O fantasma do Marxismo Cultural*

Originalmente publicado na The Hedgehog Review, de Andrew Lynn, na edição de outono de 2018. Traduzido com permissão.

Um fantasma está assombrando a imaginação de muitos no Ocidente moderno – o fantasma do Marxismo Cultural.

Sua influência, para os que o temem (que envolve desde conservadores moderados até os ruidosos da extrema direita, conhecidos como “alt-right” nos EUA), é evidente em tudo, desde pronomes neutros quanto ao gênero, até treinamento para detectar micro agressões e, praticamente, todos os aspectos do que agora é chamado de políticas identitárias. Diz-se que o Marxismo Cultural foi criado na academia e que domina o corpo docente dos departamentos das Ciências Humanas e Sociais. Todos os anos legiões de seus prosélitos seriam lançados sobre a cultura mais ampla para espalhar essa doutrina corrosiva.

Uma pergunta a ser feita é: como Karl Marx, um filósofo do século XIX, leitor de Hegel, fundamenta o pensamento desses guerreiros da justiça social de hoje?

Para os opositores do Marxismo Cultural , a história poderia ser exprimida como se segue para dar uma resposta: Em meados do século XX, a doutrina do “Marxismo econômico” foi fatalmente desacreditada pelo fracasso dos regimes comunistas ao redor do mundo, estimulando a intelligentsia desiludida a buscar um novo e aprimorado Marxismo, que pudesse falar para o capitalismo de consumo pós-guerra.

Esses, então chamados “Marxistas culturais”, empreenderam o que o psicólogo-guru canadense Jordan Peterson chamou de “truque ilusionista” para conseguir a recuperação de suas mercadorias ideológicas, passando da economia para a cultura.

Pensadores que vão de Antônio Gramsci a Jacques Derrida estão envolvidos nesse esforço, mas no centro dessa história quase sempre se encontra a Escola de Frankfurt, um grupo de Marxistas do meio do século que fugiram da Alemanha e se refugiaram nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. A experiência deste grupo não era em Economia, mas em Filosofia, Teoria Social, Arte e Literatura. Consequentemente, seus membros reembalaram seu Marxismo para os assuntos que eles conheciam melhor. Eles também, frequentemente, se voltaram para as teorias de Freud, misturando a preocupação de Marx com a alienação com as ideias de repressão e sublimação de Freud.

Avançando para o presente

Segundo o jornalista e blogueiro conservador Andrew Sullivan, os marxistas culturais de hoje estão profundamente investidos em derrubar estruturas de poder do patriarcado e dos privilégios dos brancos. Eles o fazem, de acordo com esta versão da história, seguindo os pensadores da Escola de Frankfurt na transposição do conflito oprimido-opressor entre o proletariado e a burguesia para a dominação cultural, atribuindo status de oprimido a vários grupos identitários desprivilegiados.

O surgimento de uma cultura de vitimização segue, à medida que os grupos que reivindicam várias identidades articulam queixas contra grupos dominantes e as estruturas que atendem a seus interesses. A adjudicação racional da verdade torna-se então subordinada às exigências de subversão do poder, patriarcado e privilégio entre instituições sociais injustas, perpetuando a identificação contínua de conflitos dentro da ordem social estabelecida.

Existem muitos problemas com essa narrativa, é claro, e aqui está uma: essa visão de uma ordem social sempre em conflito é apenas vagamente “cultural” e pode ser construída inteiramente independente de qualquer coisa “Marxista”. Você pode encontrá-la em Maquiavel, Hobbes, Nietzsche e Ayn Rand, para citar apenas alguns. De fato, hoje os relatos mais populares da sociedade como grupos em conflito perpétuo por recursos – materiais, simbólicos ou políticos – são encontrados nos livros mais vendidos por psicólogos e biólogos evolucionistas ansiosos por aplicar suas ideias disciplinares a questões muito fora de seu campo. É mais a difusão de Darwin – não Derrida – que está na base dos relatos populares de conflitos que envolvem moralidade e cultura nos dias de hoje.

No entanto, o século XX viu várias escolas de pensamento marxistas passarem da economia e da política para preocupações culturais depois que o comunismo deixou de produzir utopias proletárias e ditadores stalinistas. A “cultura” realmente chegou ao radar marxista, mas funcionou de uma maneira muito particular: não para identificar antagonismos entre grupos sociais, mas para explicar melhor a falta de antagonismo observada nas sociedades.

Por que a classe trabalhadora não estava enfrentando os cúmplices de sua opressão? Talvez, como observou o crítico literário Richard Hoggart em seu livro de 1957 “The Uses of Literacy”, essa subjugação fosse um produto de uma cultura de consumo de massa recém-emergida.

A cultura não é um novo local de batalha; é mais um ópio salva-vidas que mantém os feridos de guerra permanentemente à margem.

Hoggart pertencia a um grupo dissidente Marxista do meio do século chamado Nova Esquerda Britânica, um movimento que também reivindicava figuras importantes de estudos culturais como Raymond Williams, Stuart Hall, E.P. Thompson durante algum tempo, os filósofos Alasdair MacIntyre e Charles Taylor. Como relata o historiador cultural Dennis Dworkin em seu livro “Cultural Marxism in Postwar Britain”, esses estudiosos se inspiraram em uma variedade de fontes intelectuais – incluindo o pensamento mais conservador de T.S. Eliot e F.R. Leavis – para aplicar métodos críticos às dimensões não-políticas da vida comum.

Para todos esses pensadores, a cultura era a arena na qual as potencialidades humanísticas inscritas nos primeiros escritos de Marx deveria se manifestar. Mas todos eles acreditavam que a cultura contemporânea frustrava a agência e a criatividade que Marx via como essenciais à liberdade humana.

Há boas razões pelas quais a versão do Marxismo cultural da Nova Esquerda Britânica não se parecesse em nada com o Marxismo cultural deplorado por Jordan Peterson e Andrew Sullivan. A moderna narrativa conservadora remonta a uma “Carta aos Conservadores” de 1997, escrita pelo cofundador da “Heritage Foundation” Paul Weyrich. Weyrich foi o primeiro a denunciar o Marxismo cultural por inventar a “ideologia do politicamente correto”, que ele traçou até a Escola de Frankfurt e descreveu como “alienígena”, “amargamente hostil” e “inimiga de nossa cultura tradicional”. Weyrich e seus colegas da “Free Congress Foundation” – incluindo William Lind, historiador e colunista prolífico – raramente discutiam como o judaísmo da Escola de Frankfurt se relacionava com a ideologia de seus membros, mas as dicas foram captadas e exploradas por pessoas com agendas mais radicais.

Grupos de extrema direita, inspirados em Weyrich, produziram vários documentários – que hoje acumulam milhões de visualizações no YouTube – afirmando a existência de uma trama do início do século XX da Escola de Frankfurt para subverter a cultura americana por meio da promoção do multiculturalismo, de grupos identitários belicosos e do politicamente correto. Ainda é possível encontrar sites mal formatados dessa época, exibindo diagramas elaborados que traçam a nefasta infiltração cultural da Escola de Frankfurt, com um site alegando expor o papel direto do cientista social e musicólogo Theodor Adorno na composição de grande parte da discografia dos Beatles.

O endosso de tais vozes periféricas não impediu os paleoconservadores como Pat Buchanan e Paul Gottfried de promover a narrativa vagamente conspiratória em círculos conservadores mais estabelecidos no início dos anos 2000. Ao mesmo tempo, grupos nacionalistas brancos e “alt-right” começaram a se apegar à narrativa. O terrorista norueguês Anders Behring Breivik, que matou setenta e sete pessoas em dois ataques na Noruega em 2011, citou e plagiou a redação da “Free Congress Foundation” em seu manifesto de 1.500 páginas, culpando os pensadores da Escola de Frankfurt por desenvolver um “Marxismo Cultural” que justifica um contemporâneo “genocídio branco”.

Breivik também citou Richard Spencer, ativista do nacionalismo branco parcialmente responsável pela manifestação de 2017 “Unite the Right” em Charlottesville, cuja história abertamente antissemita de infiltração cultural veio moldar o movimento “alt-right” americano. A descoberta de 2017 de um memorando de advertência de uma conspiração Marxista Ccultural – um esforço coordenado de globalistas, banqueiros, islâmicos, figuras do Black Lives Matter e republicanos do establishment que planejavam derrubar o presidente Donald Trump – resultou na demissão do autor do documento, Rich Higgins, da equipe do Conselho de Segurança Nacional de Trump.

Mas, além de sua associação inabalável com pensadores marginais, a narrativa do Marxismo Cultural tem outra falha: uma compreensão fundamentalmente defeituosa da esquerda. Quase todos os observadores do desenvolvimento da esquerda durante o século XX veem discordâncias e descontinuidades substanciais. Mas a narrativa do Marxismo Cultural, ao reproduzir as convenções do pensamento conspiratório, afirma uma profunda consistência oculta sob a aparente heterogeneidade: a política identitária pós-modernista é Marxismo. Essa distorção procrusteana obscurece as variedades do passado e do presente da política e do pensamento progressistas.

O próprio Marx teve pouco ou nenhum interesse nos precursores ideológicos daqueles movimentos que envolvem muitos conservadores contemporâneos – multiculturalismo, feminismo, política identitária – e teria descartado muitas dessas preocupações como desvios “superestruturais” das realidades da luta de classes. Marx é um pobre pós-modernista; de fato, sua metanarrativa restritiva da luta de classes é aquela que muitos pós-modernistas jogaram no lixo das ideologias mortas na década de 1970.

Os próprios líderes da Escola de Frankfurt brigavam abertamente com os guerreiros da justiça social de seus dias, encontrando-se entre as vítimas dos protestos e interrupções nas salas de aula dos anos de 1960. O elitismo europeu deles não se dava bem com o multiculturalismo caloroso e abrangente.

“Acordei” eles não estavam.

Também são subestimadas as rupturas mais recentes na esquerda. Nos círculos acadêmicos, estes são melhor representados pelo confronto duradouro entre os remanescentes do Marxismo ocidental e as novas vozes da esquerda do pós-estruturalismo, pós-colonialismo, feminismo e “pós-Marxismo”. Essas facções raramente jogam bem juntas. De fato, os Marxistas incondicionais são responsáveis por alguns dos enfrentamentos mais sofisticado das várias perspectivas agrupadas sob a rubrica de “Marxismo Cultural”. Perry Anderson, Alex Callinicos, Nancy Fraser e Terry Eagleton produziram críticas mordazes ao beco sem saída político do pós-modernismo. Nos últimos anos, surtos de natureza ainda mais internacional revelaram tensões subjacentes a finos valores esquerdistas: feminismo radical versus direitos dos transgêneros; disputas entre movimentos de defesa de direitos como ACLU e  Black Lives Matter;  divergência entre autores como no caso de Ta-Nehisi Coates e Cornel West; ou quando apoiadores de Bernie Sander (os “Bernie Bros”) se colocaram em oposição ao comitê nacional do seu partido, os Democratas. Se existe uma conspiração, não está indo muito bem.

A cultura – como Marx, Gramsci e a Nova Esquerda britânica viram – não é politicamente neutra. Tampouco são apenas valores subjetivos, gostos ou ideias da vida privada dos indivíduos. Em vez disso, é o próprio palco público no qual os interesses políticos e ideológicos frequentemente reivindicam legitimidade. Essa é exatamente a função da cultura que está energizando aqueles da direita que afirmam ver e desmascarar a perigosa agenda “marxista” que se esconde por trás de toda crítica e ativismo cultural de esquerda.

Essa “hermenêutica da suspeita”, por muito tempo apenas uma marca de seminários desconstrutivistas nas faculdades, parece agora ter encontrado um novo lar nas telas de TV e celulares que passaram a exibir discursos nacionalistas e a bandeira do país como peça de decoração. Talvez os verdadeiros marxistas culturais tenham se escondido à vista de todos o tempo todo.

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Andrew Lynn é sociólogo, doutorando em sociologia na Universidade da Virgínia

Bispo Macedo, Covid-19 e a cloroquina

As influências do líder religioso mais poderoso do país durante a pandemia do novo Coronavírus

Na sexta-feira, 12 de junho, jornais de todo o país surpreenderam fiéis e seguidores do Bispo Edir Macedo, após a divulgação de uma nota oficial anunciando a cura do líder e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) do novo Coronavírus (Covid-19).

Segundo a nota, após o diagnóstico positivo, ele teria sido internado na segunda-feira, 08 de junho, no Hospital Moriah, em São Paulo.

Portador de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, o bispo de 75 anos faz parte do grupo de risco, tornando-se mais suscetível a complicações. 

Durante a hospitalização, o líder religioso teria sido tratado com um coquetel de medicamentos que incluía a cloroquina.

Dr. Leandro Echenique
(Reproducão/ Instagram)

“Tomei todos os medicamentos indicados pelos médicos, entre eles a hidroxicloroquina, e estou bem“, afirmou Macedo.

De acordo com a equipe médica coordenada pelo cardiologista dr. Leandro Echenique e o urologista Dr. Ricardo Teixeira, Edir Macedo respondeu muito bem ao tratamento.

“Ele evoluiu sem intercorrências, apresentou uma ótima evolução clínica e se recuperou totalmente“, disse o cardiologista Leandro Echenique.

Edir Macedo Bezerra recebeu alta médica na sexta-feira, 12 de junho, após passar cinco dias internado.

Repercussão

A notícia de que Macedo foi contaminado pela Covid-19 começou a circular na noite de quinta- feira (11). De acordo com o portal da Revista Fórum, ao serem questionados, superiores da Record negavam a informação.

Todavia, o jornalista Erlan Bastos, do Portal Meio Norte, deu a notícia com exclusividade e adendos. Segundo o jornalista, o religioso estaria tentando manter sua internação totalmente em sigilo, usando o pseudônimo Josué, para não ser reconhecido nem exposto pela imprensa.

Após publicar no Twitter a notícia, o jornalista sofreu ameaças de fiéis que não acreditavam na veracidade da informação.

Com a ampla divulgação da internação e cura de Edir Macedo, vídeos e questionamentos rondam as redes sociais sobre a veracidade do caso.

Em resposta, o Bereia entrou em contato com a assessoria de comunicação do hospital solicitando uma nota sobre a internação do paciente. Segundo a assessoria, o Hospital segue o pedido de privacidade dos pacientes. E como o Sr. Edir já teve alta, não temos como dar nenhuma informação, apenas que passou pelo Hospital e teve alta.

Devocional é mantido durante internação

Observamos que, ao longo da semana de internação, as mensagens diárias de exposição bíblica feitas pelo bispo e transmitida através de suas redes sociais foram gravadas em um ambiente distinto do habitual. Aparentemente, o cenário atual mostrava a imagem de um biombo como plano de fundo. O que difere dos espaços anteriores com paisagens e um requintado escritório com fotos da família Macedo. 

No primeiro vídeo, datado no dia 8 de Junho, supostamente o primeiro dia de sua internação, o bispo aparece em uma imagem desfocada e visivelmente desconfortável, se inclinando sobre a câmera para enviar a mensagem bíblica com o tema “aflição”, citando o Salmos 119:71: 

Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos “ 

Nos dias subsequentes, o cenário continuou o mesmo até sábado, 13 de junho. No domingo (14), em um cenário com quadros, Bispo Macedo agradeceu o carinho e revelou não ter sofrido muitas alterações durante a semana de internação, exceto “cansaço e falta de apetite”.

“Olá, meus amigos. Muito bom dia. Deus abençoe a todos vocês, como tem abençoado a mim. Eu gostaria de agradecer o carinho imenso, o amor e a atenção de todos aqueles que nos têm querido bem. Então, nós só esperamos que Deus possa recompensar a cada um de vocês, de acordo com o que Ele tem nos recompensado. Eu gostaria que você soubesse, minha amiga, meu amigo, que durante esses dias, essa semana toda, praticamente em convalescença. Quer dizer, recuperando, mas tomando os devidos cuidados, as devidas precauções, por orientações médicas. Você sabe, a gente já não é mais criança, nós temos já 75 anos, então essa idade já é um pouco delicada. Mas Deus tem nos guardado. Guardou a Ester, guardou as meninas, guardou os nossos colegas, Graças a Deus. 

“O que tenho aprendido com essa situação que nós vivenciamos é que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus”, disse sorrindo. 

E continuou: “A gente fica irritado, a gente come menos, não quer comer nada. Eu não senti grandes ‘transformações’, só falta de apetite e um pouco de cansaço, por conta da situação do Coronavírus. Mas o que eu tenho pra dizer pra vocês é isso: Deus é grande, Graças a Deus. E uma das coisas que mais tem acentuado pra mim são os detalhes que Deus nos dá. Você não tem ideia de como, eu sempre valorizei muito, muito mesmo, o sol. Mas nunca valorizei tanto quanto nos últimos dias. O sol à pino. É como se Deus estivesse sorrindo pra mim, muito legal, mas muito legal mesmo”,  disse o Bispo sorrindo e continuou “Ele me abraçando, me protegendo, Ele me dando o seu calor e me dizendo: Eu estou aí com você, Graças a Deus.” 

“Então, minha amiga, meu amigo, fique firme porque o sol da justiça nunca, jamais, em tempo algum, vai enfraquecer. Ele sempre estará presente. Observe o sol. Hoje não tá um sol legal, hoje tá um tempo ruinzinho aqui em São Paulo, um ventinho frio, mas o sol vai sair, se não sair hoje, logo mais sai amanhã ou logo mais, mas ele vai se fazer presente, como se fosse Deus na nossa vida, brilhando pra gente, muito legal. Que Deus te abençoe, minha amiga, meu amigo, fique firme, você que tá passando nesse momento um tempo difícil, fique firme, porque Ele é com você, tanto quanto é comigo. A palavra dele não falha. Deus abençoe e tenha um excelente dia, no nome de Jesus”, concluiu. 

Posicionamento de Edir Macedo sobre a Covid-19

Antes mesmo das autoridades e órgãos de saúde se posicionarem sobre a pandemia do novo Coronavírus, a IURD publicava em seus canais midiáticos, textos e vídeos com chamadas apocalípticas sobre o “fim dos tempos” em relação ao Coronavírus na China.

No início da pandemia, o bispo Edir Macedo publicou um vídeo em 15 de março, no qual minimizava a gravidade do novo Coronavírus e afirmava que a pandemia era uma “tática de Satanás”, uma estratégia da mídia “para apavorar as populações e nações”. Para reforçar seus argumentos, o bispo compartilhou a gravação de um vídeo do médico patologista Beny Schmidt, que diz que o vírus não é patogênico nem letal. Essas informações, no entanto, vão contra evidências científicas e dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que, até aquele momento, apontava que 3,9% dos casos já registrados da doença resultavam em morte.

Meu amigo e minha amiga, não se preocupe com o Coronavírus. Porque essa é a tática, ou mais uma tática, de Satanás. Satanás trabalha com o medo, o pavor. Trabalha com a dúvida. E quando as pessoas ficam apavoradas, com medo, em dúvida, as pessoas ficam fracas, débeis e suscetíveis. Qualquer ventinho que tiver é uma pneumonia para elas”, afirmava Macedo.

Após a polêmica em torno do vídeo e a exclusão feita pelo médico que o apoiou, a gravação foi retirada da plataforma,

Posicionamento da IURD sobre a Covid-19

Em 17 de março, após o polêmico vídeo envolvendo o bispo Edir Macedo, Renato Cardoso, responsável pela igreja em todo o mundo, desde 2017, genro de Edir Macedo e apresentador do programa The Love School, gravou um vídeo declarando o posicionamento da Igreja Universal sobre o novo Coronavírus. 

Em um dos trechos (18’10”), Renato disse que “o pior vírus é o medo que gera o pânico e problemas maiores”.

O porta-voz da Igreja declarou a aliança entre a Igreja Universal e o governo Bolsonaro (11’20”). Posicionando-se de tal forma que, suas palavras eram similares ao discurso de ministros que estavam na linha de frente:

“Primeiramente, quero falar da Igreja como aliada do governo. A igreja como aliada das autoridades (…) vocês devem ver a Igreja como aliada da sociedade às causas do governo. Eu sei que o governo está preocupado. O Brasil e o mundo estão à beira de um colapso comercial, parcialmente por causa deste pânico que está se alastrando e o governo quer prevenir esse colapso comercial ao mesmo tempo que, quer prevenir esse colapso do vírus.  Então, é um equilíbrio difícil a ser alcançado. É como uma balança. Como deter a contaminação do virus e não permitir que o país vá à falência?Não é um equilíbrio fácil.  Aí que a Igreja pode ajudar. Sabe porquê? Porque o povo da Igreja ouve a voz do pastor. O povo da igreja ouve a voz do seu líder religioso.  Seja o padre, seja o pastor, seja o monge, seja quem for, eles ouvem a voz dos seus líderes. Então, vocês precisam pensar se é inteligente cortar o contato dos líderes religiosos com os seus membros”.

Na época, fazendo coro com o governo e líderes neopentecostais, os principais pastores midiáticos, próximos da bancada evangélica, se opuseram ao fechamento das igrejas e negavam os riscos do Coronavírus.

Testemunho de cura na IMPD (Reprodução/ Instagram)

Em 24 de março, o membro da família Macedo, Bispo Renato Cardoso, voltou a declarar o posicionamento da Igreja, mas agora com um tom apocalíptico.

Em nota, a Igreja Universal disse que serviços religiosos foram considerados essenciais por decreto presidencial e que está tomando medidas de “cautela sanitária”, como oferecer álcool em gel e pedir para que os fiéis sentem longe uns dos outros nos locais onde os cultos estão sendo realizados — suspensos nos Estados que os proibiram.

“Nas localidades onde está proibida a realização de cultos em templos religiosos, a Universal está aberta apenas para orações individuais e auxílio espiritual, e observando todas as cautelas sanitárias”, diz a igreja.

Quem “inventou” o Coronavírus?

Logo no início de abril, em uma de suas palestras para casais, Cardoso brincou com a esposa no púlpito do Templo de Salomão dizendo ter “descoberto quem inventou o Coronavírus“, para a surpresa e constrangimento da esposa: 

“Só pode ter sido uma mulher que inventou o Coronavírus”, disse o bispo rindo.

“Só pode ter sido uma mulher, porque conseguiram cancelar o futebol, fechar os bares e manter os maridos em casa, só  pode ter sido uma mulher que inventou”, disse rindo, enquanto a esposa e herdeira de Macedo, Cristiane Cardoso, ria em silêncio.

Segundo o líder, “o bom humor é a válvula de escape para os estresses que inevitavelmente vem com o relacionamento. Então, decida não se deixar levar pelas más notícias e mantenha o bom humor”.

Hospital Moriah

Braço comercial da operadora de saúde da IURD

Segundo a biografia “O reino: A história de Edir Macedo e uma radiografia da Igreja Universal”, escrita por Gilberto Nascimento, o bispo transcendeu “o cuidado com as almas, passando a se preocupar com a salvação dos corpos”. Isso porque, o empresário passou a oferecer serviços médicos hospitalares, “fazendo disso uma nova fonte de renda e economia”. 

“A Universal controla a operadora de plano de saúde “Life Empresarial Saúde”. Funcionários da Record, bispos e pastores usam o convênio médico”. Segundo o livro, “o desejo de Macedo é transformar a Life numa gigante do setor”.

“No mercado desde 2002, a empresa, dirigida pela médica e fiel da Universal Eunice Harue Higuchi, possuía 31,6 mil beneficiários. A operadora pretende contar com uma rede nacional de hospitais, sendo o primeiro deles inaugurado em São Paulo, em 2015, na antiga sede da Record, em Moema, próximo do aeroporto de Congonhas”.

Antes e depois do atual Hospital Moriah

Seguindo a estratégia de aproximar o Hospital de elementos da Universal e símbolos do judaísmo, Macedo deu o nome do hospital de “Moriah”, em alusão a colina rochosa onde o Rei Salomão construiu o templo para Deus e Abraão ofereceu o seu filho, Isaque, como sacrifício. Além de pontuar como seus valores o atendimento humanizado com enfoque no “amor ao próximo”, utilizando do versículo bíblico como orientação de atendimento.

Um ano antes, em 2014, foi inaugurado “O Templo de Salomão, considerado o segundo maior templo da América Latina.

Os investimentos na construção do Moriah totalizaram R$105 milhões de reais. A meta é faturar R$500 milhões ao ano. Inicialmente com 52 leitos, 31 deles são eletivos, 5 salas cirúrgicas, sendo uma delas híbrida; 11 de UTI e 10 leitos no pronto atendimento, além de 6 salas para consultas eletivas. Com equipamentos de última geração, o principal foco de atuação são as cirurgias de alta complexidade nas áreas de neurologia, cardiologia e ortopedia. Além do tratamento especializado em urologia e próstata.

Com capacidade para 5.000 atendimentos e 450 cirurgias por mês, o Hospital segue os padrões internacionais de tecnologia e segurança, sendo considerado um dos mais modernos do país.

Destaca-se o projeto arquitetônico do local, revestido por uma abóbada em vidro, que lembra arranha-céus do Emirados Árabes.

O Hospital-Hotel é um dos primeiros no Brasil a oferecer serviços “conceito 5 estrelas”, exclusivo para pacientes do exterior em busca de tratamento no Brasil. Oferecido a empresários, políticos, médicos e líderes influentes de países africanos.

Em denúncia feita por um ex-pastor da Universal, o Hospital Moriah  junto a outros hospitais de alta complexidade, como Albert Einstein e Sírio Libanês, teria isenção tributária caso realizasse atendimento filantrópico para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Todavia, o Hospital teria se recusado a atender pessoas “pobres”. O pastor relembra que era cobrado o pagamento de R$ 100 reais por pastor, porém, funcionários da igreja, como obreiros e pastores não podiam utilizar os serviços prestados pelo Hospital.

https://www.instagram.com/p/1MgaoMnlsN/?igshid=1xcqcmq11djez
Inauguração do Hospital (Reprodução/Instagram)

De acordo com o manual de contratação, a fé e a espiritualidade é um dos principais requisitos para a admissão. Logo, a maioria dos funcionários são fiéis da Igreja Universal. Além de frequentemente realizarem no complexo hospitalar congressos internacionais, palestras e estudos sobre medicina que envolvem a fé, como o evento “Jornada de Fé e Ciência” (AMEC) que reuniu profissionais de saúde cristãos.

Professores e cientistas renomados, das mais importantes universidades brasileiras realizam procedimentos cirúrgicos, aulas e palestras no Hospital Moriah. 

Ao todo, o grupo Life Empresarial Saúde também conta com uma unidade de atendimento ambulatorial com diversas especialidades e uma clínica especializada no tratamento de dores em São Paulo.

Em fevereiro deste ano, a empresa  Teixeira Duarte Engenharia e Construções foi responsável pela obra de expansão do Hospital Moriah, em São Paulo, e entregou recentemente o centro cirúrgico totalmente reformado e modernizado. 

Desde o início da pandemia, o hospital é considerado referência na prevenção do Coronavírus, com alas exclusivas para pacientes infectados. 

Ala específica para atender pacientes com Coronavírus (Reprodução/ YouTube)

Em agosto de 2009, com a suspeita de ser uma “empresa laranja” por ser  associada ao Grupo Universal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – do Ministério Público de São Paulo – pediu à Justiça a quebra dos sigilos fiscal e bancário de todas as empresas e pessoas ligadas ao grupo Universal citadas em uma investigação da Receita estadual paulista, investigando assim, as empresas do religioso mais rico do país, incluindo a Life Empresarial Saúde.

Até o momento, a Life Empresarial Saúde soma quase 200 processos judiciais, muitos deles, oriundos de funcionários da Record TV que alegam práticas abusivas da emissora sobre a obrigatoriedade do pagamento do convênio de saúde suplementar. 

Durante o ato de homologação das demissões na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV, e Publicidade da Bahia (Sinterp/BA), a coordenação tomou conhecimento de mecanismos de desprestigio e constrangimento aos funcionários, entre as quais: inabilidade do setor de Recursos Humanos; e preços abusivos do plano de saúde “Life Empresarial”que pertence ao próprio grupo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).”

Funcionários se queixam dos planos de saúde, considerados abaixo dos planos básicos das concorrentes, com poucas opções de hospitais e médicos, quanto de laboratórios.

Em contato com a assessoria de comunicação do hospital, o Bereia confirmou os dados citados acima, incluindo a internação do líder espiritual:

Sim, ele esteve internado no Moriah. O nome Moriah é apenas uma menção ao Monte Moriah, em Israel. O Hospital Moriah faz parte do Grupo Life Empresarial, que faz parte da Igreja Universal, assim como a Rede Record.

A cloroquina, Edir Macedo e Jair Bolsonaro

Imagem em inglês que diz “Deus salve a Cloroquina” (Reprodução/ Instagram)

Macedo foi tratado com um coquetel de medicamentos que incluía a cloroquina — como defende o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o novo protocolo do Ministério da Saúde — e está “completamente recuperado da doença”.

Após a alta e melhora do bispo, domingo (14), o Ministério da Saúde informou na segunda-feira (15) que ampliaria as orientações de uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para o tratamento precoce da Covid-19.

Neste contexto, a figura de um líder religioso de destaque no Brasil faria toda a diferença na divulgação do medicamento. Dono da segunda maior emissora do país, a IURD tem mais de oito milhões de fiéis em mais de 180 países.

Logo, é perceptível que os posicionamentos do bispo Edir Macedo e da IURD sobre a Covid-19 e o uso da cloroquina estão alinhados com as opiniões de Jair Bolsonaro. No início da quarentena, no dia 21 de março, Bolsonaro anunciou em uma de suas lives: “Decidimos que os laboratórios químicos e farmacêuticos do Exército devem ampliar imediatamente a produção desse medicamento [cloroquina]”. 

Em 23 de março, o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército (LQFEx) começou a produzir a cloroquina em larga escala. Segundo a Revista Veja, a média da produção do laboratório do Exército era em torno de 200 e 250 mil comprimidos a cada dois anos, já que ela era voltada ao consumo interno e para combater a malária. A nova meta de produção, em meio à pandemia, é o de 1 milhão de comprimidos por semana.

Em 25 de Março, o governo federal zerou o imposto de importação da cloroquina através da resolução nº 22/2020. Em sua conta no Twitter, o presidente explicou que a medida visa facilitar o combate ao novo coronavirus (Covid-19) e que os medicamentos são para uso exclusivo em hospitais e para pacientes em estado crítico”

No dia 31 de março, ele repetiu a promessa em rede nacional, dizendo ter ordenado “a fabricação de 1 milhão de comprimidos em 12 dias, de cloroquina, pelo Exército”,

No mesmo dia, em sua conta no Facebook, o presidente anunciou que o reajuste do valor dos medicamentos  seria adiado por dois meses, em razão da pandemia do novo coronavírus, após acordo com a indústria farmacêutica. 

De acordo com a Revista Carta Capital “antes de demitir Luiz Henrique Mandetta, o presidente Bolsonaro conseguiu dele um protocolo de prescrição da droga para pacientes do SUS em estado grave. Em 7 de abril, a autorização se estendeu a todos os pacientes internados. Mandetta caiu dez dias depois.”

Em uma matéria realizada no dia 17 de Abril, o Hospital  Moriah, usado como fonte frequente nas pautas do jornalismo da Record TV, revelou a cura do Coronavírus em pacientes que usaram a hidroxocloroquina. Mesmo sem estudos comprobatórios sobre sua eficácia, o medicamento é administrado no hospital de Edir Macedo, em pacientes com Covid-19 em “casos leves”. No dia, o Jornal da Record teve uma média de 9,9 pontos na audiência.

No mesmo dia, a agência Lupa desmentiu várias  informações falsas sobre o medicamento.

No Brasil, há 53 estudos registrados na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) que analisam os efeitos da cloroquina a retrovirais, além de outras tecnologias como plasma sanguíneo e células tronco, em pacientes com Coronavírus.

Duas empresas privadas fabricam a cloroquina no Brasil: a EMS produz a versão genérica — a patente da cloroquina venceu há décadas. O grande desafio da EMS, que foi pioneira no setor de remédios genéricos no Brasil, é alcançar isoladamente a liderança no segmento que ajudou a desenvolver no País. Em uma briga de gigantes, a  também brasileira Medley, comprada pelo grupo francês Sanofi-Aventis por R$ 1,5 bilhão, em abril de 2009, lidera nessa área com 32,67% de participação.

Após várias declarações do uso da cloroquina pelo presidente norte-americano, apurou-se que Trump tem uma pequena participação financeira na Sanofi, empresa francesa que é uma das maiores fabricantes do medicamento. Além disso, uma das principais acionistas da Sanofi é uma empresa administrada por Ken Fisher, grande doador do Partido Republicano.

A outra empresa brasileira é a Apsen farmacêutica, com Renato Spallicci no comando, um ferrenho aliado de Jair Bolsonaro. Segundo a revista Exame, um plano emergencial foi feito para triplicar a produção do Reuquinol, com turnos extras nos fins de semana, mesmo sem comprovação de eficácia contra o Covid-19.

Ou seja, o estímulo ao consumo da cloroquina decorre da produção em massa do produto, feita por empresas aliadas ao governo e dos militares, através dos laboratórios das Forças Armadas.

Live do Presidente- ( Reprodução/ Facebook)

Em artigo escrito na Revista Questão de Ciência aponta que:

“à medida que a evidência científica de que o uso de hidroxicloroquina (HCQ), com ou sem o antibiótico azitromicina (AZ), no combate à COVID-19 em pacientes hospitalizados é, na melhor das hipóteses, inútil – quando não perigoso –, os apóstolos fervorosos da cura mágica abraçam, com gosto, uma manobra clássica do repertório das pseudociências: mudam de alegação, adotando uma que confunde com mais facilidade. No caso, a de que a combinação HCQ+AZ funciona sim, mas requer uso precoce, “bem no início dos sintomas”, antes que se faça qualquer exame diagnóstico.”

No dia 1º de junho, Jair Bolsonaro autorizou o reajuste nos preços dos medicamentos em até 5,2%. O aval foi publicado em edição extra do “Diário Oficial da União”

Segundo o jornalista Jamil Chade,”nas últimas semanas, o governo brasileiro chegou a comemorar a decisão da Casa Branca de destinar ao Brasil duas milhões de doses do remédio, enquanto o assessor de Jair Bolsonaro, Arthur Weintraub, sugeriu que “um tribunal de Nuremberg fosse estabelecido contra as pessoas que se recusarem a receitar o remédio”. 

Curiosamente, no início do ano, Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindicato da Indústria Farmacêutica do Estado de São Paulo (Sindusfarma) disse:

Nosso setor é o último a entrar na crise e o primeiro a sair dela

Com o avanço da descoberta dos corticoides, na última semana, os Estados Unidos colocou fim aos estudos com hidroxicloroquina. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde do país, o medicamento, elogiado por Donald Trump, não traz benefícios ao tratamento.

No Brasil, o cenário é outro, com a desistência internacional da cloroquina, a corrida agora é contra o prazo de validade, já que se acumulam caixas e mais caixas de produção do remédio. Sob a ajuda de Macedo e o pico da pandemia no país, médicos relatam que estão sendo ameaçados por não receitarem cloroquina.

A cura espiritual versus a cura pela cloroquina

A notícia da cura de Edir Macedo repercutiu na mídia nacional e internacional de modo que, em resposta ao COVID-19,  o milagre seria a cloroquina.

Com base na análise das representações sociais da doença e da cura divina, compartilhadas pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), cujo líder é o bispo Edir Macedo, sua postura e aderência ao uso da hidroxocloroquina difere da busca pela cura espiritual promovida nos cultos de exorcismos, terapêuticos e metafísicos da Igreja Universal.

A IURD está presente em 23 países africanos e a postura de Macedo foi questionada no artigo “E a água” escrito no jornal africano “O Pais“, ao ironizarem onde está o poder da “fogueira santa, a água que cura”. 

Segundo uma pesquisa recente do instituto Datafolha, os evangélicos continuam sendo um dos grupos em que Bolsonaro tem aprovação. E, embora a maioria dos evangélicos no Brasil seja a favor das medidas preventivas, o índice dos que são contra o isolamento e acham que a população deve sair para trabalhar (de 44%) é maior entre esses religiosos do que na população em geral (37%).

Em entrevista a BBC, o sociólogo Clemir Fernandes, do Instituto de Estudos da Religião (Iser), diz que os fiéis usam notícias cientificas para acreditar na eficácia do remédio:

“Muitas das pessoas que defendem o uso da cloroquina (remédio que está sendo testado e ainda não tem eficácia comprovada) compartilham pesquisas que foram feitas com a substância, por exemplo”, diz ele. “Se fosse uma descrença total por causa da religião, isso não aconteceria. Ou seja, é problema muito mais de posicionamento político e ideológico do que a dificuldade em encaixar a ciência com a espiritualidade.”

Portanto, Bereia conclui que, em meio à uma tríade de apoiador contumaz do governo, o empresário e líder espiritual, Bispo Macedo encabeça o papel daqueles que apoiam as políticas públicas com interesses, como citado no texto “Quando líderes religiosos barganham no mercado político”, de Magali Cunha:


“Em nome do negócio político, os olhos dos religiosos se fecham às injustiças do governo e às necessidades da população enquanto os valores da tradição cristã são relativizados.

Ainda segundo a  reportagem feita pela Pública, a aliança de Edir Macedo com Bolsonaro envolve a presidência da Câmara, cargos no governo e perdão de dívidas às igrejas.

Mas o que vemos é que vai além. O poder da cura não está mais em Cristo, mas na cloroquina. Como empresário que improvisa soluções “paliativas”, o poder está na reabertura das igrejas e no consumo da fé e, por último, o Coronavírus já não é mais uma “tática satânica”, ela é apenas uma gripe que dura uma semana e já tem medicamento para curá-la. 

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Referências de checagem:

Nota – IURD – Edir Macedo vence a Covid-19 e rece alta médica em São Paulo. Disponível em: https://www.universal.org/noticias/post/bispo-edir-macedo-vence-a-covid-19-e-recebe-alta-medica-em-sao-paulo

UOL – Edir Macedo e Covid-19 https://www.tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2020/06/12/edir-macedo-covid-19.amp.htm

Instagram – Imagem do dr. responsável por Edir Macedo, Leandro Echenique

Portalt5- https://blog.portalt5.com.br/nemteconto/2020/06/12/edir-macedo-estaria-internado-em-hospital-de-sp-com-covid-19-diz-jornalista/

Twitter Erlan Bastos – https://mobile.twitter.com/erlan_bastos/status/1271200490525798407

YouTube – https://youtu.be/QUKCLCm92bg

Youtube -https://youtu.be/O1r1wdh0g8A

Consultar bula de remédio -hidroxocloroquina www.consultaremedios.com.br/hidroxicloroquina/bula.amp

G1 – https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/06/15/ministerio-da-saude-orienta-que-droga-vetada-por-agencia-dos-eua-agora-tambem-seja-dada-a-criancas-e-gravidas-em-tratamento-precoce-contra-covid-19.ghtml

Congresso em Foco – https://congressoemfoco.uol.com.br/saude/edir-macedo-que-chamou-coronavirus-de-tatica-de-satanas-contraiu-covid-19/

YouTube – Fim do Mundo – https://youtu.be/dsNUZVQYrcI

DW – https://www.dw.com/pt-br/evang%25C3%25A9licos-fazem-coro-com-bolsonaro-e-negam-riscos-do-coronav%25C3%25ADrus/a-53000050

Youtube– Comunicado oficial Igreja Universal –Disponível em: https://youtu.be/il4Mv34Ubdk

Missão – Hospital Moriah – Disponível em: https://www.hospitalmoriah.com.br/o-hospital/missao-visao-e-valores/