IA da Meta é programada para bloquear imagens de campanha para Lula e para liberar as de apoio a Flávio Bolsonaro

Circulam amplamente nas redes digitais, neste 14 de outubro, denúncias de usuários da Meta AI no WhatsApp de que a ferramenta de inteligência artificial da empresa se recusa a gerar imagens de campanha para Lula (PT), mas atende ao pedido quando é dirigido a Flávio Bolsonaro (PL). 

Diversos perfis nas mídias sociais compartilham vídeos e imagens dos testes, que apresentam as mesmas respostas: “Não consegui gerar a imagem que você pediu agora. Se quiser, posso descrever algumas ideias de estampa com o texto “Lula 13” pra você usar, ou tentar outro estilo de arte”.

Imagem: Reprodução de interação de usuário com a IA do WhatsApp enviada ao Bereia

Já quando o comando é orientado a criar imagens para o candidato do PL, a ferramenta da Meta, empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, gera os recursos visuais solicitados. Quando questionada sobre a diferenciação das resposta aos pedidos, a Meta AI registra que existe um bloqueio na verificação automática de segurança para os termos “Lula 13”.

“Não é uma decisão minha. Os dois pedidos são do mesmo tipo, arte política, e os dois deveriam funcionar. O que acontece é que a geração de imagem passa por um filtro automático de segurança separado. No caso do Flávio, o filtro liberou. No caso do Lula 13, nas duas vezes que tentei, esse mesmo filtro bloqueou e nem chegou a criar a imagem”, foi a resposta dada a uma usuária.

Imagem: Reprodução de interação de usuário com a IA do WhatsApp enviada ao Bereia

A campanha de Lula  denunciou a diferença de tratamento entre o candidato petista e Flávio Bolsonaro (PL) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com nota publicada no site do Partido dos Trabalhadores, foram apresentadas provas de que a empresa usa seletividade algorítmica para tratar as duas campanhas de forma diferente.

Segundo a equipe de Lula, o que está ocorrendo não se trata de “mero erro técnico”, e sim uma manipulação do debate público, afetando diretamente a igualdade de oportunidades garantida por lei.

Atitude da Meta atinge democracia, aponta jurista

A situação, que levanta suspeita de interferência da Meta na campanha eleitoral, foi objeto de várias matérias em veículos jornalísticos como O Globo, Correio Braziliense, Uol e Estado de Minas.

Em entrevista ao jornal Uol News, o jurista Pedro Serrano comentou o caso e considerou que a diferenciação de tratamento entre os candidatos pelas mídias sociais é ilegal e que atinge a legitimidade das eleições.

“É importante que haja regulação dessa atividade das redes sociais de uma forma mais intensa, para que a gente não esteja sujeito a esse tipo de tratamento absolutamente ilegal, inconstitucional, imoral. E que acaba atingindo a legitimidade da eleição de um país como o Brasil, uma democracia jovem que a gente tem lutado tanto para manter”, disse.

Imagem: Reprodução do Youtube, UOL News, edição da manhã, 14 out 2026

Pedro Serrano também destacou a importância de regulamentação das mídias sociais:

“A Justiça eleitoral tem que intervir imediatamente com a sua força administrativa e jurisdicional, quando provocada, de imediato. O que nós temos que pensar na sociedade é que não tem cabimento que um instrumento de comunicação tão importante, que interfere tanto na democracia, na civilização, esteja na mão de iniciativa privada integralmente (…) Por hora, é só a justiça eleitoral agir. Mas nós como sociedade temos que pensar em ter uma regulação mais profunda desse tipo de atividade”.

Meta restringe campanha de Lula nas mídias sociais

Não é a primeira vez que uma plataforma da Meta apresenta restrições à campanha de Lula à reeleição em 2026. Em 10 de outubro, a equipe do candidato acusou a empresa de tentar interferir nas eleições brasileiras restringindo o alcance de publicações do petista para favorecer o adversário, Flávio Bolsonaro.

Durante o primeiro turno, a conta de anúncios de Lula foi retirada do ar pela Meta sem qualquer explicação ou justificativa formal naquela ocasião. De acordo com um levantamento elaborado pela Secretaria Nacional de Comunicação do PT, a página de Flávio Bolsonaro registrava, em média, 2,96 vezes mais engajamento do que a de Lula, embora tivesse 17,2% menos seguidores.

Outro episódio citado pelo secretário ocorreu em 8 de outubro, quando uma publicação da conta oficial de Lula teria sofrido uma interrupção no registro de visualizações, com impacto no alcance do conteúdo. 

Em coletiva de imprensa em 10 de outubro, o secretário de comunicação do PT Éden Valadares afirmou que a situação se repetiu em outras publicações e em perfis que divulgavam manifestações de apoio ao presidente.

Após determinação do TSE para que a dona do Facebook prestasse esclarecimentos sobre os casos, em 13 de outubro, a Meta informou que o bloqueio indevido de anúncios da campanha de Lula se tratou de falha em seus sistemas globais. De acordo com a empresa, o erro na contagem de visualizações em posts da campanha do petista foi causado pelo mesmo problema.

A campanha de Lula havia levado à Justiça informações sobre uma suposta rede de 255 contas associadas à disseminação de conteúdos e práticas de desinformação. Em resposta, a Meta afirmou ter analisado 35 perfis identificáveis no material citado na ação e informou ter desativado sete, sendo seis por reincidência em violações e um por identidade enganosa.

Grupo lança campanha ‘Meta, tira a mão da minha eleição’

Em 13 de outubro, a organização CTRL+Z – Transparência e direitos nas plataformas digitais  lançou a campanha “Meta, tira a mão da nossa eleição”, que busca cobrar transparência e responsabilização da empresa sobre a moderação de conteúdos políticos durante as eleições brasileiras de 2026.

A iniciativa reúne relatos de remoções de publicações, suspensões de contas e restrições de alcance nas plataformas da Meta, com o objetivo de investigar como as políticas de moderação e os algoritmos da empresa podem afetar o debate público e a igualdade de condições entre candidaturas 

A mobilização conta com uma petição para pedir que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exija explicações da empresa sobre os critérios utilizados para remover conteúdos e restringir perfis. 

Imagem: Reprodução do site da campanha “Meta, tira a mão da nossa eleição!”

Entre as reivindicações estão a restauração de publicações e contas retiradas indevidamente do ar, o fim das reduções de alcance sem notificação (prática conhecida como shadowban), a apresentação de dados sobre as decisões de moderação e a criação de canais de revisão humana com respostas em tempo hábil durante o período eleitoral.

A campanha também disponibiliza um formulário para que pessoas afetadas relatem problemas com suas contas e um kit de orientação para registrar reclamações nos canais administrativos. 

Segundo dados apresentados pela CTRL+Z no site da mobilização, a organização já havia documentado mais de mil casos de restrições e banimentos, dos quais 22% envolveriam contas ou publicações retiradas do ar sem explicação. Esses números são levantamentos divulgados pela própria iniciativa.

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No fechamento desta matéria, Bereia recebeu a informação de que o Ministério Público Federal abriu um procedimento administrativo para investigar a legalidade das práticas de moderação de conteúdo da Meta e da plataforma X durante as eleições. 

A apuração foi motivada por uma representação das organizações Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Sleeping Giants Brasil e CTRL+Z, que reuniram mais de mil relatos de bloqueios, remoções de publicações e suspensões de contas de de comunicadores, jornalistas, veículos independentes de imprensa, entidades estudantis, coletivos de direitos humanos e cidadãos. 

As entidades apontam possíveis restrições arbitrárias a manifestações políticas legítimas, com justificativas genéricas e falta de transparência.

Em ofício enviado às plataformas em 14 de outubro, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do MPF, estabeleceu o prazo de cinco dias para que as empresas expliquem os casos denunciados, esclareçam se as restrições decorreram de decisões judiciais ou de sistemas automatizados e informem quais mecanismos de notificação e contestação estão disponíveis aos usuários. 

A investigação considera os direitos à liberdade de expressão, ao acesso à informação e à participação política, além do Marco Civil da Internet e do Código de Defesa do Consumidor. A documentação também foi encaminhada à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE).

Referências

Correio Braziliense

https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/10/7518606-pt-reforca-suspeita-de-interferencia-da-meta-nas-eleicoes-tse-e-acionado.html

https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/10/7519660-apos-acao-de-lula-meta-remove-sete-perfis-irregulares-e-cita-falha-tecnica.html

UOL

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2026/10/10/tse-determina-que-dona-do-facebook-esclareca-em-48h-restricoes-a-posts-da-campanha-de-lula.htm

g1

https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/10/14/ia-da-meta-no-whatsapp-reluta-em-criar-imagem-de-campanha-de-lula-mas-aceita-pedidos-para-flavio.ghtml

ICL Notícias

https://iclnoticias.com.br/ia-da-meta-impede-criacao-de-imagens-lula/

Partidos dos Trabalhadores 

https://pt.org.br/campanha-do-presidente-lula-denuncia-interferencia-da-meta-democracia-em-xeque/

https://pt.org.br/coligacao-de-lula-denuncia-ao-tse-restricoes-e-uso-enviesado-de-ia-da-meta/ Acesso em 14 out 2026

CTRL+Z 

https://tiraamao.ctrlz.org.br Acesso em 14 out 2026

Youtube – Canal Uol

https://www.youtube.com/watch?v=i2h5J84Bocs&t=4375s

Ministério Público Federal

https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/procuradoria-geral-da-republica-pgr/noticias/mpf-abre-procedimento-para-apurar-derrubada-de-perfis-e-postagens-nas-redes-sociais-durante-o-periodo-eleitoral

Plantão Bereia Eleições 2026: Perfil usa IA para confundir eleitores nas redes

Circula pelas mídias sociais, conteúdos que distorcem falas do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além disso, por meio da ferramenta de busca reversa, Bereia apurou que perfis propagadores de mentiras, produziram conteúdo sintético falso por Inteligência Artificial (IA) para desinformar e confundir os eleitores.

Distorção de falas verdadeiras

Na primeira imagem, a frase atribuída ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é falsa. Ele nunca proferiu as palavras “Quanto mais inteligente as pessoas são, menos elas votam na gente”. 

Imagem: Publicação em perfil no X

Contexto: Em entrevista ao canal Normose, no YouTube, em 30 de setembro de 2026, o presidente Lula comentou sobre a relação entre o nível de escolaridade e o posicionamento político dos eleitores e disse “Você já reparou que, quanto mais as pessoas são graduadas, mais elas são conservadoras? Você não fica com pena disso?”

Na ocasião, o presidente manifestou surpresa e lamentou o fato de que o maior acesso à educação superior não tenha gerado, necessariamente, uma maior aproximação com o espectro político da esquerda, associando os diplomas universitários ao crescimento de votos em candidatos de oposição.

Embora a fala original tenha gerado fortes debates e críticas de opositores políticos no cenário eleitoral, em nenhum momento o mandatário utilizou o termo “inteligente” ou afirmou que pessoas com maior intelecto rejeitam o seu partido ou governo.

O texto que circula nas redes digitais é uma distorção fraudulenta.

Na segunda imagem, o perfil destaca falas cujo conteúdo desinforma ao associar a imagem do presidente Lula a frases fora do contexto. 

Imagem: Publicação em perfil no Facebook

“Aquele negro sem dente.”

Contexto: Lula não usou a expressão para ofender ou discriminar. Em agosto de 2025, durante um discurso sobre o programa Brasil Sorridente em Sorocaba (SP), ele criticou uma peça publicitária antiga do próprio governo federal que seria enviada para a Alemanha. Lula considerou a publicidade preconceituosa por retratar o Brasil de forma estereotipada, mostrando um homem negro sem a dentição ao lado de uma mulher branca. 

Na ocasião, ele ordenou o descarte da página, defendendo que “pobre gosta de coisa boa” e que o Estado deve garantir saúde bucal digna à população.

“Gari é uma profissão que dá vergonha.”

Contexto: Lula não menosprezou os garis. Em um comício de campanha em Belo Horizonte (MG), realizado em agosto de 2026, ele discursava sobre invisibilidade social e desigualdade de oportunidades educacionais. O presidente argumentou que a sociedade e a falta de oportunidades fazem com que algumas profissões não recebam o devido valor e prestígio (ao contrário de médicos ou engenheiros), embora o trabalho da limpeza urbana seja essencial. O presidente enfatizou que, se os garis parassem de trabalhar por uma semana, as pessoas que os ignoram passariam a enxergar a importância crucial deles.

“Se quer bater em mulher vá bater em casa” / “Se for corinthiano pode bater na mulher.”

Contexto: Trata-se de uma distorção de uma fala de 2022. Em um encontro com mulheres no Vale do Anhangabaú (SP), Lula comentava sobre pesquisas que mostram o aumento da violência doméstica após jogos de futebol. Ao criticar esse comportamento, ele declarou: “Se o cara é corinthiano e o Corinthians perde, ele vai bater na esposa? Não. Se ele quiser bater, que vá bater em outro lugar, não dentro da sua casa ou em mulher”. 

Embora a frase tenha sido amplamente instrumentalizada por veículos ultraconservadores, devido à má ee inadequada  formulação pelo presidente, ela explicitamente condena a violência doméstica e o machismo, e não os defende ou autoriza agressões baseadas em times de futebol.

“Os traficantes são vítimas dos usuários.”

Contexto: Durante coletiva de imprensa em Jacarta, na Indonésia, em outubro de 2025, o presidente Lula disse que os traficantes são “vítimas dos usuários” enquanto falava sobre o combate às drogas no Brasil.

Após a repercussão negativa, Lula fez uma publicação na rede social X (antigo Twitter) se retratando: “Fiz uma frase mal colocada nesta quinta e quero dizer que meu posicionamento é muito claro contra os traficantes e o crime organizado”, escreveu. Em seguida, reiterou a atuação do governo contra o tráfico de drogas e o crime organizado. 

As regras para uso de IA nas eleições

A partir do dia 1º de outubro deste ano entrou em vigor regras mais rígidas para o uso de inteligência artificial (IA) nas eleições. A determinação do Tribunal Superior Eleitoral proíbe a publicação, republicação ou impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por IA que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos, candidatas ou pessoas públicas. A proibição começou 72 horas antes da eleição (0h de quinta-feira) e vai até 24 horas após o encerramento da votação no domingo (segunda-feira, às 17h). 

A medida está prevista em resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as Eleições 2026 e busca evitar que conteúdos sintéticos divulgados às vésperas da votação possam interferir no processo eleitoral.

Isso significa que, nesse período, não podem ser publicados novos vídeos, áudios ou outros conteúdos sintéticos que utilizem, por exemplo, a imagem ou a voz de um candidato ou de uma pessoa pública, ainda que a manipulação esteja identificada. A regra também alcança republicações e impulsionamentos pagos.

O que acontece quando as regras são descumpridas?

No caso da restrição válida nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à eleição, o descumprimento pode levar à remoção imediata do conteúdo ou à indisponibilidade do serviço de comunicação, por iniciativa do provedor ou por determinação judicial. Outras sanções previstas na legislação eleitoral também podem ser aplicadas.

Já o uso de deepfake em propaganda eleitoral para prejudicar ou favorecer candidatura pode configurar abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação social, com consequências que podem incluir a cassação do registro ou do mandato, além de outras medidas cabíveis.

Referências

https://www12.senado.leg.br/verifica/materias-especiais/2026/ia-nas-eleicoes-veja-o-que-fica-proibido-a-partir-desta-quinta-feira Acesso em 04 OUT 2026

https://www.tse.jus.br/legislacao/compilada/res/2026/resolucao-no-23-755-de-2-de-marco-de-2026 Acesso em 04 OUT 2026

Lula não debochou de garis em discurso em BH | G1 Acesso em 04 OUT 2026

https://www.otempo.com.br/politica/2025/8/23/negro-alto-sorrindo-sem-nenhum-dente-declaracao-de-lula-sobre-propaganda-divide-opinioes Acesso em 04 OUT 2026

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c205q70zjxpo Acesso em 04 OUT 2026

Plantão Bereia nas Eleições: Mentiras por IA, na véspera das eleições, atrelam Lula e Janja a rituais satânicos e promovem intolerância religiosa

Checagem da Agência Lupa confrontou movimento nas redes na véspera da abertura das urnas (sábado, 3 de outubro) que associa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a primeira-dama Janja da Silva a “rituais satânicos”. As publicações se intensificaram nas redes sociais e aplicativos de mensagem e viralizaram entre grupos de igrejas.

Conforme publicado pela Lupa, as mensagens, marcadas por intolerância religiosa, combinam conteúdos falsos que circulam há anos com imagens e vídeos manipulados por inteligência artificial (IA). Produtores deste conteúdo falso buscam, na véspera da eleição, interferir no direito do eleitorado ao voto e à escolha sem mentira.

Monitoramento da Lupa mostra que, nos últimos 90 dias, a média diária de menções sobre esse tema foi de 1,33 mil, chegando a 120 mil menções em todo período. No levantamento, a agência identificou que o movimento desinformativo surgiu após a repercussão que acusou o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta proposta para retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, como Bereia checou.

Imagem: Reprodução, Instagram Lupa, 3 out 2026

Entre sexta, 2 de outubro, e sábado 3, as mensagens alcançaram 208 milhões de perfis no X, Instagram, Reddit e Youtube, conforme estimativa do monitoramento da Lupa, pela plataforma Meltwater. As imagens simulam capas de revistas e transmissões da GloboNews, por IA, que levam a crer que o presidente da República e sua esposa teriam realizado a consagração do Brasil a Exu ou que estariam promovendo projetos para favorecer religiões de matriz africana em detrimento de igrejas cristãs. 

Outra postagem espalha mentira  ao afirmar que Janja pretende taxar igrejas evangélicas para financiar novos terreiros de umbanda, o que é inventado não tem qualquer base factual. Também voltou a circular uma antiga mentira de 2022, com vídeo que simula que Lula estaria falando a palavra “demônio” e que este estaria tomando conta do presidente. 

Este tipo de mentira já foi checado pelo Bereia em 2022 e durante o governo Lula. Nas eleições de 2022, um vídeo manipulado ligava Lula ao satanismo e viralizou entre evangélicos. Em 2024, para criticar política econômica, opositores espalham um conteúdo falso de que a coluna Painel da Folha de S.Paulo teria publicado um texto intitulado “Janja encomenda ritual de candomblé para reduzir dólar, diz assessor do PT”. No ano passado, 2025, a deputada federal evangélica Clarissa Tércio (PP-PE) usou seu perfil no Instagram para atacar Janja da Silva, que havia se encontrado com mulheres evangélicas e participado de culto durante visita a Caruaru (PE), no último 30 de setembro. De acordo com a deputada, “dias atrás ela estava no terreiro de macumba, e agora quer posar de ‘amiga das evangélicas’”.  

Bereia reafirma que as antigas e as novas publicações, conforme checagem da Agência Lupa, são falsas, criadas com a intenção de prejudicar a imagem de Lula com o eleitorado cristão. O conteúdo também é usado para reforçar o preconceito com religiões de matriz africana (Candomblé e Umbanda) e o racismo religioso que historicamente demonizam estas fés e as atrelam falsamente a um inventado satanismo.

Uma das postagens com esses conteúdos foi identificada pelo Bereia e caiu no filtro da Meta, dona do Instagram e do Facebook. Ao abrir a publicação, aparece o escrito “Informação falsa. Semelhante a outro post analisado por verificadores de fatos independentes” e o usuário apenas visualiza o conteúdo se assim optar, apesar do aviso. O responsável pela republicação foi Antônio Pinto Pereira, político em Portugal.

Suspeita de financiamento irregular na campanha do PL à Presidência envolve EUA e fazendas de IA

Circula no debate eleitoral a informação de que a campanha do candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República Flávio Bolsonaro recebeu dinheiro da Rockbridge Network. A organização atua para financiamento político a partir dos Estados Unidos e foi fundada pelo vice-presidente daquele país James David Vance, que também preside o Senado dos Estados Unidos. 

A denúncia foi feita pelo candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) e ganhou repercussão neste setembro, em meio a uma eleição marcada pelo crescimento de anúncios pagos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por fazendas de conteúdo com inteligência artificial (IA) ligadas a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O Bereia verificou o que está documentado, o que a lei proíbe e o que continua sem comprovação, para oferecer a leitores e leitoras um alerta sobre a manipulação de conteúdo em prol de determinadas campanhas eleitorais.

A denúncia e suas origens

Em 5 de setembro passado, durante discurso de campanha no Ceará, Renan Santos afirmou que a Rockbridge “entrou na campanha” de Flávio Bolsonaro e que os empresários Tallis Gomes e Pedro Sang seriam representantes da organização no Brasil e intermediariam os fundos de apoio. 

No seu perfil no Instagram, Tallis Gomes se define como “empreendedor serial, founder e presidente” da G4 Business. Pedro Sang é um empresário carioca proprietário da  operadora Sng Travel Turismo e da Sng Consult Empresarial. De acordo com Renan Santos, antes do apoio ao senador do PL, o grupo teria tentado apoiar o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em outras apresentações públicas, Renan Santos repetiu a denúncia e alegou interferência interferência do governo de Donald Trump nas eleições brasileiras.

Os dois empresários acusados por Renan Santos negam o envolvimento. Tallis Gomes classificou a acusação de “cortina de fumaça” e afirmou que processará o candidato do Missão. Pedro Sang negou categoricamente as acusações e afirmou que os contatos com o grupo norte-americano se limitaram a sondagens para possíveis investimentos em tecnologia no Brasil. 

Segundo Sang, os planos foram totalmente abandonados, em maio de 2026, devido ao cenário político delicado do país, o empresário assegurou que “nunca houve nenhum centavo transacionado, nem para virar membro nem para nenhum projeto da Rockbridge, zero, zero”.

Os fatos documentados

A cronologia da denúncia começa no portal Amado Mundo: o jornalista Guilherme Amado revelou que Pedro Sang atuava dentro do comitê de campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo, em um casarão na Avenida República do Líbano, perto do Parque Ibirapuera. Pessoas com acesso à campanha relataram que ele se apresentava como “Pedro da Rockbridge”, usava uma sala no segundo andar, ajudou na montagem da estrutura do local e mantinha contato com integrantes do núcleo eleitoral, como o profissional de marketing Duda Lima. Em nota ao Amado Mundo, ele disse acompanhar a campanha “como cidadão preocupado com o futuro do meu país” e negou qualquer financiamento.

Somou-se a isso a divulgação de um memorando intitulado Prosperity Partnership, escrito em inglês por André Marinho, candidato do Partido Novo ao governo do Rio, que traz na capa o nome de Flávio Bolsonaro e oferece um Brazil integrado a uma cadeia estratégica e independente da China. Marinho assumiu a autoria do documento de 22 páginas, que foi publicado em 19 de março de 2026 e afirmou que a iniciativa foi pessoal e sem relação com a campanha. 

Porém, nove dias depois, em 28 de março, Flávio Bolsonaro subiu ao palco da Conservative Political Action Conference (CPAC), em Dallas, nos Estados Unidos, para apresentar o Brasil como a solução para o país reduzir sua dependência da China em minerais críticos, especialmente terras raras. O documento propõe parceria com os Estados Unidos para exploração de minerais críticos e terras raras, com projeção de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões em investimentos.

Após a publicação do Amado Mundo, em 11 de setembro passado, Tallis Gomes protocolou notícia-crime, ou seja a comunicação formal do crime, contra Renan dos Santos, na Justiça Eleitoral do Ceará (83ª Zona Eleitoral de Fortaleza). O documento acusa o candidato do Missão por calúnia, difamação e injúria eleitoral, além de ameaça, pelo discurso de 5 de setembro e por Renan ter compartilhado imagem segurando arma. 

Após a denúncia, entre 11 e 13 de setembro, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou uma notícia de fato com pedido de inquérito. O mesmo pedido foi replicado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na Polícia Federal (PF) e na Procuradoria Geral da República. Foram solicitadas quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático, busca e apreensão e cooperação internacional.

Mais recentemente, o PT recorreu novamente ao Supremo Tribunal Federal (ADPF 1178, sob relatoria do ministro Flávio Dino) e pediu medidas urgentes: abertura de inquérito pela PF, preservação de arquivos e contratos, coleta de depoimentos, análise contábil e cooperação internacional, além de mencionar o comitê de Flávio Bolsonaro e a sede nacional do PL como alvos de busca.

A coligação “Brasil Pronto Pra Mais”, em torno da campanha pela reeleição do presidente Lula,  apresentou, no TSE, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra Flávio Bolsonaro e o candidato a vice Alfredo Gaspar e contra o deputado cassado do PL-SP, que vive nos EUA, Eduardo Bolsonaro, por abuso de poder econômico e político e uso indevido dos meios de comunicação. Se reconhecida, a ação pode levar à cassação dos registros e diplomas e à inelegibilidade por oito anos.

O que a lei diz e o que falta?

A legislação eleitoral brasileira veda doações de entidades ou governos estrangeiros a partidos e candidatos (Lei 9.504/97). O advogado especialista em direito eleitoral Fernando Neisser deu declarações à Agência Pública, em 14 de setembro: a entrada de recursos internacionais em campanha “é absolutamente proibida”, afirmou. Se comprovada, a conduta constitui abuso de poder econômico e pode levar a ação de investigação judicial eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com cassação do registro, do diploma ou do mandato e inelegibilidade de oito anos. Pagamentos feitos por fora da campanha, acrescentou, podem configurar caixa 2.

“É uma grave irregularidade, constitui abuso de poder econômico, que, se for comprovado, levaria à instauração de uma ação de investigação judicial eleitoral perante o TSE e a condenação levaria à cassação do registro, do diploma ou do mandato, caso seja vencedor além de acarretar a inelegibilidade de oito anos.”

O PT protocolou pedido de abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), além de representações no TSE, na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República, citando Gomes e Sang como possíveis intermediários e pedindo quebras de sigilo e cooperação internacional. Até o fechamento desta matéria, nenhuma das autoridades havia confirmado a existência de transferência de recursos, como escreveu a Agência Pública em reportagem sobre o caso, “ainda não há provas de que isso tenha de fato acontecido”.

O cenário dos anúncios pagos e as fazendas de IA

A denúncia de um possível financiamento irregular da campanha de Flávio Bolsonaro por uma organização dos EUA, corre em paralelo ao suspeito crescimento da propaganda paga contra Lula. Levantamento do ICL Notícias, na biblioteca de anúncios da Meta, mostra que o gasto diário declarado com peças de anúncios contra o presidente e o governo subiram 123% em setembro, de R$ 15,4 mil para R$ 34,5 mil ao dia, e que as referências ao STF e ao ministro da Corte Alexandre de Moraes passaram de 3,3% para 14%.

Monitoramento do jornal O Estado de São Paulo contabilizou 5.677 anúncios relacionados ao STF e a ministros desde 16 de agosto, com gastos de até R$ 2,9 milhões, 74% deles em tom crítico à Corte. As metodologias de apuração do ICL e do Estadão diferem, mas apontam os mesmos resultados que explicitam o crescimento do gasto em anúncios contra o governo Lula e o STF.

Relacionado ao aumento dos gastos em mídia paga eleitoral, outro vetor da campanha digital contra o governo atual é a produção em escala de conteúdo com IA. O relatório “Produção em escala: fazendas de conteúdo com IA no Instagram nas eleições de 2026”, do Instituto Democracia em Xeque, obtido pelo Aos Fatos, identificou uma estrutura de 255 perfis que publicaram ou coassinaram 1.204 publicações, com 58 milhões de visualizações entre 15 de agosto e 15 de setembro. Essa estrutura compartilha audiência por meio de publicações colaborativas. 

No principal núcleo, em torno da página @narrativascuriosastv, estava @leoindiobolsonaro, perfil de Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, primo de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro, foragido em investigação sobre a tentativa de golpe de Estado. As contas divulgavam um curso de R$ 167 que ensina a criar vídeos virais e a remover a marca d’água de conteúdos sintéticos. Flávio Bolsonaro  é o político mais citado nas legendas (34 publicações). O relatório, porém, não atribui aos políticos ou partidos a administração ou a coordenação das contas.

Além do candidato à Presidência da República pelo PL, o ministro do STF André Mendonça aparece em destaque entre os perfis, foram identificados 24 contas dedicadas a ele no Instagram, somando 5,6 milhões de seguidores até 16 de setembro.

  • Doze desses perfis existiam antes da crise entre ministros do STF destes setembro e apenas trocaram de nome; ao menos dois foram convertidos neste mês, após o estopim do caso Master.
  • @andremendoncas2, o maior deles, foi criado em novembro de 2024, mudou de nome oito vezes, recebeu selo de verificação em agosto e antes publicava conteúdo religioso, anti-LGBTQIA+ e sobre futebol. Não tem qualquer publicação anterior a setembro de 2026.
  • @andremendoncas3 foi criado em abril, mudou de nome duas vezes e realizou as primeiras publicações em 5 e 7 de setembro.
  • Amplificação articulada: @nikolasferreiradms3, que usa nome e imagem do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), convocou seguidores a seguir a @andremendoncas2; publicações idênticas e convocações para transferir audiência foram distribuídas por vários perfis, inclusive um que anunciou “240 mil seguidores em 24 horas”.

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Não há, até este momento, comprovação de transferência de recursos estrangeiros à campanha de Flávio Bolsonaro. Os fatos documentados desde a atuação de Sang na estrutura do comitê, o memorando estratégico com o nome do candidato e as viagens aos Estados Unidos são verdadeiros, mas não confirmam o repasse de dinheiro. Por isso, o Bereia classifica a denúncia como inconclusiva, uma vez que as evidências reunidas não permitem confirmar nem descartar a informação apurada. 

Bereia seguirá acompanhando as investigações, além da repercussão das fazendas de IA e atualizações referentes aos anúncios realizados durante a campanha eleitoral da Meta antes de compartilhar conteúdos políticos.

Referências:

AGÊNCIA PÚBLICA. Financiamento de grupo ligado a J. D. Vance pode ser maior escândalo da eleição. 14 set. 2026. Disponível em: https://apublica.org/2026/09/financiamento-de-grupo-ligado-a-j-d-vance-pode-ser-maior-escandalo-da-eleicao/. Acesso em: 24 set. 2026.

AMADO MUNDO. Disponível em: https://amadomundo.com/o-plano-de-flavio-para-alianca-com-eua-por-terras-raras/. Acesso em: 24 set. 2026.

ICL NOTÍCIAS. Disponível em: https://iclnoticias.com.br/gastos-com-anuncios-na-meta-contra-lula/. Acesso em: 24 set. 2026.

AOS FATOS. Bolsonaristas capturam perfis nas redes para inflar apoio religioso a Mendonça. 16 set. 2026. Disponível em: https://www.aosfatos.org/noticias/bolsonaristas-capturam-perfis-inflar-apoio-religioso-mendonca. Acesso em: 25 set. 2026.

AOS FATOS. Perfis reciclados e números inflados manipulam apoio político nas redes. 18 set. 2026. Disponível em: https://www.aosfatos.org/noticias/perfis-reciclados-numeros-inflados-apoio-politico-redes. Acesso em: 25 set. 2026.

AOS FATOS. Fazendas de IA inflam pauta da extrema direita com 255 perfis e mais de mil posts. 23 set. 2026. Disponível em: https://www.aosfatos.org/noticias/fazendas-de-ia-inflam-pauta-da-extrema-direita-com-255-perfis-e-mais-de-mil-posts/. Acesso em: 25 set. 2026.

INSTITUTO DEMOCRACIA EM XEQUE. Produção em escala: fazendas de conteúdo com IA no Instagram nas eleições de 2026. 2026. (Relatório obtido pelo Aos Fatos.)

NÚCLEO JORNALISMO. Republicação: Bolsonaristas capturam perfis nas redes para inflar apoio religioso a Mendonça. 16 set. 2026. Disponível em: https://nucleo.jor.br/republicacao/2026/09/16/bolsonaristas-capturam-perfis-nas-redes-para-inflar-apoio-religioso-a-mendonca. Acesso em: 25 set. 2026.

NÚCLEO JORNALISMO. Republicação: Fazendas de IA inflam pauta da extrema direita. 23 set. 2026. Disponível em: https://nucleo.jor.br/republicacao/2026/09/23/fazendas-de-ia-extrema-direita. Acesso em: 25 set. 2026. (Os mesmos textos foram republicados também pela Agência Pública.)

THE NEW YORK TIMES. Disponível em: https://www.nytimes.com/2024/11/20/us/politics/rockbridge-trump-vance-wiles.html. Acesso em: 24 set. 2026.

THE NEW YORK TIMES. Disponível em: https://www.nytimes.com/2024/10/30/us/politics/jd-vance-rockbridge-donors.html. Acesso em: 24 set. 2026.

REUTERS. Disponível em: https://www.reuters.com/world/us/tech-donor-network-co-founded-by-jd-vance-seeks-push-america-right-2024-08-20/. Acesso em: 24 set. 2026.

THE WASHINGTON POST. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/technology/2025/11/04/chris-buskirk-maga-vance-post-trump/. Acesso em: 24 set. 2026.

ESTADO DE MINAS. Renan Santos acusa campanha de Flávio Bolsonaro de receber dinheiro trumpista. Disponível em: https://www.em.com.br/politica/2026/09/7498373-renan-santos-acusa-campanha-de-flavio-bolsonaro-de-receber-dinheiro-trumpista.html. Acesso em: 24 set. 2026.

ESTADO DE MINAS. Prosperity Partnership: entenda a polêmica envolvendo André Marinho, terras raras e os EUA. Disponível em: https://www.em.com.br/nacional/2026/09/7499913-prosperity-partnership-entenda-a-polemica-envolvendo-andre-marinho-terras-raras-e-os-eua.html. Acesso em: 24 set. 2026.

O GLOBO (Blog da Bela Megale). PT pede ao STF investigação de possível financiamento de organização trumpista para Flávio Bolsonaro. Disponível em: https://oglobo.globo.com/blogs/bela-megale/post/2026/09/pt-pede-ao-stf-investigacao-de-possivel-financiamento-de-organizacao-trumpista-para-flavio-bolsonaro.ghtml. Acesso em: 24 set. 2026.

Jornal da Record
https://www.youtube.com/watch?v=Q67AFy-ElQY Acesso em 28 set 2026

Vídeos e fotos que mostram padres com duas pernas amputadas são criações por IA para golpes digitais

Circulam nas mídias digitais vídeos, acompanhados de links para doações, em que padres relatam terem tido as pernas amputadas. Há um apelo para adquirir próteses em poucos meses, antes que os músculos dos sacerdotes atrofiem. As produções são falsas e foram geradas por inteligência artificial.

O golpe virtual tem como objetivo atrair fiéis através de um apelo emocional e religioso. O primeiro padre foi identificado pelo jornalista do portal UOL Ranieri Costa após um abrigo de idosos suspeitar do vídeo. Trata-se de um sacerdote que se apresenta como padre Mateus, tem 38 anos e exerceria a função há oito anos. O acidente que o deixou sem os membros inferiores teria ocorrido no caminho para uma missa e atualmente ele realizaria os rituais das missa católica sentado em uma cadeira de rodas.

Imagem: compilado de vídeos feitos por IA.

Em uma narrativa que completa o vídeo e o texto que acompanha o site, o padre Mateus apresenta outros dois personagens: a dona Lourdes, que limpa a Igreja e cuida diariamente dele, e Enzo, um adolescente coroinha que empurra a cadeira do presbítero até o altar e teria sido batizado pelo mesmo.

A história começa a apresentar inconsistências ainda nessa parte, quando aparece uma foto do padre Mateus batizando um bebê, dando a entender que se trata do Enzo. No entanto, o padre exerceria a função há oito anos, quando Enzo, de 14 anos, já era uma criança de seis.

Padre Mateus não é o único no esquema golpista

Com base na matéria do UOL sobre o padre Mateus, Bereia apurou que diversas outras contas nas mídias digitais publicaram vídeos com muitas semelhanças no mesmo período, desde o começo de agosto. Além do padre Mateus, foram identificados os padres Samuel, Antônio, Vicente, Miguel, Rafael, Marcos e Jonas. Todos gerados por inteligência artificial.

Destes, os padres Antônio e Jonas não contam a história da perda das duas pernas. A narrativa é um tumor no pescoço cuja única solução é uma cirurgia de valor não revelado. Nessas versões, o coroinha raspa a cabeça como apoio ao padre.

Os outros sacerdotes, apesar de divergirem nas histórias do porquê perderam as pernas, seguem narrativas semelhantes: falam sobre apresentar a missa sentados e sobre o sonho de conseguirem as próteses. Em alguns casos, um coroinha e uma pessoa de idade também aparecem.

A trajetória do golpe

Todas as publicações identificadas pelo Bereia eram patrocinadas na plataforma Facebook, da empresa Meta. Os beneficiários das doações são os mesmos em quase todos os casos: a empresa Gestão Solidar Digital LTDA, de Florianópolis (SC). Durante a produção desta matéria, o beneficiário da conta do padre Mateus mudou para a empresa A C FILADELFO PEREIRA SERVICOS – ME, de limpeza em prédios e em domicílios, localizada em Barueri (SP).

Em apuração do UOL, o email de contato registrado na Receita Federal da primeira empresa, consta como lemesmagazine@gmail.com. A marca associada ao CNPJ, Lemes Magazine, acumula reclamações por fraudes financeiras. 

Os pagamentos por Pix são destinados a pessoas diversas, mas os CPFs não correspondem aos nomes. A fintech Cartwave, intermediária dos pagamentos, tem reputação “ruim” e apresenta contradições no telefone cadastrado. Oficialmente, o número pertence a uma barbearia em Goiânia. 

Já entre os anunciantes no Facebook, em um dos casos, o CNPJ registrado tem como descrição da atividade econômica principal “Comércio varejista de carnes – açougues”. Outro que o Bereia identificou tem localização registrada nos Estados Unidos, o que dificulta o rastreio.

Como o Bereia checou os vídeos falsos

Os vídeos dos padres acumulam pontos em comum com outros conteúdos golpistas gerados por inteligência artificial, alguns deles já checados pelo Bereia. Em momento algum dos conteúdos, localizações ou nomes das paróquias são mencionados. A ausência dessas informações dificulta a checagem do conteúdo.

Outro ponto é que em nenhum dos casos o valor que precisa ser arrecadado é mencionado. Nas plataformas, uma meta de valor e a porcentagem de arrecadação aparecem, mas não em todas as situações. Os valores começam com cerca de R$ 40 mil e chegam a R$ 90 mil.

Além disso, ao mostrar fotos dos padres, as imagens apresentadas são do clássico estilo de inteligência artificial: cenário genérico e personagens em posições criadas, não naturais/espontâneas.

Fotos: Reprodução

O jornalista e teólogo Felipe Zangari também identificou falhas na sincronia labial das imagens. Já quando Bereia comparou os vídeos, concluiu que os conteúdos apresentam imagens semelhantes. Os padres têm aparência jovem, são brancos com cabelos pretos. Essas pistas corroboram a ideia de que provavelmente os padres foram gerados por uma mesma pessoa ou grupo: os prompts (comandos para ferramentas de inteligência artifical) eram, provavelmente, os mesmos, com pequenas alterações.

Nos casos dos padres Antônio e Jonas, o padrão se repete. No entanto, as personagens são homens brancos carecas.

Fotos: Reprodução

O apelo religioso para convencer

Um ponto em comum em todos os casos analisados é o apelo religioso de maneira emotiva. Os padres retratados reclamam de não poderem realizar a missa de pé, ou segurar os bebês durante o batizado.

O exercício da função dos padres aparece prejudicado, e as personagens, frustradas. Além disso, figuras como coroinhas, fiéis da igreja ou parentes do sacerdote que exercem a caridade são presentes em todos os conteúdos, mesmo que os padres se coloquem como um fardo, o que produz credibilidade.

As próteses e cirurgias aparecem em discursos gradualmente construídos nos vídeos e textos, para comover as pessoas a realizarem doações para que a situação frustrante do padre seja revertida.

***
Bereia alerta leitores e leitoras sobre o apelo religioso por meio do uso da imagem de lideranças religiosas para pedidos de doações que representam golpes. Antes de compartilhar ou atender aos pedidos, verifiquem a autenticidade da imagem ou da ligação da liderança que aparece na publicação com o que está sendo apresentado. Qualquer dúvida, consultem o Bereia por meio do WhatsApp (21) 97884-2525.

Referências

UOL https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/09/01/falso-padre-gerado-por-ia-que-desvia-doacoes-via-pix.ghtm acesso 01 Set 2026

Metrópoles 

https://www.metropoles.com/sao-paulo/golpe-do-falso-padre-usa-ia-para-criar-video-e-pedir-dinheiro-pelas-redes acesso 01 Set 2026

Vídeos gerados por IA utilizam de religião e ódio às mulheres para campanha eleitoral antipetista

Vídeos gerados por inteligência artificial, conhecidos como deepfakes, dominaram as mídias sociais nos últimos meses. Os conteúdos mostram mulheres com camisas vermelhas do Partido dos Trabalhadores (PT) sendo agredidas fisicamente por pastores. Bereia chama a atenção para a violência religiosa e de gênero extrema presente nestes conteúdos. Os vídeos têm sido utilizados como estratégia de intimidação política, meses antes das eleições.

O conteúdo foi amplamente divulgado na plataforma TikTok, com foco em uma conta que já acumulava mais de 3 milhões de curtidas. Além dos vídeos gerados por IA, a conta também lucrava com ofertas de cursos que prometiam ensinar a gerar conteúdos parecidos com o uso de inteligência artificial. O PT acionaram  o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por violência política, o que resultou na remoção da conta da plataforma.

Antes de ser removido, o perfil acumulava comentários de pessoas que demonstraram acreditar e, até mesmo, concordar com o conteúdo violento. Um dos vídeos mostrava um pastor dando tapas nos rostos de diversas mulheres, todas com camisas do PT. Outro mostra uma mulher sendo exorcizada, o que remete à mensagem de demonização do partido.

Apesar da conta ter sido removida do TikTok, na própria plataforma e em outras, como Instagram e Facebook, conteúdos com o mesmo teor permanecem circulando. É importante diferenciar estes vídeos gerados por inteligência artificial de violência política contra apoiadores do Partido dos Trabalhadores de vídeos reais. 

Reprodução. (Adicionar alerta de IA)

Denúncias feitas por portais de notícias

Diversas denúncias foram feitas por portais de notícias em reportagens, como Agência Lupa e ICL Notícias. O Gazeta do Povo, por outro lado, fez uma reportagem a respeito do acionamento do TSE feito pelo PT, classificando a situação como um pedido de “censura prévia”. 

No dicionário jurídico, “censura prévia” é utilizada para se referir a um “controle ou restrição ao exercício da liberdade de expressão por parte do Estado antes da divulgação de informações ou opiniões”. No entanto, não houve uma censura prévia, visto que o pedido de retirada dos vídeos violentos foi realizado após a divulgação e repercussão dos mesmos.

Em resposta, o jornalista do ICL Leandro Demori criticou o posicionamento da Gazeta do Povo. “Esse vídeo não vai ficar só na internet, vai para rua. Não há mais uma divisão clara do que é virtual para o mundo real. Não tem censura prévia aqui, é um erro de conceito, é burrice, má fé, ignorância ou os três. Porque censura prévia é você impedir que alguém publique uma coisa, antes de ser publicada, não é o caso. Depois de publicado, ser removido, não é prévia. (…) Título tendencioso, falso, fakenews, fakenews é o nome dessa matéria publicada pela Gazeta do Povo. Quero saber se a Gazeta do Povo é a favor de colocar qualquer tipo de pessoa sendo espancado o dia inteiro, na internet”, disse em trecho de vídeo em que critica o portal de notícias. 

Reprodução: Instagram

TSE estipula regras para o uso de IA em campanhas eleitorais

A propaganda eleitoral é oficialmente permitida a partir do dia 16 de agosto. Com isso, o Tribunal Superior Eleitoral estipulou com antecedência as regras para uso de IA nas campanhas eleitorais. A regulamentação busca impedir a circulação de desinformação gerada ou manipulada por inteligência artificial e que tenha o potencial de prejudicar a integridade do período eleitoral.

Uma das principais novidades é que vídeos, áudios, imagens e textos gerados ou manipulados por IA e que sejam utilizados como propaganda eleitoral devem informar, obrigatoriamente, a origem de inteligência artificial daquele conteúdo. A informação deve ser explícita e acessível. Qualquer conteúdo artificial ou não que represente desinformação e/ou discurso de ódio contra partidos e/ou contra candidatos e candidatas é proibido e pode ser classificado como crime eleitoral.

A Resolução do TSE tem incisos que abordam exclusivamente a violência política contra a mulher. O texto prevê, ainda, que os provedores de aplicação devem ter soluções específicas que permitam as denúncias do tipo. 

Identidade visual da série Por Dentro das Eleições. Arte: Secom/TSE

Misoginia e uso de Inteligência Artificial

A disseminação desses conteúdos desinformativos chama a atenção para o alto teor de misoginia, atrelada à violência religiosa. No caso dos vídeos gerados por IA, muitas vezes uma violência física praticada por pastores, posicionando mulheres como inferiores, e relacionando supostos posicionamentos políticos favoráveis ao Partido dos Trabalhadores como possessões demoníacas. 

Nos vídeos, os pastores, que são homens , funcionam como “salvadores”, realizando supostos rituais de exorcismo. O bispo da Igreja Episcopal Anglicana no Brasil Francisco Silva publicou um artigo no qual critica a disseminação desses conteúdos e o potencial misógino que apresentam. Confira trecho da publicação:

“Primeiramente cabe perguntar por que apenas mulheres são apontadas como quem precisam ser exorcizadas. E segundo, por que elas vestem camisas do PT.

A leitura fundamentalista da Bíblia estabelece o homem como cabeça, e portanto quem controla a família e que tem poder sobre os corpos femininos. Na medida em que esta pirâmide de poder começa a ser posta em cheque, a Machonaria entra em crise! Mulheres não podem questionar estruturas injustas, pois assim elas quebram a ‘ordem natural’. E quem gosta de quebrar a ordem? O diabo, é claro! Por isso as mulheres precisam ser exorcizadas, para ficarem livres dessa influência maligna.

Simbolicamente temos, em pleno século 21, um literal retorno à caça às bruxas, vividos no horror da Inquisição.

Para além dessas questões, temos a gravíssima apologia à violência contra a mulher. Exatamente num momento em que o Congresso está apreciando uma lei severa que combate a misoginia. Não é a toa que as forças políticas que se colocam contra isso são exatamente as de direita e de extrema direita. Consequentemente forças antipetistas e anti esquerdistas!

É muito importante ficarmos atentos sobre essas estratégias que tentam confundir o eleitorado brasileiro a partir de estratégias de gerar preconceito, pânico e violência explícita contra as mulheres e contra as forças progressistas no pleito desse ano. E cabe aos líderes religiosos um papel fundamental de rechaçar estas iniciativas criminosas contra a nossa democracia!”

Verifique e denuncie

Caso você encontre vídeos, imagens, áudios ou textos suspeitos, possivelmente com interferência de inteligência artificial, e que promovam violência política, não hesite em denunciar.

Denuncie no TSE: utilize o Sistema de Alerta de Desinformação contra as Eleições (Siade) do Tribunal Superior Eleitoral para relatar conteúdos falsos ou violentos.

Referências

Agência Lupa, Disponível em: https://www.agencialupa.org/reportagem/2026/04/10/videos-criados-com-ia-incitam-violencia-contra-mulheres-por-motivacao-politica/. Acesso em: 16 abr. 2026. 

ICL Notícias, Disponível em: https://iclnoticias.com.br/videos-ia-pastores-agredindo-mulheres-pt-tse/. Acesso em: 16 abr. 2026. 

JurisHand, Disponível em: https://jurishand.com/dicionario-juridico/censura-previa. Acesso em: 16 abr. 2026. 

Reprodução Instagram: https://www.instagram.com/p/DXFsCITDO4A/

TSE, Disponível em: https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Abril/por-dentro-das-eleicoes-conheca-as-regras-sobre-uso-de-ia-na-campanha-eleitoral-de-2026. Acesso em: 16 abr. 2026. 

TSE, Disponível em: https://www.tse.jus.br/legislacao/compilada/res/2026/resolucao-no-23-755-de-2-de-marco-de-2026. Acesso em: 16 abr. 2026. 

https://www.tse.jus.br/eleicoes/sistema-de-alertas Acesso em: 16 abr. 2026

Coletivo Bereia, Disponível em: https://coletivobereia.com.br/lider-da-machonaria-pastor-anderson-silva-e-acusado-por-pares-de-corrupcao-nas-contas-da-confraria/. Acesso em: 16 abr. 2026. 

Coletivo Bereia, Disponível em: https://coletivobereia.com.br/pela-liberdade-de-expressar-aversao-a-mulheres-lei-da-misoginia-aprovada-no-senado-e-alvo-de-mentiras-e-circula-entre-religiosos/. Acesso em: 16 abr. 2026. 

Bispo Xico

https://bispoxico.blogspot.com/2026/04/misoginia-mentira-e-preconceito-o.html Acesso em: 16 abr. 2026. 

Vídeo de cristãos enterrados com mãos erguidas foi feito por IA

Circula em ambientes digitais religiosos um vídeo que mostra milhares de corpos cristãos enterrados no continente africano com as mãos levantadas ao céu. A pauta foi indicada por integrante do grupo de correspondentes do Bereia, que verificou a veracidade do vídeo e das informações.

A legenda do vídeo afirma que  há milhares de corpos enterrados no continente africano. Todos estariam com os braços fora da terra, direcionados para cima, como de costume cristão em orações. No vídeo há o letreiro “Milhares de cristãos”, e na legenda “África milhares de cristãos, enterrados vivos pelo regime islã”. Além disso, há um letreiro em destaque na imagem “Antes que comentem: não é IA”.

A versão que mais circula nas mídias digitais tem marca d’água que direciona ao perfil de um pastor evangélico, e foi publicada entre os dias 27 e 28 de fevereiro. No entanto, Bereia encontrou uma outra postagem, publicada de dois a três dias antes, sem as legendas inseridas pelo pastor.

A publicação mais antiga foi feita por um perfil identificado como criador de conteúdo, no Facebook. Nessa conta, Bereia levantou outra postagem, realizada no mesmo dia, com conteúdo parecido: milhares de corpos enterrados, no mesmo ambiente, mas com as cabeças para fora da terra. 

Bereia checou e concluiu que o conteúdo é falso e foi gerado por inteligência artificial. No vídeo, é possível ver pequenas deformações, como mãos muito alongadas, dedos deformados e quantidade de dedos menor que o usual. 

Além disso, a legenda apresenta características comuns a conteúdo falso nas redes digitais: não oferece informações básicas, como o local do ocorrido – apenas menciona genericamente o imenso continente africano – e a data em que tal massacre teria se dado.

Contexto sociopolítico

O vídeo circula em meio a afirmações de perseguição a cristãos na África e a conflitos geopolíticos no Oriente Médio. Em 2025, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump declarou que cristãos estariam sendo perseguidos na Nigéria, e sugeriu uma possível intervenção militar no país. 

Em resposta, o governo nigeriano afirmou não tolerar perseguição religiosa. A realidade no país é grave quanto a conflitos religiosos, mas não necessariamente ligada a uma perseguição ao cristianismo, e sim àqueles que são contrários a grupos terroristas políticos, como Bereia já checou. Inclusive, as estatísticas apontam para um maior número de muçulmanos assassinados, em relação ao número de cristãos.

Nos últimos dias, a crise no Oriente Médio, região majoritariamente islâmica,  tem dominado o noticiário, por conta dos ataques bélicos de Estados Unidos e Israel ao Irã, que levaram ao assassinato do líder supremo do país o aiatolá Ali Khamenei. A ação reacende debates sobre a disputa político-territorial, da ação estadunidense e israelense como ideia de salvação do mundo e supostas disputas entre cristãos e muçulmanos.

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Bereia confirma  que o vídeo com imagens de cristãos enterrados na África por islâmicos é falso. O material foi gerado por inteligência artificial e circula no ambiente digital religioso com o intuito de causar comoção e pânico. A publicação circula poucos meses após declarações de políticos dos EUA a respeito de uma suposta onda de perseguição a cristãos na Nigéria, país localizado na África Ocidental. O conteúdo viraliza também no contexto anti-islã propagado por extremistas de direita a propósito dos ataques de EUA e Israel ao Irã. 

Como Bereia já checou, são inúmeras as iniciativas em espaços digitais religiosos que incentivam a intolerância contra a religião islâmica com base em conteúdo fraudulento; esta é mais uma delas. Leitores e leitoras devem estar atentos às características básicas de imagens produzidas por IA e de conteúdo falso expostas nesta matéria para não serem usados como propagadores de desinformação. 

Vídeos manipulados com Inteligência Artificial exploram imagens dos padres Júlio Lancellotti e Marcelo Rossi



Circulam nas mídias sociais dois vídeos manipulados utilizando imagens indevidas dos padres Júlio Lancellotti e Marcelo Rossi. As peças de desinformação foram denunciadas por leitores ao Bereia. Assim como já ocorrido com o pastor Cláudio Duarte, as imagens são alteradas com uso de inteligência artificial para induzir o público ao erro.

Vídeo manipulado do Padre Júlio Lancellotti

No vídeo denunciado, imagens do padre Júlio Lancellotti são usadas para supostamente promover um pedido de doações em benefício de uma criança. Bereia realizou uma busca reversa das imagens utilizadas no vídeo utilizando o Google Lens e constatou que a criança apresentada como beneficiária é, na realidade, uma criança africana cuja imagem já foi utilizada em outras campanhas falsas na internet.

Esta manipulação reforça um padrão recorrente de ataques contra o padre Júlio Lancellotti, amplamente conhecido por seu trabalho social em defesa dos direitos de pessoas em situação de rua e combate à fome. Bereia já havia identificado e desmentido anteriormente outras tentativas de desinformação relacionadas ao líder religioso, sempre com teor difamatório ou para exploração financeira indevida da imagem pública do padre. Além disso devido seu posicionamento político em favor de causas sociais, o padre enfrenta uma campanha difamatória produzida por atores ligados à extrema-direita politica.

Bereia solicitou a remoção do vídeo na plataforma, porém a Meta informou que apesar do conteúdo não seguir os padrões da comunidade ele não foi removido.

Vídeo manipulado do Padre Marcelo Rossi

Outro vídeo denunciado envolve o Padre Marcelo Rossi e apresenta uma suposta oração para eliminar dívidas em três dias e ficar rico. A manipulação utiliza uma participação do padre no programa de auditório The Noite, apresentado pelo humorista e apresentador Danilo Gentili. Com o auxílio da ferramenta InVID-WeVerify, Bereia identificou indícios nítidos de manipulação por IA, tais como cortes abruptos, evidente descompasso entre o áudio e a movimentação labial do religioso. O intuito do produtor da peça seria convencer as pessoas para clicar em um link para direcionar pessoas a aquisição de guias e e-books. O vídeo postado como não listado no Youtube era compartilhado via WhatApp com link para sites fraudulentos.

As técnicas de edição do vídeo são semelhantes às já observadas em outras fraudes analisadas pelo Bereia, nas quais figuras religiosas são utilizadas indevidamente para promover produtos falsos e sem eficácia comprovada. Casos como estes dos padres Júlio Lancellotti e Marcelo Rossi e o do pastor Cláudio Duarte (para vender produto para tratamento de diabetes, que Bereia já checou) são explorados com uso de inteligência artificial para promover produtos e causas falsas explorando a credibilidade pública desses religiosos para atingir objetivos comerciais ilícitos ou causar danos reputacionais.

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Bereia alerta para que leitores e leitoras tenham atenção ao uso de Inteligência Artificial para a elaboração de vídeos com todo tipo de mensagens.  Nem toda produção com IA deve ser rechaçada, pois há usos corretos e dignos deste recurso, que favorecem o acesso a informações necessárias e o debate público. Tecnologia pode ser sempre utilizada a favor do direito à comunicação e à informação. O problema é o uso fraudulento!

Leitoras e leitores do Bereia: sempre que receber um vídeo que trate de destruir a imagem de alguma pessoa ou grupo, peça doações, ofereça produtos à venda ou indique cliques em algum site comercial utilizando a imagem de alguma liderança religiosa ou mesmo alguma pessoa de destaque público, não responda ou compartilhe: verifique antes a veracidade do material.  

Qualquer dúvida, chame o Bereia! Envie o material que gerou desconfiança para o WhatsApp: 21-978842525.

Nada será como antes: os desafios da era digital a uma pastoral libertadora

*Artigo publicado originalmente pelo Instituto Humanitas da Unisinos

A era digital – um tempo revolucionário marcado por realizações tecnológicas que, há poucas décadas, eram imagináveis apenas em desenhos animados, como o dos Jetsons, e em filmes de ficção – transformou não só a nossa capacidade de comunicar e de acessar informação.

Este tempo transformou muito fortemente os relacionamentos, o transporte, a medicina, a economia, o trabalho, o lazer, o consumo, a política, as religiões, a educação! Cada vez mais é preciso assumir a consciência de que nada será como antes depois da era digital!

Tivemos a comprovação do que é possível com estas tecnologias digitais no período da pandemia da covid-19, agora vivemos um tempo de euforia e perplexidade diante das novas modalidades de inteligência artificial (IA).

Nada será como antes! Isto significa buscar capacidade, condições de viver estas transformações sem abdicar de elementos fundamentais que formam os valores cristãos, para a coexistência humana e para a sobrevivência também.

Se não podemos negar a contribuição da cultura digital na agilização e na facilitação de várias frentes da cotidiana, ao mesmo tempo, temos densas dimensões críticas do ponto de vista social. Entre elas está a intensa redução dos postos de trabalho que são ocupados por máquinas, gerando alta no desemprego e consequências graves, e o fenômeno da “uberização” – o trabalho por aplicativos explorado ao máximo. Também, o aumento das desigualdades sociais, a partir da distinção entre as pessoas mais e menos qualificadas tecnologicamente, e a fixação das pessoas nas telas com o tempo livre sendo preenchido com conteúdo informativo, de trabalho, de entretenimento.

A concorrência de mercado pelo controle das mídias digitais e para extrair delas mais estímulos para o consumismo, coloca a privacidade em questão. É a algoritmização da relação empresas digitais-usuários, com amplo uso dos nossos dados pessoais – registros, fotos. E isto mexe com um fenômeno que é a sobrecarga de escolhas – nunca fomos submetidos a um cardápio tão grande de opções: de informação, de entretenimento, de serviços. Gasta-se um tempo considerável diante da tela escolhendo – um clique leva a outro, mas ao mesmo tempo temos a demanda da rapidez. Isto mexe com o processo cognitivo e gera incômodos, especialmente para quem não tem recursos financeiros para dar um clique rápido.

É fato que o digital aproximou pessoas e contribuiu com a superação de isolamentos sociais. Porém, ele provocou distanciamentos e novos isolamentos com o fortalecimento da aproximação entre iguais e rejeição dos diferentes – a ideia de bolhas digitais. Resultado disto é o aumento de expressões de violência, com o uso das tecnologias para atacar, ofender, agredir, caluniar, ameaçar. Algumas pessoas se expõem e outras fazem uso de perfis anônimos.

A facilidade do acesso às plataformas digitais se tornou livre acesso para articulações extremistas, em torno do ódio: desde disputas pessoais, grupais, linchamentos públicos, até mesmo grupos nazistas estão ganhando força no país!

A agressividade também se manifesta de outras formas: os cancelamentos. Em questão de minutos, a partir de uma divergência, uma discordância, um desafeto, alguém pode ser exposto negativamente e ser submetido ou submetido a um boicote virtual. Isto é uma punição e pode levar a pessoa julgada ao esquecimento social, ao isolamento forçado. Essa cultura tem provocado impactos significativos, como expressivo número de casos de suicídio.

Isto acontece no Brasil em diversos níveis, sob a capa de “liberdade de expressão”, a ponto de emergirem personalidades do cenário político e cultural, como representantes de quem defende estas expressões abertas de ódio. São fartamente vivenciadas também divisões entre famílias, círculos de amigos e nas igrejas e comunidades religiosas por conta da ampla assimilação desta cultura de violência.

Este tema nos leva à questão da desinformação – o que é popularmente denominado fake news. Mentir em público para defender interesses, sempre existiu, mas a cultura digital intensificou isto. Porém, a grupos cristãos interessa que pesquisadores mostram que são os que parecem ser os mais propensos à propagação. A passionalidade e a propaganda que atingem estes grupos religiosos são intensamente desenvolvidas por meio do pânico moral e da retórica do medo para gerar insegurança.

A gravidade destas situações ocorre também por carência de legislação para regular tais práticas das plataformas, o que avaliza a soberania das empresas de mídias (big techs) que agem livremente. Elas não oferecem transparência e ganham muito dinheiro com engajamento em violência e desinformação. Não são responsabilizadas até por atos de violência física e patrimonial, como os ataques de 8 de janeiro de 2023, por exemplo.

Tudo isto desafia muito a prática pastoral que se pretende libertadora! Já que a cultura digital é um caminho sem volta, é cada vez mais ampliada, e nada será como antes, não nos cabe o simplismo de tão só demonizar este processo, mas trabalhar por processos críticos, educativos e humanizadores.

Uma pastoral libertadora no contexto da cultura digital pode priorizar alguns caminhos:

1 – enfatizar e recuperar o valor da cultura do diálogo, que é parte do sentido do “ser” humano. Isto significa reconhecer os tempos de amplas possibilidades de comunicação, viabilizadas pelas tecnologias digitais, que faz emergir, porém, a incomunicação que alimenta a cultura do ódio.

2 – oferecer educação midiática digital – compreender não apenas como usar as mídias mas como funcionam, como operam as tecnologias.

3 – Orientar sobre a ética de quem se afirma cristão e cristã e da postura teológica para que haja atitudes compatíveis na ocupação das mídias digitais: não ser fonte de desinformação, não contribuir com polarizações e muito menos com o ódio, pacificar, humanizar, evangelizar as redes e não só nas redes. Questionar o isolamento em bolhas, a negação da diferença e da diversidade, o ódio, a violência, a superficialidade, a exacerbação da aparência (o que se quer mostrar ao invés do que se é de fato) e a religião da aparência e do sensacionalismo “caça-cliques”.

Assumir, portanto, a fé cristã em espaços digitais significa evocar uma compreensão de comunicação que seja plena, abrangente, ecumênica, e que vise à inserção cristã nos espaços públicos plurais, o que implica participação de cada cristão/cristã como cidadão.

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Imagem de capa: Unplash

Eleições 2024: um balanço da desinformação circulante em ambientes digitais religiosos

As eleições municipais de 2024 foram marcadas pela disseminação de mentiras sobre candidatos e sobre a confiabilidade do sistema eleitoral. Mais uma vez, Bereia acompanhou o modo como as religiões e temas religiosos veicularam no ambiente digital e como a desinformação foi instrumentalizada por candidatos a prefeitos e vereadores, e também por seus apoiadores. 

Nesta matéria, Bereia elencou grupos das principais mentiras e enganos que marcaram a campanha eleitoral em 2024, para os cargos municipais, a partir das próprias checagens e das que foram produzidas por projetos como Lupa, Aos Fatos e Comprova. Os conteúdos levantados utilizam informações falsas, enganosas e imprecisas como estratégia de campanha para conquistar votos, elevar a reputação de candidatos ou prejudicar a imagem de adversários políticos. 

Destaques das checagens do Bereia

Na campanha eleitoral, muitos conteúdos desinformativos foram reaproveitados e publicados em mídias religiosas. O objetivo é sempre o mesmo: confundir eleitores, prejudicar ou contribuir para a eleição de determinado candidato. Bereia checou uma série de desinformações “requentadas” mostrando como esses conteúdos foram usados e reutilizados em contextos como o das eleições.

Entre os conteúdos não repetidos que circularam no período, os temas são os mais diversos e também já conhecidos de leitores e leitoras do Bereia, por serem recorrentes: pânico sobre perseguição aos cristãos, o aparelhamento do uso do termo “ideologia de gênero” para fomentar pânico moral e desinformação sobre vacinas contra covid-19, entre outros temas. A novidade ficou por conta das afirmações em torno do populismo prisional, que sugeriram preferência de presos por determinado candidato:

De outros projetos: desinformação sobre o sistema eleitoral

Ataques ao sistema eleitoral brasileiro estão entre os temas mais recorrentes em conteúdos falsos. Neste ano, mais uma vez, menções equivocadas ao código-fonte das urnas e alegações de fraude voltaram a circular nas mídias sociais, disseminando mentiras já desmascaradas. Informações erradas sobre cassação de candidaturas, resultados e divulgação de pesquisas também foram usadas para desinformar o eleitorado.

De outros projetos: inteligência artificial e manipulação de imagens

A manipulação de fotos, áudios e vídeos não é uma novidade no fenômeno da desinformação, mas recursos de inteligência artificial (IA) têm contribuído para que conteúdos falsos sejam mais sofisticados e difíceis de identificar. É o caso da deepfake, uma técnica que utiliza IA para copiar vozes e rostos, construindo imagens e sons falsos, mas muitos semelhantes ao real. Neste ano, o recurso foi usado em ataques misóginos à deputada federal Tábata Amaral (PSB), na disputa pela Prefeitura de São Paulo: o rosto da candidata foi colocado em fotos sensuais de uma produtora de conteúdo adulto.

De outros projetos: mentiras sobre relações com o crime organizado

As últimas eleições também foram marcadas por falsas imputações de crimes e acusações de relações de candidatos com facções criminosas. Conteúdo falso associou políticos do Ceará e de São Paulo ao PCC, enquanto a Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, foi atribuído apoio do Comando Vermelho.

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É observada a consolidação do uso de desinformação como estratégia eleitoral. Este processo foi iniciado com as eleições de 2018 e continuou em 2020 e 2022 e nestas eleições municipais se mostra aperfeiçoado e mais intensificado. Bereia alerta leitores e leitoras para a importância da confrontação deste tipo de prática eleitoral que não apenas ameaça a democracia mas retira do eleitorado o direito à informação digna e construtiva. 

Referências:

Coletivo Bereia

https://coletivobereia.com.br/eleicoes-2024-site-gospel-recorre-a-populismo-prisional-ao-sugerir-preferencia-de-presos-por-boulos-em-sao-paulo/ Acesso em 29 OUT 24

https://coletivobereia.com.br/portal-gospel-desinforma-e-engana-com-materias-que-relativizam-caso-do-laudo-falso-publicado-por-marcal-contra-boulos/ Acesso em 29 OUT 24

https://coletivobereia.com.br/eleicoes-2024-pastor-e-cantor-evangelico-waguinho-pl-propaga-conteudo-falso-em-campanha-para-vereador-no-rio-de-janeiro/ Acesso em 29 OUT 24

https://coletivobereia.com.br/eleicoes-2024-damares-alves-desinforma-sobre-acoes-da-justica-eleitoral-contra-campanha-eleitoral-em-igrejas/ Acesso em 29 OUT 24

https://coletivobereia.com.br/candidatos-com-identidade-confessional-conhecidos-por-espalharem-desinformacao-divulgam-apoio-de-liderancas-religiosas/ Acesso em 29 OUT 24

https://coletivobereia.com.br/candidatos-cristaos-impulsionam-publicacoes-digitais-com-desinformacao-sobre-a-vacina-contra-covid-19/ Acesso em 29 OUT 24

https://coletivobereia.com.br/eleicoes-2024-liderancas-catolicas-produzem-campanha-eleitoral-enganosa-em-forma-de-corrente-no-whatsapp/ Acesso em 29 OUT 24

https://coletivobereia.com.br/site-gospel-engana-sobre-suspeita-de-atentado-em-incidente-em-carreata-de-pablo-marcal/ Acesso em 29 OUT 24

https://coletivobereia.com.br/eleicoes-2024-desinformacoes-requentadas-nas-redes-para-fins-politicos/ Acesso em 29 OUT 24

https://coletivobereia.com.br/eleicoes-2024-panico-sobre-plano-nacional-de-educacao-e-ideia-de-perseguicao-a-cristaos-preparam-terreno-para-eleicoes/ Acesso em 29 OUT 24

Aos Fatos

https://www.aosfatos.org/noticias/denuncias-sem-provas-de-ligacao-com-o-pcc/ Acesso em 29 OUT 24

https://www.aosfatos.org/noticias/boulos-nao-prometeu-implementar-linguagem-neutra-nas-escolas/ Acesso em 29 OUT 24

https://www.aosfatos.org/noticias/falso-marcal-declarou-apoio-a-boulos/ Acesso em 29 OUT 24

https://www.aosfatos.org/noticias/falso-boulos-selou-alianca-com-hamas/ Acesso em 29 OUT 24

https://www.aosfatos.org/noticias/falso-campanha-pablo-marcal-custo-zero/ Acesso em 29 OUT 24

https://www.aosfatos.org/noticias/falso-boulos-foi-cassado-marcal-disputara-segundo-turno/ Acesso em 29 OUT 24

Projeto Comprova

https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/boulos-nao-ultrapassou-marcal-na-mesma-hora-em-que-dilma-e-lula-dispararam-contra-adversarios-em-2014-e-2022/ Acesso em 30 OUT 24

https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/e-falso-que-candidatura-de-boulos-foi-cassada-e-marcal-esta-no-segundo-turno-contra-nunes/  Acesso em 30 OUT 24

https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/marcal-usou-documento-falso-para-alegar-que-boulos-foi-internado-por-uso-de-drogas/ Acesso em 30 OUT 24

https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/video-engana-ao-dizer-que-boulos-e-lider-do-mst-e-responsavel-por-queimar-fazendas/ Acesso em 30 OUT 24

https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/tabata-amaral-e-alvo-de-campanha-de-desinformacao-que-a-compara-a-criadora-de-conteudo-adulto/ Acesso em 30 OUT 24

https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/eleitor-nao-perde-voto-ao-apertar-confirma-durante-aviso-para-conferir-escolha-na-urna-eletronica/ Acesso em 30 OUT 24

https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/nao-ha-indicios-de-que-pablo-marcal-tenha-sofrido-tentativa-de-homicidio-em-comicio-caso-foi-registrado-como-ameaca/ Acesso em 30 OUT 24

https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/video-falso-e-usado-para-atribuir-apoio-do-comando-vermelho-a-eduardo-paes/ Acesso em 30 OUT 24

Lupa:

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/10/video-de-ato-na-paulista-e-de-fevereiro-nao-de-7-de-setembro-de-2024 Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/05/e-falso-que-maria-do-rosario-chamou-policial-que-reagiu-a-assalto-de-pm-opressor Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/05/deepfake-usa-imagem-de-pablo-marcal-para-promover-golpe-indeniza-brasil Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/05/e-falso-que-luciana-genro-do-psol-atentou-contra-a-vida-de-pablo-marcal Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/03/e-falsa-pesquisa-que-mostra-pablo-marcal-com-53-29-de-intencoes-de-voto Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/08/22/prefeitura-de-curitiba-nao-vai-distribuir-livro-sobre-50-icones-lgbt-para-alunos Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/08/22/ancelmo-gois-nao-e-autor-de-texto-que-liga-mafia-carioca-a-eduardo-paes Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/08/19/e-falso-que-codigo-fonte-de-urna-pode-revelar-voto-de-eleitor Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/08/19/homem-que-alega-fraude-eleitoral-nas-eleicoes-de-2022-nao-e-o-general-paulo-sergio-nogueira Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/08/16/e-falso-que-tres-municipios-do-ceara-tem-as-piores-escolas-do-brasil Acesso em  31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/10/07/e-falso-que-boulos-foi-cassado-e-que-marcal-ira-para-o-2o-turno Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/10/06/e-falso-que-marcal-vendeu-eleicao-para-o-tse-para-eleger-nunes Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/10/06/homem-em-video-foi-impedido-de-votar-por-erro-de-mesario-fato-nao-implica-fraude Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/10/06/stf-nao-cassou-candidatura-de-marcal-candidato-foi-intimado-a-prestar-informacoes Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/10/06/e-falso-que-a-pf-realizou-operacao-na-casa-da-prefeita-de-gurupi-to-site-da-gazeta-do-cerrado-foi-clonado Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/10/06/pesquisa-de-boca-de-urna-nao-sera-divulgada-antes-do-fim-da-votacao-em-sp Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/10/06/e-falso-que-marcal-aparece-isolado-em-1o-lugar-em-todas-as-pesquisas Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/10/06/e-falso-que-grupos-no-whatsapp-precisam-ser-fechados-no-dia-da-eleicao Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/10/06/chapa-de-oposicao-em-botupora-estara-nas-urnas-mas-aguarda-julgamento Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/10/05/video-de-eduardo-paes-em-festa-na-rua-e-antigo-e-nao-foi-gravado-na-mare Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/30/falta-contexto-em-video-de-marina-helena-sobre-ex-mulher-de-arthur-lira Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/27/flow-nao-recebeu-quase-r-500-mil-da-prefeitura-de-sp-para-debate Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/26/nao-e-sobrinha-de-eduardo-paes-mulher-que-zombou-de-tour-na-rocinha Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/24/e-falsa-imagem-de-tabata-amaral-com-seios-a-mostra Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/24/e-falso-que-pablo-marcal-levou-um-soco-no-debate-do-flow Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/24/foto-de-homem-com-tornozeleira-segurando-bandeira-de-maria-do-rosario-foi-editada Acesso em 31 OUT 

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/23/e-falsa-troca-de-mensagens-em-que-moraes-confessa-fraude-nas-urnas-em-2022 Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/23/e-falso-que-jornalista-em-video-viral-denunciou-datena-por-assedio-sexual Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/23/ea38be68-9b61-4724-8c11-e5cd51dce62e Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/19/voto-nas-eleicoes-de-2024-nao-serve-como-prova-de-vida-ao-inss Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/17/e-falso-que-lula-disse-que-nao-confia-nas-urnas-eletronicas-sem-impressao-de-votos Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/17/marcal-exagera-ao-dizer-que-2-890-cidades-tem-mais-bolsa-familia-que-clt Acesso em 31 OUT 24

https://lupa.uol.com.br/jornalismo/2024/09/11/e-falso-que-bolsonaro-xingou-marcal-durante-ato-do-7-de-setembro Acesso em 31 OUT 24

G1

https://g1.globo.com/fato-ou-fake/rio-de-janeiro/noticia/2024/08/23/e-fake-que-faccao-criminosa-realizou-convencao-para-apoiar-reeleicao-de-eduardo-paes.ghtml Acesso em 28 OUT 24

https://g1.globo.com/fato-ou-fake/sao-paulo/noticia/2024/08/23/e-fake-que-ricardo-nunes-tenha-recebido-bencao-de-padre-julio-para-reeleicao.ghtml   Acesso em 28 OUT 24

Metrópoles

https://www.metropoles.com/sao-paulo/marcal-posta-suposto-laudo-de-cocaina-de-boulos-que-nega-e-vai-pedir-prisao-de-rival  Acesso em 28 OUT 24

Terra Notícias

https://www.terra.com.br/noticias/eleicoes/sao-paulo/guilherme-boulos-ja-foi-preso-entenda-se-afirmacao-de-pablo-marcal-em-debate-e-verdadeira,78e49a8a1d2f7d8c05eac46306c5b6a41145wdwv.html?utm_source=clipboard  Acesso em 28 OUT 24

Estadão

https://www.estadao.com.br/estadao-verifica/tabata-amaral-fotos-conteudo-adulto-falso/  Acesso em 28 OUT 24

Imagem de capa: Mohamed Hassan / Pixabay

Líderes religiosos têm imagem explorada em anúncios fraudulentos nas plataformas da Meta

Imagine um medicamento milagroso que promete a cura para a impotência sexual promovido pelo pastor Cláudio Duarte ou ainda gotinhas que prometem eliminar as dores decorrentes da fibromialgia anunciadas pelo padre Fábio de Melo. Pode parecer estranho, mas foi o que pesquisadores do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab) da UFRJ encontraram em cerca de 1.850 anúncios veiculados nas plataformas da Meta (Facebook e Instagram), entre 1º e 20 de julho de 2024.

Esses anúncios, além de explorarem a fé dos usuários, utilizaram a inteligência artificial (IA) para falsificar a voz e os vídeos dos líderes religiosos, dando a impressão de que eles apoiam os produtos. Foram identificadas 1.668 propagandas fraudulentas com a imagem de padres e pastores, entre eles Marcelo Rossi, Reginaldo Manzotti, Silas Malafaia e Rodrigo Silva.

As peças promoveram medicamentos sem eficácia científica, como tratamentos para dores articulares, fibromialgia e até produtos para emagrecimento. Além disso, alguns anúncios vendiam o livro “Guia da Mulher Sábia”, falsamente atribuído ao pastor Claudio Duarte.

Chama atenção de pesquisadores o fato de que os conteúdos circulavam livremente, sem qualquer aviso sobre o uso de IA. A Meta não moderou ou rotulou nenhum dos conteúdos, de acordo com o relatório. O caso pode colocar os usuários em risco, tanto financeiro quanto à saúde, ao serem induzidos a consumir produtos ineficazes e potencialmente perigosos.

Outro ponto de atenção está na estratégia de distribuição. Para explorar a confiança que os fiéis depositam nessas figuras religiosas, os anunciantes utilizaram técnicas de microssegmentação da Meta que facilitam a entrega desses anúncios para públicos específicos, como idosos e pessoas com problemas de saúde, alvos frequentes desses golpes.

De acordo com pesquisadores da UFRJ, “a exploração da imagem de padres e pastores sugere que dados sobre crença religiosa dos usuários podem ser usados pela Meta para entregar anúncios”. Esse dado é classificado como sensível devido a seu alto potencial discriminatório, de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Contudo, a Meta não disponibiliza os dados da microssegmentação aplicada pelos anunciantes nem do público atingido por esse tipo de anúncio. 

Acesse ao relatório completo do NetLab aqui

Eleições 2024: jogo alerta e ensina eleitores sobre o uso de inteligência artificial para desinformação nas campanhas 

Um jogo para ensinar sobre falsidades na campanha eleitoral é a iniciativa da Agência Lupa, primeira agência de fact-checking do Brasil, em consórcio com a Politize!, organização dedicada à educação política, e a App Cívico, uma consultoria em projetos de tecnologia cívica. O jogo digital IAgora funciona como um simulador de uma campanha eleitoral. Na brincadeira, o jogador assume o papel de marqueteiro e coordenador da campanha de reeleição de um prefeito fictício, mas com desafios e estratégias familiares ao noticiário político brasileiro.

Imagem: IAgora.org

No IAgora, eleitores podem aprender, na prática, como identificar e se proteger das táticas e técnicas de manipulação usadas para enganar o público com o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA). De acordo com os desenvolvedores, o jogo atua como uma “vacina” contra a desinformação: ao jogá-lo, o jogador desenvolve resistência cognitiva contra as formas comuns de desinformação que poderá encontrar durante as eleições.

Identificar os inimigos da democracia

Em um fluxo de jogo simples e intuitivo, IAgora mostra ao usuário, no papel de coordenador de campanha, como usar cinco táticas de manipulação com grande potencial de ajudar seu candidato a ganhar uma eleição. São elas:

  • Emoção – marcada pelo uso de termos chamativos que remetem à urgência e provocam sentimentos intensos (medo, raiva, alegria, rejeição,  identificação) no eleitor;
  • Teorias da Conspiração – utiliza ferramentas para provocar dúvidas, inseguranças, medos e desconfiança em relação às instituições e autoridades, inclusive no próprio processo eleitoral;
  • Polarização – combina a simplificação de questões complexas com a criação de supostos inimigos, reduzindo um tema ou um debate plural a apenas dois polos;
  • Trollagem – usa de conteúdos de humor para provocar agitação, ofensas e discórdia;
  • Falso Especialista – busca validar determinada visão sobre um tema polêmico por meio de um indivíduo ou grupo que se apresenta como autoridade no assunto, mas não possui conhecimento ou qualificação real.

Desse modo, o jogador é convidado a usar ferramentas de inteligência artificial para manipular imagens verdadeiras, produzir áudios, vídeos e perfis falsos durante a corrida eleitoral. Além de mostrar o impacto e as consequências do uso da desinformação, IAgora explica porque essa tática ainda é um recurso muito usado na política:

“Mesmo que parte da população saiba que o áudio é falso, a maioria das pessoas que recebeu essa mensagem não vai nem desconfiar da veracidade. Isso acontece porque as pessoas recebem os áudios em grupos de pessoas que confiam, como os grupos de família. Com isso, vão acreditar e relacionar inconscientemente uma imagem positiva do seu candidato à educação.”

Educação para IA e o exercício da cidadania 

A indústria da desinformação ganhou escala nas últimas eleições com a ajuda da IA, comprometendo as democracias em diversos países pelo mundo. Nesse sentido, IAgora chega para preencher uma lacuna no campo da educação para o exercício da cidadania nas eleições no que diz respeito ao voto. A iniciativa reconhece que a liberdade para a escolha consciente dos candidatos vem sendo ameaçada pela disseminação da desinformação, o que é popularmente conhecido como fake news, mas inclui muito mais do que é falso, como o Bereia tem mostrado com as checagens.

O pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora João Pedro Chevi, no artigo Info-víduo: novas tecnologias geram novas demandas descreve com clareza a ideia básica de funcionamento daquilo que nos acostumamos a chamar de IA,

“[…] nada de radicalmente novo pode passar a existir através da IA, já que todas as possibilidades de mutações devem se situar dentro do espaço de possibilidades definido pelo programa. Para algo existir, precisa ser percebido no mundo exterior, portanto, se não percebemos e transcrevemos para a máquina, esta coisa não é uma possibilidade, uma vez que os programas consomem informações de bancos de dados. Logo, de acordo com biólogos e filósofos, apenas biologicamente seria possível a criação de novos sensores perceptivos.”

Dessa maneira, ainda que os algoritmos conhecidos como inteligência artificial não sejam capazes de raciocinar ou perceber o mundo como os seres humanos, todavia, podem predizer cenários e tendências, bem como influenciar as escolhas humanas. Seria possível até mesmo “construir” mundos paralelos, por conta da magnitude dos dados (entregues livremente pelos usuários) que alimentam esses sistemas digitais orientados a mecanismos estatísticos de altíssima complexidade.

É assim que a IA pode influenciar usuários de mídias sociais num cenário de eleições municipais, por exemplo. Isto ocorre na medida em que o perfil de cada usuário e seu mundo (características pessoais, relações sociais, gostos, desgostos, opções políticas, sociais, sexuais, culturais, etc) é copiado para dentro da base de dados manipulada pela inteligência artificial. 

O professor Sérgio Amadeu da Silveira, da Universidade Federal do ABC, um dos maiores especialistas no assunto exemplifica bem este processo:

“[…] aqueles códigos invisíveis que agem na internet, orientando o resultado das buscas que fazemos, decidindo pelo usuário da rede social quem aparecerá na timeline dele ou para quais amigos suas postagens serão exibidas e ainda escolhendo os anúncios que milagrosamente aparecem nos sites e aplicativos – são também capazes de agir, ainda que indiretamente, sobre o comportamento e as posturas dos internautas.”

Obviamente, para o funcionamento eficiente dessas ferramentas sempre tem alguém ou algum grupo de interessados que definem as regras e os parâmetros de funcionamento de um sistema digital baseado em inteligência artificial. Não poucas vezes isso é usado para atingir objetivos de lucro ou poder a qualquer custo, sem respeito à realidade dos fatos ou a valores éticos, exatamente como acontece na realidade fictícia proposta pelo game. 

Imagem: IAgora.org

É justamente neste contexto, de ausência de educação digital ou mesmo de ausência de uma educação para o manejo das mídias digitais, no cenário da comunicação social, sobretudo em tempos de pós-verdade, como o atual momento histórico, que a manipulação acontece em escala, com o auxílio da IA. 

Razão porque existe o trabalho árduo de agências de checagem de notícias, como o Coletivo Bereia e a Agência Lupa, entre outros projetos, que, além de prestarem o necessário serviço de fact checking (checagem de notícias) à sociedade, também oferecem bons serviços de educação cidadã no campo do jornalismo e da comunicação social. 

Referências

IAgora, ONLINE. https://iagora.org/about. Acesso 17 set 2024. 

GAMEREPORTER. https://www.gamereporter.com.br/politize/. Acesso 17 set 2024. 

JOÃO PEDRO CHEVI. https://medium.com/@projetomemoria8/info-v%C3%ADduo-novas-tecnologias-geram-novas-demandas-bafcb6dacbe3. Acesso 17 set 2024.

Elisa Marconi e Francisco Bicudo. https://revistagiz.sinprosp.org.br/cultura/como-algoritmos-afetam-a-democracia/. Acesso em 18 set 2024.

Info-víduo: novas tecnologias geram novas demandas

O projeto de extensão MemórIA, da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora, publicou recentemente artigo do pesquisador João Pedro Chevi em que trata dos impactos das novas tecnologias na individualidade, criando novas realidades. Uma linha de pesquisa comum ao campo da Comunicação, agora abordando a exponencialidade da Inteligência Artificial.

“A forma de rede do cidadão digital, da pessoa digital e a do indivíduo físico não são uma identidade dada, mas uma forma plural interativa, que precisa ser construída continuamente pela administração do fluxo de dados. O info-víduo não é, portanto, a sombra aumentada do sujeito político moderno e do ator social, cujas atividades são gerenciadas e reguladas pelas leis vigentes, mas uma complexa rede de interações que habitamos e que compõem nossa pessoa plural.”

Leia o artigo completo na página do Projeto MemórIA no Medium.

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Foto de capa: Cottonbro studio/Pexels

Conteúdo falso sobre Fórum Econômico Mundial proibir a Bíblia repercute em meios religiosos

Matéria publicada pelo site Tribuna Nacional repercutiu nas mídias sociais digitais religiosas nos últimos dias. Intitulado “WEF ordena que o governo proíba a Bíblia e publique a versão ‘verificada’ sem Deus”, o texto afirma que o professor israelense Yuval Noah Harari declarou que “a Bíblia é uma notícia falsa e cheia de discurso de ódio, e as elites podem usar IA para substituir a Bíblia e criar uma ‘religião unificada que é realmente correto’.”

A matéria foi publicada na área do site destinada aos conteúdos relacionados  à Nova Ordem Mundial – suposta conspiração das elites globais para dominar o mundo. 

Yuval Noah Harari é historiador, filósofo e autor de best-sellers como “Sapiens: Uma breve história da humanidade” e “Homo Deus: Uma breve história do amanhã”. De acordo com as informações publicadas por Tribuna Nacional,  Harari “atuaria como braço direito” de Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial (WEF na sigla em inglês). 

Imagem: reprodução do site Tribuna Nacional

Além disso, Harari teria declarado que o poder da Inteligência Artificial ​​poderia ser aproveitado e usado para remodelar a espiritualidade na visão globalista do Fórum Econômico Mundial. Ela seria“uma nova religião mundial chegou e une toda a humanidade em adoração no altar da ciência climática, tecnocomunismo oculto e eugenia”.

A publicação afirma que o Fórum Econômico Mundial está se “tornando cada vez mais hostil ao cristianismo e às principais religiões e está claro que Klaus Schwab está tentando suplantar Jesus”. Diz ainda “a pandemia de Covid foi um ensaio geral para as elites transformarem o globo em uma prisão digital”.

Vídeo de Yuval Harari é descontextualizado 

Bereia checou as informações e o conteúdo da matéria publicada pela Tribuna Nacional é a transcrição de um vídeo publicado pelo canal THE PEOPLE ‘S VOICE. O vídeo apresenta alguns trechos de entrevistas do  professor Yuval Harari. Praticamente todo o conteúdo publicado pelo site Tribuna Nacional vem desta página. 

Imagem: reprodução do canal The People’s Voice, na plataforma Rumble

O primeiro fragmento com falas do professor foi retirado de uma entrevista na Fundação Francisco Manuel dos Santos, em Portugal. Nessa entrevista, Harari reflete sobre os avanços da humanidade, as suas grandes ameaças e a forma como a inteligência artificial tem de ser regulada para evitar que se torne um monstro  que destruirá a humanidade como a conhecemos.

Harari explica que ao longo dos anos as religiões sonharam com um  livro escrito por uma inteligência sobre humana ou não-humana e dentro de alguns anos poderão existir religiões com livros sagrados escritos por inteligências artificiais Ele alerta que mesmo uma nova Bíblia, por exemplo, poderia ser escrita por Inteligências Artificiais. 

Yuval Harari utilizou este exemplo para ilustrar o poder e os perigos desta nova tecnologia, que ainda estaria no estágio de “ameba”, mas em “desenvolvimento extremamente veloz”. O escritor não fez qualquer referência a mudanças na Bíblia ou mesmo críticas a qualquer passagem do livro sagrado. 

Nos trechos seguintes divulgados por Tribuna Nacional, diversos fragmentos de entrevistas são editados e retirados de seu contexto. O apresentador do vídeo, replicando um âncora de jornais televisivos convencionais, conduz a narrativa, desorienta e apresenta falsas informações “corroborando” as falas retiradas de contexto e editadas. 

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Desta maneira, Bereia classifica os vídeos como enganosos, pois de fato existiram e foram manipulados, e a matéria publicada pelo site Tribuna Nacional como falsa. O professor Yuval Harari não disse que a Bíblia é uma notícia falsa e cheia de discurso de ódio, nem que as elites podem usar IA para substituir a Bíblia e criar uma “religião unificada que é realmente correto.”

As entrevistas e palestras do escritor foram editadas e retiradas do contexto para servirem como pano de fundo para teorias da conspiração envolvendo o Fórum Econômico Mundial. A perseguição religiosa mais uma vez é utilizada como ferramenta para criar pânico e espalhar notícias falsas, como Bereia já tem reportado em diversas checagens.

Referências de checagem:

Yuval Harari. https://www.ynharari.com/pt-br/ Acesso em 26 JUN 2023

Fórum Econômico Mundial.

https://www.weforum.org/about/klaus-schwab Acesso em 26 JUN 2023

https://www.weforum.org/about/world-economic-forum Acesso em 26 JUN 2023

YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=oQMxYU6EYZQ Acesso em 26 JUN 2023 

Coletivo Bereia. https://coletivobereia.com.br/?s=cristofobia Acesso em 27 JUN 2023