Balanço Janeiro 2026: Prefeitura de São Paulo destinou milhões aos eventos das igrejas Lagoinha e Renascer no final de 2025

Recursos públicos no valor R$ 5 milhões foram destinados pela Prefeitura de São Paulo para financiar dois eventos ligados a igrejas evangélicas durante as festividades de fim de ano de 2025. Os valores foram repassados à Convenção Batista Lagoinha, responsável pelo evento Vira Brasil – São Paulo, e à Igreja Renascer em Cristo, para a realização de apresentações musicais na capital paulista. O Bereia checou as informações e confirmou que os repasses ocorreram.

O prefeito católico Ricardo Nunes (MDB) autorizou o investimento por meio de contratos firmados com apoio da administração municipal. Do total, R$ 1 milhão foi destinado a apresentações realizadas em 27 de dezembro, na chamada Renascer Arena, espaço que funciona há cerca de dez anos como local de eventos da Igreja Renascer em Cristo.

Os contratos públicos custearam os cachês de artistas do segmento gospel, que totalizaram R$ 1 milhão. Os valores individuais foram: Aline Barros (R$ 220 mil), Anderson Freire (R$ 180 mil), Imaginaline (R$ 140 mil), Preto no Branco (R$ 120 mil), Jottapê (R$ 100 mil), Nesky Only (R$ 90 mil), André e Felipe (R$ 80 mil) e Soraya Moraes (R$ 70 mil). Nos documentos oficiais de contratação não há menção explícita ao caráter religioso da programação.

Imagem: Virada no ano na “Renascer Arena”. Fonte: @igrejarenasceremcristo

 O segundo evento recebeu R$ 4 milhões por meio da Secretaria Municipal de Turismo, como patrocínio ao Vira Brasil – São Paulo, organizado pela Convenção Batista Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão. O evento ocorreu na Neo Química Arena, estádio do Corinthians, durante a virada do ano.

Imagem: Evento Vira Brasil. Fonte: @jonhfpv

 Do total destinado ao evento, R$ 2.792.690 foram utilizados para o aluguel do estádio. A programação ofereceu entradas gratuitas em um setor específico e ingressos pagos em outras áreas, com valores que chegaram a R$ 3 mil e R$ 7 mil, além de taxas adicionais.

O pedido formal de patrocínio foi encaminhado pelo pastor da Igreja Lagoinha André Valadão à Prefeitura em 13 de dezembro. No documento, o objetivo foi descrito como a realização de “um grande evento de virada de ano que una arte, cultura e propósito, transformando São Paulo em ponto de encontro para famílias brasileiras, jovens e comunidades celebrarem o novo ano com esperança e alegria”.

Desde o primeiro mandato, Nunes tem se declarado “defensor de valores cristãos” e mantém presença frequente em igrejas e eventos evangélicos. Em 2023, participou da inauguração da nova sede da Igreja Assembleia de Deus, Ministério Belém, na capital paulista.

Em 2024, ano de disputa eleitoral pela reeleição à Prefeitura, intensificou a agenda em templos religiosos e incorporou referências explícitas ao cristianismo em sua comunicação de campanha. Entre os materiais divulgados, utilizou o slogan “em defesa dos valores cristãos” e mensagens de apelo político conservador, como: “Quem tem que educar e transmitir valores é a família. Doutrinação nas escolas é inaceitável. Defendo que as escolas respeitem sempre os valores das famílias paulistanas.”

Imagem: Marcelo Pereira. Fonte: Secretaria de Comunicação de São Paulo

Repercussão e questionamentos

Os repasses de recursos públicos a igrejas no final de 2025 ganharam repercussão nas redes  digitais e foram alvo de críticas. Parte das manifestações relacionou os gastos com as deficiências na situação estrutural da cidade, que enfrenta problemas recorrentes, como interrupções no fornecimento de energia após quedas de árvores e alagamentos em diferentes regiões.

Parlamentares do PSOL também protocolaram ações contra o prefeito Ricardo Nunes após a confirmação dos repasses. A deputada federal Erika Hilton (PSOL) e a vereadora Amanda Paschoal apresentaram representação no Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP), para apontar possíveis irregularidades no contrato firmado às vésperas do réveillon.

Conforme as parlamentares, o valor do patrocínio, inicialmente fixado em R$ 4 milhões, foi ampliado para R$ 5 milhões por meio de aditivo assinado na noite de 30 de dezembro, sem apresentação de justificativa técnica, estudo de impacto orçamentário ou contrapartidas adicionais para o município.

O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) também criticou o repasse de recursos para a realização dos eventos. Em publicação no seu perfil da rede X, o parlamentar afirmou que o problema estaria na “mercantilização da fé financiada com dinheiro de todos nós, sem qualquer critério republicano, sem transparência e em desrespeito aos princípios básicos da administração pública”. Além das manifestações nas redes digitais, Bonduki informou que encaminhou notícia à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público do Ministério Público de São Paulo (MPSP) para apuração do caso.

Imagem: Post do vereador Nabil Bonduki (PT-SP). Fonte: X

Tribunais de Contas e Ministério Público dedicam atenção a estas práticas

Um levantamento do jornal O Globo em maio de 2025 identificou que, em um ano, ao menos 38 prefeituras em 16 estados destinaram recursos públicos a eventos de cunho cristão, somando mais de R$ 13,8 milhões. Foram financiadas 27 celebrações evangélicas, 13 católicas e uma cristã sem especificação. A matéria ressalta que não há legislação nacional que regulamente a destinação de verbas públicas para eventos religiosos. Porém este tipo de gastos que não exigem licitação incomodam Tribunais de Contas estaduais, que questionam a ausência de transparência nos repasses, e geram representações no Ministério Público.

No Rio de Janeiro, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) multou o então prefeito de Teresópolis Jorge Mario, em 2013, por destinar R$ 119 mil a um evento da Marcha Para Jesus em 2010. em 2025, uma edição deste evento ocorreu no Centro do Rio, com um aporte de R$ 1,9 milhão da Prefeitura. Outros dois eventos religiosos foram bancados recentemente pelo poder público no Rio de Janeiro: a Expocristã (R$ 3 milhões) e o Cariocão: Desbravando o Rio, promovido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Contestações se repetem em outras cidades como a de Ouro Branco, no Rio Grande do Norte. Lá, o Ministério Público recomendou à Prefeitura que evitasse gastar verbas públicas em eventos como o Dia do Evangélico. Em 2025, porém, uma festa católica recebeu R$ 17 mil dos cofres municipais. Na cidade maranhense de Zé Doca (MA), o Ministério Público tentou suspender o “carnaval cristão” de fevereiro de 2025, chamado de “1° Zé Doca com Cristo”. A Justiça negou o pedido, e o evento foi realizado com um aporte de R$ 600 mil do pequeno município.

Outras cidades menores também contratam grandes nomes da música cristã por valores significativos. Em São Miguel das Matas (BA), a cantora gospel Bruna Karla recebeu R$ 180 mil no Dia do Evangélico, o que representa mais de 80% do orçamento previsto para obras em unidades de saúde neste ano na cidade. Em Campestre de Goiás (GO), de apenas três mil habitantes, a festa em louvor a São Sebastião e Nossa Senhora das Graças teve custos com verbas públicas em um valor equivalente a 50,7% da arrecadação anual do IPTU.

O coordenador do Centro de Estudos sobre Direito e Religião da Universidade Federal de Uberlândia Rodrigo Vittorino,  expôs ao jornal O Globo a complexidade do tema: “Há uma linha tênue entre religião e cultura. Muitas atividades religiosas têm componente cultural ou turístico, o que dificulta a fiscalização. Precisamos de critérios. Patrocinar proselitismo é inaceitável, mas há festas tradicionais que sempre receberam apoio”.

As Prefeituras justificam os repasses dizendo que apoiam manifestações culturais e religiosas “independentemente de credos”,  que “a fé é uma escolha individual dos cidadãos”, que o “Estado laico não é antirreligioso” e que respeitam todas as religiões.  

O cientista político do Observatório Evangélico Vinicius do Valle porém avalia que na prática religiões de matriz africana são negligenciadas nesses eventos: “A presença [desses grupos religiosos] no espaço público é frequentemente reprimida. As controvérsias emergem pela desigualdade de tratamento”.

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O Bereia confirma, portanto, que a informação sobre a destinação de verbas públicas da Prefeitura de São Paulo para eventos ligados a igrejas evangélicas é verdadeira, com base nos contratos oficiais, nos registros de empenho e nos documentos administrativos que confirmam os repasses realizados no fim de 2025. 

Referências: 

Forum. https://revistaforum.com.br/politica/prefeitura-de-sp-nunes-da-r-4-milhoes-a-evento-da-igreja-lagoinha-dos-valadao/. Acesso em 10 de fev de 2026.

PSOL. https://psol50.org.br/psol-sp-denuncia-que-ricardo-nunes-repassou-5-milhoes-a-igreja-lagoinha/. Acesso em 10 de fev de 2026

Jornal do Brasil. https://www.jb.com.br/brasil/informe-jb/2025/12/1058147-prefeitura-de-sp-nunes-da-rs-4-milhoes-a-evento-da-igreja-lagoinha-dos-valadao.htm. Acesso em 10 de fev de 2026

Hora do Povo. https://horadopovo.com.br/apagao-no-centro-de-sp-deixa-30-mil-residencias-sem-luz-e-enel-ainda-nao-explica-falha/. Acesso em 11 de fev de 2026. CNN Brasil. https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/chuva-forte-causa-alagamentos-em-sao-paulo/. Acesso em 11 de fev de 2026.

Deputados cristãos usam falsa unanimidade religiosa para dificultar direitos de meninas estupradas 

Câmara aprova projeto que suspende diretrizes sobre aborto legal em crianças e adolescentes vítimas de estupro. Senado ainda votará tema


A Resolução 258/24 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) que garantia direitos a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual foi cancelada em votação na Câmara dos Deputados, em dia 5 de novembro de 2025. Os parlamentares aprovaram  o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 3/2025, que susta  a resolução que estabelecia diretrizes para o atendimento humanizado de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, garantindo acesso ao aborto legal sem a necessidade de boletim de ocorrência ou autorização dos responsáveis em casos de suspeita de violência intrafamiliar. 

De autoria da deputada católica Chris Tonietto (PL-RJ) e relatado pelo também católico Luiz Gastão (PSD-CE), o PDL foi aprovado com 317 votos favoráveis contra 111, e agora segue para o Senado. Parlamentares das bancadas católica e evangélica argumentam que o Conanda  extrapolou suas competências ao “legislar sobre aborto”. Porém, este argumento ignora um dado brutal: no Brasil, 20 mil meninas com menos de 15 anos engravidam todos os anos, mas apenas 200 conseguem acessar o aborto legal previsto em lei. 

O discurso  construído no plenário da Câmara para aprovação do projeto foi de “defesa da vida” e de “proteção da família”, mas os números revelam outra história. Entre 2014 e 2023, mais de 204 mil meninas de 10 a 14 anos deram à luz no país — uma média de 57 partos por dia, ou uma menina que se torna mãe a cada 30 minutos. Em 2023, quase 14 mil meninas nesta faixa etária tiveram filhos, mas apenas 154 acessaram o aborto legal, o que representa 1,1% do total. Para cada criança que consegue interromper uma gestação fruto de estupro, 31 são forçadas a parir. Esses dados não são abstratos: são corpos de meninas violentadas, em sua maioria por familiares, que têm cinco vezes mais chances de morrer durante a gestação, o parto ou o puerpério.

Durante o debate em plenário, a deputada Chris Tonietto afirmou que “a violência sexual não pode ser combatida com o aborto, que é outra violência”. O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) declarou que o objetivo era “frear a indústria do aborto, a cultura da morte”. A deputada Bia Kicis (PL-DF) defendeu a exigência de boletim de ocorrência para “identificar e punir o estuprador”, ignorando ou se opondo à Lei da Escuta Protegida (13.431/17) e à Lei do Minuto Seguinte (12.845/13) que dispensam o B.O. justamente para evitar a revitimização. A retórica da “defesa da vida” se concentra no feto, mas silencia sobre as vidas das meninas.

O aborto legal frente à violência sexual

Como Bereia já publicou, a legislação atual sobre o aborto no Brasil tem raízes no Código Penal de 1940, aprovado durante o Estado Novo (1937-1945), presidido por Getúlio Vargas. O Código Penal passou a permitir a interrupção da gravidez quando há risco de vida para a gestante ou em casos de estupro. Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou ação que autorizou a interrupção da gravidez também em casos de anencefalia (má formação do cérebro) do feto. 

Fora dessas exceções, o aborto no Brasil é considerado um crime sujeito a penas de detenção tanto para a gestante quanto para quem realiza o procedimento. Em 2016, no julgamento de um recurso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a de autorização do aborto nos casos de anencefalia  se aplicava também a outras malformações incompatíveis com a vida. 

Nos casos de estupro ou risco à vida da gestante, não há um limite de tempo específico de gestação estabelecido pela lei para que o aborto legal possa ser realizado. 

Para o que estiver fora destas situações e representar aborto por vontade própria ou sem consentimento da gestante, o Código Penal, prevê punições de detenção.

A falsa unanimidade religiosa

O que parlamentares como Chris Tonietto, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Otoni de Paula alegam como “posição cristã” não representa a totalidade do campo religioso. Embora grupos conservadores católicos e evangélicos dominem o debate público e legislativo, há vozes dissonantes dentro das próprias tradições cristãs que questionam essa instrumentalização da fé para negar direitos a meninas e mulheres.

A articuladora nacional da ONG Católicas pelo Direito de Decidir Keli de Oliveira, ouvida pelo Bereia, , avalia o debate com preocupação. “Mesmo diante do aumento do número de estupros que atinge principalmente meninas de até 13 anos e da grave realidade de gestações resultantes dessa violência, não nos parece que a maioria dos parlamentares brasileiros se importe ou se sensibilize com essa situação. Pelo contrário, as últimas movimentações do Congresso Nacional, especialmente de parlamentares e bancadas que se dizem ‘defensoras da vida’, têm se voltado a atacar os poucos direitos de meninas e mulheres”, afirma.

Keli de Oliveira destaca que a Resolução 258 do Conandanão cria novos direitos, apenas estabelece  fluxos para que crianças e adolescentes vítimas de estupro fossem acolhidas de forma humanizada e tivessem acesso a todas as opções legais, entre elas o aborto seguro. “Atuam não para amparar, mas para dificultar o acesso dessas meninas a direitos garantidos por lei”, critica.

A percepção de que o campo religioso é unânime na condenação ao aborto não corresponde à realidade. “Apesar de haver uma crescente mobilização de grupos religiosos antidireitos, principalmente evangélicos e católicos, que impõem seu conservadorismo religioso na agenda pública e política do país, há também grupos e pessoas religiosas que combatem a desinformação e defendem o direito de decidir e de escolher em relação ao aborto”, explica a articuladora católica. 

Ela se apoia na própria doutrina católica, que nunca teve uma posição única sobre o aborto. “Doutrinas de ordem moral, como o probabilismo, formulada no século XVII, afirmam que ‘uma obrigação moral sobre a qual há dúvidas não pode ser imposta como se fosse única e certa’. Assim como outras reflexões presentes na tradição teológica da Igreja, essa perspectiva reafirma o direito à decisão e à livre consciência diante dos dilemas individuais”, explica Keli de Oliveira.

Diferentemente das posições religiosas conservadoras, as Católicas pelo Direito de Decidir defendem o Estado laico, livre de interferências religiosas na formulação e condução das políticas públicas. “Nós nos apoiamos na teologia feminista e em um pensamento ético-religioso que reconhece nossa autoridade moral para tomar decisões”, afirma Keli de Oliveira.

Interpretações bíblicas e o direito à vida

Bereia também ouviu a  pastora e teóloga batista  Odja Barros. Ela explica que o direito à vida em diferentes tradições religiosas cristãs está muito relacionado às interpretações. “A interpretação da Bíblia e da teologia historicamente foi feita por homens que desconsideraram o direito à vida das mulheres”, pontua. Segundo ela, o discurso cristão fundamentalista deixa de lado os corpos femininos com uma visão antropocêntrica e patriarcal.

Para a pastora, o discurso de católicos e evangélicos que defenderam o retrocesso do aborto legal em crianças e adolescentes demonstra uma total desconsideração pelo número de meninas que gestam com menos de 14 anos, e que na maioria das vezes são violentadas pelos próprios membros da família. Ela reforça que a tradição judaico-cristã alerta biblicamente para o direito à vida de três grupos vulnerabilizados: os pobres (vítimas de um sistema que favorece os que têm poder), as viúvas (as mulheres mais vulnerabilizadas à época bíblica, que necessitavam de um amparo masculino) e os estrangeiros (por serem tratados nessa cultura como ameaça).

Odja Barros questiona políticos e lideranças religiosas: “para aplicarmos de forma literal a bandeira do direito à vida, teríamos que garantir amplamente o direito desses grupos mais desprotegidos que sofrem mais violência no contexto social, político e religioso. E justamente hoje são os corpos das meninas e mulheres que ao longo do tempo não foram validados por uma estrutura que nega direitos”.

O papel das lideranças religiosas conservadoras

Keli de Oliveira aponta que o conservadorismo religioso tem se imposto com uma agenda política poderosa, que se intensificou nos últimos anos. “É preocupante como esses grupos vêm se articulando e construindo alianças com a extrema direita, territorializando suas ações por meio da apresentação de projetos de lei em câmaras municipais, que atacam principalmente os direitos de meninas, mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e a laicidade do Estado”,diz.

Apesar do impacto que causam, especialmente na vida dessas meninas, essas lideranças não são uma voz única. Embora possam influenciar a opinião pública, há também reação do campo progressista e apoio da sociedade quando o tema é garantir o direito ao aborto para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Um exemplo foram os massivos protestos e a ampla desaprovação social ao PL 1904/24, que previa punir severamente vítimas de estupro, inclusive crianças, como Bereia informou.

Keli de Oliveira cita ainda a pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Patrícia Galvão, em parceria com o Instituto Locomotiva, sobre percepções a respeito dos direitos de meninas e mulheres grávidas após estupro. O estudo revelou que a maioria dos brasileiros é solidária às vítimas: 96% acreditam que meninas de até 13 anos não estão preparadas para ser mães, e seis em cada dez pessoas conhecem alguma mulher que foi vítima de estupro nessa faixa etária.

“Portanto, apesar da falsa narrativa propagada por grupos religiosos neoconservadores sob o argumento de ‘defesa da vida desde a concepção’ e da condenação ao direito ao aborto em qualquer circunstância, a insígnia ‘Criança Não é Mãe’ tem desmascarado esses discursos e conquistado cada vez mais apoio popular. Eles não detêm a última palavra”, afirma a articuladora católica.

 

Referências:

Câmara Federal

https://www.camara.leg.br/noticias/1219967-camara-aprova-projeto-que-cancela-diretrizes-sobre-aborto-em-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-estupro – Acesso em 17 nov 2025

Correio Braziliense

https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2025/08/7226474-uma-menina-brasileira-vira-mae-a-cada-30-minutos-mostra-levantamento.html – Acesso em 17 nov 2025

Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-05/meninas-maes-passam-de-14-mil-e-so-11-tiveram-acesso-aborto-legal – Acesso em 17 nov 2025


https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2024-08/pais-registra-164-mil-estupros-de-criancas-e-adolescentes-em-3-anos – Acesso em 17 nov 2025

Notícias UOL
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2025/11/06/entidades-criticam-aprovacao-de-pdl-que-dificulta-aborto-legal-em-crianca-vitima-de-estupro.htm – Acesso em 17 nov 2025

Presidência da República

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13431.htm  – Acesso em 17 nov 2025

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12845.htm – Acesso em 17 nov 2025

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