O fim do princípio-Adão: o feminino é anterior ao masculino

A vida já existe na Terra há 3,8 bilhões de anos. O antepassado comum de todos os viventes foi, provavelmente, uma bactéria unicelular sem núcleo que se multiplicava espantosamente por divisão interna ou por clonagem. Na clonagem, se não houver controle sobre a bactéria, em três dias ela toma conta do planeta, tal é sua vontade de vida e de automultiplicação. Mas sempre prevalece um equilíbrio que autolimita este processo; caso contrário, teríamos graves desequilíbrios ecológicos a ponto de a vida se tornar impossível. Isso durou cerca de um bilhão de anos.

Em seguida, surgiu uma célula com membrana e dois núcleos, dentro dos quais se encontravam os cromossomos. Nela se identifica a origem do sexo. Quando ocorria a troca de núcleos entre duas células binucleadas, gerava-se um único núcleo com os cromossomos em pares. Antes, as células se subdividiam por clonagem; agora, isso se dá pela troca entre duas diferentes com seus núcleos. Revela-se, assim, a simbiose — composição de diferentes elementos — que, junto com a seleção natural, representa uma das forças mais importantes da evolução, embora não seja a única.

O que muitos biólogos sustentam — inclusive o astrofísico Stephen Hawking, em seu livro O Universo numa Casca de Noz (Mandarim, São Paulo, 2001) — é que na evolução e no processo biogênico não há simplesmente o triunfo do mais adaptável, como pretendia Darwin. Tal visão é ainda insuficiente, pois não leva em conta as interdependências existentes entre todos os seres, já no seu nível físico-químico, bem antes do surgimento da vida. É essa interdependência, a cooperação de todos com todos, que constitui a linha mestra do processo evolucionário.

A competição com a chance do mais adaptável triunfar só é possível no interior da interdependência e cooperação universal. O fraco também possui a sua chance e o seu lugar e, graças à interdependência, sobrevive. Este princípio originário da interdependência de todos com todos funda a sustentabilidade e explica a biodiversidade e a pujança da vida.

Christian de Duve, prêmio Nobel de Medicina, chega a dizer em seu conhecido livro Poeira Vital: a vida como imperativo cósmico (Campus, 1997): “a vida é como uma praga tão violenta que jamais se conseguiu exterminá-la” (p. 368). Ocorreram na história da Terra quinze grandes dizimações de espécies vivas, mas ela, a Terra viva, conseguiu sempre refazer a biodiversidade e ainda enriquecê-la.

Quando surgiu a sexualidade com a bipolaridade masculino/feminino, veio junto a grande diversidade e a singularidade dos seres vivos. A troca do material genético se dá sempre sob um quociente quântico; isto é, sempre está vigente o princípio de indeterminação de Werner Heisenberg. Não se sabe jamais exatamente o que resulta das conjunções e que enriquecimentos ocorrem a partir dos dois tipos de capital genético, do feminino e do masculino.

Tal fato tem consequências filosóficas: a vida é tecida mais de trocas, de cooperação e de simbiose do que da luta competitiva pela sobrevivência e pela concorrência, como no nível dos negócios.

Quando se alcança o nível consciente e livre, essa riqueza e essa troca passam da dimensão da exterioridade biológica para a interioridade subjetiva — vale dizer, para o projeto pessoal. A sexualidade pode se transformar em um propósito de vida, vivido a dois e em liberdade, expresso pelo amor. Esta opção não é mais regida pelo código genético que a biologia descreve. Aqui valem outros princípios ligados à inovação, à liberdade, à cooperação consciente, ao cuidado e ao amor, sobre os quais se estruturam relações novas, criativas, livres e de afetividade também entre homem com homem ou mulher com mulher.

Retomando o fio da meada: nos dois primeiros bilhões de anos, nos oceanos ou nos lagos de onde irrompeu a vida, não existiam órgãos sexuais específicos. Existia uma existência feminina generalizada que, no grande útero dos oceanos, lagos e rios, gerava vidas. Nesse sentido, podemos dizer que o princípio feminino é primeiro e originário, e não o masculino. Assim, invalida-se o mito bíblico e cultural da primazia de Adão (do masculino).

Só quando os seres vivos deixaram o mar, lentamente foi surgindo o pênis, algo masculino, que, tocando a célula fêmea, passava a ela parte de seu DNA, onde estão os genes.

Com o aparecimento dos vertebrados, os répteis, há 370 milhões de anos, estes criaram o ovo amniótico cheio de nutrientes e consolidaram a vida em terra firme. Com o aparecimento dos mamíferos, há cerca de 125 milhões de anos, já surgiu uma sexualidade definida de macho e de fêmea. Aí emerge o cuidado, o amor e a proteção da cria. Há 70 milhões de anos, compareceu o nosso ancestral humano, que vivia na copa das árvores, nutrindo-se de brotos e de flores. Com o desaparecimento dos dinossauros, há 67 milhões de anos, ele pôde ganhar o chão e se desenvolver, chegando até aos dias de hoje.

Cabe detalhar melhor a complexidade implicada na sexualidade. O sexo genético-celular humano apresenta o seguinte quadro: a mulher se caracteriza por 22 pares de cromossomos somáticos mais dois cromossomos X (XX). O do homem possui também 22 pares, mas com apenas um cromossomo X e outro Y (XY). Daí se depreende que o sexo-base é feminino (XX), sendo que o masculino (XY) representa uma derivação dele por um único cromossomo (Y). Portanto, não há um sexo absoluto, apenas um dominante. Em cada um de nós, homens e mulheres, existe “um segundo sexo”.

Com referência ao sexo genital-gonadal, importa reter que, nas primeiras semanas, o embrião apresenta-se andrógino; vale dizer, possui ambas as possibilidades sexuais, feminina ou masculina. A partir da oitava semana, se um cromossomo masculino Y penetrar no óvulo feminino, mediante o hormônio androgênio a definição sexual será masculina. Se nada ocorrer, prevalece a base comum, feminina. Em termos do sexo genital-gonadal, podemos dizer: o caminho feminino é primordial. A partir do feminino se dá a diferenciação, o que desautoriza o fantasioso “princípio-Adão”. A rota do masculino é uma modificação da matriz feminina, por causa da secreção do androgênio.

Existe ainda o sexo hormonal. Todas as glândulas sexuais no homem e na mulher são comandadas pela hipófise, sexualmente neutra, e pelo hipotálamo, que é sexuado. Estas glândulas secretam no homem e na mulher os dois hormônios: o androgênio (masculino) e o estrogênio (feminino). São responsáveis pelas características secundárias da sexualidade. A predominância de um ou de outro hormônio produzirá uma configuração e um comportamento com características femininas ou masculinas. Se no homem houver uma impregnação maior do estrogênio, terá alguns traços femininos; o mesmo se dá com a mulher com referência ao androgênio, aparecendo alguns traços masculinos.

Por fim, importa dizer que a sexualidade possui uma dimensão ontológica. Quer dizer, o ser humano não possui sexo: ele é sexuado em todas as suas dimensões corporais, mentais e espirituais. Antes da emergência da sexualidade, o mundo é dos mesmos e dos idênticos. Com a sexualidade, emerge a diferenciação pela troca entre diferentes. São diferentes para poderem estabelecer laços de convivência e de inter-relação.

Tal fato tem consequências antropológicas: a vida é tecida mais de trocas, de cooperação e de simbiose do que da luta competitiva pela sobrevivência. É o que ocorre com a sexualidade humana: cada um, além da força instintiva que sente em si, sente também a necessidade racional-afetiva de canalizar e sublimar tal força. Quer amar e ser amado, não por imposição, mas por liberdade. A sexualidade desabrocha no amor, a força mais poderosa “que move o céu e as estrelas” (Dante) e também nossos corações. É a suprema realização que o ser humano pode almejar. Mas retenhamos: o feminino é anterior, ele surge primeiro e é básico. O masculino só veio muito mais tarde no processo da sexogênese. Mas ambos se encontram para compor a unidade diversificada da espécie humana, de mulher e de homem.

Envasados? Enlatados? Não! Fomos plantados por Deus

O Senhor nos deixou em sua Palavra algumas figuras e imagens de sua Criação que apontam para o justo, para o homem de fé e para o cristão e que são de grande beleza.

Somos comparados às árvores, às palmeiras, às  folhas que permanecem verdes, mesmo na sequidão. Vejam: “O homem que confia no Senhor é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para os ribeiros e no devido tempo dá o seu fruto.” (Sl 1.3 e Jr 17.9).

Sim, para dar frutos, a árvore precisa ter vida produtiva, estar ao ar livre, à beira dos ribeiros. Ali, suas folhas não murcham, e mantêm sempre o frescor. 

Talvez, uma das mais belas afirmações bíblicas, neste sentido, é quando o salmista diz que “O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano” (Sl 92.12).

Palmeiras são resilientes e são capazes de crescer nas regiões mais áridas de um deserto. Já o cedro é uma das árvores mais majestosas que Deus criou e Ele afirma que o justo crescerá como este cedro imponente.

Cedros não podem ser envasados. São plantados na natureza e ali enfrentarão o sol, a chuva, as intempéries e suas raízes terão de atravessar o solo rochoso para se aprofundar e crescer. E é justamente aí que reside a sua força e beleza.

Se fossem envasados ou enlatados, poderiam até sentir certa “segurança “. Mas sabemos o quão podem ser enganosas as aparências de paz e harmonia na foto. Não é mesmo?

Cristãos envasados ou enlatados apenas sobrevivem. Já a palmeira e o cedro florescem, dão frutos, mesmo em meio às adversidades, aos enfrentamentos, ou à zombaria. Aliás,  eles nem ligam. Cedros não se importam com isso.

Envasados? Não.  Enlatados? Também não. Não somos ervilhas. Fomos plantados por Deus para florescer, dar frutos, e ser cheios de seiva e verdor, até na velhice (Sl 92.14).

Espiritualidade em tempos de pandemia

Claudio de Oliveira Ribeiro*

“Os que confiam no Senhor  renovam as suas forças.

Sobem com asas como águias. 

Correm e não se cansam.

Caminham e não se fatigam” 

(Isaías 40: 31)

“Se não der, tenta ligar
A gente resume a distância
Me conta da tua janela
Me diz que o mundo não vai acabar”.

“Me conta da tua janela”, Canção popular de Anavitória

Para início de conversa…

A pandemia causada pelo coronavírus impactou o mundo todo e trouxe consequências as mais diversas, afetando dramaticamente o âmbito da saúde pública, com um número enorme de mortes. Afetou também a economia, devido às medidas de isolamento social, e à sociedade como um todo, devido aos impactos emocionais no enfrentamento da doença.

As inquietações e receios em torno da pandemia suscitaram reações das mais diversas ao redor do mundo. Entre elas, destacamos o reforço de diferentes formas de espiritualidade, religiosas ou não, para o enfrentamento das questões relativas à morte, à fragilidade física e emocional e ao isolamento social.  

Ao mesmo tempo, muitos temas e argumentos religiosos se destacaram nas conversas e debates, seja pelo clima de obscurantismo estimulado por alguns grupos, seja pela busca de uma compreensão mais ampla e bem fundamentada de um fenômeno que é social. Como entender mais adequadamente esse quadro é uma pergunta que vários grupos têm feito e muitos têm se dedicado a refletir sobre ela.

As causas da pandemia, por exemplo, têm sido analisadas por várias pessoas de diferentes setores do conhecimento. Tais análises não estão dentro do nosso objetivo neste pequeno texto, mas são muito importantes. Indicamos as reflexões científicas do teólogo Leonardo Boff, que nos apresentou uma síntese no artigo “A terra se defende”, publicado pelo Instituto Humanitas da Unisinos (IHU).

O autor afirma que “a pandemia do coronavírus nos revela que o modo como habitamos a Casa Comum é nocivo à sua natureza. A lição que nos transmite soa: é imperioso reformatar a nossa forma de viver sobre ela, enquanto planeta vivo. Ela nos está alertando que assim como estamos nos comportando não podemos continuar. Caso contrário a própria Terra irá se livrar de nós, seres excessivamente agressivos e maléficos ao sistema-vida”.

Em nossas reflexões sobre espiritualidade vamos nos ater às consequências da pandemia, embora reconheçamos que uma visão aprofundada sobre suas causas seja de grande importância para nos sensibilizar na direção de outras formas de espiritualidade,  que reforcem a sustentabilidade da vida e do mundo,  e que nos indiquem a necessária crítica ao sistema econômico atual e à forma excludente como a sociedade está organizada. Todas essas dimensões estão relacionadas à espiritualidade.

O que a pandemia tem nos mostrado

Proponho que tenhamos um outro olhar: entre os vários aspectos negativos desta situação tão difícil e dramática que vivemos, há aqueles que revelam possibilidades para a reorganização da sociedade, tanto em termos das vivências pessoais no cotidiano quanto na estrutura social. O sociólogo português Boaventura de Souza Santos chamou estas possibilidades de “a cruel pedagogia do vírus”, título de seu mais recente livro.  

Entre as conclusões que podem ser tiradas deste processo, destacamos:

  • A pandemia revelou que o sistema econômico no qual a sociedade está estruturada, mesmo com as variações entre os países e continentes, não atende às demandas da dignidade humana e dos direitos básicos das pessoas. Há um pequeno texto deste mesmo autor, denominado “Para o Futuro Começar”, que nos oferece uma boa síntese;
  • A situação no Brasil mostrou que os riscos e os maiores problemas se concentram nos setores mais pobres da sociedade e que a realidade das populações de áreas favelizadas e de moradores de rua é dramática;
  • O número expressivo de mortes causou forte inquietação e insegurança para a maioria das pessoas em relação ao futuro da vida, tanto em termos pessoais quanto planetário;
  • O isolamento social manteve boa parte das pessoas em suas casas. Isso trouxe variadas consequências. Para as famílias que possuem moradias minúsculas, a convivência se tornou tensa, com maior número de violência doméstica e conflitos (uma boa análise deste ponto encontramos no texto “Patroas, empregadas e coronavírus”, da antropóloga Debora Diniz e da cientista política. Giselle Carino).

  • As atividades profissionais desenvolvidas pelas pessoas em casa pela Internet reforçaram a precarização as relações de trabalho, aumentaram o volume de tarefas e subverteram a noção do lar como espaço de aconchego e descanso;
  • Houve uma movimentação social muito significativa, com iniciativas e campanhas de solidariedade, envolvendo amplos setores sociais, profissionais de saúde e grupos de defesa dos direitos humanos e da cidadania. Entre as diversas experiências, uma campanha comunitária no Rio de Janeiro nos chamou muita atenção. Ela está apresentada neste vídeo, que articula a assistência social necessária para as famílias pobres com a firme defesa dos direitos humanos e da cidadania. Um testemunho belíssimo!
  • Uma parcela das pessoas, devido ao isolamento social, se sentiu sensibilizada em relação à valorização das relações humanas, da amizade e de visões mais humanizantes, e à necessidade de se dar maior atenção aos filhos. Há muitas reflexões teológicas e pastorais sobre esses aspectos. O teólogo Faustino Teixeira, no artigo “A dimensão espiritual da crise do coronavírus”, faz uma análise dos impactos globais da pandemia, destacando a crise como oportunidade de se encarar a precariedade e a fragilidade humanas;
  • Sinais de diminuição da poluição nas grandes cidades e a redução do consumo desenfreado. Quem desejar um aprofundamento deste tema, encontrará no artigo “Voltar à normalidade é se auto-condenar”, de Leonardo Boff, uma reflexão muito consistente e desafiadora.

Todos esses aspectos, complexos e desafiadores, mostram caminhos significativos para a vida e para a vivência espiritual.  

Mas, afinal, o que é espiritualidade?

Sabemos que entre uma série de aspectos que marcam a vivência humana está a incessante busca de superação de limites, do ir além das contingências e das ambiguidades históricas, da procura por absolutos que possam redimensionar a relatividade e a precariedade da vida, assim como se busca também o desfrutar das potencialidades, realizações e alegrias da vida nos seus mais diversos planos. Muitos denominam esta dimensão humana como espiritualidade.

Em certa medida, tal visão está relacionada ao olhar crítico das teologias que tem produzido uma saudável distinção entre fé e religião. É fato que tal relação é complexa e possui numerosas implicações, mas, no que diz respeito às nossas reflexões, é preciso afirmar que a primeira, a fé, requer uma espiritualidade que, embora seja autenticamente humana, vem de uma realidade que transcende as engrenagens históricas. Nesta perspectiva, a espiritualidade humana é recebida, acolhida. A espiritualidade, irmã da fé, é vista pela teologia como dom divino. 

Nas reflexões mais recentes, tem sido cada vez mais comum a indicação de que a fé é antropológica e que pode tornar-se religião. As experiências religiosas, historicamente, pretenderam e pretendem possibilitar respostas para essa busca, a qual inicialmente nos referimos. Na diversidade de tais experiências confluem elementos os mais diversos, desde os preponderantemente numinosos, “santos”, espontâneos e indicadores de uma transcendência, até aqueles marcadamente ideológicos, facilmente identificados como reprodução de filosofias ou culturas e artificialmente criadas. 

Há, entre os estudos de religião, uma série de análises sobre as distinções conceituais entre religião, crença, fé, espiritualidades e outras expressões similares. Em função dos limites de nossas reflexões, destacamos apenas a distinção entre as práticas religiosas mais institucionalizadas e a dimensão transcendente mais ampla, de caráter antropológico, que se expressa no humano e que vai além dos aspectos formais da religião. Em ambas a espiritualidade está presente.

Há também a noção de espiritualidade não religiosa. Ela, conforme nos indica o cientista da religião Flávio Senra, se constitui no “âmbito da crença em Deus que se desenvolve à margem das instituições religiosas ou desligadas de seu antigo pertencimento a instituições religiosas, consideradas as pessoas que se afirmam sem religião ou não afiliadas, mas mantêm a crença em Deus (perspectiva teísta)”.

E como tem se dado a relação entre espiritualidade e a pandemia?

Tanto as formas mais espontâneas de espiritualidade quanto as expressões religiosas mais tradicionais ou institucionalizadas estão presentes no debate acerca da pandemia e do isolamento social. Ambas têm marcado a vida de muita gente e tem estado presente, de diferentes maneiras, em cada situação enfrentada. 

As formas de expressão dessas espiritualidades, como sabemos, são muito diferenciadas. Há visões religiosas que negam a dramaticidade da pandemia, ou mesmo, seguindo argumentos ideológicos obscurantistas em voga, atribuem a disseminação da doença à ira e ao castigo de Deus aos seres humanos pecadores e, até mesmo, à supostos interesses comunistas para afrontar a fé cristã. 

Há abordagens e formas de espiritualidade de caráter mais intimista, que destacam a importância da vida devocional, das orações e da meditação como caminho de equilíbrio interior, considerando que os tempos atuais são de incertezas e inseguranças.

E há aquelas que buscam interpretações de fé mais consistentes, conectadas com os aspectos sociopolíticos evidenciados nesta crise social revelada pela pandemia e ancoradas nos princípios da solidariedade, da comunhão e da responsabilidade com os destinos da vida e do mundo. 

Desafios não nos faltam!

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Claudio de Oliveira Ribeiro é Pastor metodista e Doutor em Teologia (PUC-Rio)

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