Vídeo de Michelle Bolsonaro agita debate político nas redes e provoca publicações desinformativas sobre símbolos religiosos

O vídeo publicado por Michelle Bolsonaro (PL) em seus perfis de mídias sociais no último dia 24 de junho, gerou grande repercussão na imprensa e no cenário político brasileiro. No discurso, a ex-primeira-dama, presidente do PL Mulher, braço feminino do Partido Liberal (PL), expõe divisões na campanha eleitoral no interior da agremiação e na família de Jair Bolsonaro. 

No vídeo, Michelle Bolsonaro revela que foi desrespeitada e maltratada pelo enteado, o senador, pré-candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Imagem: Reprodução/Instagram

O principal motivo da desavença teria sido o estabelecimento da aliança do partido com Ciro Gomes (PSDB), no final de 2025, para o governo do estado do Ceará. A ex-primeira dama considera o político cearense o principal responsável pela inelegibilidade do ex-presidente e havia manifestado publicamente, à época, discordância com a estratégia do partido. Por conta disto, ela foi repreendida por suas declarações, com os filhos do ex-presidente (Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro), com quem a madrasta já tem histórica incompatibilidade, e por líderes do PL. Desde então, ela teve suas ações restringidas aos cuidados com o marido, que cumpre pena em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.    

No vídeo publicado em 24 de junho passado, Michelle Bolsonaro se justifica: “Não é questão de política, é questão de coerência. Ciro Gomes foi o principal responsável pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido. Durante a pandemia, numa live com outros esquerdistas, ele incentivou e conclamou as pessoas a chamarem o meu marido de genocida e pediu que repetissem isso o tempo todo”. 

No longo discurso proferido, nas duas partes em vídeo, com um total de quase 30 minutos, a presidente do PL Mulher ainda se queixa de não ter tido suas indicações de mulheres do partido para candidaturas ao Senado consideradas, inclusive no próprio estado do Ceará. 

Além do teor do pronunciamento, com a nítida exposição do atrito entre a ex-primeira-dama, Flávio Bolsonaro e lideranças do PL, foram elementos decorativos do cenário do vídeo cuidadosamente gravado que chamaram a atenção do público. Entre eles, o gesto de mão foi o mais comentado. No noticiário e em comentários nas mídias sociais foram identificados muitos registros que colocaram dúvida sobre o que a escultura representaria ou que especularam ser um símbolo religioso. 

Imagem: Reprodução/X

Imagem: Reprodução/Instagram

Imagem: Extrato do programa matinal Desperta ICL. Youtube, 25 jun 2026

Mídias como Folha de S. Paulo, Congresso em Foco e G1 publicaram análises sobre o significado dos objetos presentes no cenário e como cada um se comunica com o público. De modo geral, as análises destacam o reforço da identidade religiosa, autoridade e protagonismo de Michelle Bolsonaro diante do contexto conflituoso em seu núcleo familiar e político.

Bereia verificou o significado dos elementos visuais que provocaram desinformação nas redes por excesso nas abordagens especulativas ou por falta de compreensão do que são, de fato, símbolos religiosos.

Símbolo satânico e rosário em meio a discurso religioso evangélico? 

O discurso político de Michelle Bolsonaro foi permeado por diversas expressões religiosas. Com linguagem que caracteriza  a identidade dela como mulher evangélica, permanentemente autodeclarada, termos como  “missão que só Deus tira”, “liberar perdão”, “prestar contas ao meu Deus”, “meu Deus é o caminho, a verdade e a vida” (referência a texto do Evangelho de João, na Bíblia), “Deus abençoe” (na despedida), foram enfaticamente pronunciados. 

Evangélica, a ex-primeira-dama desempenhou um importante papel de aproximar o marido do público evangélico tanto nas eleições de 2018, em que ele foi vitorioso, quanto na tentativa de reeleição de 2022. Michelle Bolsonaro é membro da Igreja Batista Atitude, no Rio de Janeiro, onde atuava com tradução de Libras para a inclusão de pessoas surdas nas atividades religiosas. 

Com base neste contexto, Bereia indica que não é possível atribuir a símbolos utilizados pela presidente do PL Mulher para dar força visual ao pronunciamento, um caráter religioso que não seja a identidade cristã evangélica.

Sobre a mesa, ao lado de Michelle Bolsonaro, há um livro que apoia alguns elementos: uma Estrela de Davi e um adereço de contas. Há também uma escultura no formato de mão direita com os dedos médio e anelar fechados, e os dedos polegar, indicador e mínimo erguidos. A presidente do PL mulher também está vestida com uma camisa decorada com linguagem religiosa.

A escultura com gesto de mão direita

O gesto representado pela escultura é o sinal de “Eu te Amo/I Love You” da Língua Brasileira de Sinais (Libras), usado para demonstração de afeto por surdos do Brasil e de outros países. Michelle Bolsonaro é intérprete de Libras e a mensagem da  com a tradução “Eu te amo” na linguagem de sinais está sempre presente em fotos e  gravações em vídeo de Michelle Bolsonaro publicadas em seus perfis de mídias sociais. A escultura também já foi utilizada em outras gravações.

Reprodução/Instagram

O uso da língua de sinais e a defesa de pautas da comunidade surda marcou a atuação da ex-primeira-dama durante o mandato de Jair Bolsonaro. Na posse de Bolsonaro como presidente da República, em janeiro de 2019, ela chamou a atenção na cena pública quando traduziu o discurso proferido pelo marido para Libras.

A  presença da escultura no cenário do vídeo-crítico a Flávio Bolsonaro e a lideranças do PL, ao lado da imagem de tradutores do discurso para Libras, cria laços com o público com deficiência e reforça a imagem do engajamento da presidente do PL Mulher com a inclusão de pessoas com deficiência. O gesto amplifica a identificação também com o serviço que igrejas evangélicas dedicam a esta população, de onde se origina o compromisso exposto por ela..

Reprodução/Instagram

A Estrela de Davi

A estrela de Davi é um dos mais conhecidos símbolos do Judaísmo e é frequentemente usada por segmentos evangélicos que adotam práticas e elementos judaizantes. Soma-se a este símbolo, o apego maior à leitura do Antigo Testamento, onde estão os relatos e ensinamentos religiosos do Israel bíblico, o uso da bandeira de Israel, da menorah (candelabro) e da arca da aliança para decorar igrejas. Estas são algumas características do que estudiosos da religião chamam de “sionismo cristão”, que também é configurado pela defesa incondicional do atual Estado de Israel e seus governantes, interpretado como continuação do Israel representado na Bíblia.

Imagem: reprodução/Instagram

Michelle Bolsonaro é formada e vinculada à vertente evangélica que tem o sionismo cristão como base teológica. Nas eleições de 2022, quando ganhou mais destaque como cabo eleitoral do marido, Michelle Bolsonaro foi às urnas vestindo uma camisa estampada com a bandeira de Israel e fez menção ao país em uma publicação nas mídias sociais: “Que as bênçãos do nosso Deus estejam sobre o Brasil e sobre Israel. Deus, Pátria, Família, Liberdade”.

No mês seguinte, ela publicou a foto de um candelabro usado na festa judaica do Hanukkah, ao lado de uma Bíblia, com as bandeiras do Brasil e de Israel ao fundo. Na legenda, Michelle explica a simbologia da celebração e usa uma frase em hebraico.

Reprodução/Instagram

A presença da estrela de Davi na mesa de onde parte o pronunciamento da presidente do PL Mulher se torna mensagem sobre a vertente evangélica que a orienta e do estabelecimento de sintonia com a parcela de fiéis que cultiva o imaginário do Israel bíblico representado pelo Estado de Israel.

Os termos estampados na camisa

Outro elemento que dialoga com o público evangélico está na camisa usada por Michelle Bolsonaro, que tem estampadas as palavras “alegria”, “amor”, “domínio próprio”, “mansidão” e “paz”. Os termos estão presentes no texto bíblico do capítulo cinco do livro de Gálatas, onde são apresentados como fruto do Espírito (num todo) pelo apóstolo Paulo, redator da carta enviada aos cristãos na Galácia (Grécia).

Desse modo, a comunicação com grupos cristãos não acontece só por meio da estrela de Davi, que representa a fé no Deus representado pelo Antigo Testamento e um conjunto de valores conservadores, inclusive políticos, relacionados ao sionismo cristão, no apoio às ações do Estado de Israel no presente. Bereia identifica nesta checagem que “vestir” as características citadas na Bíblia como resultado da ação divina comunica credibilidade e autoridade em representar a fé.

Reprodução/Youtube

O colar de contas

Católicos tradicionalistas fazem suas orações portando um terço ou um rosário; hindus e budistas e outros fiéis de religiões orientais usam a jampala como objeto concreto para meditação e foco sem restrição de crença. Bereia afirma que uma fiel evangélica não faria uso público de rosários ou jampalas sob o risco de ser classificada como traidora da fé ou idólatra. A fé evangélica é historicamente rechaçadora de simbologias visuais, com aberturas mais recentes, em espaços pentecostalizados, para objetos que são abençoados (até mesmo adquiridos por meio de compra) e para a decoração com símbolos do judaísmo, como citado acima. Portanto, seguramente, não se pode afirmar que Michelle Bolsonaro lançou mão de objetos de cunho religioso de outras fés que não a evangélica, no vídeo publicado em 24 de junho, que tratou de denúncia sensível e amplamente ancorada em linguagem religiosa evangélica.

É fato que Bereia já checou que Michelle Bolsonaro e outras lideranças do PL receberam um Pai de santo e outros líderes não cristãos no carro de som de um ato por perdão judicial a participantes dos ataques ao processo eleitoral de 2022. Este fato, porém, não pode ser usado como referência para posturas da presidente do PL Mulher em relação a outras religiões, uma vez que foi uma ação voltada para uma pauta específica.

Uma pesquisa sobre a imagem do colar que está no vídeo mostrou que ele pode ser um colar de mesa, um tipo de objeto decorativo, comumente feito de forma artesanal, que é composto por contas, pedras, sementes ou fibras amarradas a um fio. A busca por imagens correspondentes mostra objetos semelhantes em sites de vendas e decoração. Esses colares podem ser usados para adornar mesas de jantar, de canto ou de centro, sem significado para além disso, o que provavelmente se refere ao que se verifica no vídeo. 

Diploma Russell Philip Shedd

A parede por trás da figura de Michelle Bolsonaro está repleta de diplomas, certificados e medalhas. Esta prática é muito comum quando pessoas buscam  reconhecimento, credenciamento de uma certa autoridade e reforço na trajetória pessoal. Chama a atenção o quadro de um certificado com a imagem de um senhor empunhando a Bíblia, acima do ombro esquerdo da ex-primeira dama. É a imagem do teólogo batista Russel Shedd. 

O quadro expõe o Diploma Russell Philip Shedd, honraria criada por lei, em 2022, pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). De autoria do deputado Leo Vieira (Republicanos) a homenagem é destinada a personalidades e instituições que contribuem com o crescimento, a divulgação e a promoção do cristianismo no Estado do Rio de Janeiro. 

Imagem: reprodução

Russel Shedd é uma figura popular entre evangélicos de formação conservadora e tradicionalista. Filho de missionários dos Estados Unidos que atuaram em diferentes países da América Latina, nasceu na Bolívia, tornou-se doutor em Teologia e veio para o Brasil como missionário nos anos 1960 pela Missão Batista Conservadora no Sul do Brasil. Entre suas muitas atividades como pastor e professor, fundou uma das mais destacadas editoras evangélicas do Brasil, as Edições Vida Nova, que tem entre as publicações mais populares a Bíblia Russel Shedd. O teólogo que se tornou conhecido por ser moderado, piedoso, incentivador do evangelismo, evitando temas polêmicos, faleceu em 2016.

Em 2025, a Alerj  aprovou a concessão do Diploma Russel Shedd para Michelle Bolsonaro por proposta da deputada estadual Índia Armelau (PL). Bereia avalia que o destaque a esta honraria, com uma imagem de Shedd em evidência no vídeo, é o registro do credenciamento que ela alega ter para a missão política que advoga conduzir no PL.

Referências

Bereia

https://coletivobereia.com.br/o-que-e-o-sionismo-cristao-e-por-que-ele-e-usado-politicamente-no-brasil/ Acesso em 25 jun 2026

Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis)

https://feneis.org.br/nota-de-esclarecimento-sobre-o-sinal-de-i-love-you-em-lingua-de-sinais/ Acesso em 25 jun 2026

Casa e Jardim

https://revistacasaejardim.globo.com/decoracao/noticia/2024/06/colar-de-mesa-aprenda-como-usa-lo-na-decoracao-de-casa.ghtml Acesso em 25 jun 2026

Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-11/por-unanimidade-stf-mantem-condenacao-de-bolsonaro-e-aliados Acesso em 25 jun 2026

Instagram

https://www.instagram.com/p/C0fCMKeJiXk/?hl=pt-br Acesso em 25 jun 2026

https://www.instagram.com/michellebolsonaro/reel/DGEOAJnStUX/?hl=pt-br Acesso em 25 jun 2026

https://www.instagram.com/partidoliberalmulher/reel/DLbBHcrO-Ym/?hl=pt-br Acesso em 25 jun 2026

https://www.instagram.com/p/DZ-xJsEhjnR/?hl=pt-br Acesso em 25 jun 2026

https://www.instagram.com/p/DZ-0K8dBs3L/?hl=pt-br Acesso em 25 jun 2026

Facebook

https://www.facebook.com/watch/?v=690657860561512 Acesso em 25 jun 2026

Folha de São Paulo

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/producao-e-simbolos-em-video-de-michelle-bolsonaro-sobre-flavio-reforcam-identidade-religiosa-entenda.shtml Acesso em 26 jun 2026

G1

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/06/25/video-michelle-bolsonaro-cenario.ghtml Acesso em 26 jun 2026

Congresso Em Foco

https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/119994/os-simbolos-por-tras-do-video-de-michelle-fe-autoridade-e-politica Acesso em 26 jun 2026

UOL

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2025/05/23/michelle-bolsonaro-sera-homenageada-na-assembleia-do-rio-por-promover-valores-cristaos.htm Acesso em 26 jun 2026

Alerj 

https://www.alerj.rj.gov.br/Visualizar/Noticia/53947 Acesso em 26 jun 2026

https://www3.alerj.rj.gov.br/lotus_notes/default.asp?id=144&URL=L3NjcHJvMTkyMy5uc2YvMGM1YmY1Y2RlOTU2MDFmOTAzMjU2Y2FhMDAyMzEzMWIvMWM1MDFkMzA5YTU0YmRlZjAzMjU4ODMwMDA0YjhhMTk/T3BlbkRvY3VtZW50JkhpZ2hsaWdodD0wLDIwMjIwNTAxMTY3&amp Acesso em 26 jun 2026

Sites religiosos desinformam sobre protestos pró-Palestina em universidades

Os protestos de estudantes que começaram em universidades americanas e se espalham por outras instituições ao redor do mundo, inclusive no Brasil, têm gerado uma onda de notícias enganosas que se alastram tanto nos Estados Unidos quanto em solo brasileiro. Sites evangélicos como Pleno.News, Gazeta do Povo e Gospel Mais classificam os protestos como antissemitas e denunciam suposta ameaça aos judeus que frequentam as universidades em questão. 

O portal evangélico Pleno.News publicou, em 8 de maio, matéria apontando o acampamento de estudantes da USP como “anti-Israel”, já o Gospel Mais repercutiu as falas do Pr. Jack Graham, da Igreja Batista Prestonwood, na cidade de Plano, no Texas (EUA). O pastor acredita que os protestos contra os ataques israelenses fazem parte de uma “batalha espiritual” contra o povo de Deus e que “Satanás odeia o que Deus ama”. Os veículos criticam a ação dos universitários e classificam como uma ameaça aos judeus que estudam ou trabalham nessas instituições. 

De igual modo, o jornal Gazeta do Povo publicou, em 4 de maio, editorial que critica duramente os universitários, alegando um suposto “ódio aos judeus”. No mesmo texto, há relatos de ataque a judeus, exaltação ao terrorismo e crimes de ódios, entretanto sem detalhes que comprovem a denúncia. 

Imagem: Reprodução/Pleno.News

Imagem: Reprodução/Gospel Mais

Imagem: Reprodução/Gazeta do Povo

A disseminação de que os movimentos pró-Palestina são antissemitas é uma construção traduzida no posicionamento de parte de líderes políticos e religiosos brasileiros, que mostram como existe uma visão sionista de parcela da comunidade cristã brasileira, algo que se estruturou nos útlimos anos, conforme Bereia já abordou. Figuras públicas como a deputada federal Carla Zambelli e o Influenciador Guilherme Kitler repercutem e reforçam esses posicionamentos, ao apoiarem as medidas tomadas pelo governo estadunidense em relação aos protestos e declarar a existência de ritos islâmicos entre os estudantes.

Imagem: Reprodução Instagram

Imagem: Reprodução/Instagram

Desde o início do conflito, a Liga Anti-Difamação (ADL, na sigla em inglês) tem sido fonte sobre aumento do número de denúncias de supostos casos de antissemitismo em todo o mundo. O material apresentado pela organização em janeiro aponta que os casos de antissemitismo aumentaram quase 400% nos EUA, contudo os dados apresentados são usados como forma de reprimir os protestos e movimentos pró-Palestina, no que é um modus operandi da ADL. 

Cristãos que se manifestaram pró-Palestina e contra o sionismo

Em contrapartida a essa parcela da população, nos Estados Unidos e ao redor do globo, que acredita que os movimentos em favor da Palestina são antissemitas e anti-sionistas, como mostram os textos publicados nos sites supracitados e as publicações nas mídias sociais, outras instituições religiosas defendem e apoiam os movimentos. As instituições americanas United Methodist Church (UMC), United Church of Christ, Conference of Bishops of the Evangelical Lutheran Church in America (ELCA) e Presbyterian Church (U.S.A.)’s Office of Public Witness não só declararam apoio aos movimentos, mas criticaram o governo israelense e exigiram dos Estados Unidos o desinvestimento na guerra, um cessar fogo e auxílio para as pessoas que estão em condições precárias na Palestina. 

Algumas das ações realizadas pelas organizações citadas repercutiram na mídia. O Escritório de Testemunhas da Igreja Presbiteriana enviou, em conjunto com outras cem instituições, uma carta ao presidente Biden na qual pedem que o governo aprove o restabelecimento do financiamento à Agência de Assistência e Obras das Nações Unidas, organização que realiza serviços sociais para refugiados palestinos. Membros da Igreja Metodista Unida se uniram aos estudantes em protesto pela Palestina e bispos da Igreja Evangélica Luterana na América enviaram ao presidente estadunidense uma carta em que pedem pelo cessar fogo em Gaza.

Imagem: Reprodução United Methodist Church (UMC)

Imagem: reprodução Presbyterian Church (U.S.A.)’s Office of Public Witness

Imagem: Reprodução Conference of Bishops of the Evangelical Lutheran Church in America (ELCA)

Bereia ouviu o professor e atual coordenador do departamento de história e estudos ecumênicos do Princeton Theological Seminary (Seminário Teológico de Princeton), em Nova Jersey, Dr. Raimundo César Barreto, Jr. que tem apoiado os estudantes acampados na Universidade de Princeton nos protestos. “O acampamento de solidariedade à Palestina está acontecendo na universidade, mas conta com a participação de estudantes do seminário. Dentre os estudantes que foram injustamente banidos do campus (de Princeton), dois eram do seminário. Um chegou a ser preso”, conta o professor que participa de um grupo de docentes que apoia as manifestações. 

“Professores também têm se organizado nas diversas universidades para apoiar os estudantes. (Aqui), um grupo de Professores pela Justiça na Palestina (do qual eu e mais dois colegas do seminário também fazemos parte) foi formado. Este grupo vem se reunindo regularmente e participando dos eventos em apoio aos estudantes”, relata Dr. Barreto.

“O movimento é completamente liderado e organizado por estudantes, de caráter não violento, na tradição de outros movimentos anti-guerra e mesmo do movimento pelos direitos civis dos anos 60”, afirma o professor. Ele ressalta ainda que apesar do caráter pacífico das manifestações, a resposta da universidade foi violenta desde o início, com a polícia do campus impedindo a colocação de tendas no acampamento e prendendo dois estudantes nos primeiros 15 minutos do acampamento. 

Barreto acrescenta que “Desde os protestos contra a Guerra no Vietnã, passando pelas manifestações contra o apartheid na África do Sul, a indiferença e dureza encontrada na administração do atual presidente da universidade Christopher L. Eisgruber levou um grupo de estudantes a iniciar uma greve de fome, na tentativa de provocar um diálogo. Apesar da comoção na comunidade, Eisgruber continua resistindo ao diálogo”, lamenta.  

Relação Israel-EUA é motor dos protestos

Para o professor do Princeton Theological Seminary, a resposta de Israel aos ataques do Hamas no dia 7 de outubro foram desproporcionais, ultrapassando em muito o que possa ser considerado um legítimo direito de defesa do Estado de Israel. “Em menos de dois meses de ação militar em Gaza, quase 16.000 palestinos, muitos dos quais crianças e até bebês recém-nascidos tinham sido mortos, 41.000 feridos e a destruição completa de 60% das casas na Faixa de Gaza”. Além disso, continua Barreto, “toda a população de Gaza foi afetada pela falta de água, energia elétrica, e acesso à ajuda humanitária. Tal resposta, não por acaso, foi compreendida como uma política genocida. Estes números foram quase triplicados nos últimos meses”. 

O pastor explica ainda que o apoio financeiro e político dos EUA ao governo israelense tem sido questionado pelos universitários. “Foi esta cumplicidade dos EUA com o massacre da população palestina em Gaza que reativou um movimento já existente no país e em muitas universidades. Os estudantes pedem não apenas o cessar-fogo imediato em Gaza, mas o desinvestimento de suas universidades, ou de qualquer companhia que apoie ou financie (se beneficie) os atos genocidas do Estado de Israel, além de transparência nos investimentos”, alega.  Segundo o professor, algumas universidades e seminários, inclusive o Union Theological Seminary, em Nova Iorque, têm respondido a estas demandas de forma positiva, adotando um compromisso com o desinvestimento. “As universidades de Princeton, Columbia, Harvard e Emory, entre outras, no entanto, adotaram uma resposta dura, com uso da força policial para intimidar os estudantes ou desmantelar os acampamentos, se negando a sequer se sentar com os estudantes para negociar suas demandas”.

Não-violência e multi-etnicidade

O pastor brasileiro radicado nos EUA afirma que tem testemunhado diariamente o compromisso dos estudantes com a ação não-violenta. “Mesmo quando são provocados por grupos de israelitas sionistas que têm sido muito agressivos no contra-protesto, querendo provocar confrontos, ou mesmo diante da violência e provocação por parte de seguranças e policiais. A imprensa tem se calado sobre a participação de muitos estudantes judeus no movimento e do convívio harmonioso entre islâmicos, judeus, cristãos e sem religião nos acampamentos, que inclui o máximo respeito aos atos de devoção de cada grupo”, garante.  

Barreto finaliza exaltando os estudantes que são de origem diversa como Oriente Médio, Índia, México, afro-americana, entre outras “É um despertar para uma injustiça sistêmica que se tornou inaceitável. Um movimento demandando um basta à cumplicidade dos EUA, que sustentam esta violência sistêmica com doações anuais de bilhões de dólares, e das universidades que investem em companhias que têm sangue em suas mãos. Mesmo os estudantes que foram presos, fichados na polícia, criminalizados, não tem se deixado intimidar, demonstrando uma determinação de continuar na luta, mesmo numa situação de tremenda desvantagem”.

Como tudo começou?

No dia 7 de outubro de 2023 o mundo presenciou o ataque que causaria o início do atual conflito. Classificado por diversas autoridades públicas como um ataque terrorista, realizado pelo partido político palestino Hamas (Movimento de Resistência Política). Entretanto, o grupo não é reconhecido como terrorista pela Organização das Nações Unidas). O acontecimento marcou o início de uma guerra na qual Israel está respondendo com uso de força considerada desproporcional pelas autoridades públicas. Bereia checou estes dados. 

O Hamas, por sua vez, alega que os ataques se restringiram a alvos militares. em entrevista ao jornal Correio Braziliense, o Chefe do Departamento Político em Gaza e membro do Comitê Político do Hamas Basem Naim disse que os alvos do grupo eram complexos militares e soldados. “Nós evitamos civis, mulheres, crianças e homens. Ao mesmo tempo, temos dito que estamos prontos para receber qualquer comitê de investigação da ONU ou internacional, a fim de apurar o que ocorreu em 7 de outubro”, assegurou.  

Naim garante que cerca de 70% dos palestinos ainda apoiam a resistência, apesar da agressão e da destruição. “A popularidade do Hamas aumentou depois de 7 de outubro. O Hamas é parte do tecido social e político palestino”, explicou o líder que ocupou o posto de ministro da Saúde entre 2007 e 2012”. 

Desde o início do conflito, o ataque de Israel na Faixa de Gaza foi tão intenso a ponto da guerra ser considerada a mais mortal da história da Palestina desde 2015. Esse posicionamento ofensivo atrelado ao apoio financeiro que Israel recebe por parte dos Estados Unidos foi criticado por autoridades políticas e sociais, inclusive por membros do governo estadunidense, o que culminou para o início dos protestos pró-Palestina em universidades estadunidenses, além do  posicionamento de organizações religiosas a favor do movimento. 

O que está acontecendo nos protestos pró-Palestina nas universidades?

Nos Estados Unidos as tensões se agravaram após a reitora da Universidade de Columbia, Nemat Minouche Shafik, reprimir os protestos que se iniciavam no dia 18 de abril. Após a fala da reitora, os protestos se espalharam por diversos outros campi nos EUA, como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, na Universidade do Texas, na Universidade de Michigan e na Universidade da Califórnia. Os manifestantes exigem que as universidades cortem laços com Israel.

Após a repercussão das manifestações, o presidente estadunidense, Joe Biden, afirmou que a liberdade de expressão e o direito de protestar são válidos, mas condenou a violência e o vandalismo, além de afirmar que os movimentos seriam antissemitas. Contudo os protestos seguem, o número de manifestantes presos já ultrapassa 2 mil e o apoio a eles cresce ao redor do mundo: nos últimos dias foram observados protestos no Reino Unido, França, Índia, Canadá e Brasil. 

No Brasil estudantes organizados pelo Comitê de Estudantes em Solidariedade ao Povo Palestino ocuparam os prédios de História e Geografia da Universidade Estadual de São Paulo (USP). Os manifestantes exigem que a universidade corte relações com as universidades israelenses parceiras, além de mobilizarem um abaixo-assinado para que outras universidades do país realizem as mesmas reivindicações.

Imagem: Reprodução/G1

Contraponto

Apesar do apelo midiático que define os movimentos como antissemitas, estudiosos afirmam que não existem manifestações de ódio entre os estudantes. O professor de História Europeia e Estudos Alemães na Universidade Brown nos EUA Omer Bartov contou em entrevista ao jornal Democracy Now que esteve presente nas manifestações na Universidade da Pensilvânia. 

Bartov, que é israelense, diz ter observado jovens estadunidenses, judeus e árabes pedindo por justiça em um clima agradável, sem violência ou discursos de ódio. “Não houve absolutamente nenhum som – nenhum sinal de qualquer violência, de qualquer anti-semitismo. Havia estudantes judeus lá. Havia estudantes árabes lá. Havia todos os tipos de jovens lá. E a atmosfera era muito boa”, conta o professor. “os numerosos governos sob o comando de Benjamin Netanyahu têm promovido esta agenda argumentando que qualquer crítica às políticas israelitas, às políticas de ocupação israelitas, como antissemita”

Omer Bartov aponta ainda que ouviu entrevistas de estudantes judeus que dizem se sentir ameaçados, mas ele coloca em discussão como não há questões ameaçadoras no ato dos estudantes se oporem à ocupação e opressão causada por Israel. De acordo com o professor, estes estudantes sentem medo, porque aprenderam a se sentir assim diante da bandeira palestina ou de símbolos que representam os muçulmanos. 

“Tenho ouvido algumas entrevistas com estudantes judeus que se sentem ameaçados, parece-me que muitos deles se sentem ameaçados porque veem uma bandeira palestina, porque ouvem pessoas clamando pela intifada. ‘Intifada’ significa ‘sacudir’, sacudir para se livrar da ocupação. Mas não há nada de ameaçador em opor-se à ocupação e à opressão. Isso não é antissemitismo, da mesma forma ser anti-sionista não é ser antissemita”.

Imagem: Reprodução/Democracy Now

Durante a entrevista o professor aborda um pouco sobre o direito que os estudantes têm de se manifestar enquanto cidadãos. Os protestos pelo fim do ataque de Israel ecoam os movimentos que marcaram a história dos EUA nos anos 1960, quando os estudantes estadunidenses se uniram pelo fim da Guerra do Vietnã. Apesar das diferenças entre os dois conflitos, os manifestantes se unem em prol do fim da violência e do fim do financiamento das guerras pelo governo estadunidense.

Imagem: Reprodução/BBC

Bereia ouviu o teólogo pela PUC-Rio, pesquisador, especialista em teologia negra e ativista de direitos humanos Ronilso Pacheco. Para ele, não há nenhuma ação dos manifestantes no intuito de impedir que alunos judeus acessem a universidade. “Eu falo do lugar de quem estudou na Universidade de Colúmbia, de quem mantém vínculos com amigos, com pessoas e professores que estão em Colúmbia e que está acompanhando os protestos de perto. Não tem, nem nunca teve na verdade, esse tipo de ação”, afirma o pesquisador que é mestre em Religião e Sociedade no Union Theological Seminary (Columbia University) em NY e autor de “Ocupa, Resistir, Subverter” (2016) e “Teologia Negra: O sopro antirracista do Espírito” (2019).

Pacheco explica, ainda, que desde o início grupos conservadores de judeus e protestantes estadunidense usaram o suposto antissemitismo para deslegitimar o movimento dos estudantes. “Isso é um debate desde o início. Uma espécie de estratégia de movimentos conservadores tentando emplacar a ideia de que estudantes judeus estão sendo impedidos de professar o seu judaísmo ou de acessar os campos ou de assistir aulas”, lamenta o teólogo que é diretor de programas do Instituto de Estudos da Religião (ISER). 

“Muitos estudantes judeus, anti-sionistas ou mesmo sionistas de esquerda estão ao lado dos estudantes no protesto em defesa da Palestina e contra a resposta cruel e completamente desequilibrada e desigual de Israel. Muitos estudantes do Jewish Theological Seminary, um seminário teológico-judaico, estavam no campus da Columbia nos protestos”, continua Pacheco. 

O pastor ressalta que os críticos do movimento dos universitários tentam transformar as críticas ao sionismo e ao governo de Benjamin Netanyahu, premier israelense, ao ódio à judeus. “Eles pegaram essas falas e essas críticas pontuais como uma forma de intimidação dos estudantes judeus e casos absolutamente isolados de uma outra crítica mais exacerbada virou uma generalização de que isso era uma filosofia do movimento, e não era”. 

Judaísmo e Islamismo

Outro ponto destacado por Pacheco é a suposta conversão dos estudantes ao islamismo como uma forma de lavagem cerebral do movimento. “Não tem nenhum processo de conversão ao islamismo. Eles fizeram um recorte de ocasiões em que estudantes muçulmanos, estavam no seu momento de oração. Não tem nenhuma prova, que houve conversão ao islamismo no campus. O que houve foram as orações dos estudantes muçulmanos, que é uma imagem forte e que é muito simbólica. Afinal de contas, você está falando de uma agressão contra a Palestina”, frisa o pesquisador. 

“(O que acontece em Gaza, hoje) É uma investida direta com relação ao território da Palestina e contra o povo. Estratégias que desconsideram completamente a sociedade civil palestina. Todo o movimento é no sentido de que Israel recue da sua estratégia mal pensada, que tem colocado em risco a vida de milhões, milhares de palestinos, como uma forma de pressionar o Hamas. É Israel que dialoga com o Hamas, não são os protestos”, analisa o pastor.

***

Bereia conclui que as publicações que declaram as manifestações estudantis pró-Palestina como antissemitas são enganosas pois induzem o público a construir uma visão negativa e parcial sobre o posicionamento dos estudantes e todas as organizações que defendem o fim da opressão e ocupação realizada por Israel em Gaza.

Enquanto matérias publicadas em veículos religiosos e reproduzido por figuras públicas nas mídias sociais afirmam que o posicionamento pró-Palestina é antissemita, há organizações religiosas que reconhecem nos movimentos a importância de defender as pessoas que estão sendo oprimidas e em situações precárias na Palestina, como observado nas matérias publicadas pelas próprias organizações. Além disso, estudiosos e membros de instituições religiosas que presenciaram os últimos acontecimentos defendem a legitimidade e o caráter pacífico das manifestações.

Referências de checagem:

BBC Brasil
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqeplqy3e3eo – Acesso em 8 de maio de 2024.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgl3jnpz7dyo – Acesso em 8 de maio de 2024.

G1
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/10/09/conflito-entre-israel-e-hamas-e-o-mais-mortal-em-territorio-israelense-desde-2008-na-palestina-desde-2015.ghtml – Acesso em 8 de maio de 2024.

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2024/05/07/estudantes-da-usp-se-juntam-a-onda-mundial-de-protestos-e-montam-acampamento-pro-palestina.ghtml – Acesso em 8 de maio de 2024.


Agência Brasil https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/internacional/audio/2024-02/israel-x-hamas-4-meses-de-guerra-quase-29-mil-mortos-e-nenhum-acordo – Acesso em 8 de maio de 2024.

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2024-04/universidades-dos-eua-tem-protestos-pro-palestina-autoridades-reagem – Acesso em 8 de maio de 2024.

https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2024-04/reitora-de-universidade-dos-eua-sofre-pressao-por-reprimir-protesto – Acesso em 8 de maio de 2024.

The Guardian
https://www.theguardian.com/us-news/2024/apr/27/bernie-sanders-benjamin-netanyahu-israel-gaza-war
– Acesso em 8 de maio de 2024.

adl.org
https://www.adl.org/resources/blog/global-antisemitic-incidents-wake-hamas-war-israel – Acesso em 8 de maio de 2024.

CNN Brasil
https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/das-manifestacoes-pro-palestina-as-reacoes-judaicas-entenda-os-protestos-em-universidades-dos-eua/ – Acesso em 8 de maio de 2024.

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/onde-protestos-universitarios-pro-palestina-estao-acontecendo-ao-redor-do-mundo/#:~:text=A – Acesso em 8 de maio de 2024.

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/protestos-pro-palestina-universidades-estados-unidos-pessoas-presas/ – Acesso em 8 de maio de 2024.

newsweek
https://www.newsweek.com/christian-church-under-pressure-divest-israel-1895303 Acesso em 7 de maio de 2024.

westernjurisdictionumc.org
https://westernjurisdictionumc.org/students-delegates-join-in-protest-for-students-protesting-palestine/ Acesso em 7 de maio de 2024.

umnews.org
https://www.umnews.org/en/news/bishops-delegates-join-rally-for-palestine  – Acesso em 7 de maio de 2024.

presbyterianmission.org
https://www.presbyterianmission.org/story/the-pcusas-office-of-public-witness-signs-letter-urging-funding-restoration-to-unrwa/  – Acesso em 7 de maio de 2024.

unitedmethodistbishops.org
https://www.unitedmethodistbishops.org/newsdetail/united-methodist-bishops-call-for-ceasefire-in-gaza-18303396 – Acesso em 7 de maio de 2024.


elca.org
ELCA Conference of Bishops calls for cease-fire in Gaza / stands in solidarity with migrants. https://www.elca.org/News-and-Events/8219 Acesso em 7 de maio de 2024.

UCC.ORG https://www.ucc.org/ucc-officers-issue-statement-amid-ongoing-unrest-on-college-campuses/ – Acesso em 7 de maio de 2024.


The New York Times. https://www.nytimes.com/2024/01/28/us/politics/black-pastors-biden-gaza-israel.html?unlocked_article_code=1.ok0.LRap.jtX1qjhT_tCB&smid=wa-share – Acesso em 7 de maio de 2024.

YouTube.
https://www.youtube.com/watch?v=9aTAnFDZSr8 – Acesso em 7 de maio de 2024.

‘Estudantes protestam como contra Guerra do Vietnã’: a crise nas universidades dos EUA por conflito em Gaza. https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3gl0w34gx1o – Acesso em 10 de maio de 2024.

***

Foto de capa: AI-Monitor