2 de abril é o Dia Internacional da Verificação de Fatos

Nesta sexta-feira, dia 2 de abril, comemora-se o Dia Internacional da Verificação de Fatos. A escolha da data faz uma referência direta com o dia 1 de abril, conhecido como dia da mentira. A iniciativa é da Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN, na sigla em inglês) que reúne diversas organizações focadas no enfrentamento às fake news. A data é comemorada desde 2017.

O trabalho de verificação de fatos suspeitos é realizado por agências, coletivos e organizações de jornalistas e comunicadores. O Coletivo Bereia, primeira iniciativa no Brasil especializada em checagem de desinformações que circulam em ambientes digitais religiosos, é uma das agências que trabalham com verificação de fatos desde 2019. O coletivo é formado por 26 pessoas, entre elas doutores, mestres, graduados e estudantes de cursos na área de comunicação. Os colaboradores estão distribuídos em todas as regiões do país e alguns estão ligados a segmentos religiosos diversos.

Desde 2016, a desinformação, uma informação que tem a intenção de enganar, ficou conhecida popularmente como Fake News (notícia falsa). A desinformação é baseada em mentiras, rumores, boatos, fofoca e difamação, que gera prejuízos não só plano individual, mas no coletivo e à democracia.

A pandemia de covid-19 mostrou como a desinformação pode ser nociva e mortal. Desde janeiro de 2020, a busca na internet por informações confiáveis e seguras sobre o novo coronavírus concorreu com a viralização de conteúdos falsos e enganosos, que afetam diretamente a tomada de decisões pessoais e de coletividades em relação a temas como as medidas de prevenção (uso de máscara e distanciamento social), a adesão ao tratamento precoce (ivermectina, hidroxicloroquina, azitromicina etc) comprovadamente ineficaz para tratar a covid-19, e a vacinação.

Essas são algumas das informações mais recorrentes no campo da saúde que têm gerado um esforço global de verificadores em todo o mundo para mostrar as mentiras e os enganos sobre o vírus. Mas não é somente na área da saúde que a desinformação prospera: processos eleitorais e políticas públicas são alvos de ações organizadas para promover mentiras, com financiamento e lucro.

Quando você receber uma informação, se parecer suspeita, acesse o site ou o perfil nas mídias sociais de agências de verificação de fatos. No Brasil, além do Bereia, são relevantes os serviços de verificação prestados pelo Projeto Comprova e pelas agências Aos Fatos, Lupa e Boatos. Na dúvida, não compartilhe. Verifique.

Sempre que você encontrar um conteúdo suspeito, envie para WhatsApp ou Telegram do Coletivo Bereia – (38) 98418-6691.

Era da desinformação: pessoas estão mais atentas sobre veículos de informação confiáveis

Se a desinformação transborda em meio às mídias sociais, o jornalismo profissional feito por jornais impressos, portais de notícias e programas de TV e rádio continua sendo a fonte mais confiável para os eleitores quando o assunto são as notícias sobre as eleições municipais. Pesquisa do Instituto Datafolha revela, entre outros dados, que a desconfiança em relação a mídias sociais como o WhatsApp pode chegar a 78%. Confira maiores informações na matéria publicada por O Globo e reproduzida, na íntegra, abaixo.


População aponta jornalismo profissional como a fonte mais confiável para se informar sobre eleição, diz Datafolha

* Publicado originalmente por O Globo em 10 de outubro de 2020.

RIO — Jornais impressos, sites de notícias, programas de rádio e televisão foram apontados como os meios mais confiáveis para obter informações sobre as eleições municipais. Os eleitores de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife avaliam as as redes sociais como o meio com menos credibilidade. Facebook e WhatsApp são os principais canais onde conteúdos sobre política são compartilhados. Essas são algumas das conclusões da pesquisa Datafolha realizada nos dias 5 e 6 de outubro, encomendada pela “Folha de S. Paulo” e pela TV Globo. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Entre os eleitores da capital paulista, 41% confiam mais em jornais para se informar sobre o pleito municipal que ocorre em novembro deste ano. Os programas de televisão possuem a mesma taxa de confiança. Das 1.092 pessoas entrevistadas na cidade, 35% disseram que confiam parcialmente nos jornais e 20% disseram que não confiam. Em relação aos programas de TV, 33% não confiam e 24% confiam parcialmente.

Quando se trata das redes sociais, apenas 6% dos entrevistados em São Paulo afirmaram que confiam no Whatsapp, e 7% no Facebook. A taxa de desconfiança é de 78% e 74%, respectivamente. Já os que confiam parcialmente no Facebook são 11% e no WhatsApp, 13%.

No Rio de Janeiro foram ouvidas 900 pessoas. A confiança nos jornais impressos está em 35%, no mesmo patamar que em São Paulo se considerado o limite da margem do erro. Entre os respondentes no Rio, os programas de rádio são os mais confiáveis para 37%, seguidos pelos televisivos, com 36%.

Assim como os paulistas, os cariocas também manifestaram descrença em relação aos conteúdos que circulam nas redes sociais. Apenas 6% afirmaram que confiam nas informações sobre as eleições veiculadas pelo WhatsApp,enquanto 13% disseram acreditar em parte. O grau de desconfiança no WhatsApp é de 74%, enquanto apenas 6% informaram não utilizar o aplicativo de mensagens. Em relação ao Facebook, só 8% confiam, 16% confiam em parte, 67% não confiam e 9% não usam a plataforma.

Os números de Belo Horizonte e Recife apresentam a mesma tendência observada em Rio e São Paulo, com pequenas variações. Nas duas cidades, 67% dos eleitores afirmaram que não acreditam no que leem sobre a eleição na rede social.

De acordo com os dados da pesquisa, à medida que cresce a idade do entrevistado, maior a desconfiança nos meios de comunicação profissionais. A índice de maior confiança nos jornais foi registrado entre jovens de 16 a 24 anos de São Paulo (57%).