de-dark-horse-alvo-de-operacao-da-policia-federal-em-sp.ghtml Acesso em 10 set 2026

BBC News Brasil

https://www.bbc.com/portuguese/live/cqn4klxypp44t Acesso em 10 set 2026

O Globo

https://oglobo.globo.com/cultura/o-governo-federal-nao-tem-obrigacao-de-bancar-marmanjo-diz-mario-frias-em-live-sobre-arte-crista-25006859 Acesso em 10 set 2026

Notícias STF 

https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-autoriza-operacao-da-pf-sobre-destinacao-de-emendas-parlamentares-no-caso-dark-horse/  Acesso em 10 de set 2026

Investigações sobre produtora evangélica do filme de Bolsonaro avançam e indicam crimes graves

As investigações envolvendo a empresária evangélica Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção do filme Dark Horse, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro (PL), ganharam um novo capítulo com a operação realizada pela Polícia Civil de São Paulo, em 1º de junho passado. 

A ação apura suspeitas de irregularidades em contratos firmados entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização presidida por Karina Gama. Reportagens investigativas já apontaram conexões entre recursos públicos, emendas parlamentares e iniciativas vinculadas ao campo político em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em reportagem publicada em 22 de maio, Bereia abordou que Karina Gama integrava o chamado GT Cristão, grupo criado para atuar na mobilização de segmentos religiosos em campanhas eleitorais paulistas, e destacou sua atuação em uma rede que reunia lideranças evangélicas, agentes políticos, organizações do terceiro setor e projetos de comunicação alinhados ao campo conservador. 

A apuração do Bereia também levantou questionamentos sobre possíveis conexões entre recursos públicos, emendas parlamentares e a produtora Go Up, do filme Dark Horse. Com o avanço das investigações policiais e novas revelações da imprensa, o caso passa a lançar luz sobre uma estrutura mais ampla de relações entre religião, política, produção cultural e financiamento estatal.

Menos de duas semanas depois, novos fatos ampliaram a dimensão do caso. Uma operação da Polícia Civil de São Paulo passou a investigar o contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização presidida por Karina Gama, para a implantação de uma rede Wi-fi na periferia da capital paulista. Paralelamente, reportagens publicadas por diferentes veículos de imprensa revelaram a expansão da rede empresarial e associativa construída pela produtora nos últimos anos, bem como novas suspeitas envolvendo a movimentação de recursos públicos por entidades ligadas ao mesmo grupo.

Imagem: reprodução site ICL Notícias

Operação policial leva caso a novo patamar de gravidade

A operação realizada pela Polícia Civil paulista teve como foco contratos celebrados entre a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o Instituto Conhecer Brasil. A entidade foi contratada, srm concorrentes, para executar serviços de inclusão digital na capital paulista, em um acordo que movimentou R$ 108 milhões.  As investigações buscam apurar possíveis irregularidades na execução do contrato e na utilização dos recursos recebidos pela organização. 

A ação representa uma mudança importante no caso, que até então vinha sendo sustentado principalmente por denúncias e suspeitas em torno dos recursos públicos aplicados nos serviços que deveriam ter sido prestados. Isto porque a entidade presidida por Karina Gama não tinha nenhuma experiência prévia na área exigida no certame, nunca havia trabalhado com implantação e manutenção de redes Wi-fi ou serviços digitais em seu escopo. 

A repercussão política foi imediata. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a operação configuraria uma forma de perseguição política contra pessoas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também questionou a motivação da investigação e garantiu a idoneidade da empresária Karina Gama.

As declarações, entretanto, foram respondidas pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado político da família de Bolsonaro. Ao comentar o caso, Tarcísio defendeu a atuação da Polícia Civil e afirmou que a corporação tem autonomia para conduzir investigações, sem interferência do governo estadual.

A posição do governador chama atenção porque enfraquece a ideia de perseguição política apresentada por aliados do ex-presidente, uma vez que a investigação é conduzida por uma instituição subordinada ao governo paulista, aliado do clã Bolsonaro. 

Valores discrepantes

As investigações passaram a examinar os valores cobrados pelo Instituto Conhecer Brasil no programa WiFi Livre SP. Documentos da Polícia Civil apontam que a entidade cobrava pelo menos duas vezes mais por ponto de internet instalado do que os valores praticados pela Prodam, empresa de tecnologia da informação da própria Prefeitura de São Paulo. A diferença de preços tornou-se um dos principais elementos considerados pelos investigadores na apuração de possíveis irregularidades no contrato.

De acordo com a investigação, enquanto a Prodam operava pontos de acesso a custos significativamente menores, o contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil previa valores que chegavam a cerca de R$ 1,8 mil mensais por ponto de wi-fi. Os investigadores também apuram se houve pagamento por metas não cumpridas integralmente, já que apenas uma parte dos pontos previstos no contrato teria sido efetivamente instalada.

Relatórios citados pela investigação mencionam ainda pagamentos antecipados, inconsistências na prestação de contas, com notas fiscais frias, e questionamentos sobre a execução do programa. Esses elementos passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pela Polícia Civil, pelo Ministério Público e por órgãos de controle.

Crescimento empresarial após aproximação com o deputado federal Mário Frias (PL)

Reportagens publicadas pela imprensa acrescentam novos elementos à trajetória da empresária Karina Gama.

Segundo os levantamentos, a empresária ampliou significativamente seus negócios após se aproximar do deputado federal Mário Frias (PL-SP), que foi secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro, em 2020. A partir desse período, Karina Gama passou a ocupar posição de destaque em uma rede de empresas, institutos e organizações sociais que expandiu sua atuação em diferentes áreas, incluindo produção audiovisual, comunicação, cultura, tecnologia e projetos financiados por recursos públicos, incluídas emendas parlamentares. 

As relações políticas da empresária evangélica se ampliaram para contratos na área de educação com o governo do Distrito Federal, sob a gestão de Ibaneis Rocha (MDB). Karina Gama recebeu cerca de R$ 5 milhões do DF para capacitação de professores. 

O que inicialmente aparecia como uma produtora envolvida apenas com a realização do filme Dark Horse, passou a revelar uma estrutura muito mais abrangente. Foi descoberta uma rede composta por empresas privadas e organizações do terceiro setor que compartilham dirigentes, parceiros e projetos, formando um ecossistema institucional que cresceu paralelamente à aproximação da empresária com agentes políticos ligados ao bolsonarismo.

Nesse contexto, o Instituto Conhecer Brasil tornou-se uma das principais peças dessa engrenagem. A entidade passou a captar contratos públicos de grande porte e a ocupar posição estratégica dentro da rede de organizações vinculadas à empresária.

As novas informações ampliam o escopo das investigações porque deslocam o foco de um único produto audiovisual para um conjunto de relações envolvendo organizações sociais, empresas, agentes políticos e recursos públicos.

Roubo de dados de usuários

Outra denúncia que amplia o alcance do caso foi publicada em 2 de junho, pelo Intercept Brasil. O site de notícias revelou que o Instituto Conhecer Brasil teria cedido dados de usuários da rede pública que administrava para a Prefeitura de São Paulo, para disparos em massa de mensagens, inclusive com potencial uso eleitoral.

Segundo a reportagem, a organização de Karina Gama contratou a empresa Talk Communications por cerca de R$ 2,7 milhões para 12 campanhas de marketing digital, num total estimado de 8,1 milhões de mensagens. O uso desses dados, obtidos no acesso à rede pública, pode contrariar a LGPD, o edital da licitação e a legislação eleitoral, já que o contrato estava em vigor durante a eleição de 2024.

O site também informa que o próprio contrato com a Talk previa o fornecimento, pelo Instituto Conhecer Brasil, dos contatos dos usuários do Wi-Fi, o que, na prática, significaria a existência de uma base massiva de números de celular de pessoas que se conectaram ao serviço público. O Intercept reporta ter encontrado extratos bancários que apontam ao menos R$ 798 mil transferidos pela ONG à empresa terceirizada. A reportagem destaca que, em nenhum momento, o usuário foi informado ou consultado para consentimento sobre o uso desses dados em campanhas promocionais. Isto, segundo especialistas ouvidos pelo veículo de notícias, torna a prática uma dupla violação das regras do edital e da proteção de dados.

Imagem: Reprodução Intercept

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As novas revelações ampliam o alcance das questões já apontadas por Bereia em maio. O que inicialmente envolvia possíveis conexões entre a produção do filme Dark Horse e o acesso suspeito a grande volume de  recursos públicos passou a abranger suspeitas sobre contratos milionários. Além deles houve movimentações financeiras entre organizações vinculadas ao mesmo grupo, a execução de serviços públicos e o uso de dados de cidadãos cadastrados em programas financiados pelo Estado.

Embora as investigações ainda estejam em curso, os elementos reunidos até o momento indicam a necessidade de acompanhamento permanente sobre a atuação de organizações da sociedade civil  que recebem recursos públicos e mantêm relações com agentes políticos. O avanço das apurações deverá esclarecer a extensão dessas conexões e a regularidade dos contratos e práticas agora sob investigação.

Para o Bereia, acompanhar essas conexões é parte do compromisso de observar criticamente os usos políticos da religião e seus impactos sobre a esfera pública, especialmente quando recursos públicos e interesses eleitorais passam a se cruzar em uma mesma rede de relações e na promoção da desinformação.

Referências Bibliográficas

Bereia

https://coletivobereia.com.br/produtora-que-integra-gt-cristao-para-campanhas-politicas-em-sp-pode-ter-articulado-verbas-publicas-indiretas-ao-filme-de-bolsonaro/ – Acesso em 2 Jun 26

ICL Notícias

https://iclnoticias.com.br/produtora-dark-horse-expandiu-apos-mario-frias/ – Acesso em 2 Jun 26

Folha de S.Paulo

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/dona-de-produtora-do-dark-horse-expandiu-negocios-depois-de-conhecer-mario-frias.shtml – Acesso em 2 Jun 26

Metrópoles

https://www.metropoles.com/minas-gerais/flavio-bolsonaro-se-manifesta-sobre-operacao-contra-produtora-de-dark-horse – Acesso em 2 Jun 26

O Globo

https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/02/tarcisio-defende-operacao-que-mirou-contrato-de-produtora-de-dark-horse-com-gestao-nunes-a-policia-tem-autonomia.ghtml – Acesso em 2 Jun 26

Estadão

https://www.estadao.com.br/politica/ong-ligada-a-dark-horse-repassou-r-13-milhao-da-prefeitura-de-sp-a-dirigente-da-propria-entidade/ – Acesso em 2 Jun 26

UOL

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/06/02/contrato-educacao-df-icb.ghtm – Acesso em 2 Jun 26

G1

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/06/02/investigacao-aponta-que-contrato-do-wifi-livre-sp-com-ong-cobrava-pelo-menos-duas-vezes-mais-por-ponto-de-internet-do-que-a-prodam.ghtml – Acesso em 2 Jun 26

The Intercept

https://www.intercept.com.br/2026/06/02/ong-produtora-dark-horse-dados-usuarios-wi-fi-livre-sp-disparos-massa/?utm_source=terra_capa&utm_medium=referral – Acesso em 2 Jun 26